The Good Place 1×08/09: Most Improved Player/…Someone Like Me as a Member

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Eleanor em "...Someone Like Me as a Member"

Não é todo dia que você encara os seus defeitos e conversa sobre eles.

Eleanor é uma protagonista necessária e perfeita para The Good Place ser o que é. Sua jornada até agora foi de mascarar uma identidade que não era sua e negar o tempo todo sua personalidade da vida que teve. Ela aprendeu muito com isso, e até mesmo Chidi (sua falsa-alma-gêmea) considerou seus leves avanços. O diferencial da série é caricaturar uma ideia presente na moral religiosa (seja ela qual for) de que suas ações precisam ser constantemente dividas entre Bem & Mal. Eleanor – assim como qualquer ser humano decente ou quase isso – está no meio dessa balança, na média. “Deveria haver um lugar médio para as pessoas que meio que são um saco, mas de uma forma divertida e boa” diz ela e isso exemplifica e muito o humor que a narrativa vem explorando. The Good Place está me divertindo demais, e por essa eu definitivamente não esperava!

Com uma introdução bem elaborada, “Most Improved Player” começa com um interrogatório entre Eleanor e Michael para descobrir afinal quem ela realmente é. Mas antes disso somos retransportados para a icônica cena em que ela está sentada no sofá observando a parede com os dizeres “Bem vinda! Está tudo bem”. Se no início da série essa frase servia para tranquilizar, agora tudo parece uma obra de sarcasmo pesado que somente Eleanor é capaz de absorver, e isso acontece vira uma grande tortura durante todo o resto do interrogatório. A dinâmica que o roteiro trouxe com as cenas seguintes só colocou a produção num patamar de avanço que garante ótimos frutos para o futuro.

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Michael & Eleanor em Most Improved Player

O grande mérito do oitavo episódio foi introduzir o núcleo do Lugar Mal. Essa inserção pode ter soado abrupta e chocante, mas foi ótima e encaixou perfeitamente para caricaturar ainda mais o Lugar Bom e esse “sistema” que avalia o comportamento humano como se fosse uma planilha de Excel. Com isso, conhecemos Trevor (quem lembra do Adam Scott em Parks & Recreation?) o demônio encarregado de levar Eleanor de volta para o lugar a que hipoteticamente pertence. A caracterização dele foi no ponto! Um rapaz que veste um blazer preto, complexado, preguiçoso, coxinha, machista, egocêntrico e 100% irritante.

Desas forma, todo o cenário de The Good Place se transforma mais uma vez com a chegada dessa trupe do mal. Adorei a forma com que eles foram abordados, desde o figurino cheio de roupas de grife com peles de animais até as várias poses para selfies sem nenhum sentido aparente. Fora o detalhe que no Lugar Mal nossa heroína é praticamente uma celebridade por conta de um bullying que promoveu com sua housemate e acabou virando um empreendimento lucrativo. O episódio inteiro é uma chuva de sarcasmo que chega a ser hilário acompanhar a diferença entre Bem & Mal na perspectiva filosófica que a série propõe. O que faz da experiência de assistir um mix de comédia com reflexão, mas uma reflexão pesada mesmo!

No final de “Most Improved Player” a equipe do Mal revela que a verdadeira Eleanor estava o tempo todo com eles, sendo torturada no lugar da Falsa Eleanor, e daí temos mais um forte gancho que The Good Place executa muito bem e que acredito que irá funcionar perfeitamente se a série continuar com essa dinâmica rápida de resolver arcos longos e com futuros promissores.

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Kristen Bell e Adam Scott em “…Someone Like Me as a Member “

No episódio seguinte temos Kristen Bell realizando o ápice emocional de Eleanor ao ter que deparar com a decisão de aceitar qual lado deve ficar. Enquanto isso todo o background caminha para uma pequena guerra política entre Michael e Trevor, mesmo que isso não tenha soado diretamente maléfico. “…Someone Like Me as a Member” foi um belo retrato de como Eleanor não pertence realmente a um grupo especifico e nunca pertenceu (ou quis pertencer). E isso fica bem claro com os flashbacks visitando momentos da sua vida em que não encaixava em nenhum tipo exato de comportamento e transfigurava uma personagem cansada de ter que se rotular o tempo todo. Talvez isso seja o grande trunfo dela e que faz do roteiro algo tão esperto. Eleanor possui um caráter tão corrupto, que consegue ser o ponto exato de sua humanidade, mesmo que toda sua persona seja baseada no lado mais obscuro e irritante de ser humano hoje em dia.

A possibilidade de ter que passar a vida eterna sendo torturada num lugar a qual “teoricamente” lhe pertence cria um choque de realidade nela. E por conta de compreender que toda aquela situação é culpa das suas ações ela escolhe alterar todo o sistema e enfrentar um possível embate. Eleanor quer provar que pertence ao Lugar Bom porque diferente de quem vai para o Lugar Mal, ela quer pertencer a algo. Ela viu – através da ajuda de Chidi, Michael e os demais amigos – que o Lugar Bom pode ser a sua redenção.

No paralelo tivemos Michael enfrentando outro tipo de medo: a insegurança. E isso foi ótimo para caricaturar ainda mais a equipe do Mal e mostrar o quão imaturo Michael se encontrava até aquele momento. Tanto que o possível embate que a protagonista teria que enfrentar acaba ganhando um capitão; e lá está Michael, enfrentando Trevor com a maior convicção de que a falsa Eleanor é necessária ao Lugar Bom e tem o direito de escolher onde ficar. Naturalmente que essa decisão haverá consequências, e que termos mais um personagem introduzido como árbitro nisso tudo. Um tal de Shawn (ou Sean?!). Mas quem será esse Shawn (Sean?!). Enfim, para uma série que veio com um conceito sólido e inventivo, a perspectiva de focar no destino de Eleanor daqui pra frente promete ser o melhor mistério até então e só ajuda a transformar o show em algo impressionante de acompanhar.

> Veredito da 3ª temporada de Black Mirror!

What the Fork 1: Finalmente Tahani descobriu a verdadeira identidade do Jianyu/Jason! Quem sabe agora esse monge falso acabe trazendo algo realmente divertido e digno do nível que a série apresentou até então.

What the Fork 2: Ela também foi a que convenceu Zuckerberg a tirar o “The” de “Facebook”. Amizade básica não é mesmo?

What the Fork 3: PELA MOR DE DEUS EU QUERO MAIS JANET DO MAL AGORA!

What the Fork 4: Por conta de uma semana turbulada tive que atrasar alguns textos do SM e The Good Place acabou sendo afetado. Mas semana que vem tudo volta ao normal!

  • Letícia Menezes

    Shawn is, tecnically, God. Não acho que vai introduzir ele no próximo episódio. Como será que Tahani lidará com a verdade de Jianyu?
    Fico feliz que Michael managed to stand for himself!
    E a conexão entre Chidi e real Eleanor? Fez fake Eleanor se sentir deslocada e que não pertencia.

    • Fabi Alves

      ai fiquei com mta pena quando vi o chidi e a real eleanor

      • João Carlos

        Os dois combinaram de uma forma magica.

    • João Carlos

      Chidi e a real Eleanor desde o começo da para ver que foram feitos um para o outro. E a escada do quarto? HahahH

  • João Carlos

    A Eleanor provou agora que merece seu lugar em Good Place. Ela mudou desde de que foi para aquele lugar e ja que até decidiu ir para o seu verdadeiro lugar mostra que Good Place a merece realmente.
    Esses dois episódios foram bons

  • Lisiane Ortiz

    Eu adoro essa série. Ela é leve louca do seu modo.
    O cubinho detector de mentiras foi muito fofo.
    A bad Janet é maravilhosa.
    Chidi e a real Eleanor são alma gêmeas mesmo, isso o the good place acertou!

  • Matheus Ramos

    ”Ela também foi a que convenceu Zuckerberg a tirar o “The” de “Facebook”. Amizade básica não é mesmo?” Hahahaha essas referências na série, são sensacionais!
    Eu fico impressionado com o ritmo da série, com os excelentes ganchos que vão sendo deixados. The Good Place foi um presentão da fall!