The Strain 3×06: The Battle of Central Park

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O que você espera de um episódio de qualquer de The Strain, cujo o título é “The Battle of Central Park”? Mesmo que seja uma batalha de confeiteiros, toda a expectativa reservada para um título desse é de uma catástrofe programada, onde vencedores e perdedores revezam-se no microfone da discórdia para contarem os feridos de ambos os lados. No caso de The Strain nunca se deve ter expectativa alguma. Corrijo: sim, há uma só certeza. Você terá muitos motivos para ficar com (muita) raiva.

Que tal ganhar um “tateador” de estimação?

Sim, eu vivi para assistir Kelly Goodweather entrar no “quarto” do filho para presenteá-lo com um strigoi de estimação. Não é um strigoi qualquer. É um tateador. Eram crianças cegas que passaram a ser uma das principais armas nesta luta contra os nova-iorquinos. Assustado – como qualquer um ficaria – em um primeiro momento Zack não está se sentindo muito seguro sobre a companhia daquele ser bizarro naquele cubículo onde ele dorme, mas passado alguns momentos do episódio ele está brincando de “pegue a bola” com o tateador… Me desculpe você que é fã da série e que tem acompanhado The Strain até aqui, mas essa foi uma das cenas mais patéticas que eu vi na TV desde que a série chegou em 2014. Uma mistura de extremo mal gosto com um humor de terceira. Percebe-se que os caras não estão levando nada a sério mesmo. E se você se diverte com isso, deve ser o público que eles estão conquistando.

Um strigoi de estimação ou se você preferir um cão de guarda
Um strigoi de estimação ou se você preferir um cão de guarda
Uma batalha? Chamem a polícia, o secretário de segurança e ignorem as Forças Armadas!

No episódio passado (“Madness”) nosso querido Setrakian e sua indefectível voz embargada pelos anos de luta e sobrevivência, disse que o mundo começava a ser ameaçado pelas centenas de milhares de strigois espalhados pelo planeta. E por isso não é é de se estranhar que não convoquem Exército, Aeronáutica ou os Mariners para ajudarem em um problema que já ultrapassou a fronteira americana? Pois é. É o tipo de coisa que eu não consigo entender. O bicho tá pegando no Estado mais importante dos Estados Unidos e não temos uma só citação do presidente da república, de um ministro de Estado e nem do prefeito da cidade! Sabe quem tá tomando conta de tudo? Uma vereadora! E sabe em quem estão as maiores esperanças dessa distinta senhora? Em um exterminador de ratos! AHAH! Sim, o nosso querido Fet é o responsável por tentar dizimar os strigois que estão debaixo do Central Park.

O problema não é a confiança depositada no personagem de Kevin Durand e sim o mínimo de falta verossimilhança. Sem contar que muito a partir de uma iniciativa que nem ela estava sabendo, pessoas que são detidas, acabam fazendo parte de um “esquadrão suicida” na luta contra estes strigois. Ou seja: uma total falta de planejamento. Logo eles que são tão metidos “aos melhores combatentes do mundo” e que gostam de se vangloriar de suas vitórias.

Lá embaixo, o que Fet pode fazer já não é novidade desde a primeira temporada: “chuva de prata que cai sem parar, quase me mata de tanto esperar…” E é só isso que os caras têm pra lutar contra seus inimigos. Essa preguiça da FX em gastar uma grana melhor, para pagar roteiristas numa adaptação menos patética e com argumentos mais factíveis para uma série de TV, irrita qualquer um. Foi um jogo modorrento onde as equipes se estudaram o tempo inteiro e só mostraram algum interesse de lutar perto do fim, porque a única coisa que mudou mesmo foi quando o golpe espalhou as baratas e elas, assustadas, correram para fora do habitat temporário. Nenhuma força tarefa, nem um caça-ratos, nem qualquer tipo de iniciativa desses caras é capaz de vencer os strigois. É tudo uma enrolação para o que pode vir em seguida, ou seja, nada.

Ninguém vence a batalha no Central Park
Ninguém vence a batalha no Central Park
Dutch e Eph: eles agora só papeam sobre bobagens e ciúmes.

Após descobrirem que uma pequena guerra está por vir, Dutch e Eph se deslocam para o sul do Central Park. Levam toda a traquinagem para tentar entenderem como podem interromper e/ou decodificar a comunicação entre os strigois. E lá no meio dos relatórios o assunto entre eles é a Cap. Rogers, figura apresentada por Fet aos seus colegas de caçada. Aliás, o diálogo entre Fet e Rogers é a única coisa interessante do episódio, pois a sutileza da situação inusitada, tornou o papo deles tão bacana, que eu gostaria que ele tivesse durado mais.

Realmente: as pessoas já estão recorrendo aos furtos para se alimentarem porque NY está um caos, já não podem esconder um cenário de terror e de morte e eles têm tempo para discutirem a vida amorosa da hacker, que disse, entre outras coisas, que sonhou durante um tempo em ter sido uma combatente da Segunda Guerra Mundial… Fica complicado dar algum tipo de credibilidade a quem escreve essa bagaça.

Pensa que é só isso?

Repararam que quando Fet liga para Eph para falar sobre Zack, isso foi possível porque o moleque deixou o livro do Maze Runner lá no abrigo? Pois é. O caça-ratos não se deu ao trabalho de levar o livro ou guardá-lo em algum lugar. Achou no chão? No chão ficou! E Eichorst nem passou ali para ver que o menino poderia ter deixado um recado para o pai!Quando temos problemas para construir uma história em The Strain estamos indo muito além da crítica, porque falta uma questão razoável, um respeito com detalhes, como se prestes a encerrar um ciclo, nada fosse mais importante, inclusive eu e você.

Dutch perdeu qualquer relevãncia em The Strain
Dutch perdeu qualquer relevãncia em The Strain
Contagem regressiva para o “nada”.

Estamos a 4 episódios do fim da terceira temporada de The Strain, a pior desde a primeira. Os motivos não são poucos: não houve desenvolvimento dos personagens, a história não “andou”, o principal vilão de The Strain em 6 episódios possíveis apareceu em apenas um, Palmer, Setrakian, Quinlan e o próprio Eichorst passaram a ser irregulares durante toda a temporada, sem que se tenha percepção da importância de cada um para seus plots. Um grande mico do canal FX que parece completamente perdido de como levar sua atração para seu público. Potencial havia para uma história de terror que pudesse duelar com as que estão por aí no mercado. Difícil acreditar que até o próximo dia 30 de outubro – data de exibição do season finale – que The Strain nos ofereça entretenimento de qualidade, algo que está longe de acontecer desde sua estreia em 2014.

  • Flavio Batista

    Eu abandonei a serie la pelo 5 ou 6 episodio da primeira temporara… mas sempre venho nas reviews so pra ver o pessoal reclamando q a serie é ruim. é hilario!

  • Ronaldo

    Eu sabia que the strain era ruim, mas depois desse a série está de parabéns! As partes do Zack eu uso pra mexer no celular, o moleque é insuportável. Nem sei porque ainda assisto kkkkkkkk.

  • joao henrique da silveira mont

    Achei que seria a última temporada, por isso não desisti. Tem como piorar?

    • João Manoel

      Também achava isso. Não lembro quando e onde eu li, que a série estava programada para 3 temporadas, com cada uma mais ou menos acompanhando os livros.
      Como provavelmente deve estar rendendo muito dinheiro para a emissora e os produtores, vão enrolando com qualquer coisa, enquanto a audiência não desiste. Quando verem que a paciência acabou e os números chegarem no limite mínimo aceitável, anunciam o final. E dane-se quem tenta acompanhar a bagaça toda.

      • Flavio Batista

        Creio q a proxima temporada ja foi anunciada como a ultima

        • João Manoel

          É isso mesmo. Abraço.

  • André

    Até que curti esse episodio,foi o mais dinamico dessa temporada,as cenas nos tuneis até que foram legais.
    Mas concordo que essa é a pior temporada,infelizmente

  • Wagner Lutterbach

    Essa série é patética. Não consegui nem terminar nem a season 2. E acho que fui longe demais.

    Vim ler a review porque o título me chamou a atenção. Hehehe