Law & Order SVU 18×02/03: Making a Rapist/Imposter

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A expressão que todos ficamos no mesmo momento que Benson!

O rosto de Benson nesta imagem define o melhor momento deste episódio, quando Barba mostra sua habilidade com maestria no tribunal. No entanto, mesmo com o bom desenvolvimento do meio para o final, Making a Rapist, não foi um episódio que conseguiu segurar minha atenção ao longo de toda sua duração. O início foi um tanto quanto parado, mesmo com o importante tema que vinha sendo tratado, relacionado a convicção de pessoas inocentes e como funcionaria sua retomada a vida social após sair da prisão.

A parte investigativa tentou confundir os espectadores em relação a quem havia realmente atacado Ashley, colocando mais personagens que poderiam ter sido responsáveis, como o noive de Ashley e o adolescente que a observava do terraço de seu prédio. Porém, acredito que nenhum deles realmente foi convincente, enquanto Sean parecia culpado desde o primeiro momento em que os detetives do esquadrão batem à sua porta. O próprio roteiro não insiste muito nesses novos suspeitos, rapidamente voltando sua atenção para Sean e logo iniciando a parte judicial do caso.

O tribunal também começou morno, sem grandes acontecimentos. Foi após o adolescente sentar no banco de testemunhas e contar sua história sobre a faca e como foi seu diálogo com Rollins que as coisas começaram a andar numa direção mais interessante. A partir deste momento foi possível ver o caos se instaurando entre todos os personagens de SVU. Já vimos momentos em que dois personagens batem de frente, mas Making a Rapist levou isso mais adiante e mostrou aos espectadores como nem sempre o esquadrão é tão unido assim. Ainda sobre a maneira como Rollins lidou com a testemunha, gostei que o roteiro deixou para que cada um de nós chegasse a suas próprias conclusões sobre o comportamento da detetive. Eu considero que Amanda havia sim percebido como o adolescente estava tentando agradá-la e, mesmo após dizer que só queria a verdade, parecia claro que ele não era muito estável. E vocês, o que acharam da postura de Rollins?

Após muitos episódios esperando, foi possível ver Tutuola com maior destaque. E eu continuo não conseguindo compreender o porquê de o personagem não ter maior destaque com mais frequência. Finn é um detetive com postura muito diferente das de seus colegas, trazendo um clima diferente para a trama que é sempre ótimo de assistir. Seu depoimento no tribunal foi ótimo, mesmo quando Barba lança uma pergunta enviesada para o detetive, questionando sobre a prisão de Sean há dezesseis anos.

No entanto, a participação mais central de Tutuola acaba perdendo seu brilho para a melhor cena de todo o episódio, que é quando Melanie dá seu depoimento para Barba nos tribunais. Neste episódio me lembrei de uma das primeiras, senão a primeira, aparição de Barba, quando ele convence o réu a tentar estrangulá-lo com seu cinto para provar que ele havia cometido o crime. Barba estava implacável, duro e convicto da acusação que estava fazendo. À primeira vista, o advogado soou insensível e grosseiro ao tentar culpabilizar a mãe pela morte de sua filha, no entanto, a forte argumentação de Barba fez com que Sean fosse condenado novamente, desta vez, por um crime que ele confessou ter cometido.

P.S. – O que falar sobre um seriado que em seus primeiros minutos já conta com a presença do vice-presidente dos EUA, Joe Biden??

18×03: Imposter

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De “melhor sexo da história” para “você me estuprou” em dez minutos.

Ao longo de Impostor, SVU tenta nos convencer da necessidade de atualização de leis referentes ao que é ou não considerado estupro. Através de seu plot principal, o episódio busca argumentos para convencer os personagens e os espectadores da necessidade de tais mudanças. Desta vez foi mais complicado concordar rapidamente com Benson e Barba em sua argumentação, já que, assim como os personagens de Imposter, estamos acostumados em ver ou vivenciar situações em que é normal mentir para conseguir dormir com outra pessoa. Acredito que tenha sido uma tarefa difícil para o roteiro em conseguir balancear os diálogos e argumentações dos personagens.

Benson e Barba eram os que estavam mais certos sobre a necessidade de mudanças na lei, enquanto dos outros personagens vimos uma mistura de opiniões, mas prevalecendo aquela em que não deveria ser crime mentir para transar com alguém. Com direito até a piada de Finn sobre qual personagem ele já interpretou para sair com mulheres. Para quem assistiu também How I Met Your Mother, foi impossível não lembrar de Barney Stinson e seu Playbook. Mas, piadas a parte, foi interessante entender como o roteiro buscou formas de abordar um tema tão polêmico como este de forma introdutória. Mesmo que os espectadores tivessem tendência em imediatamente alegar que tal situação não foi estupro, SVU tenta mostrar outro lado desta argumentação, abrindo espaço para o questionamento do espectador de suas ideias pré-concebidas.

E o que falar sobre a escolha do ator? Wallace Langham, o eterno Hodges de CSI Las Vegas. Como fã deste seriado, foi muito difícil levar o personagem de Langham a sério sem estar constantemente imaginando Hodges em tal situação. Mas o personagem cumpriu sua proposta e o ator conseguiu com êxito entregar um personagem que estava no meio do caminho entre um mulherengo eficiente e um criminoso, confundindo os espectadores durante o desenvolvimento da trama.

Confesso, porém, que apesar de ter achado a ideia interessante, este episódio também não conseguiu prender totalmente a minha atenção. Com o ritmo mais lento da investigação policial e um episódio que muitas vezes soou forçado, Imposter fica no hall de episódios que cumpriram seu objetivo, mas, ao mesmo tempo, não mantiveram o nível de qualidade que vínhamos assistindo ao longo da décima sétima temporada.

Falando agora dos personagens, vimos Carisi seguindo em frente com sua ideia de trabalhar com um promotor de justiça, algo que ele acreditou que estava mantendo em segredo para Benson, que o surpreende perguntando após a entrevista como ela havia sido. Seguindo por este caminho, o futuro do personagem no esquadrão se torna um pouco incerto, mas, acredito que ainda veremos muita água rolar antes de alguma mudança brusca na configuração atual de SVU.

  • VALERIANA BARROS

    Achei os dois episódios bem chatos.

  • Luana Bernardo

    gostei!

  • Luana

    Gostei mais do Making a Rapist. Nos faz refletir sobre o quanto apenas a prova testemunhal pode ser frágil e incerta. O discurso do Sean no final foi impactante: ele não era um estuprador, mas ficar 16 anos preso por um crime que ele não cometeu o fez se tornar um. Fiquei com pena da mãe neste episódio porque era claro pra todos que ela se culpava, de alguma forma, pela morte da filha…

  • Karine Aureliano

    Ei Fernanda, como sempre, excelente review. Segue meu comentário sobre o 18×02 que já havia escrito antes de ler sua resenha, porém acrescentei novas impressões entre os parenteses:
    No momento em que Ashley disse que convidou Sean para o casamento senti um estranho desconforto, então Liv faz uma cara engraçada, questiona Fin e esse sentimento de que algo iria dar errado se fixou.

    Foi duro ver Barba detonando a Melanie no tribunal, mas foi necessário. Inclusive, sua atuação me lembrou muito de seu episódio introdutório na série, “Twenty-Five Acts -14×03”, (já tinha escrito meu comentário para outro site e quando vi que você teve a mesma impressão que eu, dei gritinhos rsrsr) e novamente trouxe à tona o quanto esse promotor é implacável e assertivo. Concordo com vocês que o erro dele nesse julgamento foi não ter preparado Charlie para testemunhar, e sim, Amanda também falhou ao não informá-lo com antecedência da instabilidade do garoto, ainda bem que foi possível contornar esses equívocos. (não acho que a detetive agiu mal intencionada)

    Eu sinto muitíssimo por, injustamente, Sean ter passado 16 anos preso e sinto também por todas agressões sofridas por ele nesse tempo. É de conhecimento geral que o sistema penitenciário não reintegra os presidiários à sociedade, e foi interessante ver as consequências brutais dessa condenação errada. Melanie questiona Olivia de quem é a culpa e eu também não saberia levantar dedos para respondê-la, penso que Tutuola fez apenas o seu trabalho e não pode ser apontado como responsável desse infortúnio.

    Para encerrar, digo que fiquei ~feliz por ele ter sido condenado à 15 anos pelo crime.

    PS: Carisi imediatamente levantando bandeira em defesa da parceira prova que o Squad é muito unido.

  • Karine Aureliano

    Nossa, que tragédia!!! Senti a dor da mãe e do pai quando mostraram o filho com a cabeça explodida no chão. Quando
    o Barba disse que não conseguia contato com Laura imaginei que ela
    tinha decidido acabar com todo sofrimento da maneira errada, tirando a
    própria vida. Mas não me passou pela cabeça que tinha sido o próprio
    filho a suicidar. Pesado!

    Achei muito importante e
    instrutivo o show trazer essa temática e aumentar a discussão sobre o
    conceito de estupro, afinal até eu, que sou mulher e feminista em
    construção, tive que ser convencida pelo roteiro para aceitar a acusação
    de estupro. Faço portanto coro à Liv, as leis devem ser atualizadas
    para o século XXI, afinal, o mundo mudou muito, e vai continuar mudando.

    Quem lembrou de Barney Stinson em HIMYM pode ter
    certeza, que se ele fosse real ele seria tão desprezível quanto ao Tom
    Metcalfe. (Eu amo HIMYM e o Barney é um personagem incrível. Saibam
    separar ficção da realidade.)

    Liv
    toda marota demonstrando conhecimento sobre os detetives “como foi a
    reunião com o LaRosa?” rsrs Ah Carisi, você é lindo e inteligente e
    merece ser promotor, mas te queremos pertinho da gente. E pelo visto, a
    Amanda também rsrs

    Interessante a vida pessoal dos
    personagens se cruzar com o tema do episódio, com Liv questionando a
    educação de Noah na “fancy school” e a mãe disposta a se vender por uma
    vaga para o filho na universidade famosa.

    Essa camisa linda, azul com bolinhas, que a Rollins usou: kero.

    Em
    tempo: Para quem aí pensa que é OK mentir para conseguir uma ~fodinha,
    deixo aqui uma analogia: o povo na firma quando é pego em algum erro
    administrativo justificam dizem que “sempre fizeram
    assim”. Não é porque algo sempre foi realizado de X maneira que
    significa
    que está correto. O mundo mudou e nós precisamos nos adaptar à ele.

    Bem vindos ao século XXI.

    • Karine Aureliano

      eita… ficou todo desconfigurado.