Jason Bourne

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Que O legado Bourne, de 2012, foi uma tentativa fracassada de revitalizar a saga do agente secreto mais denso e eficiente do cinema, todo mundo já sabe. Apesar do roteiro bem escrito e do bom trabalho de Jeremy Renner, o público de fato não embarcou. A franquia ressurge agora com o seu principal time de volta, o diretor Paul Greengrass, o roteirista Christopher Rouse e Matt Dammon na pele do protagonista, e em poucas palavras podemos dizer que eles acertaram em cheio novamente.

Se você é um fã da trilogia original, como eu, sabe que Bourne é um personagem bastante complexo e que os seus dilemas, revelados aos poucos pelos roteiristas, sempre estiveram mais presentes no seu silêncio, do que nas excelentes sequências de ação. Quando O ultimato Bourne de 2007 termina, somos levados a acreditar que Jason teria finalmente encontrado um bom número de respostas para as suas inquietações, porém quando ele de repente se mexe na água, ao som da excelente canção Extreme Ways do Moby, indo em direção à superfície, fica claro que ainda existe muito a ser descoberto.

Nove anos depois, Jason é encontrado por Nicky Parsons (Julia Stiles), que parece ter conseguido acessar novas informações sobre o ainda misterioso passado do ex-agente (e eterno fugitivo). Sem delongas, somos levados para uma sequência de ação de arrepiar. Bourne e Nicky estão no meio de uma manifestação na Grécia e juntos tentam fugir dos “contatos” que rapidamente passam a persegui-los. São aproximadamente 25 minutos de adrenalina e tensão. Impressionante perceber como a direção consegue nos levar para dentro do conflito, é quase impossível não se imaginar ali, entre explosões, tiros e gritos.

Com o desfecho desse eletrizante abre-alas, a narrativa passa a ser construída com bastante eficácia. No primeiro momento, principalmente para quem não viu nenhum outro filme da série, é natural sentir que as peças não estão sendo encaixadas tão facilmente, porém a medida em que personagens, como o diretor  Robert Dewey (Tommy Lee Jones)  e o agente Asset (Vincent Cassel),  vão mostrando quais as suas reais motivações, passamos a entender melhor o fio condutor proposto.

Dois novos personagens são bem introduzidos na trama. Heather Lee, interpretada pela competente Alicia Vikander, que interpreta uma agente da CIA que acaba bastante envolvida com o caso “Bourne” e Aaron Kalloor, interpretado por Riz Ahmed (da série The Night Of), que é uma espécie de Mark Zuckerberg, criador de uma rede social de sucesso, cujo o envolvimento com o plot do protagonista acontece no arco final. Ambos estão muito bem nos papéis; Alicia, claro, com mais destaque, aqui não se mostra muito versátil, nos dando uma atuação que poderia, sem dúvida, ter mais impacto.

O desempenho do Matt continua sensacional, uma atuação, como nos filmes anteriores, sem exageros e em ótima forma. Interessante perceber como ele consegue transmitir no olhar aquilo que internamente o seu personagem procura entender; captando em reflexos, aqueles registros do passado que ainda estão tão fragmentados no seu subconsciente. Curioso ter um protagonista que fala tão pouco, são poucas frases nas quase 2 horas exatas de filme; e isso não acontece por falta de motivos, e sim porque existe um barulho ensurdecedor que mora nos lugares mais profundos da sua memória e que até agora continua trazendo respostas incompletas.

Jason Bourne é um ótimo filme, principalmente porque procura não ficar refém dos rótulos que envolvem as produções de ação, nem está preso ao uso excessivo de efeitos especiais. Existem inúmeros clichês, claro, mas que estão tão bem articulados que você não se sente usado ou subestimado. Além dos murros e das perseguições de carro, está lá uma crítica latente sobre a sociedade, que nos mostra, a partir da perspectiva de Bourne, o quanto continuamos sendo programados. O passado de Jason acaba se tornando, de muitas maneiras, o reflexo do nosso presente. Não é à toa que a presença das redes sociais nas nossas vidas acabe se tornando o elemento central da ameaça. Não deixe de conferir, a supremacia continua.

  • edujakel

    essas reviews tao saindo antes dos filmes…assim vcs me matam. é muita fralda pra trocar, nao tenho tempo de ir no cine tanto assim…rs

    Parabens SM.

  • edujakel

    essas reviews tao saindo antes dos filmes…assim vcs me matam. é muita fralda pra trocar, nao tenho tempo de ir no cine tanto assim…rs

    Parabens SM.

  • Laís F.

    Esses é um dos filmes mais aguardado por mim esse ano, a saga Bourne é a melhor sobre espionagem (desculpa 007 fãs), as cenas de ação são super bem feitas e por incrível que pareça quase críveis, mas o desenvolvimento psicológico do Bourne é a melhor parte, e por isso que apesar do legado Bourne ser um bom filme (acima da média do gênero), não teve tanto impacto, não é só pancadaria gratuita (apesar de que são sempre legais), mas temos um desenvolvimento de personagem que falta em filmes do gênero e Matt Damon sempre conseguiu transmitir toda as nuances do personagem, Gostei da review e estou mais ansiosa pelo filme agora e espero que eu consiga assistir esse final de semana.

    • Bruno

      Aquela sequencia de luta com a câmera balançando do segundo filme praticamente criou um padrão estético (muito ruim IMHO) seguido por diversos outros filmes: para esconder má coreografia, balance a câmera!

      Tirando isso, os filmes sao realmente muito bons. Quanto a comparação com o 007 de Craig, posso até concordar, mas os com o Pierce Brosnan são tão bons quanto, não pelas sequencias de ação, mas pela criação da atmosfera.

  • Laís F.

    Esses é um dos filmes mais aguardado por mim esse ano, a saga Bourne é a melhor sobre espionagem (desculpa 007 fãs), as cenas de ação são super bem feitas e por incrível que pareça quase críveis, mas o desenvolvimento psicológico do Bourne é a melhor parte, e por isso que apesar do legado Bourne ser um bom filme (acima da média do gênero), não teve tanto impacto, não é só pancadaria gratuita (apesar de que são sempre legais), mas temos um desenvolvimento de personagem que falta em filmes do gênero e Matt Damon sempre conseguiu transmitir toda as nuances do personagem, Gostei da review e estou mais ansiosa pelo filme agora e espero que eu consiga assistir esse final de semana.

    • Bruno

      Aquela sequencia de luta com a câmera balançando do segundo filme praticamente criou um padrão estético (muito ruim IMHO) seguido por diversos outros filmes: para esconder má coreografia, balance a câmera!

      Tirando isso, os filmes sao realmente muito bons. Quanto a comparação com o 007 de Craig, posso até concordar, mas os com o Pierce Brosnan são tão bons quanto, não pelas sequencias de ação, mas pela criação da atmosfera.

  • Jordison Francisco

    Jason Bourne é muito eficiente em termos técnicos, mas é familiar demais, não oferecendo nada que não tenha sido feito igual (ou melhor) anteriormente nessa excelente franquia. Em termos técnicos oferece o que se espera (visual, movimentação) um forte senso de caos controlado. A marca dessa franquia é a sequencia de lutas, apesar da câmera tremida, quase compulsiva,mas não parece coreografado. o roteiro moderniza na tecnologia de vigilância. Mas o desenvolvimento do protagonista é superficial, sendo mais recessivo, poucos diálogos, mas a questão de mídias sociais não combinam com o personagem. a nota é 6,8

  • Jordison Francisco

    Jason Bourne é muito eficiente em termos técnicos, mas é familiar demais, não oferecendo nada que não tenha sido feito igual (ou melhor) anteriormente nessa excelente franquia. Em termos técnicos oferece o que se espera (visual, movimentação) um forte senso de caos controlado. A marca dessa franquia é a sequencia de lutas, apesar da câmera tremida, quase compulsiva,mas não parece coreografado. o roteiro moderniza na tecnologia de vigilância. Mas o desenvolvimento do protagonista é superficial, sendo mais recessivo, poucos diálogos, mas a questão de mídias sociais não combinam com o personagem. a nota é 6,8

  • Dos 3 JB’s” James Bond, Jack Bauer, fico com Jason Bourne. E ainda acho a franquia mais sólida do cinema.

  • Dos 3 JB’s” James Bond, Jack Bauer, fico com Jason Bourne. E ainda acho a franquia mais sólida do cinema.

  • Jordison Francisco

    As técnicas de luta da série de filmes de Jason Bourne são tomadas diretamente das artes marciais filipinas. O coreógrafo nos três primeiros filmes foi o renomado Jeff Imada da Academia Inosanto. As cenas de luta usado aplicações FMA realistas, incluindo mão vazia contra a faca, armas improvisadas e uso do ambiente.
    Maelstrom Martial Arts oferece uma anual mini-curso de 8 semanas que ensina as técnicas básicas da vazio-mão e armas improvisadas. Na conclusão do curso, cada aluno aprende parte das coreografias de luta de cada um dos três primeiros filmes