Primeiras Impressões: Conviction

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A filha do ex-presidente se mete numas enrascadas e é chantageada a aceitar um trabalho inusitado: chefiar uma equipe que lida com casos em que há suspeita de que pegaram o cara errado. Essa é a premissa de Conviction, o que nos leva a…

Mais uma série procedural de advogados?

Conviction definitivamente não tem a pretensão de inventar a roda. Os personagens, os cenários, os conflitos e a própria estrutura da série parecem ser uma reciclagem de outras histórias que já vimos antes, sobretudo os dramas de advogados da Shonda Rhimes (até mesmo o escritório em que os personagens trabalham parece idêntico ao de The Catch).

Contudo, nem por isso pode-se dizer que a série ruim. Não é original, porém consegue entregar exatamente aquilo que os fãs de Scandal e How to Get Away with Murder estão querendo, e vamos combinar que, como a ABC ainda precisa pagar as contas, reproduzir o que vem dando certo na grade não é um pecado tão sério. Aliás, é exatamente isso que todos os grandes estúdios estão fazendo, e a vantagem é que o espectador pode desfrutar de mais e mais conteúdo que lhe agrada.

A desvantagem, porém, é que tudo é previsível e/ou déjà vu. Poucos minutos depois de o famigerado caso da semana começar, você já sabe exatamente como ele termina. Quando um personagem solta um nome aleatório qualquer, você já sabe quem é o culpado. Porém, o grande trunfo de Conviction é justamente não decepcionar a audiência que gosta do gênero. Mas como a série consegue fazer isso?

A (anti-)heroína é do babado

Salve Hayley Atwell! Eu sou suspeito para falar, mas para mim grande parte do que deu certo neste piloto pode ser creditado ao trabalho da atriz principal. Sou suspeito porque já era apaixonado pela atriz britânica em Agent Carter (a melhor personagem feminina do MCU, e se você discorda, pense direito), e vê-la interpretando uma personagem tão diferente (infelizmente sem o sotaque) foi uma experiência peculiar. Para quem só a enxergava como a heroína do final dos anos 40, Conviction teve ainda uma surpresa a mais.

Mas vamos falar da personagem, Hayes Morrison. A moça é relaxada, não se importa com ninguém e só causa problemas. Para piorar ainda mais a situação, envolve-se com cocaína, o que para uma “ex-primeira-filha”, tem proporções enormes. Porém, é brilhante na profissão e espertíssima nas manipulações que os jogos de interesse exigem. Ou seja, é mais uma mulher forte no comando, só que dessa vez um pouco mais patricinha e problemática.

Contudo, o que não gostei da personagem é que sua redenção foi muito rápida! Após 20 minutos de episódio, a bad girl já tinha tomado uma rasteira da vida e começava a perceber que era necessário mudar aquela realidade. Acho que o piloto falhou muito em querer resolver esse aspecto de uma vez. Mas tirando isso, ponto para Hayes.

Hayes Morrison: sucessora de Olivia Pope e Annalise Keating?
Hayes Morrison: sucessora de Olivia Pope e Annalise Keating?
Os personagens secundários são o.k

Não tem muito que falar de mais ninguém a não ser Hayes, já que ela rouba a cena, mas os outros personagens ainda têm potencial para crescer. É só ver o que aconteceu, por exemplo, com Connor e Laurel em How to Get Away with Murder.

Conner Wallace, interpretado por Eddie Cahill (CSI: NY), chega para botar ordem na casa e é o único que ainda tem algum controle sobre Hayes. Não creio que o casal irá desenvolver uma relação romântica propriamente dita, mas é engraçado ver a briga de gato e rato dos dois. A família de Hayes, na figura do irmão e da mãe, também aparece para engrossar o caldo dessa história, mas de uma forma mais sutil, apenas para humanizar a personagem.

No escritório é que temos mais gente interessante. A começar por Maxine Bohen, que é uma detetive insuportavelmente chata, mas que bate de frente com Hayes, e só pelo potencial de barracos já a perdoamos. O advogado Sam Spencer, por sua vez, é só chato mesmo e não vi nada que o salvasse neste piloto. Tess Larson me lembrou muito a Quinn de Scandal (garota inocente com passado negro e misterioso), e por isso estou apostando minhas fichas nela. Enquanto isso, o ex-presidiário Frankie pareceu bem pé no chão e com certeza vai continuar levando os outros a observar o lado humano dos casos.

O que a Tinker Bell está escondendo?
O que a Tinker Bell está escondendo?
Mas e o caso da semana?

É aquela coisa: tudo muito conveniente e fantasioso, e quando você acha que eles chegaram a um beco sem saída, alguém tem um insight que salva todo o plano. Eu identifiquei uma série de coisinhas chatas (jura que as iniciais do cara formavam justamente o pronome he?), mas não acho que valha a pena ficar apontando essas conveniências de roteiro na review, já que a série não se vende como realista mesmo.

Não achei chata a tentativa de inocentar um rapaz acusado de matar a namorada, porém ao mesmo tempo não vi nada de extraordinário nesta história. Para mim, o ponto alto foi a conversa entre Hayes e a mãe da vítima, que teve uma carga emocional muito maior que qualquer outro drama do episódio. Como ponto baixo, fico com a experiência dos porcos: primeiro, porque não daria certo (como as moscas não voariam de um porco para o outro, já que eles estavam a poucos metros de distância?); segundo, porque as consequências disso nem foram exploradas pelo roteiro, então para que mostrar?

Será que todos os suspeitos terão cara de inocente?
Será que todos os suspeitos terão cara de inocente?
Mas então, vale a pena?

No meu ponto de vista, sim. E se você é fã deste gênero, tenho certeza de que vai deitar e rolar. Os personagens têm motivações bem justificadas (principalmente a Hayes), e os conflitos pessoais parecem render uma bela trama. Mas o mais importante: a série tem potencial. Temos vários exemplos de shows que começam sem identidade, mas que com o passar dos episódios, conseguem achar os pontos fortes e desenvolver enredos que ultrapassam e muito os casos da semana.

E vocês? Curtiram a estreia? Concordam com os pontos de vista da review? Mandem ver nos comentários!

  • Victor.

    Meh !!

  • G Factor

    Adorei a review!! Tá de parabéns! Por enquanto vou seguindo com Conviction

    • Juan

      Valeu! Continue seguindo com as reviews tbm 😉

  • Carlos

    Hayley Atwell merece coisa muito melhor. Agent Carter estava a sua altura, mas essa zzzzzzzzz! Espero que ela encaixe logo logo uma série bem melhor

  • Steffano Mendes

    lembra algo de suits?

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Netflix mulher ressucita Agente Carter plisss!!!

  • Wagner Lutterbach

    Hum… Casos da semana? Tô fora…

    De qualquer maneira, obrigado pela review.

  • Amélia

    Muito boa a Review, parabéns! Falou tudo o que precisávamos saber sobre a serie. Vou conferir o piloto e acompanhar as reviews.

    • Walber Lima

      Tmb achei mt boa a review. Pela sinopse a série parecia uma bosta, mas agora analisando pode ser um procedural juridico levemente interessante.

      PS: Pensei que a personagem principal era lésbica (“ela é do babado.. “)

      • Juan

        Hahaha valeu, Walber!

    • Juan

      Valeu, Amélia!

  • Luana Bernardo

    Gostei, mas estou meio sem paciência pra essas séries “mesma coisa”.

  • Mel

    Oi Juan não eh você wue escrevia as reviews do Zoo? O que aconteceu com o resto da temporada? Tava vendo que essa review aqui tava ótima, amo suaa reviews do Zoo tb. Abraço!

    • Juan

      Oi, Mel! Infelizmente fiquei sem tempo por conta da 2a fase da OAB e não consegui assistir aos episódios. Quando a prova passou, a temporada já tinha acabado. :/
      Valeu pelo comentário!

      • Mel

        Ah por favor se der pra terminar de assistir o resto da temporada e postar as reviews mesmo assim, pois não tem graça zoo sem suas reviews! Abraço e boa sorte na OAB!

        • Juan

          Mas já tem tanto tempo que a temporada passou! Não vejo como correr atrás desse atrasado 🙁
          Mas fico muito feliz que vc curtia as reviews! Obrigado pelas boas vibrações!
          Abraço!