Quando as Luzes se Apagam

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Quem tem medo do escuro?

Há um certo medo do escuro primordial em todos nós. Talvez um resquício do tempo em que precisávamos ficar em alerta perante a uma natureza ameaçadora. Com o tempo, e a tecnologia, paramos de temer as ameaças naturais e começamos a temer o que povoa nossa imaginação, aquilo que é imaterial, sem forma.  “Quando as Luzes se Apagam” (Lights Out, 2016) brinca habilmente com esse temor latente num filme que não foge do óbvio, mas que apresenta um resultado divertido.

Rebecca (Teresa Palmer) nunca teve uma infância fácil, o que acabou moldando seu comportamento atual. Os traumas causados por Diana, uma “amiga” de sua mãe não foi fácil de se apagar e ainda permanecem num canto adormecido de sua memória. Quando seu irmão mais novo Martin (Gabriel Bateman, o moleque encapirotado de Outcast), também começa a sofrer nas mãos da mesma entidade, Rebecca retorna ao lar, para descobrir que o que se esconde nos cantos escuros da residência é muito mais mortal do que ela imaginava.

O filme apresenta uma das motivações clássicas dos filmes de terror: a da família que luta contra uma entidade maléfica. Analogias a parte, o mote do filme é a questão de lidar com os problemas familiares, ali no fundo, a aparição assassina é somente um motor narrativo para que a roupa suja seja lavada de maneira definitiva. David F. Sandberg consegue lidar bem com a quantidade absurda de referências contidas no filme. Desde seu curta homônimo que serviu de origem para o filme ao terror asiático, “Ringu” sendo a mais óbvia de todas, as referências permeiam cada canto da trama, mas isso não é um empecilho para o diretor “estreante”. Ele consegue dosar a reverência e a sua “marca” de modo engenhoso, criando uma película que preza por uma narrativa enxuta e bem desenvolvida. É possível notar a mão de James Wan em alguns momentos, aqui ele age como produtor, mas nada que estrague o brilho independente de Sandberg.

A fotografia que brinca com o contraste de luz e sombra, aliada a um design de som inteligente, que ajuda a sugerir a ameaça em qualquer penumbra existente, são os pontos fortes no quesito técnico do filme. Outro ponto de interesse é a subversão inteligente de alguns clichês do gênero, com personagens que lutam e não cometem os erros “básicos” que levam em direção a morte certa. Até o humor involuntário que surge em alguns momentos, servindo como um respiro entre uma sequência tensa e outra, acaba sendo um charme a mais.

Ao final da sessão, fica a sensação de dever cumprido, já que “Quando as Luzes se Apagam” acaba sendo uma surpresa nesse meio pasteurizado de filmes que deixam pontas soltas para continuações oportunistas. Com começo, meio e um agradável e satisfatório fim, os sustos estão garantidos e aquela sensação de que isso poderia ocorrer com qualquer um é crível. Seria bom checar as luzes antes de dormir hoje à noite, afinal, nunca se sabe o que se esconde no escuro da sua casa.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Warner Bros Pictures Brasil 

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  • Ainda não vi, espero que não apelem tanto para jump-scares, um recurso que me irrita bastante.

  • Que não tenham abusado do jump-scare

  • Ronaldo

    Parece bom, anda bem escasso os filmes bons nesse gênero.

  • Ronaldo

    Parece bom, anda bem escasso os filmes bons nesse gênero.

  • fernando

    Espero que seja tão bom quanto eu acho que será

  • fernando

    Espero que seja tão bom quanto eu acho que será

  • Allan Fábio Carnaúba

    O filme foi ótimo ?? Não, mas eu gostei, não sei dizer oque ficou faltando pra ele ser ótimo, mas ficou uma sensação de… não sei explicar, mas eu gostei de verdade, tem cenas bem inteligentes, a cena do alarme do carro é o maior barato, entre outras cenas dp filme. No final não deu bem pra entender, como um ser da cabeça de uma pessoa vem pro mundo real, mas… Vlw a o ingresso.