Primeiras impressões: Class

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Quando Class, o novo spin-off de Doctor Who foi anunciado, muitas pessoas se mostraram relutantes com o que poderia vir. Muitos diziam que não havia a necessidade de uma nova série baseada em “Doctor Who”, outros tinham medo de que essa série fosse muito semelhante à “The Sarah Jane Adventures” (2007) que não é uma série ruim, mas não é vista com bons olhos por uma boa parte das pessoas, houve quem dissesse que “Class” era uma tentativa de emplacar uma nova “Torchwood” (2006), mas jamais conseguiria ser como ela, entre tantas outras coisas. O fato é que todas essas séries bebem da mesma fonte, surgem em um mesmo universo e por mais que possuam características em comum, elas possuem suas particularidades, defeitos e qualidades.

 “O tempo olhou para o rosto de todos vocês… E o tempo nunca esquece.”

Talvez por “Class” não ser um nome muito chamativo, pelo fato de que spin-offs nem sempre são tão bons quanto a obra da qual eles derivam e a série ser destinada ao público adolescente, muitas pessoas ficaram com a pulga atrás da orelha. Ninguém queria ver uma história bobinha, cheia de lenga-lenga sobre adolescentes bobinhos que, vez ou outra, encontram um ser alienígena e precisam salvar o mundo das mãos da criatura. Acontece que os produtores da série sabem do que os fãs desse universo gostam e fazem com “Class” consiga conciliar temas adolescentes com a ação necessária tornando-a dinâmica e atrativa. E em um primeiro momento ela não se mostra como uma série feliz e colorida, pelo contrário, chega a ser sombria em vários momentos.

O elenco de Class reunido. Olhando assim até parece que vamos assistir a uma “Malhação” britânica.
O elenco de Class reunido. Olhando assim até parece que vamos assistir a uma “Malhação” britânica.

A trama da série se concentra na Coal Hill Academy (conhecida anteriormente como Coal Hill Secondary School), uma escola que está presente dentro do universo de Doctor Who desde 1963 e que voltou a ter destaque maior nas últimas temporadas por ser a escola onde Clara Oswald lecionava. É aqui que conhecemos os novos personagens dessa história: Charlie, o príncipe dos Rhodianos, e sua guarda-costas/escrava/professora Miss Quill, os únicos sobreviventes do massacre do planeta Rhodia; April, a garota impopular, mas cheia de boas intenções; Ram, o jogador de futebol bonitão e Tanya, a menina superdotada que não sabe o endereço da própria casa. É claro que já vimos esses tipos em diversas outras séries, mas aqui eles não se limitam a ficarem presos dentro das histórias e clichês típicos desses estereótipos. Os personagens têm os seus dilemas trabalhados e vão ganhando profundidade (até porque eles são jovens comuns suas vidas não podem ser deixadas de lado) e o elenco é tão simpático e competente que fica difícil não se apegar a eles já nos primeiros momentos.

 Class tem muito mais sangue em uma cena do que DW em cinquenta e três anos.
Class tem muito mais sangue em uma cena do que DW em cinquenta e três anos.

E se alguém achava que a série teria uma pegada mais próxima de Doctor Who, foi pego de surpresa ao se deparar com um tom mais maduro e obscuro. Mesmo que algumas mortes não sejam explícitas elas acabam sendo muito mais violentas e cheias de sangue do que em DW, uma linguagem um pouco mais pesada é empregada nos diálogos (em DW não teríamos menções a masturbação, por exemplo) e por mais que uma bunda não seja algo tão polêmico para muitas pessoas, temos um momento onde o treinador do time aparece nú no vestiário.

Class tem muito mais bundas em uma cena do que DW em cinquenta e três anos.
Class tem muito mais bundas em uma cena do que DW em cinquenta e três anos.

Muitas pessoas podem dizer que a série está forçando a barra para parecer mais adulta e que usar esses artifícios é apenas uma gratuidade proposta pela produção, mas o uso desses elementos também faz com que a série se diferencie da sua matriz e mostre que tem personalidade própria, mesmo que isso pareça estranho no começo.

O humor também faz parte da série, mas não espere longas gargalhadas proporcionadas pelo roteiro. As “piadas” estão presentes em vários momentos, mas elas criam apenas risos pontuais e breves que servem para aliviar e dinamizar todo o desenrolar dos acontecimentos. O que mais importa aqui é desenvolver a trama e isso acaba ocorrendo de forma bem fluida, tanto que a aparição do Doctor não soa forçada, acontecendo de modo bem natural. Trazer o nosso Capaldão para participar do primeiro episódio não serve só para arrastar uma audiência com ele, mas também para situar os personagens e a própria série como partes vivas e ativas dentro daquele universo, passando o bastão para o grupo de jovens e mostrando que as ações e decisões tomadas reverberam em todos eles.

April e um de seus cartazes: Sutil como um elefante. Class.
April e um de seus cartazes: Sutil como um elefante. Class.

Até o momento tivemos um olhar mais amplo sobre Ram e Charlie, como a perda de pessoas próximas afetou a vida de ambos e como eles lidaram com isso. Algumas coisas foram reveladas sobre a April e creio que veremos mais dos dilemas da garota. Tanya e Quill, por outro lado tiveram suas histórias e personalidades exploradas em um nível menor que os demais, mas acho que isso vai mudar nos próximos episódios e quando isso acontecer será de forma satisfatória como vem ocorrendo com os outros.

“Class” foi uma boa surpresa, mas não vai agradar a todos e isso é óbvio, pois as comparações com outras séries vão ocorrer o tempo todo, porém se continuarem fazendo um bom trabalho como o que aconteceu nesses dois episódios eu ficarei esperando ansioso por cada episódio, assim como acontece com o meu amor maior: Doctor Who.

> 5 Bombas da Fall-Season 2016!

Nota de um diário de classe nº1: Achei a abertura meio fraquinha.

Nota de um diário de classe nº2: Olhando com atenção o quadro que o Doctor olha no finalzinho do primeiro episódio é possível ver os seguintes nomes: Clara Oswald, Danny Pink e Susan Foreman.

Nota de um diário de classe nº3: Algumas pessoas reclamaram, pois não foi dito a qual espécie o dragão do segundo episódio pertencia, mas não podemos esquecer que nós não temos o Doctor aqui para responder essas perguntas e como a própria Miss Quill disse: não é porque você é um alien que você é obrigado a conhecer todas as espécies do universo. Vamos nos acostumar, pois esse “não saber” ainda pode acontecer muitas vezes.

  • ThaisFrede

    Adorei os dois primeiros episódios e eu tinha em mente que seria mais uma serie bobinha de adolescentes acrescentando o núcleo alien e fiquei muito surpresa que não é. Ela é muita mais violenta que a original, um baita diferencial e adorei a diversidade do elenco e a naturalidade e a sutilidade de trazer certos assuntos como sexualidade do Alien, que acredito que deve ser igual ao Captain Jack Harkness, ou a cena de nudez, morte (talvez eu esteja assistindo muita serie americana, pq depois percebi que as outras series britânicas são praticamente assim)…. O ponto é: gostei da serie e tem bastante potencial, acredito que será interessante a jornada até o fim se continuar no estilo dos primeiros episódios….
    OBS: Como sempre onde o Doctor aparece e rouba a cena, e não tem como não ficar com o coração quebrado quando ele olha para o nome da Clara na parede e sente que é algo familiar, mas não consegue perceber o que é… Pelo menos é a minha interpretação da cena.

  • Um beijo entre garotos no primeiro episódio
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    E uma bela raba no segundo. Isso é o que eu chamo de conquistar a audiência.

  • Ronaldo

    Jurava que seria uma série leve mas foi uma boa surpresa que tenham utilizado um tom mais sombrio. Doctor nunca teve mortes com tanto sangue jorrando na tela dessa maneira.

  • Lucas Andrade

    É a primeira vez que vejo alguém falando mal de Sarah Jane, normalmente ou não viu ou é só elogios. Digo é uma série bem mais madura e bem arredondada que Torchwood.

  • Adriano Cardoso

    Vale lembrar que a própria BBC lançou uma nota oficial direcionada aos pais dizendo que Class não seria uma série para crianças e sim para jovens adultos.

    Quanto aos episódios eu gostei bastante.
    O meu medo é que eles queiram usar os monstros como metáforas para os problemas da juventude e acabem errando a mão.

    Uma dúvida, aquele quadro seria o nome de todos os professores que já passaram por Coal Hill ou uma homenagem aos que já morreram?

    • Jeferson Rodrigues

      É uma homenagem aos mortos e desaparecidos que já estudaram ou trabalharam lá.

      • Adriano Cardoso

        Entendi.

  • Capitã Marvel

    Típica pergunta de spinoff: Da pra assistir sem nunca ter visto Doctor Who?

    • Queen Chanel

      Também quero saber. Nunca assisti Doctor Who!

      • Não precisa, mas se você assiste DW vai aproveitar mais, porque tem participação especial do próprio Doctor e tal. Mas é uma história nova que da pra acompanhar de boa se conhecer DW.

    • Laís F.

      Dá para assistir sem nunca ter visto DW, mas é sempre necessário assistir Doctor Who. Com spin-off ou não.

    • Adriano Cardoso

      Bem, eu como fã de Doctor Who minha vontade é te dizer: “Para tudo que você está fazendo e vá assistir”. Mas como Class já está aí sendo exibido e essa temporada serão só oito episódios (dois já foram), eu digo, assista essa temporada e depois que terminar corre atrás do tempo perdido e assista Doctor Who.

  • gabix

    Eu não consegui aguentar nem vinte minutos =
    Eu achei a série horrível, infelizmente. Mas certamente Class terá seu público.
    Fiquei feliz pelo protagonista ser abertamente gay.

  • aha erlebnis

    Eu achei um “Misfits piorado”(Misfits, comédia dramática britânica, é muito melhor) mais pela banalidade das mortes do que pelos adolescentes com seus inumeros problemas universais. Eu realmente não gostei, vi os dois episodios com monstros da semana e o terceiro promete outro,fica parecendo um terror com adolescentes generico, igual a tantos filmes já feitos.(é lógico que também tem uma trama maior) esperava episodios com tematica mais variada e resolução inteligente dos problemas da tal fenda espaço temporal como acontece em Doctor who. falta uma personalidade propria e não acho que vai ter muitas temporadas. nota 5.0

  • Letícia Menezes

    Acho Torchwood boa apenas as primeiras temporadas, as duas últimas foram um côco. TSJA é boa, único pecado é não ter fim fechado. Sobre Class, ameeeeeeei, não sabia que ia ter esse tom adulto e já digo, quero mais. Foi muito bem trabalhada a fragilidade de Ram e Charlie.