Legends of Tomorrow 2×05: Compromised

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Legends of Tomorrow apresentou mais do mesmo, mas de uma maneira satisfatória com Compromised.

Legends of Tomorrow tem uma premissa bem simples. Um grupo de pessoas desajustadas, duas delas com superpoderes, viajando pelo tempo e espaço, procurando corrigir qualquer eventual catástrofe temporal. Não é algo complexo, mesmo que por vezes o roteiro tenta levar-se mais a sério do que deveria. No final, estamos acompanhando uma quase ópera espacial de orçamento limitado e baseada em personagens da DC Comics. E o que recebemos semanalmente pode parecer incrivelmente similar ao que já havíamos visto, dentro da série, anteriormente. E acontece com mais frequência do que eu gostaria de admitir. Contudo, episódios como Compromised fazem com que mesmo a velha receita adotada soe boa, por oferecer um panorama maior para seus personagens trabalharem.

Porém não é a ação ou a fórmula repetida de precisar impedir o plano de algum vilão no passado, para preservar o futuro, que posiciona Compromised como um bom episódio. O que confere qualidade para o roteiro é o direcionamento de seus personagens, assim como uma repetição de ótimas interações entre eles. Uma boa série com um grande grupo só é realmente digna da atenção de sua audiência quando ela compreende como utilizar seus personagens.

Começando por Amaya e Nate. Ambos são personagens interessantes de se lidar. Amaya é o único membro do time que realmente não pertence ao período histórico do restante da equipe. Porém é bem difícil vê-la reagindo de uma maneira mais adequada a realidade que ela está vivendo. Logo colocar sua personagem para interagir com o futuro próximo, em que seu amigo já não é mais alguém jovem e a Sociedade da Justiça está desmantelada, é uma ótima oportunidade para entendermos o alcance emocional da personagem. Maisie Richardson-Sellers é uma atriz competente, desde The Originals sua presença já demonstrava um controle grande. Pode acompanhar cenas de maior vulnerabilidade foi uma ótima oportunidade. Também vale para a ótima montagem de cena no armazém, que mostrou que mesmo com o orçamento mais restrito, a série pode sim entregar ótimas cenas visuais.

Do outro lado tínhamos mais de Martin Stein e a relação com sua esposa. Vou confessar que o personagem já está desenvolvendo a mesma história com Clarissa desde que apareceu na série. É interessante ver Martin interagir com seu eu mais novo, assim como vê-lo confessando seu amor pela esposa também nos garante um envolvimento emocional mais amplo com o personagem, mas seria bom ter um novo tipo de história sendo desenvolvida. Obviamente a trama não pode depender para sempre da mesma tecla. Entretanto foi apenas a segunda vez e estou disposto a dar o braço a torcer, foi muito bom e ajudou bastante a aumentar a compreensão da importância da esposa para um homem que procurou por toda sua vida adulta um grande impacto no cenário cientifico.

Legends of Tomorrow 2x05: Compromised
Legends of Tomorrow — Compromised

De todas as ideias de pareamento que a série já teve, colocar Mick e Ray juntos foi a melhor. Sim, ainda temos Sara Lance, que funciona maravilhosamente com qualquer membro do time, mas a mesma regra não se aplica a todos os personagens e é preciso gerenciar uma rotatividade para que o episódio flua da maneira adequada. A grande vantagem, e é neste ponto que a série pode fazer algo que filmes do mesmo tipo jamais conseguiriam, é a oportunidade de desenvolver um relacionamento por mais de 10 horas, ao passo que obras como Guardiões da Galáxia e Esquadrão Suicida só tem, no máximo, duas para aprofundar a interação entre seus membros.

Ray é um personagem de uma nota só, assim como Mick. Contudo Mick mudou bastante durante a primeira temporada da série, passando de um ladrão incendiário para alguém com um coração. O personagem ainda mantém traços de sua personalidade que não são tão agradáveis assim, mas ele já pode ser considerado um herói. Do outro lado temos Ray Palmer, dentro de uma história de redescobrimento, uma que pode funcionar muito se o final for competente, mas o risco de repetição também emula o que aconteceu com Martin Stein. Parece que ambos os personagens só conseguem, até o momento, receber uma história interessante quando estão repetindo o mesmo tipo de abordagem. Não é de todo ruim, porque aumenta a nossa compreensão de cada personagem e como eles funcionam, ajuda a desenvolver também a vulnerabilidade e preparar para fundamentar pontos mais fortes na personalidade, mas ainda acho que são notas repetidas e que já estão quase entrando no terreno do repetitivo.

No fim Compromised é mais sobre seus personagens do que a respeito da trama. Ter Sara confrontando novamente seu desejo de encerrar a vida de Damien e funcionando mais como uma assassina do que como uma capitão cimentam a personagem como a mais bem estruturada da série, principalmente por sua decisão de não tentar mais salvar a vida da irmã e entender os ricos de se intrometer com o tempo que ela jurou proteger. Legends of Tomorrow é uma série que tem uma força muito grande, mas ela não está, nem de perto, concentrada em sua premissa, mas sim em seu time de protagonistas e nas histórias pessoas que a série pode desenvolver para eles semanalmente. Enquanto a compreensão de que são os personagens os mais importantes e não os efeitos ou as regras da viagem no tempo, a produção continuará confortável dentro de sua proposta. E o reflexo está na audiência, a mais estável do canal.

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Easter eggs e outras informações

– Tivemos menções ao Dr. Brown, de ‘De Volta para o Futuro’.

– A série também fez uma brincadeira com ‘Os Caça Fantasmas’, quando decidiram falar sobre cruzar as correntes de poderes das armas de fogo e gelo.

– Todd Rice, o Obsidian, é o filho biológico do Lanterna Verde da Era de Ouro, Allan Scott. Seus poderes são conectados as sombras, como por exemplo, manipulação e a conexão com a Terra das Sombras. Seu debut foi em All-Star Squadron #25, de 1983.

– Neste tom, poderia aquela relíquia que Damien e o Reverso estavam procurando, ser o anel do Lanterna Verde? O universo da DC CW já fez tantas referências e o objeto estava dentro de uma caixa de anel, então… Tudo é possível.

– Exceto o orçamento. Lanterna Verde no padrão de efeitos da CW seria, no mínimo, estranho.

– O momento em que a Sara conta o futuro do Damien, com aquele olhar frio, a entrega das falas de maneira lenta. Que cena, senhoras e senhores. Que cena.

– Nate está me conquistando com sua inocência e reações fofas, mas quando ele se transforma em aço vivo eu tenho vontade de morrer.

  • Ronaldo

    A Sara ter contado o futuro pro Damien se fosse em outra série já estaria esperando um desastre, mas será que vai ter relação com a volta da Laurel?

    • Marcos

      Talvez isso seja até a causa da derrota dele. Quem sabe não é essa informação que o fez escolher Starling City para ser o local onde colocaria o seu plano em prática?

      • Ronaldo

        Mais fácil assim, porque a chance de virar uma bagunça é enorme

  • Fábio Santos

    Muita coisa pra comentar… Amaya está melhor em quatro episódios do que o casal Gavião na temporada passada inteira. Darhk e o Reverso só nesse episódio já foram melhores que o Savage. Parabéns a quem faz essa série por ter acertado a mão nessa temporada!

    A senha da base da SJA não mudou em 45 anos?

    Agora, o Jefferson não poderia ter sentido a facada junto com o Martin? Em outros momentos quando um sofria, o outro também sentia, como no lance da escravidão. Ou é só quando é psicológico?

    E as armas de gelo e fogo (ba dum tss) não podendo se cruzar, igual ao feixe de prótons dos Caça-Fantasmas, adorei! kkkkkkkkkkk

    E Sara do cabelo lindo meu amor, onde já se viu contar tudo pro Dahrk? Cê não aprendeu nada?

  • Vitória Martins Souto

    Essa temporada está consistente, percebo que a saída dos gaviões fez muito bem a série!