The Night Of 1×07: Ordinary Death

Estado x Nasir Khan

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 “Eu criei um animal?”

Safar Khan questiona-se e indaga Chandra, após se ver obrigada a testemunhar as chocantes imagens da suposta vítima de seu filho. Esse Ordinary Death veio para mostrar que, ainda que ela não tenha criado o assassino de Andrea, ela é a mãe de um criminoso. Um Nasir que trafica drogas, espanca um homem impiedosamente e participa do assassinato de outro. Ainda que as vítimas sejam de índoles altamente questionáveis… Ainda que não tenha matado Victor com as próprias mãos…

E ao final desse penúltimo episódio a minha sensação é que definitivamente pouco importará a condenação ou absolvição de Naz. Ele é outro e, principalmente, ele gosta do reflexo que vê no espelho atrás da fumaça do crack e do apelido SIN-BAD tatuado nas mãos. Não me surpreenderei se ele for inocentado do homicídio de Andrea, mas logo em seguida, se vir novamente no banco dos réus acusado de traficar drogas para dentro da prisão.

A um episódio do fim, é bastante claro que o tom da série já não é mais o mesmo. Houve uma visível mudança de ritmo a partir do 5º episódio e nesse 7º voltamos a ver mais dinamismo, mas também menos atenção aos detalhes e ao realismo que me conquistou nos primeiros episódios. A dinâmica do julgamento de Naz me soa bastante ficcional, por exemplo. O que contrasta com o realismo de toda a sequência do episódio piloto. Se antes o trabalho técnico, a visão minuciosa e crua dos eventos me chamava atenção, agora o interesse pelo desfecho da trama e dos personagens se sobressai. De toda forma, termino o episódio novamente satisfeita.

Estado x Nasir Khan. No Julgamento de Nasir descobrimos que ele vendia Adderall na Faculdade e foi o único aluno muçulmano a reagir violentamente – duas vezes – em sua escola frente ao preconceito pós 11 de Setembro. E foi justamente nesse momento que ficou evidente toda a inexperiência e insegurança da advogada ao ser surpreendida durante a inquirição ao treinador de Naz. ‘Dois?’ Uma armadilha que um advogado experiente não cairia ou, ao menos, sairia com mais facilidade.

Ainda assim acredito que a defesa viveu bons momentos em Ordinary Death. No confronto de legistas/patologistas, vimos Chandra enfraquecendo o legista da Promotoria ao revelar ao júri que seu testemunho já teria condenado um homem inocente. Por outro lado vimos, acredito que pela primeira vez, a Promotora Weiss incomodada ao confrontar o excelente Dr. Katz. Ao contrário de Chandra, ela não conseguiu diminuir o testemunho do famoso patologista que surge como a principal testemunha de defesa para Naz questionando as informações do legista, evidenciando novas pistas que a Investigação Policial não se ateve e confrontando a Promotora com maestria e enorme credibilidade. Excelente o confronto entre os dois!

Dr. Katz conseguiu fazer o júri ouvir uma nova – e plausível – versão detalhada dos fatos. Uma nova teoria de física quântica que parece muito mais condizente com tudo que vimos no primeiro episódio.

É devastador ver a decadência da desestabilizada família Khan que precisa vender seus bens, enfrentar o preconceito e a condenação pública do filho, presenciar todo um julgamento que aponta na direção de Nasir e, ainda assim, manter a confiança na inocência do filho. Um fardo que Safar não foi capaz de carregar… Se as evidências e a Promotoria foram capazes de afetar a mãe do réu, o que dizer do júri? Safar afastou-se dali antes que fosse irreversivelmente convencida do contrário do que quer acreditar.

No último episódio Chandra confessou a Stone que se sente sozinha. Ao mesmo tempo Nasir sente-se abraçado pela confiança da advogada e é para ela quem ele liga quando também se sente sozinho. Mas daí nascer um beijo entre os dois? Ainda que esse tipo de atração entre advogado e cliente não seja raro, sinto que a série a apresenta de forma muita abrupta, um problema recorrente que já havia pontuado em relação a outras questões na última review. Eu sentia alguma tensão entre Chandra e Nasir, especialmente em suas últimas interações, mas ainda assim o beijo me soou forçado nesse momento. E como ocorreu em um ambiente monitorado – e a série fez questão de nos mostrar isso – tudo indica que esse evento trará sérios problemas de cunho ético profissional. Aposto que a jovem será afastada do caso e Stone conduzirá o final do julgamento sozinho, o que não deixa de ser extremamente interessante.

Stone mantém suas investigações e traz ainda mais à tona o caráter questionável de Don Taylor, um ‘alpinista’ que seduz mulheres mais velhas, ‘quase matou a ex-mulher’, foi preso e confronta Stone quando percebeu que o advogado aproximava-se de todas essas questões. Ainda que o roteiro caminhe para suspeitarmos de Don, sinto que é um recurso para nos despistar.

E em meio a uma série sombria, surge um alívio a toda essa tensão na interação entre Stone e o gato. Ah, esse gato! Presente desde o primeiro episódio, inserido em tantas e tantas referências… Stone já tem enorme afeição pelo gato que abre portas e deita-se na sua cama. Não nego, adoro isso! O eczema o incomodava e roubava-lhe a leveza, mas a asma que seu novo companheiro lhe causa não lhe importa. Na vitrine de uma loja, Stone contemplou o gato asiático, Maneki Neko, um símbolo de boa sorte… Mais uma referência? Eu ainda espero que no series finale esse gato venha a ter algum papel ou simbolismo… Os três vértices desse caso, Nasir, Box e Stone, são alérgicos ao animal…

Quebra da Cadeia de Custódia. A chamada ‘cadeia de custódia’ consiste no processo de manter e documentar cronologicamente as evidências de processos judiciais. Devem ser registrados todos aqueles que tiveram acesso e as manusearam para evitar que elas sejam modificadas e comprometam o julgamento final. O que o Detetive Box fez quando devolveu o inalador a Naz foi quebrar essa cadeia, um erro fatal e ingênuo para alguém que carrega 19 anos de experiência no Homicídios.

As atitudes do Detetive Box são altamente questionáveis e o seu papel no finale me instiga. Tal como a Defesa confrontou-o, seu trabalho investigativo foi bastante falho. Decidido a enxergar Naz como culpado, ele fixou seu olhar no paquistanês incapaz de desviar-se na direção de qualquer pista que indicasse outro suspeito. Duante Reade, Trevor, Mr Day, Don Taylor… Nenhum deles foi sequer cogitado por Box. Essa questão muito me faz lembrar o documentário da Netflix, Making a Murderer, onde algo muito parecido aconteceu com Steven Avery.

O interessante é que atrás da certeza que exterioriza, o olhar de Box nunca escondeu que ali pairava uma dúvida. Diante dos policiais, da Promotora, Stone ou no Julgamento, Box é contundente sobre a culpa de Nasir. Mas sozinho, sempre foi visível que algo ali o incomodava. Desde o primeiro episódio da série, o detetive que acompanhou mais de trezentas cenas de crimes e conviveu com centenas de criminosos, sente que ‘há algo faltando’ no caso Nasir Khan. E na cena final desse penúltimo episódio voltamos a vê-lo confrontando suas próprias dúvidas após viver um momento de calmaria tal qual a comemoração de sua aposentadoria.

E aí chegamos ao elemento chave desse episódio: o inalador de Nasir. Não consigo encontrar qualquer explicação plausível para o fato de Box ter tirado um objeto da cena do crime. Por que Box faria isso? Chandra usa uma clara referência ao julgamento de O.J. Simpson (“If they don’t fit you must acquit”) para questioná-lo e essa sugestão de que o inalador não encaixava-se na cena do crime parece a mais cabível para explicar a atitude de Box . Mas, ainda assim, por que Box faria isso? Uma atitude anti-profissional que coloca toda a investigação em risco. Ainda que o objeto tenha sido analisado e fotografado, Box violou a cadeia de custódia e coloca todo o valor probatório do objeto em cheque. E isso não é extremamente amador para alguém como Box? O que ele pretendia? O julgamento está comprometido e isso parece um sopro de esperança a Chandra, Stone e Nasir.

Interessantemente essa não é a primeira quebra da cadeia de custódia do caso. Revendo a premiere chamou-me atenção uma cena em que dois peritos questionam um policial na delegacia sobre os objetos e roupas de Nasir. O tal Detetive Matthews já estaria com essas coisas (sem qualquer anotação ou autorização oficial) e os peritos reclamam dessa grave falha na condução desses objetos.

Ironicamente, se é o inalador que pode absolver Nasir do homicídio de Andrea, é também esse objeto que o coloca como aquele que distraiu os guardas para que Freddy assassinasse Victor. E assim Naz é cúmplice do homicídio daquele que o ameaçou.  A aliança com Freddy se fortalece, mas sem Petey eles perdem a porta de entrada das drogas em Riker Island. E Freddy precisará de alguém para continuar essa tarefa… Aliás, revendo o piloto também fui surpreendida pela presença de Petey na delegacia em que Nasir é levado.

Uma nova vítima. Outro corpo apareceu nas ruas de NY e as circunstâncias assemelham-se ao caso Andrea. Mas agora se trata de uma jovem negra, não há câmeras interessadas e a polícia não podia se importar menos… Mais uma atitude questionável do cansado Detetive Box. O muçulmano assassino já está preso e esse é apenas ‘mais um homicídio qualquer em um bairro pobre’.

Tal como Andrea, a jovem mulher também foi esfaqueada diversas vezes até a morte, sugerindo um possível padrão que conecte os dois crimes. Diante desse cenário, tenho um palpite final antes do derradeiro último episódio: ainda que as atitudes do padrasto de Andrea sejam extremamente suspeitas e que existam motivos para que ele cometesse o crime, penso que podemos estar diante de um serial killer. Vítimas sem qualquer relação aparente, mas mortas da mesma forma… E é o sinistro Mr Day (o agente funerário) que me vem à cabeça com todo aquele seu discurso sombrio sobre ‘mulheres que devem ser destruídas antes de destruir’.  Os últimos episódios esforçaram-se para criar ambiguidades em diversos suspeitos, incluindo Naz, mas não consigo imaginar como ele seria o assassino por trás daquele banho de sangue sem quaisquer respingos em sua roupa. Ainda que eu reconheça que o objetivo da série não seja exatamente alcançar a resposta dessa questão, eu aguardo ansiosamente que não tenhamos um final em aberto. E quais são as apostas de vocês para o series finale?

Quem matou Andrea?
    • Cesar

      ÊÊÊ review otima e que sai rapido é a melhor coisa que um seriador deseja. Acabei de ver o episodio, entao ta tudo fresquinho na mente. Muito interessante essa nova faceta do Naz que vem sendo construida, tanto de seus problemas anteriores, extra cadeia, e agora que nao se parece nem 1% do Naz que vimos na premiere. Ali era um rapaz timido, inofensivo e que falava pouco. Agora penso que ele é capaz de tudo a todo instante. Achei ate que ele ia roubar um beijo da advogada, mas foi ela que deu a brecha.

      Engraçado como o Naz nem parece se importar mais com seu julgamento, ta numa situação “confortavel” na cadeia e tanto faz se sai ou nao, por isso que tambem acho que ele não matou a Andrea, mas pouco importa, a merda ja ta feita, o “animal” ja foi criado e se ficar livre, tambem vai dar merda.

      Sobre o Box, acho que ficou claro o pq dele ta dado a bombinha ao Naz. Queria demonstrar que merecia confiança por parte do Naz, que era um cara legalzão, acho que ate o titulo do episodio desse fato ressalta isso, e assim eventualmente receberia uma confissão de presente… achei muito claro isso.

      Temos um episodio, portas abertas pra varios suspeitos, e se antes eu me importava com o Naz, hoje confesso que nem ligo XD Meritos da serie e do ator que construiram tao bem essa nova faceta, meio rapida demais, claro, mas funcionou!

      • Walber Lima

        Eu tmb não me importo tanto com o Naz, mas me importo MUITO com a família dele. Para mim é o mais foda da série, porque geralmente não mostram esse outro lado, como a família de um assassino tão divulgado na mídia pode ser hostilizado e sofrer com toda a situação, além do drama de ter o filho na cadeia, as adversidades e ofensas.

        O beijo: Foi desnecessário mas deve ser para tirar a advogada do caso e Stone assumir, aliás ela não tem ainda o pulso firme e a segurança para se impor no tribunal, tem mt que aprender, e queria alguma aparição da chefe dela.

        Nunca achei Naz possível suspeito e continuo não achando, não ligo tanto para o assassino, só espero que seja o padrasto (que devia ser demitido na academia depois do que fez), o serial killer sendo o cara da funerária ou o próprio cara do seguro lá (em Cold Case e CSI sempre quem acusava mt alguem era o assassino).

        Maratonei para acompanhar a series finale e que série boa, nenhum episódio me cansou apesar da longa duração e ‘lentidão’, já sinto falta dela, espero que o series finale resolva tudo.

    • Noah Cezario

      meu palpite? foi o gato.

    • Alan

      Depois de dois episódios que não me agradaram, esse me agrada e muito. Começando pela direção de arte, meu Deus, quão cuidadosos eles são, como tudo é muito bem feita. Os planos, a fotografia, montagem, edição, direção, trilha… Tudo funciona muito bem. Esteticamente a obra é fenomenal.

      Sobre a trama, acho que já sabemos que a transformação de Naz na cadeia, o que vários criticaram ou ficaram com o pé atrás, não é uma transformação em si, mas sim o local onde ele pode ser quem ele é na verdade. Se Naz é culpado pela morte ainda não sabemos e acho que não, mas que ele tem o seu lado sombrio muito desenvolvido é fato.

      O beijo eu achei precipitado, mal feito e que servirá para uma saída simples.

      Não entendi o motivo de um policial com 33 anos de experiência fazer o que fez com o inalador. Acho isso também um pecado para uma série que é tão bem feita.

    • Magnosama

      Tbm achei muito forçado aquele beijo, tsc…

    • Marcos Bastos

      É bem capaz do Naz querer que a Chandra leve as drogas pra ele. Achei aquele beijo bem forçado. E o Naz definitivamente não é quem eu pensava. Os sorrisinhos deles durante o julgamento… Talvez ele não tenha matado Andrea, mas inocente ele não é e nunca foi.

    • Roberto Pereira

      Pelo jeito não foi só eu que achei aquele beijo de love story da advogada no Naz bem nada a ver diante do estilo da série. É um tipo de escorregada que – como disse a Steffi – a série não cometeu em nenhum momento nos 3 ou 4 primeiros episódios.

      Uma coisa que gosto muito nessa minissérie é o show de ambiguidades sobre todos os personagens. Ninguém é santo 100%, aliás como na vida real. Outra coisa que também gsoto é o julgamento, pontos chaves de um jeito muito bem filmado e atuado.

      Quem matou – a menos que seja Naz, o que muito me surpreenderia apesar dele ter virado um rato de cadeia 100% sem volta – é de menor interesse. O todo da série com seus personagens amorais, problemáticos, corruptos, INCLUSIVE do lado da dita “justiça” é o que mais me interessou e me agradou.

      E de repente, Steffi, parafraseando Freud: “muitas vezes um gato é só um gato!”.

      • Alan

        Concordo com a questão de quem matou. Falo por mim, que a coisa que eu mais gosto em filme/série/livro é a questão de investigação criminal para descobrir assassino e motivação.

        Depois do primeiro episódio eu queria saber quem tinha matado a garota, hoje eu ainda quero saber, mas deixou de ser o mais importante da série, as histórias pós assassinato são que importa, os personagens no geral é mais importante de quem matou ou não.

    • rodrigo

      Foi o detetive Box que matou Andrea.

    • Tiago

      Gostei da teoria do Mr Day, mas acho que a própria série tratou de colocar ambiguidade nela. Dr Katz tirou uma foto subindo a escada e era impossível ver quem estava na cozinha. Ou seja, se Mr Day invadiu a casa após Naz dormir na cozinha, ele não saberia que o caminho estava livre para matar Andrea. Assim como acho que não seja o Duane, porque ele não me parece o sujeito que arquitetaria um assassinato que ele não cometeu. Quem fez sabia detalhadamente como e o que organizar na cena do crime.

      Mas o meu medo mesmo é a da série deixar em aberto ou terminar de forma irresponsável com o assassinato de Naz por parte do Freddy.

      • Alan

        Pior que não havia pensado nisso. Quem matou a menina pode ser que não sabia da existência do Naz na casa, e eu acho que eles deixaram isso implícito, ou seja, Day, Duane e seu amigo não seriam os assassinos. O vizinho não dá para afirmar se ele sabia que Naz estava lá dentro ou não. Sobrando assim o padrasto e o cara que discutiu com ele no cemitério.

    • Fernando d.S.

      Na série original britânica, a mãe do rapaz também começava a acreditar na possibilidade dele ser realmente um assassino.

    • Meu palpite é que a inocência de Naz será o veredicto dos jurados, e que apesar de inocentado, ele sairá uma pessoa completamente diferente, ou um criminoso em desenvolvimento, ou morto.

      Como disse o @Cesar a entrega da bombinha foi uma jogada pra se fazer de bonzinho por parte de Box e assim conseguir a confissão.

      Acho que o Box é um ótimo policial, porém todo esse desleixo é por conta da aposentadoria que estava chegando, ele sabia o tempo todo que algo não se encaixava, mas ficou com “preguiça” de correr atrás e escolheu o caminho mais curto. Hoje ele percebe que fez uma escolha que vai manchar a carreira dele no último caso. Espero que ele faça algo pra compensar.

      Palmas para o Dr. Katz, foi o craque do episódio.

      Nada a ver aquele beijo da Chandra no Naz, ficou fora de contexto, e por isso, concordo que pode ser pra afastar ela na finaleira e o Stone assumir.

      Ansioso pelo series finale.

    • Matheus Ramos

      A entrega da bombinha foi uma jogada pra se fazer de bonzinho por parte de Box e assim conseguir a confissão, acho que isso ficou claro no episódio que passou. Desde o piloto suspeitei desse Mr Day e, até então, me parece a melhor opção de assassino. Não gostaria que no fim da série, aparecesse um assassino super nada haver, pra justificar a inocência do Naz. E o gato gente? Achei que só a mim que ele intrigava. rs

    • Junior Menezes

      Mais uma excelente review, bem pontuada e explicativa da querida Steffi; mas ainda acredito que foi o Naz quem matou Andrea.

    • Duilio Webb

      O Beijo foi uma estratégia. O coitado do Naz já nasceu ferrado. A visão que a série mostra sobre estes assuntos é aterradoramente real.

    • RenanSP

      Naz vai ser inocentado. Coveiro que matou. Fredy vai pedir pra Naz fazer algo fora da cadeia, ele sai e não o faz, e Fredy manda matar ele.