Nada Será Como Antes 1×04: Capítulo 4

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Nas medições sentimentais de Nada Será Como Antes, uma paixão dura 7 anos. Quando passa dos 10 anos, vira amor. É a partir dessa premissa que começa a nascer a reconciliação de Saulo e Verônica, uma vez que eles ficaram juntos por 10 anos. Após a briga da cena do episódio passado, o casal resolve dar um passo adiante e reatar o relacionamento. Porém, vemos que é muito difícil para o machismo de Saulo aceitar que Verônica se envolveu com outro homem.

A ideia da adoção vem do produtor de TV e, inicialmente, aparenta ser uma alternativa para que o casal supere o obstáculo que culminou no fim do casamento: a infertilidade. Todavia, para a época, e também ainda hoje, persiste o preconceito com as pessoas que não são legalmente casadas, como é o caso de Verônica e Saulo. Além disso, também temos o preconceito contra os profissionais de TV: ainda não eram bem vistos socialmente. É paradoxal essa situação, se pensarmos que a televisão promove entretimento, mas, ainda assim, fora dele, os seus profissionais são vistos de modo negativo. Tudo o que é novo, em sociedades marcadas pela hipocrisia dos bons costumes, gera desconforto e até medo.

A gravidez de Verônica causa fúria em Saulo, que reage à notícia dentro de um comportamento bem machista. Verônica questiona que, de qualquer forma, eles iriam adotar uma criança filha de outro homem e de outra mulher. Entretanto, nessa nova configuração da adoção, Saulo olharia para a criança como a representação de uma traição, que, na verdade, não houve, posto que ele estava separado de Verônica. Logo, todo aquele planejamento de uma vida familiar desmorona novamente. Porém, agora, uma família irá se constituir, mas só entre Verônica e seu filho. Vamos ver se Saulo conseguirá se inserir nesse novo contexto familiar.

O ensaio da telenovela, mais uma vez, apresentou o conflito entre Verônica e Beatriz, só que elevando um pouco mais o grau de tensão entre as duas. Ao esquecer a fala, Beatriz levou o maior esporro de Verônica, que se recusou a continuar com o ensaio e pediu um intervalo. A falta de experiência da atriz veterana com uma atriz estreante foi algo bem construído e, em seguida, invertido. Na volta do intervalo, Verônica esqueceu a sua fala (parece que o jogo virou, não é mesmo?) e Beatriz ajudou a colega a lembrar, gesticulando o texto fora do campo da câmera. O profissionalismo partiu da atriz mais jovem, demonstrando paciência e companheirismo. No camarim, após o ensaio, Verônica se retratou com Beatriz e esta demonstrou bastante humildade, principalmente ao relevar para a colega de profissão que a admira e aprendeu muito com ela. Desse momento em diante, iniciamos um episódio dedicado à Beatriz, mostrando o seu passado.

A volta para a casa dos patrões para buscar a mãe foi uma incursão num passado marcado por submissão, abuso e humilhação. Beatriz sofreu bastante nas mãos dos patrões (e calada), suportando variados abusos para poder ver a sua mãe amparada sob o teto de alguém. Beatriz, nesse retorno como atriz, enfrentou os patrões com muita elegância, sem, em nenhum momento, transparecer prepotência ou demasiada superioridade. O trabalho e a volta por cima, talvez, foram os recursos que a ajudaram a superar tudo o que sofreu naquela casa e foi silenciado pelas paredes da família tradicional brasileira. O seu novo desafio é habituar a sua mãe a ser só sua mãe e não sua empregada, algo que estava incorporado em seu estilo de vida há muitos anos. Gostei bastante do desenvolvimento da personagem de Bruna Marquezine, expondo as suas fragilidades e o seu sofrimento. O roteiro fez isso sem esquecer das outras personagens, que tiveram um espaço menor, mas significativo.

A transferência da capital do país para Brasília simboliza mais uma turbulência do momento histórico em que a série se passa e espero que, nos próximos episódios, esse tema dialogue mais com a história da televisão. Vemos que a política, através dos anúncios, tenta ser um elemento presente na TV: quem sabe uma reeleição que não ocorre nas ruas pode acontecer via televisão… A família de Otaviano e Júlia não precisam financeiramente da política, entretanto, o poder político nunca deixa de ser um alvo e um desejo.

E vocês, estão curtindo as personagens e os seus desenvolvimentos na série?

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Beatriz roubando a cena tanto na telenovela como na própria série. Verônica e Tufão estavam felizes demais sabia que ia acontecer alguma coisa….

    • João Carlos

      Saulo sempre dando mancada. Ama a verônica, mas sempre faz algo que ira magoa-la

  • Maria do bairro

    Eu fico impressionada como a Cássia Kis rouba a cena mesmo com um personagem pequeno. Adorei a cena em que ela passa perfume para assistir televisão kkkk

    • João Carlos

      Devia ser muito comum naquela época. Vestir a melhor roupa para ver televisão

  • João Carlos

    Todos os personagens são bem trabalhados, mas para mim a Beatriz é de longe a mais interessante. Se mostra uma mulher forte, decidida e bem a frente do seu tempo.