Shooter: nova série de ação com Ryan Phillippe mostra apenas mais do mesmo

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As adaptações do cinema para TV de filmes de sucesso jã são um grande problema. A necessidade quase que obrigatória de fazer referência ao original, quando muitas vezes poderia melhorá-lo, torna sua adequação para TV escrava do roteiro e também das suas falhas. Já critiquei a crise na TV americana em busca de ideias que fugissem apenas das homenagens. Isso tudo eu apenas me referi aos filmes de sucesso. Quando você pega uma produção como “Shooter” (2007), que tinha no seu elenco o canastrão Mark Wahlberg e o arroz de festa Danny Glover (bom ator, mas péssimo em escolhas) e leva pra TV, sem que o próprio filme tivesse qualquer apelo à época, você está apostando na derrota. O canal USA ao menos acertou em um detalhe: chamou um ator tão caricato quanto Wahlberg: Ryan Phillippe.

Quando Bob Lee Swagger, um afiado atirador de elite (Phillippe), tenta levar uma vida pacata após os eventos trágicos que aconteceram enquanto fuzileiro naval, ele é procurado por seu Capitão Isaac Johnson (Omar Epps) para ajudá-lo na proteção do presidente americano. Johnson suspeita que o mandatório estadunidense esteja correndo risco após uma forte investigação sobre o paradeiro de Slotov, um atirador de elite que já trouxe problemas ao passado de ambos. Naqueles clichês que sempre acontecem em atrações deste calibre, Bob Lee hesita, mas acaba ajudando o ex-colega.

Omar Epps é a "escada" do personagem de Phillpe em Shooter
Omar Epps é a “escada” do personagem de Phillpe em Shooter

Quando um roteiro de TV trabalha com premissas batidas para o formato, o mínimo que se espera dele são perfumarias não encontradas no mercado. No entanto, em “Shooter” tudo está lá como se espera: a família comercial de margarina, os pesadelos que assolam quem já foi responsável pela morte de muita gente, a guerra fria entre russos (ou próximos, como chechenos) e americanos e o eterno desafio de se mostrar que nem tudo é aquilo que parece ser. Tudo isso recheado com uma pitada de flashback, cenas feitas propositalmente para parecerem ambíguas e nenhum senso de emoção.

Phillippe não tem o rosto de um ex-mariner tarimbado. Está longe de aparentar cicatrizes da guerra e parece mais um ex-boy band aposentado do que alguém afligido por lembranças de guerra. Além de não ter a atuação e a dinâmica necessária para espelhar os sofrimentos de alguém com este perfil, não tem bala na agulha (ao menos no piloto) para segurar a onda do seu papel. Sabe o que fica mais feio?

Em um determinado momento Johnson tenta apresentar o perfil vencedor de Bobby Lee como se ele fosse o antigo Chuck Norris e o próximo Jack Bauer (“Ele lutou com 200 talibãs por 46 horas”), como se dissesse: “não percam os próximos episódios porque ele fará coisas espetaculares”. Será?

Ryan Phillippe e Omar Epps em mais uma cena de Shooter
Ryan Phillippe e Omar Epps em mais uma cena de Shooter

O que se vê nos 40 minutos entediantes da série é a preparação para recepção do presidente em Seattle, carregada de uma falsa expectativa quanto ao que pode acontecer na aparição dele diante de um grande público. Vamos lá, você já viu isso em dezenas de filmes, que traziam no elenco desde o quase centenário Clint Eastwood (Na Linha de Fogo) a Channing Tatum (O Ataque), todos eles sob a honrosa função de protegerem o presidente. Os elementos narrativos e o roteiro sofrem pequenas alterações, mas é tudo parte do que já vimos algum dia. No caso de Shooter o que temos em seguida?

Uma proposta que lembra “O Fugitivo” (Harrison Ford): um inocente tendo que provar – sabe se lá por quantos episódios e temporadas – que Bobby Lee não tem qualquer relação com a tentativa de assassinato do presidente. Tudo isso bezuntado a perseguições, correrias, provas falsificadas e aquele trelele que você vê em alguns filmes bons e vários filmes ruins.

Duas coisas de fato me impressionaram: a trilha sonora é muito boa. Fugindo um pouco do senso comum de um acompanhamento dramático que leva cordas e cellos aos tons menores que deixam qualquer cena “pra baixo”. Os rocks que tocaram em vários momentos do piloto são muito bons. E por fim: a cena em que Boby Lee se joga do prédio é muito real. A ponto de eu olhar a cena algumas vezes e “acreditar” que Phillippe queimaria minha língua por tamanha ousadia em cena. Ela impressiona.

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Fora isso, aquele relicário de ruindades que não precisam entrar na sua agenda apertada de séries que você não consegue colocar em dia. Shooter? Pode pular.

Nota 2/5

  • Carolina Alvarenga

    Nossa detonou kkkkk de fato o filme já não tinha grandes apelos.

  • Amanda Ávila

    Discordo, adorei o piloto! Vou seguir

    • Riggins

      poiseh…eu tbm…haha

    • João Carlos

      Tambem gostei

  • Riggins

    bah eh como sempre falo aqui…porque alguns tem medo de falar…a série eh massa e sempre tem um querendo detonar…entendo que eh opiniao…mas quem nao viu o pilot…nao vai querer ver depois de ler tudo que esse individuo Daniel Junior…escreveu…triste isso…

  • Gulliter Henrique

    Contrariando a opinião de muitos, eu gostei do piloto. Não assisti ao filme, mas achei a série legal e conseguiram me convencer. Continuarei a acompanhar e espero não me decepcionar.

  • Carolina Alvarenga

    Eu sou suspeita porque não curto o ator…se fosse outro até arriscava

  • João Carlos

    Pode ter sido mais do mesmo, mas para mim soube fazer muito bem. Da para ser uma serie que voce assistir e que vai entreter.

  • Danilo

    Ainda continua na minha watchlist, não irei tirar por uma crítica.
    Mas eu adorei a parte:
    “…parece mais um ex-boy band aposentado do que alguém afligido por lembranças de guerra”
    HAHAHAHAHAHAHAHA

  • Coelho rebelde

    *Essa critica foi destruidora,para quem ler não sentir vontade de assistir a série.
    *Eu assisti o filme SHOOTER inclusive tenho o DVD e tenho que dizer que Swagger como um lobo solitário que acaba se relacionando com a ex noiva do melhor amigo é mais interessante que Swagger com uma família a tira colo.
    *Gosto do Ryan Phillip mas concordo que a primeira vista ele não parece um homem de guerra,ele tem um rosto com traços delicados e juvenis ao contrario do Mark Wahlberg mas quem ve cara…
    *Não gostei do agente Memphis ser uma mulher gostava mais do bromance.
    *O piloto não foi ótimo mas foi pelo menos pra mim foi bom por isso quero ver o 2°.
    *A cena que ele cai do prédio foi sensacional deu para sentir a dor dele batendo naquele carro.