The Flash 3×03: Magenta

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Talvez o grande indicativo de que ainda existem esperanças para The Flash seja o fato de que um episódio como Magenta, apesar de tão mediano, ter soado como algo bom frente aos dois anteriores, além de parte da temporada passada. A verdade é que a série do Corredor Escarlate perdeu muito do que a fazia tão divertida em seu ano de estreia. Muito da fórmula repetida exaustivamente já não mantém o mesmo apelo que antes, como por exemplo, a falta de atenção para mais um vilão escondido por uma máscara, ou pela segunda vez consecutiva o herói e protagonista da série estar engajado em corrigir seus erros ao invés de agir verdadeiramente como um herói. Mas mudanças muito mais fortes do que a intromissão do Barry na linha do tempo já começaram a ser empregadas, para nossa sorte.

E tudo começou a mudar e melhorar após o retorno de Harrison ‘Harry’ Wells, o cientista carrancudo e superprotetor mais bem vindo do mundo das séries. É interessante como a participação de um personagem pode mudar completamente a dinâmica da série. Até então tudo o que estava acontecendo em The Flash soava extremamente desesperador, triste, sombrio e permeado por uma nuvem de negativismo. Até que, em uma jogada inteligente, os roteiristas trouxeram Tom Cavanagh de volta. O mais engraçado é que Harry não é, nem de longe, um personagem carismático no sentido positivo, ao contrário, ele age na grande maioria das vezes como um verdadeiro estraga prazeres. Mas é essa balança emocional que oferece aos outros personagens a oportunidade de brilhar e do ritmo retornar a apresentar detalhes que pareciam apagados.

Tome como exemplo a revelação de que sua filha é uma meta-humana. Em nenhum ponto ele agiu como deveria neste caso, mas tentou de toda forma fazer com que a Jesse desistisse de sua tentativa de ser uma heroína. Graças a esse momento tivemos o retorno de um Cisco mais solto, de uma Caitlin mais aberta aos problemas pessoais e também para que Wally tivesse algo para fazer além de simplesmente aparecer no fundo da cena como um objeto de decoração. Este é o peso do personagem, o de ajudar a empurrar a trama para o lugar certo.

Magenta não é um episódio primoroso e com roteiro afiado, mas mantém tantos aspectos positivos que fica difícil classificá-lo como algo abaixo da média. Se comparado ao auge da série, porém, ele não faz frente a capítulos como Welcome to Earth-2, ou Enter Zoom, mas é, de maneira geral, superior a seus antecessores desde o retorno da série. O principal motivo é a mudança no tom. Muito mais próximo ao que estávamos acostumados, Flash decidiu deixar de lado o tom mais sombrio e voltou a suas origens.

É preciso que exista sempre uma divisão dentro de qualquer produção, e gosto de imaginar que Flash e Arrow, as precursoras do universo unificado da DC na televisão, são os lados opostos e complementares de um mundo habitado por heróis e vilões. Enquanto a série do Arqueiro Verde nunca chegou a adotar uma tonalidade mais clara, a do Corredor Escarlate ficou conhecida por entregar exatamente o que a outra não estava disposta. Só que a vida de um super-herói é composta de altos e baixos, e o segundo ano de Flash, com Zoom, demonstrou que a produção estava disposta a seguir por um caminho menos vibrante e mais ameaçador. E o resultado não foi bom.

The Flash -- "Magenta" -- Image: FLA303b_0223b.jpg -- Pictured (L-R): Joey King as Frankie Kane and Tom Felton as Julian Albert -- Photo: Bettina Strauss/The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All rights reserved.
The Flash — “Magenta”

Criar Flashpoint demandou novamente um tipo de mundo que não é tão interessante assim, principalmente por causa da falta de coragem dos roteiristas em criar algo realmente memorável. O que nos sobrou foi a tristeza e a culpa, elementos que já estavam presentes desde a temporada anterior, quando Barry começou a se culpar por todas as atitudes de Zoom, já que havia sido ele o responsável por abrir os 52 buracos em Central City. E Magenta serve para trazer de volta a aura de boa vontade e confiança que tanto estava faltando na série. Durante quarenta minutos o que prevaleceu foram os discursos de “você consegue” e “a culpa não é sua”, um comportamento característico da produção, mas que havia desaparecido em detrimento da expiação pessoal do herói.

Ver Barry lutando para trazer das trevas uma menina abusada pelo pai adotivo é uma mensagem pessoal muito mais forte e representativa de um super-herói do que tê-lo sempre reclamando de que não consegue ser rápido o suficiente. Tudo bem que a abordagem mais sensata só veio porque Barry é, de fato, o culpado pela transformação da jovem, mas ainda conto como algo positivo na balança quando analiso o tratamento que o roteiro deu para as interações entre o herói e a possível vilã. É isso que falta na série e que está precisando voltar a existir. Lembra daquele Flash que ajudava a cidade, salvando transeuntes, ajudando na pintura, conseguindo café para todo mundo? Precisamos de mais atitudes altruístas, por menor que sejam, elas ajudam a contrabalancear o aspecto egoísta que a série adotou.

No meio de tudo também tivemos, finalmente, o desdobramento do relacionamento entre Barry e Iris. É sempre bom compreender que neste universo, e isso não se trata de uma característica da CW, apenas, o relacionamento amoroso do herói é tão importante quanto o vilão que ele está enfrentando. Não se trata de uma imposição da emissora, ou do público alvo, mas sim da necessidade de uma âncora. Iris West é, tanto na série quanto nos quadrinhos, o para raios de Barry Allen. Quando teve sua estreia a série deixou bem claro que no futuro ela seria tratada por Iris West Allen, a esposa do homem mais rápido do mundo. Se tem algo que aprendemos após dois anos de série, é que o tempo sempre encontra uma maneira de se corrigir. Este lado também é muito difundido na nona arte, e se bem trabalhado, como neste terceiro episódio, tem tudo para enriquecer e muito a existência do personagem como herói.

Claro que ainda existe o medo de cair em um relacionamento como o de Oliver e Felicity, cheio de ultimatos e dinâmica falha, mas o roteiro tratou de trabalhar Iris como uma mulher diferente de Felicity Smoak. Existe uma compreensão muito grande a respeito da trajetória do herói que só começou a ser desenhado no quarto ano de Arrow. Alie ao fato de que Flash precisa ser uma série menos sombria e o relacionamento entre ambos tem todos os fatores trabalhando a favor de uma história competente, mesmo que nem sempre feliz. E é isso que falta na massiva maioria de séries adaptadas de histórias em quadrinhos e também foi essa abordagem que ajudou a colocar Magenta como um episódio bem estruturado para a temporada.

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Easter eggs e outras informações

– Neste episódio tivemos a participação de Magenta. Sua primeira aparição foi em The New Teen Titans (Volume 1) #17, de 1982. Ela começou como uma heroína, mas por causa de seus poderes terminou desenvolvendo outra personalidade menos amistosa.

– Foi também neste episódio que finalmente Jesse Quick assumiu sua função como velocista. Nas histórias em quadrinhos, porém, ela retira seus poderes de uma fórmula matemática que a permite retirar poderes da força da aceleração.

– A frase utilizada por Harry “Run, Jesse, Run” é a mesma que foi utilizada por Harrison Wells/Eobard Thawne durante a primeira temporada da série.

– Fast enough, outra frase dita pelo patriarca Wells para a filha, é uma menção direta ao nome do último episódio da primeira temporada, além de ser uma repetição de algo que praticamente todos os personagens da série já utilizaram para ajudar o Barry em algum momento.

  • Ricardo

    Posso me enganar, mas consigo imaginar ja Wally indo pedir para o alchemy ”dar”poderes para ele, criando aquele velho plot de alguem que quer poder, e depois se arrepende de ter ido procurar o inimigo

    • Flavio Batista

      Caracas, entrei aqui so pra escrever isso. Ta muito na cara, velho rsrsrs

    • João Paulo

      Certeza.
      E ainda vamos ver muito drama nisso aí, ainda mais que o ele quase morreu como Kid Flash no Flashpoint.

  • Junito Hartley

    A Magenta tinha poder de teleporte tambem? porque ela sumiu da frente do Homem mais rapido da terra pelo menos duas vezes, e o Wally, parecendo uma criança mimada porque a amiga ganhou poder e ele nao, putz! e ainda tem que o Barry falar com ele o pai etc. cada vez que eu vejo Flash da vontade de largar.

  • Douglas Damacena

    eu to atrasado em The Flash que acompanho e ainda não assisti a 3ª temporada, mas estou lendo as reviews e pelo jeito a minha previsão esta se concretizando, Flash ta se tornando massante igual a Arrow se tornou, dramas totalmente dispensáveis e que acabam por deixar a série chata e previsível, enfim jeito CW de ser.

  • Gabriel

    Só precisou trazer o Harrison de volta para a série entregar um ótimo episódio. E achei hilário o Barry achando que tinha moral para disciplinar o Wally. Gostei da cena entre Flash e Magenta.

    • Caio

      Tbm gostei bastante do episódio.

  • LUIS HEBER

    Que plotzinho fraco e chato esse do Wally querendo poderes….tedioso ao extremo.

    Achei o episodio como um todo bem ruinzinho.

    Esse inicio de temporada está bem aquém dos anteriores.

    • Isac Marcos

      Concordo. Surpreendeu, só que negativamente. E não sei pq, mas acho que esse plot do Wally ainda vai ser beeeem esticado (afinal são mais de 20 episódios) e que ele vai entrar em contato com o Alquimia (mais um mascarado misterioso, como bem salientou o Diego Antunes neste review) para dar start nos poderes dele.

    • Fábio Santos

      Sempre achei Wally um mala e nesse ele se superou com aquele ciuminho.

  • Vitner Santos

    Eu só acho que se quer se divertir tanto assim vai ver série de comédia!!!!!

  • Fábio Santos

    Concordo com você quando diz que o Barry deveria ser mais herói. Ele tá caindo naquele chororô “Oliver Queen” de ficar se lamentando toda hora e isso era uma das coisas mais chatas na série do Arqueiro. Aí em contrapartida, Arrow voltou a ser um pouco mais “macha”, as lutas melhoraram, Oliver não tá tão assim de chororô; e até Legends voltou bacana nessa segunda temporada (essa parece que encontrou uma linha pra seguir e estou gostando). Enquanto isso Flash só não me deu sono nesse episódio por causa da volta do Wells e da Jesse “Crush” Quick. Tô achando ela repetitiva demais já… Como dito na review, faltou coragem dos roteiristas.
    Mas, a série já provou que pode fazer excelentes capítulos. Ainda espero por algum deles nessa temporada.

  • Dinho

    Tá meio confuso essa parada aí. Se o Flash Reverso depois que matou a mãe do Barry pulou para 2016 com o Barry, não era para o Wells original ainda estar vivo? Quer dizer, a trama toda da primeira temporada nem deveria ter existido.

    • rodrigo

      Esse é o problema em viajar no tempo, não tem como consertar tudo kkk

  • R

    Parei para ler algumas reviews de séries que eu dropei e vi a de Flash agora. E esta como sempre, uma review de qualidade do Diego no geral e uma execução sem qualidade da série. Apesar de gostar de hqs, nunca fui muito xiita em termos de adaptação, até agora. Uma das minhas histórias preferidas, com o potencial que ela tem os caras conseguem adaptar dessa forma. Tem que queimar qualquer indício de dna ou existência de quem fez, além de isolar a família para que nada próximo disso ocorra novamente na história.

  • josimar

    Depois do horrendo season premiere, achei o 3×02 e o 3×03 até simpáticos em comparação.

    Mas o mais importante: Tom Cavanaugh tá de volta à série <3

  • Bruna Horta

    Adorei o plot do Wally, foi surpreendente e nem imagino o que está por vir……………NOT!

    • Que susto, Bruna. hahahaha

      • Bruna Horta

        hahahaha… Harry, melhor pessoa!