Sweet/Vicious: nova série da MTV aborda a cultura do estupro

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O estupro é, infelizmente, algo recorrente no mundo. Desde a antiguidade existe a cultura do estupro, jovens se ‘casavam’ e eram estupradas por seus maridos, escravas tinham que se submeter a vontade de seus mestres, vilas eram invadidas e os subjugados, mulheres, homens ou crianças, eram torturados, estuprados e mortos. Nos dias de hoje é possível verificar com facilidade milhares de notícias chocantes na internet, como desta moça, que foi estuprada por 30 homens, e de atrizes se abrindo sobre abusos que sofreram de poderosos executivos, aqui e aqui. O assunto tem cada vez mais destaque, mesmo que por ignorância, muitas pessoas fiquem contra a vítima. A cultura do estupro existe atualmente, velada e escondida em casas aparentemente felizes para quem olha de fora.

Ano passado foi liberada uma matéria da Superinteressante sobre o assunto, que recomendo a todos, e traz estatísticas como “20% das universitárias foram estupradas em suas vidas, e 84% delas por alguém que elas conheciam”, mas elas se calam devido ao medo de retaliações, vergonha ou ameaças, até mesmo as universidades abafam os casos para evitar a má publicidade e porque sabem que não haverá consequências. Sweet/Vicious se propõe a explorar este mundo através de duas garotas atuando como vigilantes em sua universidade, punindo quem não recebe a devida justiça pela lei. É uma proposta interessante, e é certamente válido tratar esse tema pesado em forma de dark comedy.

O episódio foi introdutório, como o próprio nome diz “The Blueprint”, e serviu nos situar na trama, criar a base para a história, unir as protagonistas, com personalidades completamente diferentes, mostrar as conexões e os personagens secundários. Somos apresentados a vida da hacker antissocial, Ophelia, que passa o dia fumando maconha e correndo da polícia do campus. Ainda não sabemos quais problemas ela teve no passado, mas aposto em um futuro desenvolvimento, principalmente em relação à seus pais.

Jules é o oposto, membro de uma irmandade, o que por si só passa a fama de patricinha. Vemos que ela tem problemas vivendo uma vida dupla, está relapsa em relação as atividades da irmandade e está tendo dificuldades na vida acadêmica. Sua motivação logo se torna claro, é possível sentir o desconforto que ela sente quando Nate, o namorado de sua amiga, se aproxima. Não sabemos quando o abuso ocorreu e com certeza ela ainda não conseguiria encará-lo, então usa suas habilidades para se vingar por outras garotas que passaram pela mesma situação. Como ela lida com Will na cena inicial mostra todo seu ódio e nojo.

Jules e Ophelia abordam a cultura do estupro em Sweet/Vicious
Jules e Ophelia abordam a cultura do estupro em Sweet/Vicious

Ophelia através do mistério e da curiosidade, segue Jules mesmo depois de ter sido ameaçada, o que leva ao clímax do episódio. Confesso que a série estava bem morna e com vários clichês até este momento, então me surpreendeu, esperava apenas que Ophelia salvasse Jules, mas a morte foi inesperada. Elas até superaram rápido o choque da situação, onde conhecemos o reflexo de vômito por nervosismo. Quanto a ocultação do cadáver, espero que elas sejam formadas em CSI e Bones, porque vomitar na cena crime e deixar impressões digitais vai levá-las a cadeia, isso se alguém não descobrir o corpo coberto de vomito no porta-malas do carro, que provavelmente foi roubado (mas não descarto a possibilidade de um amigo ter achado engraçado pegar o carro do outro numa pegadinha).

Outro ponto que fiquei intrigada é como Jules consegue as informações dos meliantes, será que apenas por jornais do campus ou ela tem habilidades hacker também? Com certeza Ophelia a ajudará a descobrir mais injustiças.

Sweet/Vicious começa com um episódio acima da média, e, apesar dos clichês, consegue entregar algo que intriga e deixa vontade de continuar assistindo. Um bom tema que deve ser abordado é a questão dos preconceitos com a vítima, tenho esperanças que os casos mostrados serão interessantes. Espero que tenham gostado e comentem suas opiniões.

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PS: É impressão minha ou o policial do campus e o amigo de Ophelia são gays?

PS2: Vergonha alheia o policial indo no banheiro ver se o tal brinco de diamante estava lá e ao voltar virar a cara antes de entrar na sala, dando tempo a Ophelia de disfarçar, ficou muito falso.

PS3: Apesar das realidades completamente diferentes, a série mostra que há temas universais com as duas cantando Defying Gravity do musical Wicked sobre o Mágico de Oz.

PS4: As cenas de luta são bem feitas, os atores treinaram luta e parkour antes das gravações para se moverem e se posicionarem melhor durante as cenas.

PS5: Por último quero abordar o interesse amoroso de Jules, Tyler. É gato, e eles tem uma química ótima, mas como lidar com “eu matei seu irmão adotivo”?

  • Euron_Greyjoy

    Uma pequena correção, a menina que você apontou que foi estuprada por 30 anos na verdade não sofreu estupro(pelo menos foram as provas que apontaram) http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/05/laudo-nao-aponta-indicios-de-violencia-em-caso-de-estupro-no-rio.html
    Apenas 7 foram indiciados e por divulgarem as imagens na internet ; http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/06/policia-conclui-inquerito-de-estupro-coletivo-no-rio-com-sete-indiciados.html

    • Letícia Menezes

      Olá, não tinha visto essas matérias. Na segunda matéria que você mandou diz “As investigações apontam que a adolescente foi estuprada, no mínimo, duas vezes: no sábado pela manhã e no domingo, à noite. Os policiais acreditam que o número de envolvidos no crime possa ser maior.” Então mesmos que as provas não apontem para 30 pessoas, as investigações apontaram para o estupro.
      Obrigada pelo comentário.

  • Marcus

    Eu gostei muito do episódio piloto e a série apesar dos clichês chama atenção mesmo e deixa um gostinho de quero mais.
    Ophelia é maravilhosa, o verdadeiro alívio cômico da série por si só.
    Jules não me comoveu muito, não me apeguei a ela como com Ophelia.
    No mais a série é divertida e vou continuar acompanhando.

    PS: Já tem o episódio 2 disponível. Eu já assisti e gostei ainda mais. No aguardo do seu feedback a respeito dele.

    • Letícia Menezes

      Tem até o 3 disponivel (A MTV disponibilizou) e gostei bastante do segundo.
      Até a próxima!

  • João Carlos

    Esse piloto me surpreendeu. A forma que a historia vai se desenvolvendo começamos a gostar.