Nada Será Como Antes 1×03: Capítulo 3

8
2003

Nada Será Como Antes, em seu terceiro episódio, nos apresentou mais sexo e sensualidade nos bastidores da TV do que romance. A minissérie teve uma boa evolução em sua narrativa e mostra o quanto tem poder de seduzir o telespectador através de uma narrativa bem contada, envolvendo fatos históricos, metalinguagem e romance, contando também com um elenco pequeno de bastante peso e competência.

“O mundo se divide entre os que não gostam de se mostrar e os que gostam de se exibir”

– Saulo Ribeiro.

Tal como o episódio anterior, que vimos a TV dando um grande passo na vida dos brasileiros ao exibir uma telenovela, o terceiro episódio avançou mais um pouco nesse processo de ampliação dos elementos ofertados por esse novo meio de telecomunicação. Saulo deseja agora mostrar o Carnaval pela televisão, algo questionado por Aristides, pois este estava com medo de as pessoas substituírem a presença física na festa de rua para ficar em casa assistindo. Engraçada essa analogia, não? Penso que seja essa, hoje em dia, talvez, a lógica utilizada na produção dos filmes para TV: não vamos exibir a película na tela de cinema, e sim levá-la diretamente para a casa do telespectador.

Outra cena que gostei bastante foi o confronto entre Beatriz e Verônica: uma representa “o que os homens desejam” e a outra representa “o que as mulheres desejam”. Mas será que toda mulher dos anos 50 se veria na pele de Verônica, recatada e do lar? Nesse momento, podemos filtrar o machismo existente na voz das mulheres da época, como se o perfil de mulher independente, autônoma e sensual somente fosse quista aos homens, sendo classificada também como uma prostituta ou algo do gênero.

A Júlia, de Letícia Colin, estava mais desarmada em relação à Beatriz, expressando mais claramente o descontentamento em relação ao romance com o seu irmão. A oferta que ela fez para Beatriz deixar Otaviano, aparentemente, foi movida pelo ciúme e vontade de tirá-lo do caminho. A cena do beijo das duas personagens foi a melhor do episódio, e ambas as atrizes, a meu ver, tiveram bastante “química”. Houve muito desejo e paixão nos olhares de Beatriz, realçados pela excelente trilha sonora e pela baixa iluminação do cenário. “Eu sou o que vocês que precisam”, “Eu quero você e o seu irmão” foram as frases sussurradas por Beatriz que mostraram para Júlia que ela não terá exclusividade.

A mistura entre vida e ficção é retomada pela trama de Saulo e Verônica, quando Aristides lembra que, no romance “A dama das camélias”, de Alexandre Dumas, também houve uma “mentira por amor”, foi mais uma autorreflexão que casou bem com o enredo da série. Porém, Saulo e Verônica caminharam em passos contrários à literatura, uma vez que nenhum dos dois conseguiu seguir em frente no plano amoroso.

Em cena, Verônica e Beatriz reproduzem, de certa forma, o mal estar que existe entre elas fora da interpretação de suas personagens na telenovela. Em “Anna Karenina”, a personagem de Beatriz tenta roubar o pretendente da personagem de Verônica. É o que está realmente acontecendo, só que de outra forma: Beatriz está “roubando” o close de Verônica, pois o seu papel está crescendo. Como se não bastasse, Saulo vê esse procedimento com naturalidade, dizendo a ex-esposa que isso ocorre por conta da pouca idade de Beatriz e da velhice da Verônica. Esse momento do episódio é algo extremamente atual: homem quando envelhece fica charmoso e mulher quando envelhece fica apenas velha e é sempre criticada por isso. Várias boas atrizes brasileiras já questionaram esse preconceito: mulheres idosas só recebem o mesmo papel sempre, a de matriarca boazinha. Poucos são os autores que dão oportunidade para atrizes veteranas interpretar personagens mais complexas e com mais destaque. Um exemplo disso em 2015 foi Walcyr Carrasco e Lícia Manzo, que deram o gosto para o telespectador ver novamente Eva Wilma e Regina Duarte, respectivamente em Verdades Secretas e Sete Vidas, voltando à tela na pele de mulheres incríveis.

Nada Será Como Antes
Nada Será Como Antes

Outro fator que incomodou Verônica foi a vilanização da sua personagem, que teve como consequência ela ser mal tratada pelo público, que confundia as suas atitudes na telenovela com a realidade. Nesse momento, Saulo dispara: “O aplauso do vilão é a vaia”. Isso é algo que eu vejo com recorrência em entrevistas recentes de atores e atrizes que estão em papeis de antagonista: a satisfação em ser odiado pelo público. Entretanto, naquela época, a vilania não deveria ser tão bem apreciada como hoje. Mas é bom não confundir “ódio” com “rejeição”. Se o público não gosta de determinada personagem, é porque aceitou que o que ela está fazendo em tela é realmente algo ruim. Tal fato valida o trabalho de atuação. No episódio de hoje, não ficou muito claro, ainda, se Verônica está sendo rejeitada ou odiada e aceita.

Por fim, a recaída do casal protagonista, como cena final, foi muito boa: “diga que me ama amando”, vociferou Verônica ao não compreender as atitudes de Saulo. A turbulência entre ambos só será minimizada quando o produtor de TV resolver contar a verdade para a sua ex-mulher, algo que penso que irá demorar ainda um pouco.

E vocês, gostaram da continuidade da semana passada? Peço desculpas pelo atraso da review. Não estou conseguindo acompanhar a série na terça. Quando a vejo, quase sempre no final de semana, estou sem tempo para escrever. Mas acho que essa semana eu consigo me organizar melhor.

  • Maria do bairro

    Na realidade na terça passada a Globo passou futebol! Então quem está acompanhando pela TV, ainda não assistiu o episódio 3! Kkkk

    • Diogo Souza

      Sério?! Poxa, obrigado pela dica. Vai rolar mais spoiler, então. Essa semana, adiantei-me demais.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Pensei que não tinha passado terça passada e fui correr assistir online, agora li os coméntarios e vi que não passou mesmo kkkkkkkkk
    Enfim a serie tá cada vez melhor o episodio passou voando e as catfights estão deliciosas, tanto na vida real quanto na ficção.

    • João Carlos

      Beatriz e a Veronica sao sensacionais

  • João Carlos

    Esta ate adiantada a review ja que o episodio nao foi ao ar semana passada e disponobilizam os episodios na sexta.
    Gostando de mais dessa minisserie. A ambientação, os personagens tudo esta de mais.
    Ja assisti o proximo episodio e vejo que so cresce.

  • Felipe Farias

    Sinceramente não tenho gostado dessa série… Acho q ela tem um ritmo bem de novela e as cenas “sensuais” não me convenceram ainda. Com todo o respeito a quem tem gostado, claro

  • Jord Son

    Débora Falabella e Murilo Benício têm atuando em excelentes cenários, destacando a dupla, Verônica e Saulo. Tem Talento e desenvoltura de sobra os atores. Vale destacar também a cena em que a sensual Beatriz seduz Otaviano e Julia. Para manter um caso com os irmãos, que aceitam ‘dividi-la’.

  • Jord Son

    a tão alardeada nudez foi apresentada, porém, mais do que essa nudez, a cena valeu pela dose milimétrica de sensualidade. Beatriz deu uma aula de sexo ao já experiente Otaviano. Em seguida, foi a vez de Júlia (Letícia Collin), a irmã do rapaz. Foram cenas fortes, ousadas e polêmicas que deram uma vida nova ao seriado (que estava bem morninho, diga-se de passagem). O que mais chamou minha atenção neste fato é que, mesmo correndo o risco, como correu, os autores seguraram os grandes momentos do seriado para o terceiro episódio, com a nudez e a sensualidade dentro de um contexto, não apenas um puro chamariz de audiência. Aliás, Bruna vem apresentando na pele dessa dançarina de boate alçada à fama como estrela de telenovela sua evolução na carreira, demonstrando maturidade ao optar pela sutileza em cena, ao invés de muitos tons acima do necessário.