Suits 6×01/02: To Trouble/Accounts Payable

O retorno de Suits: um novo cenário, os velhos dilemas.

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Suits está de volta, galera. Também estamos aqui de volta (com um ligeiro atraso pelo qual me declaro guilty) para acompanhar os novos passos do show, que – lembremos- teve um final razoavelmente ousado e com mudanças drásticas. Tanto dentro quanto fora da prisão – novo cenário introduzido na trama.

Em To Trouble, acompanhamos um plot já razoavelmente familiar: a adaptação de Mike à prisão. Cabelo raspado, uniforme, choque com a disciplina policial. Enfim, todos estes problemas evidentemente seriam enfrentados pela personalidade questionadora e insubmissa de Mike. Embora ele não tenha um diploma que lhe garantisse “cela especial” (=P), chamam atenção as boas condições da prisão em que ele se encontra (compare, por exemplo, com The Night Of – para usarmos um exemplo contemporâneo).

Confesso, porém, que me incomodou bastante a figura daquele terapeuta. Esse plot para mim careceu muito de verossimilidade. Tudo bem, nunca estive preso, mas em que prisão você tem um counselor ou psicoterapeuta fazendo avaliação psicológica individual de cada detento. Ainda mais nestes tempos de hiperencarceramento (tanto lá nos States como aqui). Ou seja, uma solução bastante fácil para colocar um amigo à altura “intelectual” de Mike – e que, de quebra, lhe confronte com as porções mais escuras do seu ego.

Creio que seria mais rico que essa companhia para Mike viesse através da amizade de algum outro detento. Isto é, uma amizade verdadeira, né! Já que Mike teve o azar de se deparar com um roomate falsiane – que prometeu se vingar de Harvey (que lhe acusara, nos seus tempos de promotoria).

Do lado de fora, Pearson, Specter e Litt se veem completamente abandonados e com a situação da firma por um fio: além da saída de todos os funcionários, eles estão sendo processados em uma ação coletiva por cada caso em que Mike pôs as mãos. Essa parte do episódio para mim fluiu de forma bem melhor que a da prisão. Os velhos antagonismos e trocas de acusações entre eles. O alívio cômico de sempre, temperado com comida chinesa e com o baseado compartilhado entre eles (em busca de uma solução criativa).

Os naming partners contaram não apenas com a ajuda sempre fiel de Donna e a madura superação de Rachel [vai ser interessante acompanhar como ela seguirá a vida aqui fora], mas a surpreendente permanência do “cara da TI” – que identificou o hackeamento dos antigos associados com o objetivo de bifurcar a firma, atraindo os clientes.  Por ora, a sangria da firma parece estancada com a ideia de Louis de pagar a fortuna exigida pelo processo – como forma de não deixar nada para os associados levarem.

Por sua vez, Accounts Payable segue a mesma tônica: lá e cá, prisão e firma. Agora sim, Mike recebe um amigo bondoso – seu verdadeiro roomate – a quem rejeita inicialmente por ter “permitido” que seu novo inimigo, Frank Gallo, entrasse na cela e o enganasse.  Porém, Mike ainda precisou se preocupar mais com Frank, que soube como atiçar sua fúria tocando em seus pontos fracos: Rachel e Harvey (não necessariamente nessa ordem =P). Entretanto, Kevin (o novo roomate) teve a chance de mostrar seu valor, salvando

Já no segundo dia de prisão, Harvey necessita ir à prisão resolver a situação. Retornamos ao modus operandi de sempre. Harvey é solicitado por Donna/Rachel/Jessica a resolver algo que envolve Mike – que reclama independência e exige que Harvey se afaste – que não consegue cumprir sua promessa, complexificando a situação antes de fornecer uma solução satisfatória. No caso, entrando em choque com Frank e o ameaçando mais forte.

Outro retorno ao modo usual é a relação de (pseudo) proteção entre Harvey e Rachel e de cobrança da parte dela para ele. Rachel é notadamente uma personagem bastante passional (ou, ao menos, a que o é de forma mais explícita) – o que explica a maior parte das críticas que ela recebe do público. Momentos como esse em que acaba havendo uma involuntária rivalidade entre Harvey e ela só reforçam essa percepção: já que com o carisma intrínseco dele é realmente difícil de competir.

Ainda sobre Harvey, ele esteve no centro das ações do lado de fora da prisão também. Eliott Stemple, uma excêntrica e inoportuna figura, melou o acordo costurado por Louis contra a ação coletiva. Eliott questiona o acordo e como chantagem exige de Harvey algo monetariamente irrisório, mas de imenso valor afetivo – um quadro pintado por sua mãe. Aqui o roteiro quis transmitir emoção ao enfatizar a abnegação em sacrificar uma cara lembrança de sua família em prol da sua “verdadeira família”. Não estou seguro que o resultado desta intenção do roteiro tenha sido satisfatório.

Jack Soloff e Robert Zane estiveram de volta em suas disputas particulares com Jessica. Todas bem resolvidas (felizmente), mostrando uma nova Jessica capaz não apenas de atos ousados, mas que sabe recuar para avançar – e que, além disso, aprendeu a cultivar mais amigos que inimigos espalhados por aí!

Em resumo, o retorno de Suits para esta temporada entrega aquilo que já conhecemos da série. Estes dois episódios me tiraram bastante a impressão (esperança?) de grandes mudanças na trama. É isso aí mesmo e não é a prisão de Mike que vai mudar. Manter o que já é familiar não é, em absoluto, uma crítica total – os diálogos afiados (especialmente, o embate de Harvey com a advogada rival) permanecem e os momentos de brilhantismo particular das personagens também. Entretanto, fica a menção de que um pouco de surpresa não cairia mal!

  • manuela

    Finalmente!!!! Estava ansiosa pela nova temporada e pela rewiew!!!
    Ainda é cedo pra dizer muita coisa.. mas me espantei com o Falsiane.
    Claro que o Mike teria um “rival” na prisao, mas nao achei que seria logo assim, chegando na cela! Rsrs
    Achei que seria por ele mesmo, justamente por nao ser nada submisso.. rsrs, que ia acabar arrumando uma briga, e conquistando a antipatia de algum barra pesada.

  • manuela

    Finalmente!!!! Estava ansiosa pela nova temporada e pela rewiew!!!
    Ainda é cedo pra dizer muita coisa.. mas me espantei com o Falsiane.
    Claro que o Mike teria um “rival” na prisao, mas nao achei que seria logo assim, chegando na cela! Rsrs
    Achei que seria por ele mesmo, justamente por nao ser nada submisso.. rsrs, que ia acabar arrumando uma briga, e conquistando a antipatia de algum barra pesada.