Law & Order SVU 18×04/05: Heightened Emotions/Rape Interrupted

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Após dois episódios medianos, SVU tenta se recuperar com um caso que trouxe aos espectadores uma série de questões diferentes em menos de quinze minutos de exibição. A história de Jenna chamou a atenção desde o início, quando vimos a personagem correndo e saltando de cima de telhados, claramente alterada. O roteiro foi construindo Jenna aos poucos, uma personagem intensa, com altos e baixos emocionais. Desde o início, o roteiro tenta criar no espectador as mudanças de humor da personagem, que ao final do episódio é diagnosticada como bipolar.

“Com pagamento ou sem pagamento, não significa não, o consentimento pode ser revogado a qualquer momento”

– Promotor Barba.

No entanto, o caminho para chegar a essa conclusão foi repleto de novas tramas, começando pelo fato de, pouco tempo após o estupro, descobrirmos que Jenna era também uma prostituta. Assim como Finn comenta, a maneira de o atacante reagir à visita da polícia indicava que aquela não era a primeira vez que ele lidava com uma situação parecida. Além do fato de que apenas a expressão em seu rosto e a postura ao falar com a polícia já foram suficientes para instaurar uma aversão ao personagem.

E, logo quando imaginei que mais nenhuma revelação fosse ser feita, no mesmo momento que Jenna confessa ser uma prostituta para Benson e Rollins, seu marido aparece à porta afirmando que eles deveriam contar a verdade para a polícia. E, aqui, descobrimos que Jenna era também uma atleta em treinamento para as Olimpíadas de Tokyo em 2020. Num primeiro momento achei que era informação demais para o mesmo episódio, que não era necessário tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. No entanto, acredito que este foi justamente o objetivo do roteiro ao tentar demonstrar um pouco da bipolaridade da personagem.

Tema este que não era apenas central para a trama da semana, mas, principalmente, pelo fato de a história de Jenna ser uma introdução para a bipolaridade de Kim, irmã de Amanda. Assim que vi a personagem no início do episódio, já esperava pelo característico drama que a segue, da mesma forma como Olivia reagiu a notícia de sua saída da prisão. Portanto, foi interessante como o roteiro buscou ligar Amanda à Jenna ao longo do episódio, assim podendo compreender mais sua irmã. E, espero, que esse realmente não seja mais um golpe de Kim, pois já vimos essa história antes, mais de uma vez.

Para finalizar esta review, não podemos deixar de falar de um importante assunto abordado por SVU, que foi a frase utilizada no título desta review: “Paid or not paid, no means no, consent can be revoked at any time”, ADA Barba*. Assim que os detetives escutam a história de Jenna, começam a buscar outras vítimas do mesmo atacante e, rapidamente, encontram uma série de prostitutas que haviam sido violentamente atacadas pelo mesmo homem. Porém, por serem prostitutas, nunca prestaram queixa, sabendo que nem a polícia e nem um júri as levaria a sério. Desta forma, a frase de Barba para a imprensa é muito importante, pois evidencia o trabalho que SVU vem fazendo há 17 anos de mostrar com clareza o que configura um estupro.

18×05: Rape Interrupted

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SVU mais uma vez abordando assuntos complexos e necessários.

Pode parecer que este episódio foi simples em seu desenvolvimento, trazendo mais um caso de “ele disse, ela disse”. No entanto, acredito que este seja um dos assuntos mais difíceis de o roteiro abordar, simplesmente por ser muito próximo da realidade de inúmeras pessoas que certamente se identificaram com a situação existente, muito provavelmente dos dois lados. Talvez todos nós tenhamos amigos ou conhecidos que já passaram por uma situação parecida e por isso é também um assunto que a grande maioria das pessoas já possui uma opinião pré-concebida.

É possível vermos situações similares em outros seriados, em filmes, e também em nossa vida cotidiana. Pessoas que acordaram em casas de outras após uma festa e não sabiam como haviam chegado lá, e muitas vezes não sabiam com quem estavam dormindo, com o álcool e a perda da memória sempre se fazendo presente em situações como esta.

SVU teve a difícil tarefa de construir uma narrativa através dos personagens envolvidos que abordasse todas as opiniões que costumam ser trazidas à tona em situações similares. Vimos a vítima duvidar de si mesma ao ouvir sua própria voz em uma ligação que não lembrava que havia feito, vimos o pai de Ellis fazer de tudo para justificar a atitude de seu filho utilizando argumentos muito recorrentes: “ele vai perder tudo que conquistou por causa de um erro?”, “por causa de dez segundos?”, “ele é apenas uma criança e não sabia o que estava fazendo”.

Mas, a reação mais importante de todas foi a do próprio Ellis. Foi possível, ao longo do episódio, acompanharmos a transformação do pensamento do personagem, que inicialmente acreditava com todas as suas forças que não havia feito nada de errado, apenas transado com uma menina bêbada que havia demonstrado interesse nele. Mais tarde ele aceita um acordo para se declarar culpado e não ter que passar por um julgamento, mas desiste no meio, ainda confuso sobre o que havia acontecido. Porém, ao ouvir o discurso da testemunha comprada por seu pai, Ellis parece reconhecer o que realmente havia feito, se declarando culpado por estupro em meio ao tribunal.

Outro ponto de grande importância do episódio foi a dinâmica entre Olivia e seu primeiro parceiro, Peter Griffin, pai de Ellis. Foi muito interessante assistir o embate dos dois, com dívidas passadas que Peter tentou cobrar de Benson, e com Olivia sendo a incrível detetive que já conhecemos há 18 temporadas e se mantendo firme em sua posição, cumprindo com aquilo que acreditava ser o certo mesmo sendo pressionada por seu primeiro parceiro e mentor a fazer com que o caso “desaparecesse”. Foi uma interação complexa e importante, já que foi a partir da interação destes dois personagens que vimos o embate entre opiniões conflitantes sobre o mesmo caso investigado.

No entanto, o roteiro foi claro em sua decisão final. Foi justamente na, já falada, mudança de atitude de Ellis que SVU nos entregou sua opinião final, fazendo isso da melhor maneira possível. Não foram os detetives, nem o júri, e nem a juíza que tiveram a palavra final sobre o que realmente havia acontecido, e sim Ellis, o próprio estuprador, que, nos minutos finais do episódio, passou a compreender a gravidade de seu ato e o que realmente havia feito na noite de Halloween.

  • nathitah

    Episódios excelentes. O que será que aconteceu com a Olivia e o Tucker?

    • Alípio

      Boa pergunta. Na temporada passada o Tucker tenta decidir o que ela bebe no bar e achei que isso seria mais abordado nessa temporada.

    • Karine Aureliano

      Pois é… o Fin tem perguntado frequentemente à Liv e ou ela se esquiva para responder, ou alguma coisa acontece e interrompe a resposta dela.
      o fandom implicou tanto com Tuckson que nem sei… Só queria ver Olivia feliz.

      • nathitah

        O povo quer ela com o barba só olhar no youtube os videos, mas acho isso bem improvável!

  • Alípio

    É bom ver SVU voltando aos trilhos. O ep 3, do mentiroso pegador foi chinfrim demais.

  • Karine Aureliano

    Sobre o 18×04:
    Fiquei com uma pena da Jenna, que confusão na vida dela. E achei
    estranho o marido… não ficou claro pra mim se ele a apoiava por amor
    ou por interesse.

    E essa Kim se engraçando pro Carisi? “Hey, Sonny. Bye, Sonny” blerhg! Fiquei chateada por ela ter sido diagnosticada como bipolar, mas
    ainda assim vou demorar a confiar e talvez gostar dela de novo.

    Amanda não aprende né? Continua fazendo as coisas escondido da Liv ¬¬

    E o quote do Barba me marcou também: “Paid or not paid, no means no. Consent can be revoked at any time.” Então fica claro… seu parceiro(a) tem o direito de desistir de transar mesmo que já estejam na “boca do gol”. É broxante? Sim, é. Mas é o certo!

  • Karine Aureliano

    Sobre o 18×05:

    Esse caso me deixou tão desconfortável. Ao cortaram a cena inicial ficamos sem saber se Janie consentiu ou não o sexo. Quando ela admitiu pros detetives que tinha sido estuprada eu imaginei que estava envergonhada de admitir que fez sexo no chão em meio ao lixo. Mas como o episódio deixou claro, ela realmente não tinha consentido, e foi sim estuprada. Caramba, isso fez-me sentir tão mal comigo mesma, pois me vi duvidando da vítima… herança da cultura do estupro, difundida pelo patriarcado. Esse é um dos motivos que me faz gostar tanto de acompanhar SVU e rever os episódios, o roteiro vem contribuindo nessa desconstrução machista e modificando nossos pensamentos. Claro, que a série não é perfeita (nada nessa vida é), mas seu valor deve ser evidenciado.

    Olivia sofreu mais uma vez a pressão de seu cargo. Mas, honesta como é, nossa amada tenente manteve o pulso firme e confrontou seu antigo parceiro (não, não era o Elliot), que estava disposto a mentir para salvar o filho da prisão.

    O episódio me fez lembrar do caso do estupro coletivo da menina do Rio de Janeiro. Sei que esse não foi o foco do episódio, mas vi a semelhança no fato da vítima estar desacordada e portanto impossibilitada de consentir o sexo.

    E parece que Tuckson está abalado… Sempre que Benson tem sido questionada sobre o Tucker, ou ela se esquiva para responder, ou alguma coisa acontece e interrompe sua resposta. Ficamos aí, na expectativa que seja apenas uma fase ruim, afinal todo relacionamento passa por isso.