Nada Será Como Antes 1×05/06: Capítulos 05 e 06

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Os fatores externos que influenciam a gravação de uma novela foram o mote do capítulo 5 de Nada Será Como Antes, quando vimos que a gravidez de Verônica iria influenciar no desenvolvimento de Anna Karenina. Saulo preferiu finalizar a novela do que dar um outro rumo a personagem de sua ex-esposa e vê-la gestante na TV. O poder está com o produtor, não é memso? Faltou, a meu ver, uma abordagem mais profunda sobre os eventos inusitados que redirecionam a produção de uma novela. Naquela época, não havia muitas novelas. Ou seja, quando se terminava uma obra, não havia o projeto das próximas novelas daquele horário para os próximos 2 anos, como hoje. Logo, terminar às pressas Anna Karenina implicou em fazer outra produção muito rápido ou não?

Como solução para essa situação complexa de maternidade, Aristides aconselha Verônica a deixar o seu filho em uma “instituição educacional”, pois uma mãe solteira não cairia bem aos olhos da população. Trabalhar na TV, então, é se expor a ponto de que a vida do artista é governada sobre as possíveis opiniões dos telespectadores sobre as suas ações pessoais. A família, que a recusou por conta da carreira de atriz, não aceitaria um neto sem pai. Era um caminho, na vida profissional e pessoal, quase sem saída.

Já a relação de Beatriz e Otaviano não é bem vista pelo seu pai, como já dito aqui anteriormente, uma vez que a moça é atriz e essa profissão não é compreendida ainda pela população. Porém, os jogos políticos utilizaram Beatriz como objeto a ser vendido, nesse caso, através de sua história. Nesse contexto, Júlia reaparece como uma personagem que precisa conquistar mais autonomia emocional de Beatriz e Otaviano. A atração por Beatriz parece ser tóxica numa proporção semelhante a proximidade que Júlia tem de seu irmão.

Por fim, o plot de Rodolfo pouco empolgou, pois trouxe uma situação bastante corriqueira atualmente e que poderia ter siso trabalhada por um caminho menos fácil e mais criativo: o ator frustrado, namorado do ator gay não assumido, vinga-se do parceiro dando um furo de reportagem sobre a sua homossexualidade. O jornalista como abutre e a TV como espaço de entrada em que o ingresso é o sexo são pontos já bastante trabalhados da maneira que a minissérie apresentou. Por isso, achei essa subtrama muito monótona.

Nesse episódio, tivemos um desenvolvimento maior da trama de Verônica e a sua relação com a maternidade e a sua família. A atitude de não colocar o filho num orfanato e criá-lo pondo a sua carreira em risco mostrou como ela realmente desejava ser mãe.

No capítulo 6, Verônica já está lidando com as consequências de assumir o papel de mãe solteira: falta de dinheiro. Saulo a encoraja a voltar para rádio e, novamente, de forma mais lenta, começa uma nova reaproximação do casal. Aqui, senti falta de mostrar como o rádio ficou depois da TV, principalmente nesse movimento contrário de Verônica, de retorno para um meio de comunicação antigo depois de ter experimentado um meio de comunicação novo. Ela voltou para o rádio por necessidade e não espontaneamente. A televisão se tornou adversa a ela, já que ela não poderia apresentar mais a sua imagem. Como seria para os profissionais da rádio essa recepção? Infelizmente, isso não foi abordado.

A subtrama da filha de Saulo não acrescentou nada à história, pois apenas tomou espaço de aprofundamentos de temas históricos que poderiam ocorrer e não foram realizados. Nesse mesmo sentido, a trama de Beatriz e Otaviano não evoluiu, continuando a apresentar a atriz como um recurso que faz vender a imagem política do futuro candidato. Por outro lado, a cena do quase incesto foi bacana e mostrou como Beatriz sabe jogar e manipular os dois irmãos que, por ter uma relação tão íntima, muito provavelmente, sairão machucados dessa relação multilateral. Júlia optou a forçar um casamento e seguir o caminho de uma união sem amor para se distanciar da cunhada. É assim que chegamos na metade da narrativa: os dramas pessoais estão tendo um maior espaço em detrimento do lado histórico da minissérie. Espero que isso seja revertido!

E vocês, o que estão achando da minissérie?

Take 1: Que linda a cena de Beatriz ensinando a mãe a tomar sorvete. Kassia Kiss arrasa sempre!

Take 2: Gostei de Verônica ter voltado como apresentadora de um programa e não como uma atriz. Nesse seu novo trabalho, temos o olhar da TV como meio que possui uma função e compromisso social que, nesse caso, dirige-se à saúde da mulher.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Como assim a Ana Karenina morre no final?! Mesmo ela não sendo mais a queridinha da telenovela eu teria ficado chocado rsrs

    A cena da Verônica saindo do hospital e dizendo que o filho era dela foi muito linda.

    • João Carlos

      Imagina naquela época, uma novela que era uma novidade para todos e ainda acaba em suicidio? Tenso, mas foi legal de se ver. Seria uma novela que eu acompanharia.

      • Jord Son

        O canal, porém, perdeu a chance de ousar mais, colocando a história da TV, de fato, como protagonista, menos glamourizada, e ido fundo em questões políticas e sociais que permeiam a implantação da TV no Brasil. Neste ponto, a série acaba ficando na superfície.

        • João Carlos

          Por esse lado a serie deixa a desejar. Não vemos como muito sobre, como foi a aceitação das pessoas e as concorrências que aparecem.

          • Jord Son

            Deve ser a primeira vez que isso acontece: não há comédias dentre as produções de séries em exibição na Globo. Atualmente, são dois produtos do gênero em cartaz, todos nas noites de terça: Nada Será Como Antes, um drama, e Supermax, de terror/suspense. Duas boas experimentações na grade da emissora. Apesar de vir numa embalagem bem diferente do que normalmente aparece nas produções de séries da Globo, Nada Será Como Antes conta com um enredo simples.

          • Jord Son

            Ou seja, Nada Será Como Antes mostra os anos 50 com uma lente de aumento, quase idealista, mas encanta pela sua temática, que traz a TV falando da própria TV. O fato de ser semanal também quebra o ritmo, bem como o tempo de arte reduzido dos episódios, que compromete o ritmo da narrativa, deixando-a em certos momentos lenta e morna demais. Poderia ter seguido o exemplo de Justiça, que tinha uma estrutura de série, porém, era diária (exibida às segundas, terças, quintas e sextas). Mas, ainda assim, Nada Será Como Antes é uma deliciosa opção e abre novos caminhos para a narrativa seriada nacional dentro da programação da Globo.

  • João Carlos

    Lindo a cena onde Veronica sai com os filhos nos braços e o apresenta como o mesmo.
    Estou gostando muito da minisserie, Beatriz minha personagem favorita. A trama esta boa, alguns plots fracos, mas que nao decai a qualidade da serie.

    • Jord Son

      Assim, a trama fala sobre a paixão do público das novelas por grandes vilãs, além de deixar claro que a vontade da audiência influi nos rumos da obra.

      • João Carlos

        E isso até hoje acontece. A opinião do público conta muito.

        • Jord Son

          Deliciosa mistura de ficção e História, Nada Será Como Antes não deveria ser semanal

  • Jord Son

    Um exemplo é a glamorização vista nos bastidores da TV Guanabara, com cenários e figurino impecáveis. Sabe-se que o início da televisão foi de uma precariedade absoluta, mas, aos olhos do público, o mundo dos famosos é praticamente um universo particular e é isso que a série reforça. E há também personas típicas deste universo, como o patrocinador que coloca a namorada como protagonista ou o galã que esconde sua homossexualidade para garantir seu lugar na mídia e não decepcionar suas fãs apaixonadas.

  • Jord Son

    Deliciosa mistura de ficção e História, Nada Será Como Antes não deveria ser semanal