Primeiras Impressões: Pure Genius

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Séries médicas, como Pure Genius, fazem parte da programação da TV há anos. De E.R., passando por House e Grey’s Anatomy, sempre temos acompanhado os que se passa em um hospital, os dramas dos médicos e seus pacientes, rindo e chorando no processo. Então, o que diferencia Pure Genius de suas antecessoras? Não muito.

A série se passa em Bunker Hill, um hospital criado no Vale do Silício pelo gênio, bilionário e filantropo Tony Stark James Bell (Augustus Prew) onde medicina e tecnologia de ponta se encontram, buscando um avanço nos tratamentos de saúde nunca antes visto. Somos ainda apresentados ao Dr. Walter Wallace (Dermot Mulroney), um renomado cirurgião que caiu em desgraça ao usar um tratamento experimental em um paciente e agora tem uma chance de recomeçar ao ser cortejado por Bell para trabalhar com ele.

Ao analisarmos a premissa acima, a única parte que salta aos olhos como algo novo é a parte da tecnologia de ponta, certo? E é exatamente este o único diferencial de Pure Genius, pois sem este detalhe a série se torna mais uma série médica que não traz nada de novo. São pacientes com casos diferentes, dramas pesados, médicos que vão fatalmente acabar se envolvendo romanticamente.

Dito isso, a inclusão do fator tecnológico dá, sim, um que a mais à série. Visualmente temos momentos impressionantes, como telas gigantes com imagens 3D de fetos geradas por um robô ingerido pela grávida ou ultrassons realizados por tablets gigantes. Só espero que isto não se transforme em um deus ex machina constante no dia a dia de Bunker Hill, com a tecnologia surgindo como uma desculpa mirabolante para tudo.

Na falta de um ultrassom comum, vamos usar meu tablet. Pure Genius.
Na falta de um ultrassom comum, vamos usar meu tablet. Pure Genius.

Ao mesmo tempo, é justamente neste lado tecnológico que há um ponto fraco no piloto, os tablets, telefones e controles remotos (se é que são controles remotos) de acrílico-que-deveria-parecer-vidro ficam muito caricatos (espadas de luz de Shadowhunters mandam um abraço).

Tudo em Pure Genius é de vidro (ou não) e transparente.
Tudo em Pure Genius é de vidro (ou não) e transparente.

Outro problema deste piloto é querer fazer muita coisa ao mesmo tempo. Enquanto apresenta os personagens e sua premissa, temos três casos da semana acontecendo ao mesmo tempo, além de um caso para a temporada, e certamente sacrificar um deles em detrimento de melhor ambientar o telespectador teria sido uma melhor escolha.

O caso principal, com a sempre bem-vinda presença de Alexandra Beckenridge, foi uma ótima forma de mostrar um pouco mais sobre Bunker Hill, sobre suas inovações e o que pode ser feito com elas. Mas juntar gravidez, tumor no coração, família religiosa e violência doméstica numa tacada só foi um pouco demais.

Paralelamente, os casos da menina em coma e da central de acompanhamento de pacientes serviram mais para dar função a parte dos personagens do que para fazer a trama andar, apesar de o primeiro ainda continuar em aberto, afinal a menina não acordou. Se pudesse escolher, eliminaria o plot da central ou jogaria ele em outro episódio, pois isso não faria diferença alguma.

 “Nós estamos aqui para salvar o mundo, ou estamos todos aqui para salvar James Bell?”

– Dr. Walter Wallace (Dermot Mulroney)

Por fim, temos a revelação bombástica (sqn, já que o trailer da série entrega isso) de que Bell só contraiu Bunker Hill para tratar de uma doença genética incurável que descobriu ter. Não que a ideia incomode tanto, mas já vimos isso em algum lugar, não? Meredith Grey, Alzheimer, alguém? Pois é, a doença incurável de um dos protagonistas não chega a condenar a série, mas para quem procura desculpa em tudo para não aumentar a grade, pode ser um bom bode expiatório.

> Teorias Bizarras de Westworld!

Isso quer dizer que não vale a pena ver a série por ela ser cheia destes clichês? Não. Este ponto vai do gosto do freguês. Se você gosta de séries médicas e não se importa com os plots que vêm com elas, Purê Genius é um prato cheio. Com um cenário que é uma mistura (até em sua staff de personagens que eu não consegui gravar o nome) de startup de tecnologia com hospital, há a promessa de tramas interessantes, principalmente para quem é ligado em temas futurísticos, mas se o futuro da série será brilhante como a staff do hospital, só o tempo dirá.

  • Patrícia Salomão

    Parabéns pela review, Pedro. Vou dar uma chance ao piloto só por conta do seu texto. : )

    • Pedro Neves

      Thanks, Paty! Dependendo do que está procurando você pode gostar bastante!