Meu Amigo, o Dragão

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A história de um garoto e seu cachorro.

A nostalgia sempre moveu Hollywood e ela tem o poder de recuperar a essência do que foi marcante. A Disney está se reencontrando e descobrindo onde foi parar a sua magia através dessa série de remakes em live-action e não podemos reclamar do que estamos recebendo.

Depois de Cinderela e Mogli, chega às telas a recriação do filme lançado em 1977, Pete`s Dragon (Meu amigo dragão). O filme se distancia em muito do original, mas isso é ótimo! Se você nunca assistiu a primeira versão, sinto te contar que ela é um musical meio maluco, com uma história sem muito sentido, que misturava animação com atores reais e, infelizmente, não soube envelhecer bem. A única coisa que dá pra tirar de bom é o repertório musical.

Esse novo filme abandona quase tudo, mantendo apenas o essencial. O que sobra é ideia de um menino que fica órfão, seu amigo dragão e bandidos que querem captura-lo para ter dinheiro e fama. História conhecida mas que não deixa você entediado em nenhum momento.

A trama é agradavelmente simples, Pete (Oakes Fegley) é um menino de 4 anos que perde os pais em um acidente na floresta e é adotado por um fofo e peludo dragão. Seis anos depois, ele é encontrado pela guarda florestal Grace (Bryce Dallas Howard) e vê a segurança do seu dragão amigo sendo ameaçada.

Logo depois de uma rápida e cruel cena de abertura, já somos apresentados a figura majestosa do dragão. O CGI é competente e a decisão da direção de arte por criar uma mistura de cachorro-verde-gigante-com-asas-de-morcego funciona, porque foge do fotorrealismo e se aproxima da caricatura agradável. Mas se o seu visual é diferente, suas expressões são familiares e extremamente convincentes. É fácil se afeiçoar e desejar, com força, ser amigo dele.

Principalmente porque o dragão é um cachorro, e quem não ama cachorros? Ele tem pelos e não escamas, tem focinho, uiva e até corre atrás do próprio rabo! O paralelo traçado entre eles e o livro de histórias infantis é linda, delicada e clara para que as crianças entendam.

A relação dele com Pete é sem dúvida a melhor coisa do filme. Quando a história os separa, perde o ritmo e a força narrativa. Aguentaria fácil ver os dois correndo e brincando na floresta, voando alto no meio das nuvens por 2 horas seguidas, mas só ganhamos um clipe no começo do filme e temos que nos contentar com isso.

O filme tem um tom infantil e é perfeito para ver com a família. Mas por causa desse tom, algumas decisões acabam ficando forçadas e valem só para agradar a criançada mesmo. Tudo relacionado ao vilão do filme é cansativo. Karl Urban até tenta dar alguma motivação plausível, mas falha miseravelmente. O personagem é canastrão, tipo ganancioso destruidor das florestas e dos animais, mas o lado bom é que ele não tem tanto espaço a ponto de atrapalhar o filme.

E é o olhar infantil que garante a magia necessária. A fotografia, a trilha sonora e até mesmo o roteiro, só funcionam porque esse filme acertou na essência. É difícil não se envolver com o dragão ou não sofrer quando ele é capturado, e é ainda mais difícil não abrir um largo sorriso quando o filme acaba, deixando você com a sensação de ter visto um bom filme da Disney.

  • Maria Catarina Souza Martins F

    Bela crítica! Ao final do filme, eu e minha mãe tínhamos chorado e ela me perguntou se se tratava de um filme da Disney, porque tinha a cara de filme da Disney. Magia e ternura nos tons certos!