Roadies 1×03: The Bryce Newman Letter

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A indústria musical depende de múltiplos fatores para se manter em pé: fãs, marketing, mercado, qualidade oferecida, economia, demônios internos de cada componente e o ego. Mas o que mais influencia no status de cada artista, são as reviews que eles recebem por parte dos críticos. Aqueles canalhas impiedosos que vivem do sangue de bandas e estão sempre à espreita, observando cada erro cometido para criar textos destruidores de carreiras. Por isso, quando uma crítica negativa é publicada, a banda fica em um dilema: ignorá-la e odiar profundamente o crítico, ou absorver as críticas e tentar contornar a situação ao paparicar o maldito sanguinário.

O terceiro capítulo escolheu fazer as duas opções de uma só vez, e o resultado foi delicioso, graças ao roteiro, e em especial, à Rainn Wilson, o eterno Dwight Schrute no coração de cada fã de The Office. O ritmo do episódio melhorou bastante em relação ao anterior, mantendo as pontas mais internas e com poucos arcos, que se encontram durante a história, com uma boa parcela de alívios cômicos, favorecendo na construção de um episódio mais delicioso e leve de se assistir.

Primeiro de tudo, tenho que falar do Rainn Wilson. Uma participação especial excelente e que tomou os holofotes em mais de 50 minutos. Vivendo Bryce Newman, o crítico que trucidou a Staton-House Band, e que foi convidado por Reg para assistir o próximo show da banda apenas para melhorar a crítica. Só que os roadies são fiéis ao seu artista, e graças à Wes com seu Wespresso Especial Edition, Bryce entrou em uma viagem espiritual profundérrima e cheia de revelações. Rainn entrou de cabeça no personagem, desde sua arrogância e atitude metida quando sóbrio, até nas viagens psicodélicas, com direito a pagar bundinha. Uma atuação brilhante, que serviu muito para as pitadas cômicas do episódio. Espero ver mais Bryce Newman na série.

Nada disso teria acontecido se não fosse por Wes. Ao entender errado que Bryce teria um tratamento “especial”, o garoto imediatamente tramou o plano de colocar drogas alucinógenas no café do crítico. Já tinha falado que na última review que Wes já se tornava um excelente personagem por sua caracterização, e nesse episódio se mantém como o personagem mais icônico da série, suas bizarrices são excelentes e essenciais para a leveza do roteiro.

Roteiro que está se tornando mais leve e ágil. Os diálogos estão mais dinâmicos e respeitando a individualidade de cada personagem, o que garante uma melhor realidade e regularidade de cada um em cada episódio e ajuda na simpatia do público com os personagens, até com o Reg, que amamos odiar.

Podemos querer a cabeça dele pelas suas atitudes, mas é inegável que Reg é essencial para a trama. Ele é o antagonista da série, aquele que nada contra a corrente e motiva todos os membros da equipe a tomar algumas decisões a cada capítulo. Assim como todos os outros, é um personagem muito bem construído que se destaca dos demais pela sua diferença significativa, desde ser atrapalhado até não saber nada de música.

Desde que retornou à equipe, Kelly Ann sente que só se ferra, por isso a ambição da personagem em querer ser engraçada ou em receber um apelido dos colegas. Ela necessitava de uma vitória, de se sentir em casa novamente e acolhida, e finalmente ocorreu, mesmo que com ajuda de Bryce, ela foi engraçada, ajudou Bill no seu relacionamento e enfim, recebeu um apelido: Cyrano. Por mim, ela se chamaria Namorada do Rodrigo, mas fazer o que né.

Tadinho do Bill com aquele coração calejado e fibrosado, começa a produzir sentimentos mais fortes pela menina que encontra uma vez ao ano, toma um pé na bunda, tenta reconquistá-la, e leva outro chute nos glúteo, carinhoso, mas outro chute. Ainda bem que saiu por cima e com moral após mandar o texto meio piegas para a moça, com a ajuda de Kelly Ann. Com Shelli tendo problemas em seu relacionamento, o caminho para o casal se formar fica alguns centímetros mais próximo, não sei quando irá ocorrer, mas aposto de vez que irá.

Como sempre, a trilha sonora mandou muito bem, e aliada à edição, criou uma montagem fantástica com cenas de Bryce em sua viagem espiritual, conversando com um poster e um cactus, acompanhadas ao fundo com Lindsey Buckingham, o artista de abertura convidado, dedilhando furiosamente em uma versão acústica de “Big Love”.

O nível do terceiro capítulo de Roadies melhorou em relação ao anterior, ajudando a manter a estabilidade que a série precisa para ser renovada. Rainn Wilson mitou em sua participação especial e já está deixando saudade, fazendo com que a gente peça bis. Continue assim, Crowe.

Roadiando:

– Amei a Natalie Stalker ajudando a equipe a se vingar de Bryce. E gata, pode me stalkear o tanto que quiser, beijos.

– Aquela olhadela entre Reg e Kelly Ann no final: aaarrgh não!

– Lindsey Buckingham entrou e já saiu da turnê. Roadies à procura da banda de abertura perfeita, qual será a próxima?

– Bryce caindo numa prank de Wes. Alguém mais lembrou de Dwight e Jim?

– A edição mostra muitas imagens de como um palco é construído do zero à cada show. É impressionante o tanto de pessoas que participam desse processo para entregar um show toda vez. Por isso que respeito bastante bandas que mencionam e agradecem suas equipes a cada concerto. Os roadies são fodas.

  • Keilla Teixeira

    Eu tô curtindo a série. É a coisa mais espetacular do mundo? Nunca, mas me entretêm. Eu sempre termino os episódios com um sorrisinho no rosto (igual ao que acontece com todos os filmes do Cameron Crowe). A trilha sonora é o melhor personagem da série.

  • Keilla Teixeira

    Eu tô curtindo a série. É a coisa mais espetacular do mundo? Nunca, mas me entretêm. Eu sempre termino os episódios com um sorrisinho no rosto (igual ao que acontece com todos os filmes do Cameron Crowe). A trilha sonora é o melhor personagem da série.