The Good Place 1×04: Jason Mendoza

O alívio de que Eleanor não está 100% sozinha

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Na minha concepção o maior diferencial de The Good Place neste início de temporada é – sem dúvida – a criatividade que envolve seus personagens. Desde que Eleanor colocou os pés no Lugar Bom fui cativado por um universo que é viciado em brincar com os nossos valores éticos e morais de forma que nada fique muito pesado e isso é culpa de detalhes que marcam cada personalidade ali presente. No episódio anterior a série preferiu conversar um pouco sobre Tahani Al-Jamil, a princesinha diplomática que (acredito ser) é realmente uma boa pessoa, se avaliarmos pela questão numérica do sistema. No 4º episódio nós conhecemos a pessoa pro trás de Jianyu, o monge que fez um voto de silêncio, que na verdade nao é monge e nunca fez um voto de silêncio. A sacada de revelar que Jianyu (ou Jason Mendoza), assim como Eleanor, não pertence ao Lugar Bom foi brilhante e conseguiu – junto com o piloto – expandir a gênese desse mundo com os flashbacks da vida passada. Foi sagaz demais colocar um estereótipo máximo de bondade como simples disfarce para um rapaz que está desesperado para pertencer ao Paraíso.  E nisso surge uma teoria: será que a ideia do Lugar Bom é reunir pessoas que se consideram ruins com pessoas que se consideram boas para consertá-las? Será que o propósito disso tudo seja uma auto-avaliação (mascarada como erro de dados)?

Nesse episódio Eleanor segue sendo uma péssima aluna e mais uma vez quebra as regras do Paraíso para tentar salvar a sua existência, agora com a adição de Jason Mendoza um rapaz que na vida passada foi um DJ sonhador que vendia drogas falsas para jovens no colégio. No plot paralelo (que continuam sendo ótimos adendos aos plots principais) Michael pede para  Tahani ajudar a vizinhança a encontrar seu “verdadeiro propósito”. A solução? Abrir um restaurante que servisse a comida favorita da sua vida passada. O interessante é que isso só reforça a premissa de que The Good Place é criativa ao extremo quando tenta ser didática nas suas ironias e recobre cada diálogo (principalmente na cena do restaurante) com situações inusitadas mas que refletem nossos valores e me faz repensar sobre o que considero certo/errado hoje em dia.

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Seria o Lugar Bom um teste sarcástico de auto-crítica?

Quanto mais Jason tenta fugir do personagem silencioso que criou, mais Eleanor fica desesperada. Ela quer acima de tudo aprender a permanecer ali e Jason seria uma ameaça catastrófica para o plano. O legal é que essa quebra de personalidades é que alimenta a série até o momento e promete ser um dos principais ganchos para o humor leve da narrativa. Agora, é preciso notar que se continuar num ritmo de esconde-esconde o resultado pode ser maçante para um público louco para assistir piada inteligentes. Entretanto, ao incluir Eleanor como assistente de Micheal tenho esperanças de que a série consiga subir alguns passos e se consolidar como a substituta oficial de Parks & Recreation (humor profissional e sarcástico). Quem sabe?

A expansão do sinkhole pode ser o melhor gancho da série, ou o pior até agora. A impressão desse momento é que apesar da dinâmica extremamente criativa a série ainda está em cima do muro quando persiste em arriscar demais com o cenário e reduzir os plots. The Good Place possui ótimos componentes, mas a receita ainda está no modo de preparo e nao dá pra saber (ainda) se o show veio realmente pra ficar. Apesar de ter grandes expectativas com Eleanor e sua audácia em ousar para conquistar o que acredita não merecer, ainda vejo um roteiro aberto e inocente. Falta algo mais estável na espinha dorsal que rege a vida da protagonista, nao sei exatamente o que pode ser, mas torço para que algo seja adicionado – antes que seja tarde demais.

1º What the Fork: Tudo no mundo pode ser até no máximo 104% perfeito, foi assim que fizeram Beyoncé. 

2º What the Fork: “You broke the world” Chidi finalmente com uma frase interessante. 

3º What the Fork: O prato favorito de Eleanor (da pessoa que ela está substituindo verdade) ser uma greve de fome: NUNCA RI TANTO NA MINHA VIDA. 

4º What the Fork: Fui incumbido de acompanhar a série daqui pra frente o/. Se quiser ler o Primeira Impressões escrito por Daniel Júnior clique aqui

  • carla machado

    Infelizmente estou largando a série.
    Não consegui me divertir como vcs, estou achando o roteiro sem criatividade. Os dois protagonistas sempre estarão no meu coração.

    • João Manoel

      Achei que era somente eu que pensava assim. Desde o piloto, com muito boa vontade e o coração aberto, estou procurando a genialidade toda que os reviewers e os fãs viram na série, mas não consigo encontrar nada. Fico com a impressão que fizeram um catado de um monte de coisa já produzida, colocaram tudo no mesmo embrulho e lançaram a série. E não é só TGP. Nessa Fall Season não assisti nada ainda que tenha me prendido. Se tudo fosse cancelado ao mesmo tempo, não sentiria falta de nenhuma novata.

  • Alan

    Achei o episódio mais fraco, na verdade estava muito maçante. Torcia para acabar logo. Se for renovada eu volto a assistir, por enquanto, fica na geladeira.

    • Natanael Lucas

      Tb achei o mais fraco até então, só espero que a série cresça pois o tema é promissor.

    • Fabi Alves

      esse ep foi bem fraco e non sense no sentido ou no non sense mesmo (sei la) ruim ! falta mto pra poder vir na mesma frase que parks na minha opinião.

  • Matheus Ramos

    Por enquanto to adorando a série, pra mim, a melhor estreante de comédia da fall season!

    • João Carlos

      Das comedia tambem acho isso.

  • João Carlos

    Ja que mostraram flashback sem ser da Eleanor ja fico ansioso para ver de outros pesonagens.