Primeiras Impressões: Man With a Plan

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O trabalho mais marcante do lendário Adam West é seu Batman da série “Batman” do canal ABC e que foi exibido apenas em duas temporadas. De 1966 a 1968. Sua figura, rechonchuda e repleta de frases de efeito e com inúmeros convidados de peso, tanto no elenco fixo, como nos “special guest stars”, tornaram o Batman sessentão, uma figura cult e recorrentemente lembrada pelos fãs do Homem-Morcego ou da cultura nerd.

O sucesso de West, junto com Burt Ward (Robin), foi avassalador, mas paradoxalmente responsável por um grande problema: quando a ABC resolveu não renovar a série, Adam West teve que procurar um papel em que não fosse vinculado à figura do herói de Gotham City. Diz a história (ou a lenda) que em um determinado momento da carreira, sem muitos papeis disponíveis que não fizessem referência ao Batman, West encarou em um circo, o papel de ser o Homem-Bala, tudo isso vestido com a indumentária que herdara do canal. Segundo o próprio, o momento mais difícil de sua vida. Ele sobreviveu: West continua aí, sendo reverenciado (merecidamente) aos 88 anos e colhendo os louros da sua marcante passagem como um dos ícones mais idolatrados no mundo pop.

A grande missão de um ator cujo o personagem está carimbado em sua imagem é achar o bat-desfixador de rótulos e seguir carreira com novos ares e perspectivas. Essa tarefa foi muito dura para Matt LeBlanc, mas ninguém pode dizer que o eterno “Joey” não tentou. Seu equívoco pode ter sido, após o fim do sitcom, ter emplacado outro, justamente como uma espécie de continuação do seu personagem em Friends. Agora em Man With a Plan, LeBlanc mais uma vez quer ser outro que não o atrapalhado amigo de Ross, Chandler, Phoebe, Monica e Rachel.

Man With A Plan usa o velho recurso do núcleo familia e as história em torno da rotina de uma familia americana.
Man With A Plan usa o velho recurso do núcleo familia e as história em torno da rotina de uma familia americana.

Matt LeBlanc é Adam Burns, um empresário que está prestes a substituir as tarefas da sua esposa, Andi Burns (Liza Snyder), que acaba de receber um convite para retornar ao seu trabalho após anos se dedicando apenas à família. Após um acordo, Burns passa a ser responsável por cuidar dos filhos, da casa e através da nova rotina, passa a ver a família com “novos olhos”. O que se vê durante os pouco mais de 20 minutos de exibição são bons momentos de diversão e LeBlanc tentando, com algum talento, ser mais Burns e menos Tribbiani.

Os vívidos e intensos cabelos brancos talvez sejam os responsáveis por afastar LeBlanc dos seus tempos de Friends, mas há um sotaque de atuação que fica difícil de desvinculá-lo do antigo personagem. A notícia boa é que essa guerra não impede uma produção decente na CBS. O roteiro simples, apela para o núcleo familiar e piadas que giram em torno deste círculo, muito recorrente nos sitcons americanos.

Um dos desafios de Man With A Plan: o elenco precisa ganhar a simpatia do público.
Um dos desafios de Man With A Plan: o elenco precisa ganhar a simpatia do público.

Man With A Plan também tem os defeitos que o formato normalmente entrega: atores em suas falas entregam a atuação de acordo com o take; ou seja: há muita mudança de “comportamento” dos personagens a cada cena. Isso pode se ver claramente quando o elenco secundário (como o Lowell de Matt Cook, fraco e pouco confortável) precisa mostrar serviço. Aliás, é a sinergia do casting quem garante a sobrevida de muitos shows na TV. Vamos ver se a CBS consegue manter MWaP na sua grade; Kevin Can Wait (protagonizada pelo incansável Kevin James) já ganhou “ok” para uma temporada cheia, terá Matt LeBlanc a mesma sorte?

> Teorias Bizarras de Westworld!

A produção de sitcom pelos canais abertos não passa por um momento bom, por assim dizer. Repetindo fórmulas, apelando para formatos já consagrados, os canais não conseguem achar novos caminhos na abordagem para seu público. Isso não impede que alguns momentos divertidos estejam garantidos no episódio piloto de MWaP, que não vai mudar a sua vida, mas pode ser uma nova guinada na carreira de Matt LeBlanc, que continua apostando na TV, longe dos holofotes do cinema.

  • Rodrigo de Lorenzi

    Gente, mas é a mesma história daquela horrorosa Kevin Can Wait.

    • JÔsenilson

      Com a mínima diferença de que aqui o pai ainda trabalha. Mas achei essa um tanto melhor do que KCW.

  • TI Informática IWGP

    Faltou dizer que Matt conseguiu bons momentos na finada Episodes

    • Soube, mas como não assisti à série, preferi não comentar.

  • Juliano Guilherme

    É uma pena mas a série é simplesmente horrível!

  • Eduardo

    A review dá a entender que o ator ainda está tentando se desvencilhar do personagem anterior (faz até uma introdução enorme pra isso), quando na verdade Le Blanc já mostrou, na excelente Episodes, que é capaz de fazer um personagem diferente sem emular o “Joey” (mesmo que seja interpretando ele mesmo). Acho que o reviewer tá meio por fora…

    • Renan Rossi

      É, infelizmente muita gente não curte o humor de Episodes, então nem deram uma chance pro bom trabalho que o Matt fez nela.

    • Eu fiz o review de Man With A Plan e disse que o ator é sempre lembrado pelo seu papel mais marcante ou você acha que no futuro ele será homenageado/recordado por seu personagem em Episodes? Bom ou ruim, o presente de LeBlanc é um sitcom com cara de “Friends” e é normal – que não só eu – como qualquer outro que escreva em qualquer lugar faça referência ao seu papel de maior êxito comercial.

      • Eduardo

        Engraçado que você nem viu Episodes, mas dá a entender que o ator não será lembrado pelo papel que desenvolveu nessa série. Como você sabe, se nunca viu a série? Como pode expressar opinião sobre algo que nunca viu? A maioria das pessoas que assistiu Episodes não acha que o ator esteja preso ao personagem de Friends, pois sua atuação na série destoa deste último, tanto que o ator ganhou um Globo de Ouro pela sua atuação na série. Será que isso não seria uma pista pra indicar que ele conseguiu se livrar do estigma suscitado no início da review? Soa meio ridículo isso. Quer dizer então que se a Lisa Kudrow aparecer amanhã com uma nova série você vai escrever todas aquelas bobagens do início da review de novo pra dizer que ela está tentando se livrar da imagem da Phoebe Bufay? Ignorando completamente Web Therapy e a majestosa The Comeback? Fazer referência ao seu papel de maior êxito é uma coisa, agora, escrever todo um texto fazendo referência ao Batman de Adam West (?????) para dizer que o ator ainda está tentando se desvencilhar de seu personagem mais famoso é outra coisa completamente diferente. Parece que quando você soube que iria fazer a review dessa série você já tinha decidido: vou fazer uma analogia entre atores de um papel só e vou incluir o Le Blanc nessa, já que só o conheço por seu papel em Friends e depois disso não fez mais nada (se eu não vi, ele não fez).Acho que você pensou em fazer algo como o Henrique, que costuma fazer uma introdução com fatos pertinentes ao que o episódio trouxe para depois fazer um analogia sobre a ideia que se quer passar, sendo que a ideia que vc queria passar era que o ator estava preso ao seu papel de maior sucesso, mesmo que isso na seja verdade. Você quis passar na review a SUA verdade. Já o Henrique pesquisa bastante, sabe das coisas que está falando, a gente consegue sentir que ele é aficionado por aquilo que está escrevendo, isso transparece na escrita dele. Já na sua, a única coisa que transparece é: escrita rasa, falta de conhecimento sobre o que está falando e opinião genérica. Afinal, se fosse pra escrever “como qualquer outro que escreva em qualquer lugar” como você mesmo disse, então qualquer um poderia ter escrito essa review. É isso mesmo? Porque eu costumo acessar o Seriemaníacos justamente pela qualidade argumentativa que os reviwers daí possuem. Se fosse pra dizer o que qualquer um diz eu nem acessava esse site.

  • então… esse “primeiro episódio oficial” teve enormes melhorias em relação ao piloto original. o timing do elenco e do texto melhoraram bastante, apesar da saída da Jenna Fischer (a mãe original), que até hoje não foi muito bem explicada. conheço bem pouco da Liza Snyder (a nova mãe), mas, ao meu ver, ela já teve uma química imediata com o Matt e funcionou bem, pelo menos nesse primeiro episódio. me agradou e me fez dar algumas risadas. que acho que é o que conta, né? vou dar uma chance pra série. =)

    • Bruno Alexander

      Na verdade não teve nenhuma mudança. Pelo menos não em relação ao trailer porque mesmo com a saída da Jenna Fisher, mantiveram o mesmo texto. Agora, a Jenna saiu porque não sentiu química com o Matt LeBlanc, foi essa a explicação da atriz.

  • edujakel

    Episodes já foi cancelada? ou vai ter outra temporada?

    • Parece que teremos mais uma temporada em 2017, segundo o IMDB.

  • Thalisson Braña

    Assisti ao primeiro episódio ontem!
    A interpretação do Matt tem os trejeitos do Joey. Muito trejeito. E foi isso que gostei. E por isso continuarei vendo, pois a história é manjada e nem tanto cativante.