Roadies 1×08: The All-Night Bus Ride

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A calmaria em meio a tempestade que está por vir. Apenas assim que eu consigo definir esse belíssimo episódio de Roadies.

O oitavo capítulo focou em algo que eu pedia e batia o martelo tantas vezes: acompanhar o passado dos personagens para conhecê-los melhor e analisar as camadas mais profundas da personalidade de cada um. Os produtores devem ter me ouvido clamando por isso e começaram a me obedecer com 46 minutos focados no passado de Phil, contando para o resto da equipe numa roda dentro do ônibus, num cenário bem simples e confortável, sobre o seu início como roadie profissional e como se apaixonou pela profissão, pela música e por seus músicos.

Com direito a flashbacks, vimos um jovem Phil em conexão com o Lynyrd Skynyrd, e principalmente com o seu falecido líder, Ronnie Van Zant. A história foi tão rica em detalhes e bem contada, que eu tive que procurar para saber se o Phil realmente é baseado em alguma personalidade real. Minha pesquisa foi inconclusiva, mas se alguém tiver mais sucesso nessa empreitada, fique à vontade para compartilhar os seus achados. Ron White foi magistral nesse episódio, ele deu vida à história com bastante propriedade, sabendo prender o resto da crew e fechando o conto com uma voz de choro que me contagiou diretamente. Ao final de tudo, eu estava bastante emocionado, mas quando o Song Of The Day foi um cover acústico de Wes e Milo cantando “Simple Man”, um puta nó apareceu na minha garganta que foi difícil de desatar.

Reg teve um plot consideravelmente importante nessa semana. Ao analisar o orçamento da banda para ver se era possível que ela fizesse uma turnê europeia, o nosso britânico amargurado passou a questionar a sua função na equipe depois de ter uma epifania vendo, pasmem, Dead Sex! Finalmente esse show fictício teve algum propósito concreto para Roadies, e quem diria, em um momento de introspecção e análise de personalidade. Se eu pensava que essa história de turnê europeia seria o gancho deixado para a segunda temporada, ao final do episódio coloquei as minhas fichas na repercussão da descoberta de Reg. O cara foi contratado apenas para desmanchar a banda, já que Preston planeja fazer com que o Tom largue os seus companheiros e siga carreira solo. Um arco mais conflituoso e impactante do que apenas uma excursão pelo Velho Continente. É o início da formação da tempestade, segure-se.

Bill e Shelli estavam aproveitando do clima romântico entre eles, mas a notícia de que seu sogro faleceu fez a moça sair às pressas do ônibus e ir em direção ao seu marido. O conflito criado mostra que mesmo Bill e Shelli sendo um ótimo casal dentro da turnê, com uma excelente química e conexão, ela ainda tem uma vida fora desse casulo que precisa ser resolvida, enquanto ele não tem. Ver Bill melancólico e sozinho na mesa enquanto o resto dos rodares estavam se interagindo mostra bem essa dependência do personagem pelo seu par romântico, e o quanto o sentimento de amor dentro dele cresceu. Agora com a morte do sogro, Shelli encontra-se em uma posição de vulnerabilidade, em que ela precisa dar total apoio ao seu marido, negligenciando Bill por algum tempo. É um conflito interessante, porém triste, que se desenrolará nas próximas semanas.

Com um episódio que nos entregou informações importantes para o andamento final da temporada em poucos plots, mas que disse muito sobre um dos melhores personagens de toda a série, Roadies prepara o terreno para os dois capítulos finais e cria a força necessária para consagrar a sua renovação. Algo que eu aprendi até aqui, e foi confirmado nessa semana, é que o show não é sobre loucuras dos bastidores, quebradeira rock n roll, drama meloso, mistério bizarro ou plots mirabolantes, e sim, apenas, sobre o amor e a música, e muitas vezes, o amor à música. É uma ode a todos os amantes desse universo musical.

Roadiando:

– Gooch de novo!!! Queria que a sua aparição se tornasse regular, e não apenas uma coisa esporádica.

– Wes é o novo Phil. O amor que os dois compartilham pela música é algo incrível.

– Todo mundo ali junto no ônibus para ouvir a história do Phil foi tão fofo e sincero.

– Queria saber de onde o Cameron Crowe tirou a ideia para fazer Dead Sex, que puto plot bizarro.

– O ator que deu vida ao Ronnie Van Zant estava ótimo no papel. Acho bem difícil, mas adoraria vê-lo de novo em algum flashback.

  • Thay

    Simplesmente maravilhoso o episódio.. que série gostosa de assistir, é na simplicidade que vemos como algo bonito pode ser construído, ainda mais em um momento que a TV americana só sobrevive de revival. Adorei a review <3 e a série Dead Sex é o ápice da sociedade que vivemos ahahahha

  • Ruth Aparecida

    Assisti esse episódio em específico por causa da banda. Muito bom por sinal. Esse finalzinho é pra deixar com o sorriso (trite) no rosto.