The Young Pope 1×04: Chapter 4

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Belardo começa a se dedicar à missão que tem na Terra como representante máximo de Deus. Esta missão não é seguir os protocolos da igreja e ser um bom Papa, é muito mais ambiciosa: fazer um milagre. Ele já percebeu que tem nas mãos uma oportunidade muito boa com Esther, que, estéril e casada com um homem estéril, tem o sonho de criar uma nova vida, o que sabe ser impossível.

A relação que os dois foram criando é curiosa, pois à medida em que ambos estão se descobrindo, eles também vão se conhecendo melhor. Mesmo sem saber o motivo da esterilidade do casal, Belardo deu a dica básica para quem está tentando engravidar: faça sexo com seu marido (ou deixar-lo regozijar-se na beleza dela, a metáfora mais pomposa que já vi para tal ato!). A partir daí, o objetivo de Esther ganha um significado mais forte por provar para Belardo que Deus existe. Sem dúvidas a sua oração na chuva, quase que “ordenando” a ação da Virgem Maria para a concepção do casal, é mais do que um simples pedido, mas um tira-teima: se você existe, você DEVE fazê-lo.

O posicionamento imperativo do sumo-sacerdote em todos os momentos (até com Maria) é curioso justamente pela plena consciência que ele tem disso. Todas as atitudes inadequadas são absolutamente pensadas, e ele não tem vergonha nenhuma de admitir que não é tão profundo quanto parece, mas simplesmente presunçoso. Genial, e a atuação de Jude Law tem sido fantástica ao longo desses 4 episódios!

O ator confere essa arrogância no olhar o tempo inteiro, agindo com a mistura perfeita de insolência e confiança. Nos momentos angustiantes, contudo, ele consegue deixar bem claro que está procurando Deus com todas as forças, e a sua identificação com o canguru é ótima por nos lembrar quem é ele naquele contexto: um absoluto, total e completo estranho no ninho, colocado naquela posição por alguém que não fazia ideia do que estava fazendo.

Voiello, por sinal, está escalando o controle que visa obter sobre Belardo, em um nível que parece querer deixá-lo sem amigos/sem ter a quem correr. O problema é que para cada cardeal desagradado pelas ações de Pio XIII, existe alguém profundamente tocada pelas suas palavras, como a irmã Suree, ou mesmo a primeira ministra da Groelândia, que, nova para o cargo e vindo de uma nação com espírito dançarino – o que confere jovialidade para os mesmos – parece ter criado uma profunda admiração pelo pontífice.

Voiello já está começando a mostrar sinais de desespero, e me pergunto se a sua absoluta fixação pelo time de futebol do Napoli não simboliza algum tipo de ligação com a máfia napolitana, talvez a mais tradicional da Itália ao lado da siciliana e da calabresa. Aliás, acredito que ficou mais do que explicado a relação que o cardeal italiano tem com Girolamo: ele é, nas palavras dele próprio, um oásis, sem pecados no mundo, que serve para aproximar o padre de Deus.

> Veredito da 3ª temporada de Black Mirror!

Chegando próximo ao meio da temporada, ainda me pergunto sobre a importância do caso Kurtwell, que, ainda que seja extremamente polêmico para a própria Igreja, não parece diretamente relacionado à trama principal, ainda que represente um enorme dilema moral para qualquer Papa. A designação de Bernardo para cuidar do caso pode significar tanto um desígnio divino, por tirá-lo da posição de ter que trair Lenny; quanto um apelo à sinceridade e retidão do padre, a quem o Santo padre acredita que tratará do assunto com a maior honestidade possível. Seja como for, foi um duro golpe para Voiello, e muda o tabuleiro a seu favor. Qual o próximo passo do cardeal?

  • Izaias teodoro

    To curtindo demais a série, atuação do Jude Law está magnifica.