Primeiras Impressões: Quarry

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Talvez não se seja necessário de apontar, mas algumas histórias cruzam as fronteiras que separam as muitas gerações de espectadores. Alguns contos nascem familiares, sem em qualquer momento terem de lutar pelo seu lugar no imaginário popular. O bravo cavaleiro que parte com a destemida missão de assassinar o dragão e resgatar a princesa. O homem regular que colhe no sangue da sua família chacinada a sede de vingança. Em Quarry, o soldado que volta para casa acreditando na mentira de que a guerra não o seguirá. Elas têm sido contadas por décadas e por muito mais tempo sobreviverão. Se por alguma razão, talvez porque funcionem.

Mesmo as mais ingênuas, pois elas também expiram um princípio que qualquer humano, incondicionalmente de gênero, raça ou credo é capaz de compreender: a busca por um objetivo. Aqui, acompanhamos um homem que descobre não ter um. Mac Conway (Logan Marshall-Green) é um fuzileiro naval que retorna ao seu lar após dois circuitos no Vietnã, apenas para descobrir que os seus companheiros e ele foram demonizados pelo público após o alegado massacre de Quan Thang. Carregando a motivação que trouxe consigo da guerra, mas sem ordens claras a seguir sobre onde ir e o que fazer, ele descobre que o mundo não está preparado para perdoá-lo pelas suas ações.

Mais uma vez, uma história familiar. Na realidade, Quarry parece não servir um propósito aos dias de hoje. As batalhas sangrentas no Vietnã e a afirmação da contracultura já foram alvos de dramatização inúmeras vezes no cinema e na literatura. Querendo ou não, o assunto já se tornou… obsoleto. De um jeito ou de outro, Quarry parece não ter nada novo ou pertinente a dizer. Os próprios romances que deram origem à série foram escritos na segunda metade da década de 70, quando retratar um membro da Marinha desta forma era ousado em algum nível. Então sim, a nova produção da Cinemax parece procurar no período uma licença fetichista para se fazer única e ‘adulta’. Talvez o Vietnã pudesse ter sido trocado pelo Iraque? Com isso dito, por mais que Quarry não tenha nada inédito a dizer filosoficamente, a narrativa afiada e o seu talentoso elenco mostram merecer um lugar em 2016.

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A ideia que pode melhor sintetizar a aura que Quarry emana é a de renascimento. Não é em momento algum disfarçada (ou tratada com qualquer sutileza) a importância da água no ambiente inóspito que é a mente de Mac Conway. Ela está até no título do episódio, afinal. Na sua primeira cena, Quarry já tem o seu protagonista se arrastando para fora do oceano, literalmente renascendo ou talvez fazendo a caminhada da evolução para algo diferente.

As visões que o ex-militar tem enquanto submerso são para ele o que as bolhas estourando num copo eram para Travis Bickle (Robert De Niro) em Taxi Driver. O pânico que desperta nos momentos de calmaria mundana. Como alguém pode esperar que você volte ao mundano depois de chacinar outros seres humanos numa selva? Mac, que aparentemente sempre teve uma conexão com a água, descobre que o silêncio submarino agora alavanca o trauma. O mesmo homem que construiu uma piscina sozinho e viu com brilhos nos olhos a oportunidade de ser um professor de natação e ganhar uma miséria por isso.

Na verdade, não é a única semelhança entre Travis e Mac. É possível ver nos dois o mesmo desespero passional e fervoroso por um emprego, ambos implorando por algo com que se manter ocupado para não terem de conviver com os próprios pensamentos. É claro que com Mac nós temos também a necessidade de prover para a sua esposa, Joni (Jodi Balfour) e mesmo o sentimento particular que os norteamericanos parecem nutrir pelo mundo do trabalho (para ser um cidadão de bem, você precisa construir algo com as próprias mãos e se cobrir de suor para provar o que fez). Travis parecia estar mais interessado em matar o tédio, mas nós vimos exatamente o que aconteceu quando o homem ficou sozinho com as próprias ideias por tempo demais: ele decide matar um político e entrar em guerra com criminosos.

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Então, durante o seu distúrbio pessoal, novas forças entram na vida de Mac. O ‘Corretor’ invade a casa de Mac numa tentativa de recrutá-lo para a sua associação de assassinos de aluguel. E ainda que o soldado diga ‘não’, o seu conflito diz ‘sim’. Uma infeliz série de eventos leva até a morte do melhor amigo de Mac, Arthur (Jamie Hector, o Marlo de The Wire), e força o protagonista a pagar a literal dívida de sangue do morto. É, de longe, um dos traços mais curiosos do episódio: o que por fim define a entrada de Mac no mundo das cabeças por ouro não é a sua própria ganância, mas a necessidade de executar o trabalho pelo qual o seu velho amigo foi pago. Ao menos a princípio.

No fim do piloto, nós conhecemos um novo homem. Um que não precisa de muletas, que não precisa inserir qualquer honra no que faz. O “certo tipo de homem” de que o Corretor falava. Talvez Arthur estivesse certo; talvez não haja mesmo nenhuma diferença entre matar guerrilheiros vietnamitas pelo seu governo e desconhecidos pelo Corretor. Matar é matar. Triste para Mac. Quando Arthur é alvejado e Mac entra em ação, só um tolo não conseguiria enxergar nos olhos do sujeito que é para aquilo que ele foi feito: para estar em constante estado de emergência, longe do perigo que a calmaria representa. Ele não foi feito para beber cervejadas geladas com os seus amigos, ele foi feito para vê-los morrer e sujar as mãos de sangue. Afinal de contas, ele sufoca um homem com a meia que tirou da perna prostética da sua outra vítima como se essa linha de pensamento fosse a mais natural existente. É simplesmente a forma com que ele pensa. E quando nós o vemos assassinar o amante da esposa, nós temos a certeza de que matar pode não significar nada para ele.

Quarry exala potencial pelos poros. Que fique claro: nenhum dos conflitos de Mac é particularmente inédito sob o Sol, mas isso está longe de significar que eles sejam chatos de se ver. Inicialmente, a série sofre da insegurança que a Cinemax parece ter com as suas investidas. Você consegue perceber que todos ali estão tentando serem levados a sério mais do que o necessário, quase como se o canal quisesse convencer o espectador de que ele está vendo algo saído da HBO. Nada fora do habitual. Ninguém tentou mais escrachadamente num piloto do que Banshee e a série acabou sendo uma das coisas mais legais da TV nos últimos anos.

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O piloto de Quarry se esforça para transparecer uma multitude de significados, quando o maior deles aparece justamente quando a coisa é mais sincera: Quarry não inventa a roda. E nem vai inventar. É a sua típica história de um soldado voltando para casa e tendo de encarar as coisas que fez e no que se tornou. Ponto. E se não a inventa, tampouco a renova. Seria uma bobagem esperar que Mac Conway acabe fazendo nas engrenagens o que Tony Soprano ou Don Draper fizeram.

Técnicamente, o valor de produção é alto e ainda assim deliciosamente modesto. A sua suspensão de descrença é sempre valorizada e você acredita sempre que está em Memphis naquela precisa década, graças à fenomenal equipe cenográfica. A fotografia promete bastante, especialmente pelas composições mais claustrofóbicas. O plano em que a estatueta do homenzinho no vaso sanitário (se matando através da água, vale dizer) está em foco e Mac está sumido no meio do bokeh lá atrás é bem legal. A cena final na piscina invocando o reencontro do próprio Mac com Joni é melhor ainda. O trabalho de cor é mais óbvio, com as tonalidades com baixa saturação que você esperaria de qualquer drama ambientado nos anos 70, mas as cenas no apartamento do Buddy, por exemplo, mostram que elas conseguem ser bonitas de se ver. Enfim, é sempre bom ver TV bem produzida.

Portanto, mesmo não estreando confortável consigo mesma ou com muito a dizer, o potencial de Quarry é inegável. Há compromisso por trás da série e as pessoas dentro dela parecem estar se divertindo bastante contando essa história. E quando falo de potencial, falo também do monstro peculiar que a conclusão na piscina mostra que Mac Conway pode vir a se tornar. Banshee era uma sessão semanal de pessoas encontrando razões para se socarem e eu me divertia à beça. Quem sabe, talvez Quarry acaba indo de Taxi Driver à John Wick na escala de seriedade. Ou talvez prefiram continuar estudando a escuridão na alma de um homem, numa vibe mais Apocalypse Now. Seja como for, certamente não vou rejeitar uma história de crime pulp saída do mesmo lugar que nos apresentou o xerife Lucas Hood.

  • Fernando d.S.

    Estou com muita vontade de conferir essa nova série de crime pulp do Yaiatanes no Cinemax pois os criticos americanos estão elogiando bastante.

    É o mesmo produtor e a mesma emissora de Banshee e parece ser tão boa quanto.

    • Sr. Hericles

      Não vi uma recepção tão quente lá fora assim não. As opiniões que vi foram bem mornas, naquela de que a série é boa, mas tem muita coisa pra melhorar.

  • Luis Fernando

    Eu também nao me empolgo tanto com historias de volta de um soldado para casa depois de lutar no Vietnã, mas por ser do produtor de Banshee e por ser tao bem produzida, a serie se torna um ótimo entretenimento. Aprovada, vou continuar assistindo.

    • Sr. Hericles

      Acho que agora que adiantaram esse conflito inicial a coisa melhore, Luis. No final do episódio pelo menos nós já temos um personagem novo.

  • Izaias teodoro

    Eu gostei bastante do piloto, apesar de ser longo, foi interessante, eles apresentaram super bem a trama, então nós próximos eps já começa a desenvolver a história, não vão precisar ficar enrolando, acredito eu. Gostei também que a série não pretende fazer do Quarry um herói e como você disse, a série tem muito potencial, basta fazerem um bom desenvolvimento.

    • Sr. Hericles

      Sim, a parte difícil já tá. Acho que o Mac morre ali no piloto e o Quarry toma o controle.

  • Carcosa, the Yellow

    Eu não consigo entender a necessidade q nego tem de querer q as produções audio-visuais tenham sempre q ter/mostrar algo de novo. Sério. Qual a necessidade disso??
    Pq a lógica de uma crítica/afirmação dessas é q pra se fazer um filme de época eu tenho q me transportar pra ela. Não é?? Produção baseada nos anos 70 só podia ser filmada nos anos 70? É isso?? “Talvez o Vietnã pudesse ter sido trocado pelo Iraque”. Porra velho. Sério?
    Algum produtor leu os livros do Max Allan Collins, gostou e resolveu fazer uma produção. Ou alguém leu e falou pra ele q daria uma puta série de época.

    • Sr. Hericles

      Esse argumento é bem preguiçoso. Se você produz algo sem a intenção de fazer algo de novo, é melhor não produzir. Por que alguém se contentaria ao invés de procurar algo que ofereça coisas inéditas? Isso me parece uma postura bem boba. Eu posso te escrever uma boa história sobre um cavaleiro matando um dragão para salvar uma princesa, mas você não preferiria se eu também colocasse um twist bacana nisso? Sei lá, talvez o dragão seja o herói da história. Algo novo. Assumi que fosse o mínimo que todos nós, como série maníacos, buscássemos, principalmente quando temos muitas séries nas nossas grades.

      Acho que você não entendeu o que eu quis dizer com o lance do Vietnã. Não tenho absolutamente nada contra o período que escolheram, obviamente. Apresentei uma possibilidade no texto. Já estamos cansados de ver histórias de soldados voltando do Vietnã, essa ideia já foi utilizada e reutilizada mais vezes do que dá pra contar. Talvez se pegassem a essência da história do autor e modernizassem as coisas a série tivesse coisas verdadeiramente interessantes de se dizer, pelo menos socialmente. Ou ainda que voltassem ainda mais atrás no tempo, tanto faz. O ponto é que é uma história que já foi mais do que contada a partir de todos os ângulos possíveis. Com isso dito, em momento algum você vai encontrar no texto eu dizendo que não gosto que seja uma série de época. Muito pelo contrário. A questão é se isso vai ser uma gimmick ou se a série vai aproveitar bem isso e se diferenciar das histórias que já falaram sobre o mesmo.

      E a Cinemax ser insegura não tem nada a ver com o público ter ou não expectativas para as séries que eles anunciam. Eu estava extremamente empolgado pra estreia de Quarry, tem até comentário meu nas notícias sobre a série aqui no site. Não significa que não dê pra notar a três quilômetros de distância o quanto o piloto se esforça pra ser encarado como ‘série de gente grande’. Todos os elementos do starter pack estão ali no meio. Se você leu o texto vai perceber que eu gostei bastante do piloto, mas é o tipo de coisa que dá pra perceber antes do timecode marcar 5 minutos.

      Enfim, valeu pelo comentário. Abraço!

      • Carcosa, the Yellow

        Não acho q toda produção q exista tem q apresentar algo de novo. Mais q isso o interessante é o jeito em q ela vai ser contada. Estória é interessante?? É. Mas pra mim pode ser o mais clichê possível q o me interessa é como q será produzido e contado.
        Histórias sobre o Vietnã sempre serão bem-vindas. Pq sempre vai ter esse tema da volta pra casa e da não aceitação da sociedade. Foi a guerra q ele perderam. E isso vai bem no orgulho deles. Pq além de perderem, voltam pra cada sendo endemonizados. Então não teria sentido fazer em outra época já q é tão específico.
        E a Cinemax faz séries pra adultos mesmo, Strike Back, The Knick, Bansee. Não é vc q queria q ela tomasse novos rumos? Outros caminhos? Essa série pode ser isso.

        • Sr. Hericles

          Se for por essa lógica, a televisão norteamericana acabaria parecendo com as telenovelas brasileiras. Nada de novo apresentado, o que importa é que o espectador se contente com a história do momento, independente dela ser idêntica à anterior.

          The Knick é excelente e Banshee também era. Banshee dava vários soluços no começo, dava pra perceber que ainda estavam tentando descobrir uma forma de apresentar a série sem deixar de serem levados a sério. A série amadurece mesmo quando percebe o que ela é e faz isso sem se preocupar com mais nada, por isso que muita gente não gostou da temporada final, que voltou a tentar ser um dramalhão. Eu pessoalmente gostei, aliás. No meio de todo o caos e bizarrice, Banshee era algo bem mais inédito na TV do que Quarry parece que vai ser.

          Como eu disse, o problema é a gimmick. Partir do princípio que ao se fazer uma série sobre um tema tão sério automaticamente a transforma num drama complexo e adulto. Quarry certamente tem o potencial pra ser, mas em 10 minutos já dá pra fazer um trying too hard starter pack. Em uma hora de episódio você não vê uma única coisa que me fizesse dizer “poxa, não tinha visto isso antes”. Stranger Things, por exemplo, usou e abusou de diversos tropes e referências oitentistas e ainda assim pareceu algo completamente novo, com uma identidade bem mais distintiva do que Quarry nesse piloto.

          A forma mais simples de te explicar isso é que a primeira coisa que todo autor (ou no caso roteirista) aprende é que o seu personagem tem de avançar diretamente a história. Por razões óbvias, uma imensidão de cenários e alternativas pra como isso acontece a gente já vê todos os dias, então o desafio se torna fazer com o que o seu personagem avance a história, mas de uma forma que mantenha o espectador voltando semana após semana para descobrir o que ele vai fazer a seguir. Em outras palavras, uma boa história já dá pra fazer o bolo, claro. Mas requer um talento extra pra fazer uma história boa e familiar parecer nova. Você se contentar só com o primeiro está longe de ser uma decisão sábia, você está deliberadamente dizendo aos caras que eles podem pular a parte do esforço extra. E levando em conta que os caras por trás dos roteiros nos EUA são geralmente equipes e não só indivíduos, isso é dar uma puta folga pra dar prum grupo de pessoas que estão ali justamente pra pensar em como criar coisas novas.

          Aliás, dá pra resumir o problema com a sua filosofia num parágrafo só: o David Chase podia ter feito uma boa e típica história de mafiosos e ela teria funcionado, mas ele acabou fazendo Sopranos. Entende?

      • vinland

        Olha quanto ao Plot do americano que volta do vietna, nao me incomoda nem um pouco. Como nosso amigo ai disse, o que importa e a historia ser bem escrita e conduzida.

        O Plot de The Americans tambem ja se repetiu e muito. Espioes russos que vivem nos EUA. Porem mesmo com esse tema batido, eles conseguiram fazer uma serie magnifica. Eu acho que pode ser o roteiro mais original do mundo, mas se for mal conduzido vai ser uma porcaria.

        Acho que o problema de Quarry, nao foi o problema, mas foi como a serie foi conduzida em apresentar os fatos nesse piloto.

        • Sr. Hericles

          E aí, vinland!

          O exemplo que você escolheu não é o melhor, hein? The Americans é justamente a desconstrução desse plot clássico. Nas histórias de espionagem em que os russos estão infiltrados em terras americanas eles são geralmente os antagonistas. Em The Americans, eles são os “heróis”. A série é sobre o casal questionando a lealdade à própria pátria e percebendo que talvez eles sejam mais americanos do que russos. É uma puta mudança de perspectiva, do americano pro russo (que está ali há tanto tempo que já não sabe quem é). A série deu uma boa agitada na premissa e apresentou algo bem único. Você pode dizer o mesmo sobre Quarry? Nem de longe.

          • vinland

            Acho que vc nao entendeu o que eu disse. Eu disse que a premissa da serie, nao e nem um pouco original, mas eles souberam aproveitar esse plot e transformar ele num dos melhores dramas adultos da TV. Mas nao se pode dizer que se trata de um assunto original. Independente de os personagens serem antagonistas, ou protagonistas, herois, ou viloes o plot nao e original. A historia esta sendo original ? Sim esta. Mas o plot inicial, e base da serie, foi original ? Nao.

            Mas como estava dizendo The Americans nao tem um plot original, mas soube usar esse plot de maneira diferenciada. Quarry, nao conseguiu, pelo menos no seu primeiro episodio. Mas estamos falando de uma serie que acabou de estrear, e tem mais episodios pela frente, com mais coisas para mostrar. Como disse, nao me incomoda nem um pouco o plot de Quarry, o que me incomodou foi a forma como usaram, e continuo dizendo que qualquer plot por mais que ja tenha sido usado, se feita de maneira interessante , pode render otimos filmes e series.

          • Sr. Hericles

            E eu concordo, Vinland. A questão é que toda história boa que é baseada em algo familiar faz a sua própria versão desse assunto. No piloto de The Americans eu fiquei logo com essa sensação e não foi o caso com Quarry.

  • Gabriel Campanha

    Achei meh, não vou acompanhar

  • Mais uma série reflexiva. Eu gostei muito.

  • Jerry Scari

    até o sexto episódio a serie tem se mostrado densa, com boa fotografia, bom gosto musical e boas atuações. Serie adulta, portanto não ira ter grande audiência… infelizmente.