Roadies 1×07: Carpet Season

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Criar uma série requer muito planejamento. Você tem que dar vida, falas e personalidades à diversos personagens, na esperança de torná-los os mais críveis possíveis e na esperança de que passem uma simpatia para o público afim de construir aquela singela afinidade. O quadro se complica quando você decide criar um show de ensamble cast, aí meu amigo, terá um trabalho dobrado ou triplicado, com a intenção de construir cada personagem na sua essência e individualidade para, ao longo da temporada, explorar as camadas de cada um, dando o senso de dimensionalidade para cada ser humano criado por você, ó showrunner e leitor. É preciso alcançar essa profundidade da personalidade em cada personagem criado, pois só assim, que o seu show terá um andamento mais realístico e uma conexão mais forte com a audiência e mantê-la interessada e fiel à série.

Ao final desse sétimo episódio, eu fiquei com a impressão de que Roadies ainda não mergulhou nas camadas mais profundas de seus personagens. A série ainda se mantém numa faixa mais superficial dos mesmos, sem aquele ímpeto e vontade de aprofundar as histórias em cada plot. O que é uma pena, pois dá a entender que nada sai do lugar, os episódios ficam estáticos em tramas simples e pouco complexas, fazendo com que o fã menos interessado acabe desistindo do show e partindo para outro mais bem desenvolvido. Até então tivemos apenas umas menções ali e aqui do passado do Bill, mas sem profundidade. Eu amaria ver mais camadas do nosso tour manager sendo exploradas: o passado alcoólatra, seu casamento fracassado e sua relação com Shelli. Nesse episódio tivemos o moço se abrindo para um grupo de AA e numa tentativa de entrega de presente à moça que exemplifica a estagnação da série: Bill tentando falar com a amiga que tem um presente e ficando no quase para entrega-lo é a imagem perfeita do que vivemos até aqui. Rodares tenta nos entregar histórias mais aprofundadas, mas falha na sua execução, sempre terminando os episódios no quase.

Nem tudo está errado e tortuoso nesse caminho construído até aqui. O sétimo capítulo caiu um pouco de nível em relação ao anterior, mas mesmo assim, teve um saldo bastante positivo. Tivemos um bocado de plots rolando, em uma boa interação entre os seus personagens, mesmo que nessa camada superficial. E foi essa interação que mais me chamou a atenção. A começar pela força tarefa de caça e recuperação de bens formada por Bill, Reg e o Philzão da Massa. O iPad do Christopher, recheado de demos novas, e o famoso yearbook da Janine estavam desaparecidos, e graças aos poderes médiuns do nosso querido Puna, o trio conseguiu rastrear os pertences até o Mike Finger, o fã número 1 da STH. O plot foi resolvido com facilidade, confesso que esperava mais complicações nessa empreitada, mas foi proveitoso porque conseguiu juntar 3 dos melhores personagens da série, criando uma boa dinâmica entre eles e com bons momentos protagonizados por Bill e Phil.

Enquanto isso, Kelly Ann estava animada com a presença de Abby Van Ness, uma puta fotógrafa do cenário rock n roll que estava em Seattle para fotografar a banda para uma capa da Vanity Fair. O que aparentemente seria o plot principal do episódio, foi uma trama sem brilho e meio óbvia, com a Abby sendo uma verdadeira otária e estrelinha, desrespeitando toda a equipe de roadies e destruindo a imagem que KA tinha dela e dando uma dura, desnecessária, na moça. O que aconteceria em seguinte já era esperado: STH não engole o ego enorme da jornalista, cria um caos no estúdio, destruindo todo o cenário criado para a sessão de fotos e a Namorada do Rodrigo, esperta que é, se aproveita da situação e tira uma única foto de toda a confusão, fazendo com que sua ex-ídolo fique impressionada com o retrato batido pela moça. Adicionou algo para a trama? Não mesmo. Explorou a profundidade dos personagens? Muito difícil. Foi divertido? Foi. Porém, foi mais um plot preguiçoso e desleixado apresentado pela série, perdendo totalmente o brilho que ensaiou mostrar no início do episódio. É necessário melhorar e aperfeiçoar essa construção para os próximos, se a série quer ser salva do cancelamento.

Agora a melhor parte de todo o episódio: o brilhantismo de Wes e sua química perfeita com a, maravilhosa que eu amo e cantora convidada do dia, Halsey. Essa semana foi inteira dos dois, em que contracenaram perfeitamente durante o tempo que tiveram em tela. A cantora, que foi a banda de abertura da noite, é amada pelo melhor babá do mundo, e logo de cara ele tratou de mostrar seu amor pela artista e deu início à uma bela relação dos dois. Com direito a um jam acústico feito pelo dueto, Wes recebeu uma proposta de trabalhar para Halsey, o que deixou Winston, de coração partido com a possibilidade. Felizmente, a proposta não pôde ser concretizada, e o cara permaneceu com a STH. Mas antes de tudo, era preciso mostrar para o Devil Child que sua babá tem afeto por ele, e foi na cena em que Wesley encena a recusa de proposta de trabalho pra cantora que um largo sorriso se abriu em mim. Uma das cenas mais fofas de toda a série e com a participação de uma das artistas mais lindas e marcantes que apareceu como convidada na série. Quero mais Halsey para ontem!

Entregando um episódio que serviu mais para estreitar relações e melhorar a dinâmica entre o seu elenco, Roadies sofreu um pouco na sua execução, mas sem comprometer muito com o resultado final. O que falta para a série nesses últimos três episódios visando assegurar a renovação é mais consistência entre os plots e mais coragem para explorar e aprofundar em certos personagens chaves. É preciso mergulhar mais a fundo na história para mostrar que a série merece voltar para o segundo ano e não ser mais uma promessa dessa temporada. “Vamos voltar pra casa, treinar forte e voltar para o próximo jogo em busca dos três pontos, pois o nosso elenco é capaz de conseguir a vitória.”

Roadiando:

– Como eu fiquei feliz com a volta do Philzão da Massa. Some não, cara!

– A Halsey tem uma voz lindérrima, procurem mais sobre a moça que vale a pena

– Wes vivendo o sonho de muitos de nós em conhecer seu artista favorito e fazer um jam exclusivo

– Segundos finais só apreciando o sorriso da Imogen Poots. Obrigado, Roadies

– Milo nem deu as caras nessa semana. O vexame de perder a oportunidade de abrir o show do STH deve ter abalado o rapaz.

  • semsaco.com

    Oi Rodrigo. Tudo bem? Tenho lido suas resenhas sobre Roadies e acho que você está com um olhar muito formalista sobre essa série. O Cameron Crowe está propondo uma série sem grandes arcos e plots. É só uma série de situaçōes divertidas que acontecem numa turnē. Ele não está pretendendo nada além um olhar romantico sobre o rock. Uma retomada do tema de Quase Famosos. Não existe nenhuma lei obrigando um roteiro a ter arcos. Ele está inovando a linguagem.

  • Alexandre Medeiros

    Roadies é uma série sobre o amor pela música, principalmente das pessoas que trabalham atrás do palco. O 8º episódio evidenciou bem isso, contando a história de como o Phil caiu nessa vida com o Lynyrd Skynyrd. Não acho que seja sobre as pessoas, mas sobre o amor delas pela música.