Legends of Tomorrow 2×03: Shogun

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Quem nunca fantasiou ser um super-herói? Quem nunca sonhou, nem que por um minuto, ter o poder de voltar no tempo e alterar algumas coisas em benefício próprio? Esta é a fórmula padrão de Legends of Tomorrow. A série entrega para seu telespectador a possibilidade de entrar dentro do mundo de heróis e vilões, enquanto visita as mais diferentes épocas do mundo. E para quem está ainda está aprendendo a brincar, Legends mostrou com Shogun que já está quase entrando no ritmo das crianças mais velhas.

De começo a série já ataca um de seus temas mais recorrentes. Na verdade, a baixa autoestima de Ray Palmer é assunto desde Arrow. Retirar a armadura do Átomo foi o primeiro e mais importante passo que a série deu dentro do caminho proposto para a temporada. O descobrimento de Ray como herói é um item que estava pendente desde o começo de Legends. Sem armadura ele não é ninguém? Na verdade, Shogun utiliza o conceito de samurais como figuras dotadas de sabedoria e poder destrutivo, aliado a uma armadura, para explorar o lado menos fragilizado de Ray, e funcionou muito bem, especialmente por terem escolhido o desejo de Nate de se transformar em um herói para complementar a história central.

A série acertou ao impor a dinâmica entre dois personagens que se parecem muito. Nate é um historiador, Ray é um cientista. De maneira geral ambos são acadêmicos, que pensam primeiro, mas raramente antecipam os erros que cometerão em prol do bem maior. A química entre os atores permitiu “matar” dois assuntos com um Seppuku só. E Cidadão Gládio, ou por enquanto, Steel, é um ótimo personagem para uma série que está reescrevendo a própria história após um ano de estreia bem aquém do esperado. Seu pequeno romance, sua crescente jornada heroica, são pontos que beneficiam a série de forma geral, porque demonstram um tratamento de primeira temporada, algo necessário para a proposta de recomeço.

Obviamente nem tudo são flores e enquanto as lutas com samurais se desenrolavam, Mick confrontava seu desejo de encontrar ninjas e Amaya aprendia mais a respeito da diferença entre a Sociedade da Justiça e as Lendas do Amanhã, Jax e Stain ficaram presos na nave, sem muito para fazer e com um segredo para guardar. Este pequeno mistério é o gancho da série que conecta seus episódios a trama central deste segundo ano. Contudo, ainda é um pouco decepcionante notar que ambas as partes do Nuclear estão desbotando no pano de fundo enquanto a ação acontece. Esse é um problema geral em produções que precisam dividir o tempo de seu episódio com vários personagens, mas já está chegando na hora de incorporar o time de verdade – ou então perdemos o cerne do que representa um time de verdade, não é mesmo?

Legends of Tomorrow --- Shogun
Legends of Tomorrow — Shogun

Claro que não poderia deixar de falar da melhor líder que as Lendas do Amanhã já tiveram desde que a série estreou, Sara Lance. É inegável que a presença da Canário Branco na liderança do time mudou a dinâmica dentro e fora da Waverider. Diferente de Rip, que ninguém respeitava, Sara impõe um controle maior sobre os amigos, principalmente porque é parte deles e não se sobressai como alguém ditando regras que ninguém compreende. Cada interação entre ela e o time em Shogun foi repleta de personalidade, até mesmo nas pequenas falas. Vê-la ameaçando de deixar Amaya e Mick presos em um período do tempo de escolha dela, para que os dois parem de brigar, foi apenas a cereja no topo do bolo. Caity Lotz está cada vez mais confortável no papel de Sara Lance, e mal posso esperar para ver sua personagem interagindo com a Supergirl, também.

Shogun, muito mais do que um episódio centralizado no Japão dos samurais, é um capítulo da série que festeja as temáticas adotadas por Legends of Tomorrow, incluindo o empoderamento feminino e a presença de mulheres tão fortes, vinda dos mais diferentes períodos do tempo. Com a confirmação de que os dois primeiros episódios de Defensores, da Marvel, serão dirigidos por uma mulher, de uma temporada inteiramente conduzida por um time feminino para o segundo ano de Jessica Jones, e a presença de personagens tão fortes dentro da DC, com Canário Branco, Vixen e Supergirl, é ótimo acompanhar o mercado de adaptações de histórias em quadrinhos abraçando o potencial feminino para criar super-heroínas. Este não é um mercado exclusivo dos homens, a prova está aqui.

Outro aspecto positivo do episódio é a utilização da viagem no tempo para apresentar épocas que diversificam a interação dos personagens com temas diversos. Claro que em se tratando de uma série de equipe, a imersão nunca será completa. Precisamos ver cada um dos integrantes das Lendas nem que seja por pouco tempo, e distrações existirão. Essas distrações evitam que o conteúdo explorado seja aprofundado, como traços relevantes da cultura e afins. Mas Legends of Tomorrow, apesar de limitada, conseguiu fazer de seu terceiro capítulo algo válido, da trilha sonora ao figurino.

Resumindo a série permanece brincando com sua própria fórmula, dividindo assuntos importantes com os mais triviais possível. Nem toda série precisa de uma trama complexa para ser divertida e por enquanto Legends está sabendo como explorar sua proposta enquanto entrega cenas interessantes e certo desenvolvimento de personagens. Fico muito feliz por ver as produções da DC CW encontrando a própria identidade e entregando uma história divertida, acima de tudo. Já temos o universo Marvel Netflix para produções introspectivas e cheias de filosofia, fico feliz em saber que o front de produções que seguem a cartilha básica das histórias em quadrinhos da Era de Prata, a diversão, continuam existindo. Existe espaço para todas e o mercado de adaptações está bem diverso.

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Easter eggs e outras informações de Shogun:

– Neste episódio descobrimos que Barry Allen, o Flash, mandou uma mensagem para Rip Hunter direto do ano 2056. Não dá para saber exatamente se o conteúdo da mensagem terá conexão com a trama recorrente da temporada, ou se é uma preparação para o crossover de 4 noites da DC CW, com o tema da Invasão, mas um ponto é relevante de explicar. Durante a série animada Justiça Jovem, Bart Allen, neto de Barry, volta no tempo para prevenir que uma raça cibernética de vilões conhecida como The Reach, domine o planeta.

– E conforme já imaginávamos Nate assumiu o manto de Cidadão Gládio, apesar de ter decidido, por enquanto, utilizar apenas parte do nome.

Shogun também teve menção a alguns temas populares da cultura pop, com Mestre Yoda, de Star Wars, e uma pequena menção a Lost e suas várias escotilhas.

– Para quem não percebeu, a espada do clã Yamashiro tem conexão direta com a terceira temporada de Arrow, onde Tatsuo, a Katana, foi introduzida. Aquela espada tem um nome, a Soultaker, capaz de aprisionar a alma das pessoas que morrem através de sua lâmina.

  • Vitória Martins Souto

    Ainda bem que a série melhorou, porque eu iria abandoná-la nessa season!

  • Ronaldo

    Legends está bem divertido e o efeito metálico ficou muito bom, até me espantei depois do monstrão do episódio passado.

  • Vitner Santos

    Nossa Legends ta muito melhor essa temporada!!!

  • João Paulo

    Nunca tinha reparado, mas é interessante saber que o universo de heróis da TV é o inverso do cinema.
    Enquanto que no cinema a DC é toda dark e tudo mais, na TV é bem mais leve e toda colorida, com exceção de Arrow (apesar de que ela já foi mais dark), e a Marvel da Netflix tem toda essa pegada mais séria, pé no chão e até dark com Demolidor e no cinema é exatamente o oposto.

    Sobre o episódio, é chover no molhado, essa segunda temporada está muito boa e a tendência é melhorar.

  • Luis Fernando

    Legends of Tomorrow merecia mais reconhecimento.