Legends of Tomorrow 2×06: Outlaw Country

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Legends of Tomorrow visita o velho oeste em Outlaw Country e entrega seu episódio mais divertido da temporada.

Gosto de produções do gênero que se permitem ir além da “pegada realista” que muitos valorizam. Vejo parte da graça em uma adaptação de histórias em quadrinhos quando posso testemunhar a transposição do que é colorido e exagerado para a tela. Enquanto algumas adaptações mais cinzentas também mantém certo charme, quando me recordo da minha experiência prazerosa acompanhando uma revistinha, me lembro do choque de cores, de cenas incríveis, mas humanamente impossíveis, como a do Nate parando um trem com as mãos. São momentos como esse que me mostram o potencial de um material tão rico e diverso. E é o ponto que Legends mais acerta quando decide não se levar a sério e divertir.

É interessante também como a série continua experimentando os mais diversos pareamentos. Neste episódio o mais relevante para a história foi o de Amaya e Mick. Mick é um personagem complexo, mas de poucas palavras. Usualmente em séries de grupos é difícil desenvolver uma história diferente com alguém tão complicado. É preciso que todo mundo ganhe, pelo menos, um momento de destaque, mas sempre tendo a noção de que existem aqueles que ocupam o centro. Em Legends temos Sara, a capitã, mas também existe a necessidade de continuar o trabalho de apresentação dos novatos e aprofundamento dos veteranos. Com mais um acerto temos a oportunidade de acompanhar um lado mais selvagem de Onda Térmica, o vilão reformado e incendiador e a mulher que mantém dentro de si o poder de vários animais, Vixen.

O contraste existente entre uma heroína que assume a força e energia de animas selvagens para interagir com um homem tão volátil é de grande potencial. Desde Shogun que Amaya está tentando entender como alguém como Mick pode fazer parte de um time de “heróis” com o das Lendas. Só que utilizando a frase de Stein na apresentação do episódio, eles não são heróis, mesmo que continuem trabalhando dessa forma. Vê-la compreendendo o lado menos amistoso do amigo e também a honra que ele guarda, mas não aceita expor, é fundamental para explorar um lado de cada um destes novos personagens. E no final é tudo sobre o controle. Não é prender a besta fera, mas saber como controla-la e Amaya é quem melhor sabe como fazê-lo. O roteiro inteligente colocou a dupla exatamente onde ela precisava estar, no calor da batalha e em um período volátil como o do velho oeste.

Também foi graças a Outlaw Country que nos aprofundamos mais no desejo de Nate em se transformar em um super-herói. Toda a sua relação com o bullying, sua conexão com a história e seu novo poder o colocam dentro da instabilidade que o episódio explorou, mas também oferece a oportunidade de termos a evolução de um tema particular que está sendo desenvolvido desde o começo da segunda temporada. Outro ponto válido é perceber como ele e Ray são parecidos e ao mesmo tempo tão distantes um do outro. Existe uma conexão justa em alguns momentos, mas também existe aquela noção de que Nate é muito mais imprevisível, apesar de apelar para cenas de humor forçado da mesma maneira que o Átomo. Também não podemos deixar de lado a criação de um uniforme e o retorno do material que poderá fazer de Ray o homem dentro da armadura novamente, mas dessa vez sem a pressão de tentar descobrir quem ele é e com várias frases clichês de efeito para mais uma dose cavalar de lição de moral/discurso de auto ajuda.

DC's Legends of Tomorrow --"Outlaw Country"-- Image LGN206a_0074.jpg -- Pictured: Johnathon Schaech as Jonah Hex -- Photo: Dean Buscher/The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All Rights Reserved.
Legends of Tomorrow — Outlaw Country

O mais importante aqui é perceber como a série está aproveitando o potencial de viajar no tempo e criar cenas memoráveis nas mais diversas locações. Programas como Legends of Tomorrow não são baratos. Viajar no tempo, momentaneamente ou de maneira permanente (Agent Carter), não é simples. É necessário, além do figurino, criar todo um ambiente crível. Ambientação e visual são importantes, mas também existe a necessidade de imergir o público naquele mundo, através de atuações convincentes e uma história que faça sentido. Felizmente Outlaw Country consegue casar muito bem o velho oeste com a trama recorrente da série. A própria utilização de um filtro sépia já ajudou bastante, mas preciso confessar que já me senti parte de um filme antigo de cowboys quando o logo das Lendas do Amanhã apareceu com o toque de ‘bang bang’ e um grito remetendo aos filmes antigos da era Wayne.

Um dos pontos em que o episódio melhor acertou foi em trazer Jonah Hex de volta para o holofote, de uma maneira que o cinema não conseguiu com Josh Brolin em 2010. Jonah nunca foi um personagem forte dentro da mitologia da DC Comics. Apesar de conhecido, suas histórias nunca são referenciadas como um marco da editoria em seus mais de setenta anos de vida. Entretanto o que o filme não conseguiu fazer, a série transformou em algo válido, especialmente pelo desenvolvimento da história do personagem com seu maior inimigo, Quentin Turnbull, interpretado pelo excelente Jeff Fahey.

Mesmo que a série esteja, atualmente, apresentando ótimas histórias, ainda é possível ver que existe um medo muito grande em apresentar algo novo. Seguindo o mesmo padrão adotado em Compromised, estamos revisitando períodos já explorados durante o primeiro ano da série. Como venho falando desde que a série estreou, o potencial para fazer algo interessante com a fórmula de viagens no tempo e espaço, é gigante. Contudo a produção parece limitada por uma força criativa que está barrando a expansão da temática. Compreendo que o grande problema gira ao redor do orçamento, mas é preciso ter uma liberdade maior com o material de origem. Imagino que a partir da inclusão de alienígenas no universo da Terra-1, Legends ganhará a oportunidade de se aventurar por outros terrenos. Que tal incluir a presença de novos planetas nas viagens da Waverider?

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Easter eggs e outras informações de Outlaw Country

– Sara com um chicote só pode ser alusão a Mulher Maravilha. Não é?

– Jonah Hex já apareceu antes, assim como a explicação de quem é o personagem e de onde ele veio. Para maiores informações, basta revisitar a crítica do episódio The Magnificent Eight.

– Quentin Turnbull é o nome do maior inimigo de Jonah. Turnbull culpa Hex pela morte de seu filho, durante a incursão dos dois na Guerra Civil norte americana.

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Legends of Tomorrow — Outlaw Country

– Quando Nate está no lounge da Waverider é possível ver o para raios do Starman. Em 1942 Courtney Whitmore (Stargirl) é vista usando outra versão do mesmo bastão.

– Jonah: “Você faz um trabalho excelente carregando o fardo que poucos homens conseguiriam”. Sara: “Que bom que sou uma mulher”.

– Começou a preparação para o crossover de 4 noites e os nossos amigos de 2016 precisam de ajuda. Ansiosos?

  • Ronaldo

    Que uniforme mais feio esse do gládio. Finalmente teremos o crossover e quero ver como vão trazer a Supergirl pro meio da galera.

    • Tbs

      O flash e o cisco vão atravessar a dimensão ,e vão buscar ela.

  • Jenifer

    Eu realmente não entendi o Mick nesse episodio,pra mim ele ja tinha se redimido ,desde ele salvando o Ray no Oculus,e antes deixando de ser Chronos por se importar com o time,ele mudou,e todos os episodios anteriores com o Ray?
    De repente ele volta a ser só um piromaniaco,e tentando ser suicida,é a culpa que ele sente pelo Snart ter morrido?Não sei,mas Mick tava sendo meu personagem favorito,e veio essa mudança toda
    Amaya é uma personagem otima,espero que ela não sirva apenas como interesse romantico ,ate pq ela vai voltar pra 1940,ai vai ser uma repetiçao de Ray e Kendra
    Acho que proxima temporada ta na hora do Firestorm ir embora,gosto do Jax mas ele não tem uma historia propria,e as do Stein,sempre giram em torno da mulher dele,e deixaram de importar
    Parabens pro Ray que fez um traje pro Nate,em um piscar de olhos

  • Lone Meireles

    DONA DA SÉRIE <3

  • Mari Martins

    CADA DIA MELHOR <3 Além de ter ficado ansiosa por o crossover, estou gostando cada vez mais de Legends. Um dos erros da primeira temporada era Rip e seu plot, além de Salvage e os gaviões. Libertados deles, as Lendas todas funcionam, são carismáticas e importantes na trama. Sarah é um exemplo de representatividade, principalmente em eps como este. O que mostra que o problema de Supergirl não é por ela ser mulher e etc, e sim pela trama em si. Não dá para enumerar nem um erro no ep. O único erro dessa temporada foi um efeito ruim no primeiro ep, se não me engano. O do monstro gigante, verde se não me engano. No mais, a temporada tá cada dia melhor. Adorei a inserção do Cidadão Gladio. Ele e o Átomo têm porte físico de heróis mesmo. Reforçando, Legends só está uns décimos abaixo de Arrow, no mais, são as melhores séries da DC; CW esse ano. Sendo que L Tomorrow conseguiu conquistar o espaço de 2o lugar de The Flash. <3

  • Luis Fernando

    Muito bom o episódio e foi perfeito a parte de outros planetas. Eu sei que o foco é proteger a Terra, mas espero sim que outras partes do universo sejam exploradas na série ainda na segunda temporada.