Justiça 1×17: Episódio #17

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“Terminou”

Antes de iniciar a review do episódio final de Elisa, devo adiantar que o esquema de reviews irá mudar essa semana. Será uma review por história e onde existirá dois pontos de vista. Na história de Elisa e Maurício eu fico responsável pelo texto principal, e Diogo com o ponto de vista dele. Já na história de Fátima e Rose, ele escreve o principal e eu darei meu ponto de vista ao final.

Uma coisa que vi muitos criticarem é que a história de Elisa é uma das histórias mais sem fundamento, pelo fato da personagem se apaixonar pelo assassino de sua filha, e como eu disse na review anterior, ela não amava Vicente, mas sim as lembranças que ele trazia de Isabela. E neste episódio final toda tormenta afetiva que Elisa estava passando, culminou em um encerramento, a meu ver, bastante satisfatório.

O episódio se inicia justamente onde o outro terminou, com Elisa e Vicente na cama, depois de uma noite de amor. Até aí nenhum dos personagens tinha noção de como seus atos eram diferentes de seus pensamentos. Elisa começou a se sentir culpada, já que ela levou para cama o assassino de sua filha, um pai de família casado e ainda era o homem que ela passou sete anos planejando mata-lo. Elisa foi guiada pelas recordações e acabou dando brecha para que Vicente pudesse adentrar cada vez mais em sua vida, mas depois que ela tomou um choque de realidade, ela começou a perceber o quão dividida ela se encontrava.

Por um lado, ela nutria o sentimento de vingança e o desejo de fazer justiça com as próprias mãos, mas como fazer isso com um homem que ela passou a conhecer e viu que ele estava completamente arrependido de seus atos, e ainda por cima já tendo constituído uma família? Esse dilema moral é que acabou por dar o norte da personagem neste episódio.

A cena em que ela joga a arma no rio, em um primeiro momento, eu vi aquela situação como se ela estivesse se libertando de tudo que ela sentia. Que ela buscava cada vez mais viver sua vida sem ter Vicente por perto, tanto que além do fato dela jogar a arma, também desistiu de ser orientadora do mesmo. A cena dentro do carro, que ela relata que não iria perdoá-lo, mas que estava tentando relativizar a situação. Ela deixou nas entrelinhas que não havia superado o ódio que ela sentia por Vicente, mas que ela estava disposta a seguir em frente, mesmo que para isso ela precisasse deixa-lo vivo.

Só que o destino às vezes costuma pregar peças, e eis que ele reservou uma para Elisa. Colocar a vida de Vicente nas mãos dela foi algo catártico. Ela conseguiu sua vingança, sem necessariamente matar Vicente. O turbilhão de emoções que ela sentia, se desfez naquele momento, quando ela se deu conta que poderia terminar tudo ali. Elisa conseguiu a “justiça” que tanto almejava e assim conseguiu fechar um ciclo em sua vida.

Ao passo que Elisa conseguiu seguir em frente, Regina agora quer vingança por acreditar que Elisa tem culpa do que aconteceu. Na realidade, a ideia de Regina vai além do fato da morte de Vicente, mas também por ver Elisa como a pessoa que destruiu sua família, que entrou na vida deles para fazer o mal. E como dizem, a vingança é um ciclo eterno.

Agora falando um pouco das ligações com as demais histórias, Fátima apareceu e novamente brilhou em uma história que não era sua. Ela fornecendo suporte para Regina foi algo que só ela conseguiria fazer, assim como os conselhos também.

Já a história de Rose, as conexões não tiveram grandes influências na história de Elisa, mas mesmo assim se fizeram presentes. Só não sei se fiquei satisfeito em já terem dado uma resposta antes do episódio. De certa forma acaba perdendo a tensão do que virá a seguir, se você já sabe o que irá acontecer.

O encontro de Vicente com Antenor, poderia ter rendido mais, e poderia ter acontecido em episódios anteriores, como um acerto de contas, mas ficou algo só “ok”. Parecia que tinha que ter uma conexão com a história de sexta e abordaram por esse lado. Não foi ruim essa conexão, mas poderia ter rendido bem mais.

Bem, a história de Elisa se encerra como uma das minhas favoritas, pelo fato da personagem ter tido várias camadas e nuances, e ainda sim parecer humana, e bem como ser uma das histórias que causou mais desconforto. Dentre todas as histórias, Elisa e Fátima são as únicas que se mantem como protagonistas, tanto é que neste episódio praticamente não existiram outros personagens. Debora Bloch fez um excelente trabalho dando vida a uma mulher tão complexa e que nos fez torcer e odiá-la ao mesmo tempo. Quanto a “vingança” de Elisa, até o presente momento foi a mais deliciosa de se ver, pois é aquela que no fundo alguns disseram “faz isso mesmo”, e de certa forma uma das que acaba tendo uma identificação maior. Não teve um plano mirabolante, apenas uma pessoa que se aproveitou do acaso. Ela estava certa ou errada? Como disse Elisa: “Que direito você tem de me julgar? ”.

Do outro lado da review (Diogo Souza):

Olá, pessoal! A minha cena favorita do episódio foi o momento em que ele Elisa diz para o Heitor que conhecer Vicente a desarmou em relação ao plano de matá-lo, já que ela viu o lado humano que existia nele. Ter contato com esse outro Vicente levou Elisa para aquela frase do filósofo José Ortega y Gasset: “eu sou eu e as minhas circunstâncias”. Dentro de uma outra vida pós-cadeia, Vicente mostrou que poderia ser visto para além da sua imagem de assassino. O desenvolvimento, no meu ponto de vista, de sua relação com Elisa foi um tanto apressado. Por outro lado, o foco narrativo dessa história dividiu bem o protagonismo entre essas duas personagens. Finalizar a trama de maneira lacunar, com um possível novo ciclo em busca de justiça, não nos sugere uma continuidade de história ou uma nova temporada. O final lacunar deixou os outros passos da história a cargo do telespectador, o que é bem mais interessante. Por mais estranho que possa parecer, o envolvimento de Elisa e Vicente, apesar de a aproximação inicial dos dois ter sido muito corrida, é algo crível quando pensamos que não estamos nos controle de nossos sentimentos e estamos sempre à beira dos paradoxos da vida.

PS1: Sara, a personagem mais mal aproveitada da história

PS2: Isabela pedindo para os pais pararem de brigar foi de doer na alma

  • Marcos Bastos

    A própria série já deu um spoiler de quinta feira ali…
    Eu gostei do final. Achei melhor assim que ver ela ficar com ele. Fiquei muito triste pela Regina, ela só sofreu nisso tudo.

    P.s.: Fátima brilha em todas as cenas que aparece!

    • Iury Viana

      Eu achei meio desnecessário o spoiler da história de quinta, mas… =X

      E o final foi bem diferente do que eu imaginava, por isso gostei bastante. E gostei principalmente de todas as atitudes de Elisa.E Regina só ficou no meio do fogo cruzado.

      Obrigado por comentar.

      • Andréa Broto

        Na verdade, deu spoiler da história de 5ª e também da de 6ª feira. Se prestar bastante atenção, a elisa e o heitor cruzam com outro enterro quando estão indo ver o do vicente, que é da história de 6ª feira.
        E quanto ao seu comentário ali em cima Iury, o clima estranho não era entre Fatima e Vicente, o comentário da Li era sobre o climão quando Firmino passa no enterro da história de 5ª e troca um olhar estranho com a Fátima, seu “crush”.
        Eu achava que a Elisa ia matar a Regina e incriminar o Vicente, achei o final bem mais ou menos. Não foi exatamente uma vingança dela, apesar dela deixar ele morrer, ele ia morrer de qualquer jeito mesmo que ela chamasse o socorro, eu acho. Foi a vida que deu uma rasteira nele.

        • Iury Viana

          Quanto ao meu comentário, foi erro meu, que eu já alterei, muito obrigado por ter notado.

          E quanto Elisa, eu não vejo a questão se ele ia morrer ou não, o que eu vejo é que ela queria ele morto. Por mais que o fato dela não ter “ajudado” no acidente, já pontua que, para ela, tudo encerrava ali mesmo, entende? Foi uma forma sutil de mostrar que ela ainda queria se vingar de Vicente.

          Obrigado por comentar

  • Li Rocha

    Gostei bastante do final, eu penso que por mais que a Elisa tenha desligado o celular pra emergência, mesmo que ela tivesse pedido socorro o Vicente teria morrido porque foi muito rápido, ela conseguiu sua vingança pela satisfação de saber que ele ia morrer e ela só assistiu, não “correndo o risco” de que sua ajuda o salvasse, e o próprio Vicente ter percebido a omissão dela antes de morrer.
    Dos spoilers próprios da série, fico satisfeita de a Fátima ter aparecido no enterro do Vicente e não no de alguém de sua família, e me dá esperanças de que ela mesma não tenha um final trágico (apesar de ter rolado um climão estranho quando o crush passou do lado dela no outro enterro, aguardemos para ver o que aconteceu no episódio de hoje).

    • Iury Viana

      Mas o clima estranho entre em Fátima e Vicente não é propriamente quanto a eles mesmo. Isso claro, no meu ponto de vista.

      E por mais que Vicente fosse morrer com ajuda e Elisa, o fato dela simplesmente se omitir perante o fato mostrou que ela realmente ainda desejava ver ele morto. Todo aquele final foi bem superior ao que eu esperava. Nas minhas teorias eu achava que Regina iria matar Vicente.

      Obrigado por comentar.

  • Ana

    Como mãe, posso dizer aos dois rapazes da review, o envolvimento sexual entre Elisa e Vicente não é crível e seria um acontecimento extraordinario. Quem é mãe , quando pensa no ponto de vista do choque e da dor de ver a filha ser assassinada sem direito a defesa e por um motivo daqueles, entende o que eu digo. Pelo bem ou pelo mau a maternidade traz muitas outras camadas da psique humana complexas e vastas para apressar uma relação como aquela.
    A parte disso o envolvimento deles serviu, assim como as tais revelações sobre a Isabela, só para o choque pelo choque. E para tentar amenizar a figura do Vicente perante a Elisa.
    Mas o final da trama foi satisfatório, crível, de um perdão que por mais que se queria e que se tente é complicado de alcançar, mesmo que ela enxergasse no Vicente um pai e um homem perturbado, volto a dizer, é difícil ver um filho morrer em seus braços. E ela precisou da morte do assassino para seguir a vida.
    As atuações foram muito boas e o desfecho aberto também foi excelente. Mostrou como a justiça pode ser um conceito subjetivo e um ciclo que não tem fim.

    • Iury Viana

      Na realidade não foi choque por choque, digo isso por conta da minha experiência profissional. A natureza humana pode nos surpreender a cada dia mais. O fato de Vicente e Elisa terem um envolvimento é algo que não é comum em nossa realidade. Mas como eu disse, os sentimentos de Elisa não era por Vicente, mas pelas lembranças de sua filha. E é aquilo, mesmo que Elisa não fosse santa, não justifica o assassinato dela. Eu adoro ver esses novos pontos de vista para se ter um debate bem interessante.

      Obrigado por comentar.

  • Maria do bairro

    Gostei bastante do final! Adoro finais que ficam em aberto para o público imaginar. E Deram um baita spoiler sobre a história de quinta!

    • Iury Viana

      Eu também gostei bastante, menos a parte do spoiler, achei que foi um pouco demais terem dado aquela informação tão cedo.

      Obrigado por comentar.

  • Baárbara

    Eu gostei do final pq eu não esperava e ainda levei o maior susto com o barulho! rs
    Em várias cenas durante o episódio, eu fiquei esperando uma morte e nada – Quando a Regina entrou no apartamento, quando a Elisa se encheu de remédio, quando ela saiu de casa com a arma… Eu pensava “é agora!” e sempre me frustrava.
    E na cena em que nem imaginei, puf!
    A primeira cena da primeira segunda foi a Elisa treinando tiro. A última cena, a Regina fazendo a mesma coisa. Isso abre espaço para uma possível segunda temporada? (Eu aceito).
    Até fui assistir os primeiros episódios de cada dia, mas não achei que eles começam com cenas icônicas assim para serem repetidas… veremos.
    Todos os personagens de justiça me passam a ideia de pessoas reais, cheias de defeitos, que fazem coisas que eu não vejo cabimento (Eu também não vejo cabimento em nenhuma das reportagens do Cidade Alerta e nem por isso elas deixam de existir).

    Sobre o tema em si: Elisa, de certa forma, teve sua “justiça”. Porém, também de certa forma, sem que isso fosse responsabilidade dela. Quando ela desligou, tudo que eu pensei foi que alguém do lado de fora iria ligar – Não era o telefonema dela que faria a real diferença.
    E Débora e Jesuíta arrasaram na cena, com seus olhares dúbios, cheios de margem para interpretações.
    Será que o olhar de Vicente pedia ajuda? Ou será que o que ele pedia era para que ela deixasse ele encerrar a vida de uma vez, conforme ele mesmo já havia tentado fazer na cadeia?
    E o choro dela? Que misturava tudo! Ali, Elisa conseguiu a “justiça” contra o assassino da filha, se sentiu culpada por não socorrer o Vicente, viu que encerrava a história da filha e teria que finalmente seguir com a vida… Um show os dois!

    • Iury Viana

      Na realidade, eu achei que Elisa não sentiu culpa do que fez, pois ao passo que ela não o ajudou, ele não morreu por causa dela. E eu fiquei na mesma expectativa que você, de que a qualquer momento alguém ia morrer, mas totalmente de repente, o que tornou tudo bem melhor.

      E não, não temos um justiça 2.0. A cena final é só pra mostrar que a vingança é um ciclo infinito.

      Obrigado por comentar.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Que surpresa ver o epi de segunda alone, essa última semana de justiça tá ficando cada vez melhor 🙂

    Uma montanha russa de emoções define esse episódio, assim como toda a história de Elisa. Nunca gostei da relação romântica com o Vicente, mas já tava aceitando o fato dele ficar vivo e feliz por motivos de Isabelinha.
    Mas ai teve o acidente e eu cai no chão literalmente, mesmo se não desse pra salvá-lo, Elisa se recusando a ajudar foi impactante e o olhar enigmático do Vicente mais ainda.
    E que final foi esse?? A vingança realmente não tem fim.

    Já preparei os lencinhos pro final da Fátima kkkkk
    #aguentacoração

    • Iury Viana

      Hoje acaba o estoque de lenço nos estabelecimentos huahuahuahuahua

      Obrigado por comentar

  • Nay

    Eu não gostei do final. Aliás, não gostei do desenrolar dessa história que tinha tudo para ser excelente! Ela se relacionar com o assassino da filha é baixo, é inverossímil. Entendo o que você disse que a situação não é comum mas é possível, e que ela nao era apaixonada por ele e sim pelas lembranças que ele trazia da Isabela. Entendo mas não concordo de jeito nenhum. A lembrança que um assassino pode trazer, só pode ser sobre o assassinato. E a conversa dentro do carro sobre ela estar tentando “relativizar” a situação, foi mais fora de contexto possível. Depois de ir para a cama com o cara casado, assassino da filha dela, pai, ser madrinha da filha dele, trair o namorado dela, após tudo isso ela vai tentar relativizar??? Para mim essa história foi apressada e sem sentido.

    • Iury Viana

      Na realidade, Elisa tinha um grande ódio por Vicente, ao ponto de querer matá-lo e tudo mais, mas querendo ou não, ele trazia lembranças de sua filha e não necessariamente só do assassinato. Acredito que o relativizar dela é por conta do choque de realidade que ela teve, pois percebeu o estrago que tinha feito, tanto é que ela não demonstrou remorso por ter se recusado a ajudar Vicente, pois ela voltou a entender que ali não era a sua filha ou nada do gênero, mas sim o cara que a matou. Ah, eu posso passar horas debatendo sobre essa história e super acho bem vindo todos os pontos de vista.

      Obrigado por comentar.

  • Marco A

    Desde o começo, ficou oculto o fato da Isabela ser uma interesseira e safada, ponto! Porém para dar mais veracidade ao caso de Elisa e Vicente, trouxeram a tona isso no episódio passado. Como dizem, é muito difícil de entender a relação entre mãe e assassino da filha, porém não acho impossível, tem a síndrome de Estolcomo que não nos deixa mentir, apesar de nesse caso, acredito que o tempo de convivência entre os dois tenha sido muito insuficiente.
    Quanto ao final, achei perfeito, achei que a vingança de Elisa ficou num meio termo muito bom, assim como sua confusão emocional.
    Ps.: até entendi o spoiler do episódio de sexta, mas o de quinta não entendi, alguém me explica!?

    • Iury Viana

      Bom, o fato de Elisa ser madrinha de Isabela, se deu ao fato dela ter descoberto a história do aborto, então ela começou a ver Isabela como sua neta. É estranho? É. É impossível isso acontecer? Não.

      Quanto ao spoiler de quinta, se você puder reassistir a cena do cemitério vai ter a resposta. Mas eu, particularmente, não recomendaria.

      Obrigado por comentar

      • Marco A

        Que burro que eu sou. Já tinha visto a cena mas não tinha entendido. Valeu Iury.
        E a cena dos fotógrafos no cemitério, também são um spoiler para sexta-feira.

  • Marco A

    Acho que a parte mais inverossímil de toda essa história, nem foi a relação da Elisa com o Vicente, mas ela ter aceito ser madrinha da filha dele, isso foi bem nada a ver.

  • Cibela Cerqueira

    Desculpa mas não faz o menor sentido, se apaixonar pelo assassino da filha.Se ela não soubesse va lá. Apaixonar é modo de dizer, transar com o cara. é muito pouco plausivel, por mais que você queira dar uma desculpa filosofica, aqui os roteiristas viajaram na batata