Primeiras Impressões: The Great Indoors

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The Great Indoors é mais um prova de como não tem sido fácil para a TV aberta conseguir emplacar novas sitcoms em sua grade. Apesar de algumas conseguirem sobreviver a sua temporada de estreia, a maioria acaba não conseguindo conquistar o público. Ainda que tenha estreado com uma audiência relativamente boa, levando em conta os números atuais da TV americana, e muito devido ao ótimo lead in de The Big Bang Theory, não apostaria ainda as minhas fichas na nova comédia da CBS.

A premissa de The Great Indoors é até interessante. A série mostra a rotina na redação de uma revista especializada em matérias de aventuras chamada “Outdoor Limits” que, assim como muitos outros veículos impressos, se vê obrigada a migrar totalmente para o digital. Para supervisionar a pequena, jovem e desajustada equipe, o renomado repórter Jack Gordon (Joel McHale), acostumado a estar sempre em campo, é convocado à redação, tendo que se adaptar a uma nova realidade a qual não consegue se enxergar incluso.

A dinâmica de Jack com os seus recém descobertos colegas de trabalho é o que alimenta o tom cômico da maior parte do piloto. Talvez a melhor sacada da série seja o fato de ele ser avesso à tecnologia, e forçá-lo a interagir a todo momento com uma gereção que não desgruda de seus celulares e demais eletrônicos. Ainda assim as piadas são consideravelmente genéricas, arrancando apenas algumas modestas risadas, desperdiçando uma ideia de considerável potencial. Além da redação, temos como cenário o bar do amigo de Jack, Eddie (Chris Williams), que viu na chamada “geração y”, uma ótima forma de aumentar seus lucros. A interação entre ambos é boa, e recheada de comentários e críticas a essa jovem geração, mas não passa muito disso. Fechando o núcleo temos a divertida dupla do RH, além de Roland (Stephen Fry), o dono da revista, e sua filha Brooke, que obviamente, já teve um rolo com o protagonista.

O elenco mostra uma boa química, mas que ainda deve melhorar com o decorrer da temporada. McHale (Community) possui um bom timing e suas tiradas irônicas foram algumas das poucas coisas divertidas do piloto. Num elenco predominantemente jovem, se sobressaíram os veteranos como Stephen Fry (O Hobbit: A Batalha dos 5 Exércitos), que consegue transitar entre o chefe simpático e irritante com facilidade, e Amy Hills, com a hilária responsável do RH, Carol. No núcleo mais jovem destacam-se o competente Christopher Mintz-Plasse (Superbad), interpretando o bajulador Clark, Christine Ko (Ballers), dando vida à antissocial Emma, responsável por mídias sociais, e Susannah Fielding (I Want My Wife Back), que apesar de não ter tido nenhum momento que me fizesse rir com sua Brooke, certamente terá momentos de tensão sexual com o protagonista.

Joel McHale encabeça a desajustada redação de The Great Indoors
Joel McHale encabeça a desajustada redação de The Great Indoors

Apesar de trazer uma boa ideia e alguns momentos divertidos, The Great Indoors acaba sendo apenas mais uma em meio a tantas outras sitcoms na Tv Americana. Ela foi visivelmente concebida para dialogar com um público jovem, até porque diversos de seus momentos de humor não serão entendidos por leigos da tecnologia. Por isso espero que a série não fique apenas nas piadas e críticas rasas, e tente se aprofundar um pouco mais no tema, sem subestimar o próprio público que almeja conquistar.

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O piloto mostrou seus melhores momentos quando focou na adaptação do protagonista, e acho que será interessante para a trama se conseguirem se aprofundar mais no jornalismo e nessa transição para a web, afinal, não deixa de ser cômico por si só, que uma revista especializada em aventuras “lá fora”, agora tenha que produzir todo o conteúdo dentro de um espaço limitado. Quem sabe assim a série sobreviva a essa aventura no mundo selvagem da Tv aberta Americana.

  • Alan

    Comédia mais fadada ao cancelamento dentro as estreantes.