Primeiras Impressões: Falling Water

E se os seus sonhos estivessem tentando te dizer algo?

2
2094

Imagine A Origem cruzando com Sense8 e você terá Falling Water.

É complicado descrever a sinopse de Falling Water, mais complicado é assistir o primeiro episódio que durante 40 minutos tentou (com falhas) gerar um mistério em cima de um tema tão simples e – por alguma razão – intrigante. Sonhamos constantemente, mas nunca paramos para pensar na possibilidade de usar esta habilidade de forma comunicativa. Ou melhor, algumas obras cinematográficas como A Origem (2010) e Paprica (2006) já abordaram essa isso. A verdade é que, apesar da ciência estampar para todos os cantos que sonhos são apenas “um tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem”, a religião e diversas culturas os tratam com mais profundidade, caminhando desde mundo paralelos até acessos a vidas passadas. Uma coisa é certa: sonhos intrigam e mexem com o nosso imaginário. Agora, em se tratando de Falling Water e sua gênese, os sonhos são oportunidades comunicativas que nada mais são do que redes interconectadas. Mas o roteiro picado deixou o resultado do primeiro episódio muito aquém do que poderia explorar. Sonhos costumam ser deslumbres visuais e o que mais faltou no piloto foram exatamente os vislumbres. Agora isso não significa que a série já está fundada ao fracasso, muito pelo contrário.

A história gira em torno de 3 pessoas aleatórias que aos poucos começam a perceber que estão compartilhando um único sonho só que em situações diferentes (de acordo com os obstáculos que giram em torno da vida de cada um). Tess (Lizzie Brocheré) está em busca do seu filho que acredita existir – apesar de não haver nenhuma prova concreta disso – apenas a presença de um garoto em seus sonhos precedidos de um parto em que o bebê nunca aparece. Taka (Will Yun Lee) é um detetive que cuida da sua mãe em estado catatônico, deixando seus sonhos perturbadores e caóticos. Burton (David Ajala) que enquanto investiga os problemas do seu trabalho, tenta lidar com o desaparecimento de uma mulher que parece existir apenas nos seus sonhos e no qual está apaixonado.

Sonhos vs Realidade em Falling Water

O show costuma saltar entre sonhos e realidade na velocidade máxima, o que me deixou um pouco perdido, mas talvez essa seja a premissa da série. O interessante é que os criadores do enredo deixaram como marco diferencial a presença da água escorrendo (seja no chão limpo de um hospital, ou num chafariz) para demarcar se aquele cenário é real ou ilusório. Água escorrendo neste caso caso significa ilusão, ou seja, sonhos. Mas não costuma ser um determinante na história. Por enquanto ele serve apenas de detalhe e pode ser um fator importante mais pra frente já que o nome da série leva esse contexto.

E se na realidade as coisas estão complicadas para os protagonistas, nos sonhos conseguem piorar. Enquanto que a imaginação acaba se misturando com as histórias deles, passamos a ver algumas conexões que regem a vida de cada. A impressão no geral é que há dois grupos distintos que tentam controlar os sonhos/pesadelos dos outros e os três “heróis” são a chave para impedir que uma guerra aconteça. O problema é que – apesar de revelar este cenário – tudo ainda parece estar nebuloso demais, chegando a sufocar quem não tem paciência pra lidar com mistérios (no caso eu). Lost foi uma série que apesar de nebulosa conseguiu prender o telespectador com a sua trama carismática e viciante. Já Falling Water apenas colocou uma sobremesa (bem confusa) na frente do cliente e disse que aquilo era o cardápio do dia. Ele querendo ou não.

Falling Water
Falling Water

Tess – a coluna central de toda a narrativa – é aquela típica protagonista clichê que possui influência direta de um passado traumático: passou um tempo numa instituição de doença mental e a mãe psicóloga, foi mais psicóloga do que mãe durante a infância (algo parecido com o que Rachel vem sofrendo em UnREAL). Detalhes que serviriam para refutar a ideia de que ela teve um filho e na realidade criou toda essa história com base nos sonhos perturbadores. É nesse quadro que entra o seu envolvimento com um bilionário (vivido por Zak Orth) que vive tentando conectar os sonhos de pessoas aleatórias durante o sono assistido. Enquanto isso Taka está lidando com a investigação de um culto que idolatra a imagem de um garoto idêntico ao menino que Tess acredita ser seu filho; e Burton conhece um executivo belga que está envolvido com o lucro de um grupo chamado Topeka, o mesmo nome que Taka viu estampado na parede quando encontrou as vítimas desse culto macabro. Percebeu quantas conexões?

5 Bombas da Fall-Season 2016

Por fim, a série aparenta ser uma boa aposta, principalmente de um canal que nos presenteou com Mr. Robot. Mas o pecado infelizmente se encontra no enredo, que não consegue entregar por completo o que a temática tanto sugere. Ainda está sendo difícil de absorver todas as informações que os escritores me apresentaram, talvez se o roteiro tivesse sido um pouco minimalista, dissecando com força na realidade e transparecendo maior diferença entre real x ilusório, o show teria me conquistado no primeiro instante. Por enquanto a única razão que me faz seguir em frente com Falling Water é que em nenhum momento fiquei com vontade de dormir (ironia mode on) durante as cenas, por mais simples e maçante que algumas tenham sido. Mas sendo sincero? Eu trocaria o primeiro episódio por uma boa noite de sono.

  • Rei Gelado

    Apesar de confuso em alguns momentos, mas fiquei curioso pra saber o que realmente se passa.

  • Bundalelê

    Resumiu bem o piloto. Foi bastante cansativo, apesar da premissa interessante. Assistirei mais um episódio, mas se ficar nisso, largo o barco.