Legends of Tomorrow 2×02: The Justice Society of America

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Legends of Tomorrow apresenta a Justice Society of America (Sociedade da Justiça da América) e demonstra todo o seu potencial.

É tudo sobre diversão. Para a grande maioria pode não parecer o bastante, mas muita coisa pode ser perdoada se você apresentar um material divertido para seu telespectador. Durante toda a sua primeira temporada Legends of Tomorrow lutou para mostrar o seu potencial, mas pecou na hora de entreter o público alvo. Quem liga a televisão semanalmente para acompanhar uma produção que trata de super-heróis, viagens no tempo e misticismo não está esperando algo elaborado, que bebe da fonte da teoria da relatividade, ou de conceitos rebuscados como o da teoria das cordas do Stephen Hawking. Não, quem investe tempo em uma série com personagens como: Canário Branco, Átomo, Onda Térmica e Nuclear, em uma nave espacial, viajando no tempo, quer se divertir, basicamente. E The Justice Society of America mostrou, finalmente, que a série sabe como construir um episódio que entregue exatamente o que nós queremos.

Trazer para a série a presença de um nome tão marcante quanto a Sociedade da Justiça é um feito memorável para uma produção que trata, basicamente, de um grupo de quase heróis que detém a responsabilidade do próprio tempo nas mãos. Toda trama girou essencialmente ao redor da proposta de mostrar para o mundo que o time de Lendas não é um time de super-heróis, mesmo que eles se intitulem como tal – exceto Mick. A verdade é que de um ponto de vista mais prático aqueles personagens não agem através da cartilha do heroísmo, funcionando mais como um grupo de “zeladores” do que de representantes de um símbolo. E é aí que entra a Sociedade da Justiça, para evidenciar quão falhos as Lendas do Amanhã são e como estão longes de funcionar como um time de verdade.

Para nós telespectadores, o grupo de Sara, Stein, Jax, Nate e Ray, funcionava como um apanhado de heróis, altruístas, procurando agir como policiais do tempo em prol de uma missão tão nobre. Mas mesmo quando Rip Hunter estava presente, ninguém ali realmente tinha um líder ou compreendia a necessidade de um.  Foi necessário trazer uma equipe verdadeiramente organizada para termos a noção de como as Lendas ainda precisam amadurecer. E o roteiro de Chris Fedak e Sarah Nicole Jones fez um ótimo trabalho ao elucidar toda a organização e superioridade técnica da sociedade liderada por Rex Tyler, o Homem Hora.

Muito mais do que deixar clara a discrepância entre as equipes, o episódio dirigido por Michael Grossman conseguiu capturar as particularidades de cada membro da JSA, pareando cada um deles com nossos heróis em prol de uma sucessão de embates, tanto éticos quanto físicos. Neste ponto até mesmo a música inicial de apresentação da Sociedade foi uma ótima adição ao conteúdo do episódio. Todas as séries da DC CW mantém um identidade sonora muito particular e diferente. É inegável que a música de abertura de Arrow, o tema de Flash e o de Supergirl são essenciais para ditar o ritmo e clima de cada uma dessas produções, e até agora Legends estava pecando nesse quesito. A trilha escolhida para apresentar os heróis mais icônicos do passado, misturando batidas eletrônicas com synthwave, foi uma ótima maneira de impor uma dinâmica mais heroica para este capítulo.

Legends of Tomorrow --- The Justice Society of America
Legends of Tomorrow — The Justice Society of America

Claro que o ponto mais importante de “The Justice Society of America” não foi a reunião com a Sociedade da Justiça da América, mas sim a decisão de atribuir a um dos membros das Lendas do Amanhã a alcunha de líder. Estava óbvio desde o começo que Stein jamais seria a melhor escolha para liderar a equipe. Não por falta de competência, mas pelo que foi pontuado por Jax. A outra metade da matriz Nuclear opera como a voz da razão, mas não como os punhos, e para comandar é preciso um pouco dos dois. Dentro do time a mais preparada sempre foi Sara, exatamente o motivo pelo qual Rip a escolheu como substituta durante o primeiro ano. E ver uma mulher chefiando um time intitulado Lendas do Amanhã é simplesmente maravilhoso, dá toda uma dimensão maior para o empoderamento feminino das séries da casa. Principalmente porque a Canário Branco foi a personagem que mais melhorou desde sua primeira aparição em Arrow, tanto a escrita quanto a atriz já se encontram em um nível muito mais avançado daquele apresentado em 2013.

Também existiu um trabalho do texto para aprofundar um pouco mais o personagem de Nick Zano, Nate Heywood. Sua história e suas interações com o avô adicionaram camadas para alguém que até então só estava funcionando como um “livro” para os personagens, algo que a inteligência artificial da nave poderia muito bem fazer. A diferença aqui é que Nate impôs um clima bem mais pessoal, com nuances importantes para a criação de um super-herói. Vale lembrar também que um dos pontos mais válidos para uma produção que trabalha com viagens no tempo é a possibilidade de revisitar antepassados, parentes distantes e compreender assim a posição que o personagem se encontra no presente/futuro. E o encontro com o Comandante Gládio aprimorou bastante essa noção de relacionamento familiar no legado de um super-herói.

Obviamente que a trama do episódio não poderia ficar de lado e seguindo uma batida característica para produções do gênero, nada como um encontro com alguns nazistas para desprender um pouco de comicidade e loucura. Neste ponto não existiu muita diversidade, mas com certeza existiram bons momentos, como a cena em que Ray não consegue saudar Hitler, ou o momento em que o General Gord Von Runstedt se emociona com a cantoria do Stein, após uma referência a Noviça Rebelde. E são momentos como esse que demonstram que a diversão é sim o ponto preponderante de qualquer produção do tipo. Mesmo que mais carregada de introspecção, como Demolidor, é preciso se entreter, se divertir, quer seja com uma luta em um corredor, ou uma pancadaria rolando solta contra alguns nazistas ou um barão gigante e musculoso ao estilo “vem mostro”.

Graças a inclusão da Sociedade da Justiça e da harmonia de um roteiro bem mais solto e dedicado a curtir a mais e explicar menos, Legends of Tomorrow apresentou mais um excelente episódio. Com isso fica fácil pontuar a produção como uma reinvenção se comparada ao seu ano de estreia. Deixamos de lado tudo o que não funcionava e o que operava bem foi melhorado. As possibilidades continuam infinitas, e no próximo episódio visitaremos o Japão feudal e lidaremos com a morte do Homem Hora e a gradual ascensão da Liga do Mal. É muito material para ficar ansioso.

Easter eggs e outras informações de “The Justice Society of America”

– Neste episódio conhecemos vários personagens saídos das páginas dos quadrinhos da Era de Ouro, e alguns outros mais recentes. Mas o importante mesmo foi o grupo Sociedade da Justiça da América. Criada em 1940 ela teve seu debut em All Star Comics #3. Depois de um tempo fora das páginas foi declarado que o time era parte da Terra-2. Após a Crise nas Infinitas Terras, porém, ficou decidido que a Sociedade da Justiça seria na verdade um time de heróis do passado. Após Flashpoint a equipe voltou para a Terra-2, remodelada, e com um novo estilo.

– Sideral foi criada em 1999, por Geoff Johns, em homenagem a sua irmã que havia falecido na explosão do Voo TWA 800. Graças ao seu bastão ela pode voar.

– Doctor Mid-Nite, Charles McNider, é médico e terminou cego após o um criminoso jogar uma granada enquanto ele operava em uma testemunha. Contudo, ao retirar suas bandagens no escuro, ele percebeu que poderia enxergar enquanto as luzes estivessem apagadas. Sua primeira aparição foi em All-American Comics #25, de 1941.

– Todd Rice, o Obsidian, é o filho biológico do Lanterna Verde da Era de Ouro, Allan Scott. Seus poderes são conectados as sombras, como por exemplo, manipulação e a conexão com a Terra das Sombras. Seu debut foi em All-Star Squadron #25, de 1983.

– Homem Hora (Rex Tyler) já havia sido mencionado há algum tempo como um possível super-herói a ganhar uma adaptação solo. Um químico muito inteligente, Rex descobriu o produto conhecido como Miraclo, e adotou a alcunha de Homem Hora, já que ele poderia, por uma hora, utilizar poderes surpreendentes. Sua primeira aparição foi em Adveture Comics #48, de 1940.

– A Vixen deste episódio não é a mesma da nona arte, mas sim uma antepassada de Mari McCabe. Amaya Jiwe é a avó da personagem que apareceu em Arrow na temporada passada e o amuleto que ambas usam é uma herança familiar.

– Comandante Gládio é outro caso similar, mas neste a nona arte mantém a origem bem similar a explanada em Legends of Tomorrow. Hank Heywood foi o primeiro a utilizar a alcunha de Comandante Gládio, passando o manto para seu neto Nate, que mudou de Comandante para Cidadão. Tudo isso porque Hank recebeu o posto de Comandante do Presidente Roosevelt, em 1940. Sua introdução ao mundo dos quadrinhos foi em Steel #1, de 1978.

– Em um dos diálogos a Sociedade da Justiça sugere jogar as Lendas do Amanhã na penitenciária Leavenworth, mesmo nome do lugar onde John Diggle está preso atualmente, em Arrow.

– Max Lorenz existiu de verdade e foi considerado por muitos como o tenor favorito do Hitler.

  • Bruno Souza

    Ótimo episódio. Mostrou que o Eobard -Flash Reverso- tem muito mais potencial que o Damien Darhk. Só fiquei triste pela morte precoce do Homem Hora.
    Foi interessante ver o Patrick J. Adams em outro papel, sem ser o de Mike Ross.

  • Sthefani Cordeiro

    Eu amei que a Sara é a capitã das Lendas. A personagem cresceu muito e é a minha preferida da série

  • Gabriel

    Espero que Hourman faça uma nova aparição durantes as viagens temporais das “Lendas”. Achei estranho ele ter sido o único cujos poderes não foram apresentados.

    Não gostei muito do Ray querendo tomar um soro para adquirir poderes. Pôxa, mesmo sem a armadura ele ainda é um gênio, bilionário, playboy e filantropista. Deveria ter um pouco mais de auto-respeito.

  • João Paulo

    Incrível esse crescimento de Legends, depois de uma primeira temporada tão contestada, e com razão, esse início está muito bom e promissor.

    Assim como a Premiere, tudo fluiu muito bem no episódio, estou gostando muito dessa inserção do Flash Reverso.
    E realmente a Sarah é o grande destaque da série e o melhor personagem.

    De ruim só aquele efeito a lá Once Upon a Time.

  • Suzy

    Incrível como foi só tirar os gaviões e o vandal Savage e a série andou, aquele mimimi deles, falta de química e chatice emperravam a série.Agora ela está muito mais divertida e interessante.

  • Ronaldo

    O episódio foi divertido mas aquele gigante ficou igual ao Krauser no RE4, com gráficos de ps2. CW vc não tem verbas para essas coisas!

  • Mari Martins

    Esperando o dia que esse site vai ter mais respeito com quem acompanhava as resenhas de ARROW, e vai resolver colocar outra pessoa para continuar comentando a série! -.-

    • José Alexandre Monteiro

      Nãoooooo eu Gosto das resenha do Diego, ele faz referencias e easter eggs em Ghotam sinto falta disso 🙁

      DIEGO NAO ABANDONE ARROW PFV

      • Já estou abarrotado de séries, José. Sem contar as que pego quando 2017 começar. Não consigo com mais uma. =/

    • O problema é que ninguém quis, Mari. ¯_(ツ)_/¯