Justiça 1×19: Episódio #19

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1915

Antes de embarcar em uma vingança, cave uma cova para dois.

(Confúcio)

O desfecho da história de Débora e de Rose oscilou entre o final feliz e fechado e o final melancólico e lacunar. Como já comentamos por aqui em reviews anteriores, a história de Rose foi apagada em detrimento da busca por justiça de Débora, fato que teve início logo no fim do primeiro episódio dessa trama e se manteve durante todo o desenvolvimento. No meu ponto de vista, foi um deslize muito grande do roteiro promover esse deslocamento de protagonismo. Havia tanto para ser explorado na história de Rose: recuperar o seu sonho em ser jornalista, lutar pelos direitos da comunidade negra e contra à violência policial. Porém, infelizmente, a sua trama foi reduzida a uma subtrama, que focou num triângulo amoroso insosso.

Nada me emocionou nos instantes finais de Rose: a empolgação com a gravidez, a casa nova e a adoção do bebê da amiga presidiária foram elementos que compuseram uma situação excessivamente romântica. Fátima também teve o seu momento feliz, mas os seus altos e baixos no decorrer da trama fez com que o telespectador torcesse pela sua felicidade, fosse ela a mais clichê possível. Celso deu um computador para ela e disse que toda jornalista precisava daquele tipo de máquina. Ok. Todavia, queria vê-la estudando novamente, vendo o seu nome na lista de aprovação no vestibular. Foi pouco. Muito pouco para uma personagem que mostrou poder ter muito a mostrar no início da minissérie.

Bem, passamos, então, para quem realmente tomou conta do episódio: Débora. Movida pelo sentimento de que não desejava ver a continuidade de sua história de estupro na vida de outras garotas, algo que se somou às inúmeras marcas que esse ato deixou nela, a professora mais uma vez mente para o marido e corre em busca da sua forma de justiça. Foi doloroso ver Débora largando a oportunidade da adoção para estar mais uma vez na frente de Osvaldo. Porém, ela precisava disso. Estar face a face com o criminoso, mas sob a proteção de outras pessoas, inicialmente, não colocou Débora numa posição de superioridade ou satisfação ao ver o espancamento. Contudo, o fato de Osvaldo resistir a todo custo a um mínimo arrependimento, de certa forma, condicionou a catarse de Débora a uma transposição de lugar: de vítima a agressora. Foi muito intenso e forte ver a cena dessa personagem matando o seu agressor com tanta raiva e, ao mesmo tempo, alívio. Já imaginaram o quanto deve ser perturbador ser ameaçada, mais uma vez, por uma pessoa que te fez tão mal?

Nesse contexto, somos encaminhados para a citação que abri a review e que fez parte do prólogo de Revenge (2011-2015): ao matar Osvaldo, Débora também cavou uma cova para ela e foi enterrada naquele momento de violência e descontrole. O bilhete que deixou na cena do crime mostra o quanto ela estava indiferente a sua punição, pois deixou uma confissão escrita que admitia ter cometido o homicídio. A joia vista pela repórter, a sua mãe, apresentou o quanto aquele fato iria desmoronar a sua vida e, é claro, em seguida, a de seu genro. No calor e na frieza daquele instante, Débora agiu sem medir as consequências do futuro, pensando somente em se libertar do seu passado. Mas, agora, Osvaldo estará, sob outra configuração, marcada para sempre em seu caminho, como um peso, como um fardo, como uma culpa… Vagando sem rumo, Débora pagou muito caro pela rota de justiça que estava mais clara e próxima aos seus olhos. Até que pontos determinadas formas de justiça são válidas? O quão perigoso pode ser o cruzamento da linha entre justiça e vingança?

Do outro lado da review (Iury Viana):

Eu não sei por onde começar a escrever sobre este episódio. Esse episódio final teve uma carga tão pesada que eu terminei de assistir e fiquei angustiado com tudo que vi. Eu ainda estou confuso se gostei, ou não, do encerramento da história de quinta. Débora conseguiu sua tão almejada justiça, mas será que valeu a pena essa troca? A cena dela indo embora tem múltiplas interpretações, eu preferi a que ela foi embora em um sinal de recomeço, de deixar tudo que a ligava aquela história para trás e começar uma nova vida. Também devo destacar a cena do acerto de contas, que foi uma das mais aguardadas por mim. Por mais que eu já soubesse que Osvaldo iria morrer, vide o spoiler de segunda, eu estava curioso para ver como seria isso. E Débora fazendo “justiça” com as próprias mãos foi algo que já era esperado, mas a cena toda foi muito carregada, mas não foi destoante com tudo que tinha sido apresentado até o momento. A história de Débora se encerra como a mais sombria dentre as quatro histórias. Nem o “alívio” do romance entre Celso e Rose abrandou o tom de tudo que se desenrolou. E por falar neles, o final do casal foi bem fraquinho, foi quase um “olha, temos outros personagens nessa história, termina com eles juntos que já tá bom”. Se o final feliz de Fátima foi algo satisfatório, não posso dizer o mesmo do final de Rose. Não senti um cuidado com a história dela, que deveria ser a protagonista. Simplesmente ela virou uma coadjuvante, igual a Maurício, e seu final foi coerente, mas faltou um tempero a mais. Outra coisa que me incomodou foi a questão de enterro de Osvaldo ter sido mostrado na segunda e não ter nenhum desdobramento nem na história de terça ou quinta. Serviu apenas para dar spoiler mesmo.

Take 1: Luisa Arraes foi o destaque de todo o episódio. Li uma entrevista da atriz em que ela comentava o quanto se envolveu com o papel e foi tocada por histórias semelhantes a de sua personagem. Todo esse trabalho refletiu numa ótima performance na telinha.

Take 2: A meu ver, esse cruzamento de histórias, quando pensamos que Fátima estava no mesmo prédio baldio, ao lado do corpo de Osvaldo, sujeito que estava ligado à história de Rosi por conta de Débora, ficou num plano superficial. Os rumos dessas personagens apenas se tocaram. Eu esperava que uma história influenciasse, de alguma forma, outra história, uma vez que Rosi e Fátima foram presas num mesmo espaço de tempo e, na sequência, foram enviadas para a mesma cadeia. Esse recurso foi utilizado somente para dar um suspense à narrativa, mas poderia ser utilizado para compor de uma forma mais complexa toda a trama.

Take 3: Foi bem legal cobrir essa série, apesar de eu ter interrompido, por conta de uma viagem, os textos no meio do caminho. Peço desculpas por não responder aos comentários, que tanto enriqueceram e me ajudaram a ter novas leituras sobre a minissérie. Eu realmente não tive tempo de comentar! Até “Nada Será Como Antes”!

  • Cesar

    Fiquei surpreso com a cena da morte do estuprador, surpreso e feliz, que cena linda, forte, acho que sou sadico pra cacete , mas enfim… se pudesse fazia isso com todos os estupradores, mas tem gente que prefere foto no face hauhauahua A Debora nao! E achei que ela saiu naquela caminhada muito da feliz, aliviada, sem peso nenhum na conciencia.

    Acho que foi feliz essa troca de protagonismo, a “justiça” da Rose seria mais avulsa do que a da Mayara, sabe, não convence, com certeza a trama mais pesada, tambem sou fascinado por essa questão de quanto alguem seria capaz de abdicar por uma vingança

  • Marco A

    O maior problema da história de quinta, foi a troca de protagonismo. por um momento, até pensei que a Rose estava se fingindo de amiga para apunhalar Debora, mas nada disso aconteceu. Ok! águas passadas…
    Quanto ao último capítulo, achei muito desinteressante e óbvio. Claro que ela executaria sua vingança (ainda mais depois do spoiler), claro que ela perderia o marido, claro que perderia a adoção, claro…
    O que senti falta foi de um pouco mais de suspense ou viradas: eu optaria por uma troca de caça-caçador. Seria legal se Osvaldo, sentindo-se ameaçado, começasse a persegui-la e então numa cena parecida com a cena do estupro, ela conseguisse (quando todos já imaginassem que ela seria estuprada de novo) uma reviravolta e matá-lo em legítima defesa. Teria mais emoção, na minha opinião. Achei tudo muito regradinho e num sentido previsível demais…

  • Caio Vinicius Viana Lima

    No começo a troca de protagonismo me incomodou, mas depois vi que foi uma decisão acertadissima.

    Eu tava esperando um epi bem morno e achei que ela não mataria o seboso, ele morreria por outro motivo, mas não ela acabou com raça dele numa cena incrível e super pesada. O final com ela sem rumo na estrada foi perfeito!

    Vai ter reviews de Nada Será Como Antes: ADOREI!

  • Matheus

    Essa história de quinta foi espetacular, no primeiro ep. achei que essa seria a mais fraca, mas a troca do protagonismo da Rose para Débora, que no começo me pareceu sem sentido, se mostrou bastante bom, aquela cena onde ela mata o seu agressor foi uma das mais impactantes de toda a série e dou meus parabéns para a atriz pela forma que ela conduziu sua personagem.
    Já sobre a Rose não tenho o que falar, a personagem foi muito mamão com açúcar em todos os eps, faltou um melhor aprofundamento e desenvolvimento da personagem, mas que foi compensada pelo bom desenvolvimento da trama da Débora.

  • Paloma Oliveira

    O corpo na história de Fátima não era o de Osvaldo, devia ser um qq que aqueles policiais tinham matado e queriam incriminar ela, tanto que o irmão dele olha pro corpo e não reconhece. Eles estavam em um prédio, já Osvaldo foi morto em um beco, Débora levou pro mesmo beco o qual ela foi estuprada, percebi isso quando o marido dela lê o endereço.