O Bebê de Bridget Jones

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Status de Relacionamento: Mais do que complicado.

Lançado em 2001, baseado na obra literária de Helen Fielding, “O Diário de Bridget Jones” foi uma comédia romântica inteligente, que mistura um cinismo britânico típico com o romance água-com-açúcar (quase Austeano) de maneira hábil e prazerosa. Três anos depois, em 2004, a personagem retornava as telonas presa num dilema amoroso com a mesma irreverencia de sua primeira aparição, em “Bridget Jones: No Limite da Razão”. Eis que em 2016 a personagem retorna em um novo dilema em “O Bebê de Bridget Jones” (Bridget Jones’s Baby, 2016), que fecha a trilogia de modo ainda inteligente e com o mesmo humor mordaz de seus antecessores.

Bridget (Renée Zellweger) finalmente conseguiu colocar a vida nos eixos. Bem-sucedida profissionalmente, corpo desejado, vida estável. O problema é que o quesito amoroso acabou ficando em segundo plano. Seguindo o conselho de sua colega de trabalho, Miranda (Sarah Solemani), ela acaba embarcando no modo “carpem diem”, aproveitando a vida ao máximo, seja enchendo a cara num festival ou numa “one night stand” com um desconhecido ou com o ex. O problema é que ela acaba ficando grávida sem saber quem é o pai do rebento, embarcando numa jornada para descobrir a paternidade da criança ao mesmo tempo que dá, novamente, uma chance para o amor.

O filme não procura fugir do formato da comédia romântica típica, mas consegue usar os artifícios do gênero de maneira muito bem dosada. E por se tratar de uma produção majoritariamente britânica, acaba tendo um humor mais “sujo”, mais cínico, o que o torna ainda mais interessante. Sharon Maguire (que também dirigiu o filme de 2001) consegue passear habilmente entre o drama e a comédia depreciativa, inserindo algumas gags visuais e de narrativa que não condizem com uma franquia de 15 anos de idade, devido ao frescor do material e do timing empregado (as piadas com o Tinder e o X Factor estão entre as melhores).

Zellweger em conjunto com Colin Firth e Patrick Dempsey transmitem muito bem a sensação de química do triangulo amoroso. O primeiro no já conhecido papel de Mark Darcy, o sisudo advogado e o segundo na pele de Jack Qwant, um bilionário dono de um site que promete achar a cara metade perfeita. Em conjunto com o extenso e bem entrosado elenco de apoio dos filmes anteriores, o trio de principais entregam uma atuação no ponto, garantindo o entretenimento proposto. Fique de olho para uma participação especial e para a trilha sonora inspirada.

No final das contas, “Bridget Jones” acaba sendo mais do que uma trilogia de filmes românticos, acaba sendo uma obra sobre a mulher moderna e todas as suas dúvidas, conquistas e decisões. Sobre as trapalhadas no meio do caminho e as resoluções advindas dos erros cometidos. Algo que foge claramente do caça níquel raso produzido em abundância por Hollywood. Sem deixar de ser tocante e o mais importante, divertido.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Universal Pictures Brasil

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  • Tiago Costa

    Eu fiquei torcendo pelo cara errado o filme todo, no final eu acho que gostei menos do filme por ver com quem ela ficou. Não quero dar Spoiler, mas achei que ela podia ter seguido pra algo melhor, fiquei com a sensação de frustração no final do filme, mas entendi os argumentos.