Ray Donovan 4×04: Federal Boobie Inspector

0
77

A vida dos Donovan sempre foi cercada de empecilhos e pequenas desavenças, algumas que se tornam grandes problemas para Ray resolver. O retorno de Mickey veio pra intensificar o problema, enquanto Ray tenta fazer com que Abby caia em si e se resolva antes que ele tenha que interceder. Já Bunchy tem uma visão mais adulta sobre o que é o casamento, com uma Theresa muito mais feroz.

I got a job for you

– Ray

Hector parece pouco ligar ou então não aprende que Marisol é um risco pra sua carreira, um perigo ainda maior para a sua família. A cena de sexo deles foi nojenta, é difícil apontar se o motivo é o incesto – sim, eles não são realmente relacionados, mas foi assim que construíram os personagens – ou se o ato foi feito propositalmente pra arrancar essa reação do telespectador. O relacionamento de Hector com Marisol é complexo, crianças que sofrem abuso tem um vazio sentimental muito grande e quando Marisol se ofereceu a ele, essa foi a única experiência de afeto que ele teve fora a de seu abusador.

Campos fica preso a essa dinâmica destrutiva mesmo sabendo o quão errado isso é, porém em Marisol ele teve um pseudo apoio que não teve em mais ninguém na época em que sofria calado. A trama de Campos ainda não tem uma função definida, não encaixa na vida profissional de Ray e também não tem um lugar exato em sua vida pessoal, Hector é uma espécie de irmão ainda mais danificado que Bunchy, mas talvez seja um espelho de como Ray se enxerga.

Com o possível câncer, Abby tem enfrentada quase que sozinha toda a questão de sua mortalidade. Entretanto ela reagiu de forma inesperada, o tratamento é alcançável e sua negação na profilaxia é simplesmente imbecil. Abby não precisaria enfrentar tudo isso, mas a escolha dela é maleável porque ela tinha que acreditar ainda no prognóstico. Lena e sua doctor friend foram bem nessa sequência, apesar desse plot ter sido um pouco alheio ao restante do episódio, como conjunto ele funcionou bem.

A nova adição à família chegou sem surpresas depois do casamento de Bunchy. No entanto, se for analisar desde a primeira temporada, era impossível imaginar que Ray seria tio, ainda mais de um bebê do Bunch. Ainda tem a questão de Mick, essa foi a conexão perfeita pra que ele pudesse retornar a Los Angeles e continuar atrapalhando a vida dos Donovan. A baby mama, Theresa, é uma personagem um tanto chata, sua personalidade é difícil de lidar e ela não tem muita função além de se irritar com os Donovan; sua hostilidade é tediosa, tudo bem que Bunchy escolher Ray e Abby como padrinhos do bebê sem consulta-la não foi legal, mas ela podia ao menos tentar viver em harmonia com a família dele.

Se não fosse por ser o Ray, seria condenável prometer coisas que são quase impossíveis de entregar. Como fixer, Donovan tem certa facilidade em conseguir as coisas, mesmo ele estando longe de ser o mocinho é inevitável criar uma espécie de fé “cega” nele. A sua promessa pra Sonia é uma das mais turbulentas para cumprir, mas ele sempre maneja uma saída e é isso que faz esse personagem tão fascinante. Foi repentino recorrer a Cochran, todavia as ideias de Donovan em geral são responsáveis para uma tarefa bem-sucedida, só que o fator Mick envolvido automaticamente coloca tudo a perder.

Mick é um caso à parte, tudo que o envolve é questionável e desastrado. Os Donovan sabem disso, só que nem sempre rejeitam as participações do falso patriarca da família. Ray escolhendo trabalhar com o pai não é imprevisível, ainda mais em tempos difíceis. Aliás, nada mais justo do que Mick pagar pelas suas irresponsabilidades, mesmo que de forma indireta. E ele ainda tem muitas contas a prestar.

O melodrama de Terry é tão ridículo que não tem como não comentar. Ao invés de prosseguir com a vida, tentar alguma coisa que o faça feliz, ele insiste em sentir pena de si mesmo. O Parkinson não é o único problema que Terry tem, sua falta de iniciativa e enclausuramento são tão graves quanto a sua doença e essa repetição dos plots do personagem já passou do limite do aceitável, ele precisa de uma guinada e um rumo diferente pra que suas tramas comecem a valer a pena. Justamente aí que entra Damon, o possível prodígio do boxe que ainda complementa uma ligação mais próxima entre Daryll e Terry como nenhum outro assunto poderia ter feito.

Sometimes you got to believe in God

– Mick

O episódio foi como um retorno ao passado, um deja vu diferenciado. Tramas passadas voltando de certa forma, personagens inesperados sendo revistos e um Ray Donovan mais vulnerável. A incerteza do encaminhamento que a série está tomando já é um atrativo em si, o tumulto e a euforia que esses quatro episódios retrataram foram muito bem-sucedidos em contar mais uma parte da estória de Ray. Os ciclos do enredo não insistem – na maioria dos casos – a se repetirem e esse fator faz um bom drama. Enquanto Ray Donovan tentar variar e inovar no script, continuará sendo uma das melhores opções na escassa summer season.

Fix 1: foi ótimo Ezra voltar a trama, mesmo que indiretamente. Esse lado da vida de Ray era tão curioso, seu relacionamento com Ezra Goldman era uma das melhores coisas no início da série.

Fix 2: Bunchy é o único idiota que ainda cai na de Mick, é surreal isso.

Fix 3: Ed fazendo Ray cantar no karaokê foi impagável.