Jack Reacher: Sem Retorno, o ponto baixo da franquia

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Tom Cruise plays Jack Reacher in Jack Reacher: Never Go Back from Paramount Pictures and Skydance Productions

Com um volume tão grande de filmes produzidos num ano, Hollywood serve (querendo ou não) como um definidor de padrões e de nichos cinematográficos. Dos anos 70 até o final dos anos 80, o subgênero do “vigilante solitário” geralmente uma figura hirsuta, lacônica e implacável, fez sucesso em obras como “Dirty Harry” e “Desejo da Matar” e atualmente se baseando em grandes franquias literárias de ação e espionagem. O grande trunfo desses filmes era adequar a ação a um roteiro amarrado e contido em si. Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, 2016) segue na contramão, adequando o roteiro a ação e errando em vários pontos no caminho.

Após desmantelar uma operação de tráfico humano, Jack Reacher (Tom Cruise) se vê como um fugitivo da lei, envolvido numa conspiração militar, em conjunto com a Major Susan Turner (Cobie Smulders). Ao mesmo tempo que tenta resolver a situação atual, um segredo do seu passado retorna podendo mudar sua vida para sempre dali em diante.

É fácil entender o carisma que Tom Cruise exerce nas massas, mas é difícil entender como esse filme possui a falta desse elemento crucial na aceitação do público. Se no primeiro filme a trama era bem urdida, com uma camada de pistas de uma investigação que culminava numa revelação interessante, esse segundo volume tenta abordar o mesmo processo, mas consegue entregar algo totalmente inverossímil. Soluções preguiçosas, cortes de tempo desconexos, frases canastronas, atitudes estúpidas…. Uma lista de itens que ocuparia todo esse texto pode ser retirada como defeito do roteiro encabeçado por Edward Zwick, que também dirige o filme. É como se na tentativa de reinventar o personagem de Lee Child, o filme acabasse destruindo a imagem construída com afinco em Jack Reacher: O Último Tiro.

Cobie Smulders plays Turner in Jack Reacher: Never Go Back from Paramount Pictures and Skydance Productions
Cobie Smulders em Jack Reacher: Sem Retorno.

Cruise tenta emular a aura badass de Clint Eastwood e Charles Bronson, mas acaba atingindo um Steven Segal, na atitude blasé e sem empatia. Quando ele se livra dessas amarras de atuação ele entrega aquilo que ele sabe fazer de melhor, entreter. Smulders foge um pouco da regra dando vida a uma Major Turner forte, decidida e que não foge da luta, muitas vezes ofuscando o protagonista do filme, longe da visão feminina corrente nesse tipo de produção. O resto do elenco de apoio, que conta com Aldis Hodge, Danika Yarosh, Robert Knepper (mais uma vez como um vilão vazio) e Patrick Heusinger (o vilão propriamente dito), ajuda ou atrapalha de acordo com o que de incongruente vai surgir a seguir na trama. O que implica em certos defeitos técnicos, como na cena dos barris de combustível nas docas em que o CGI da gasolina fica aparente como um dos piores do ano.

Patrick Heusinger plays The Hunter in Jack Reacher: Never Go Back from Paramount Pictures and Skydance Productions
Patrick Heusinger em Jack Reacher: Sem Retorno.

Não sei se a intenção era forçar uma camada de “filme B” na produção, aquelas que prezam pela falta de lógica e dão mais atenção aos detalhes pirotécnicos e descabidos, mas conseguiram com todo louvor passar essa sensação. Há bons momentos na obra, mas que são totalmente ofuscados por essa saraivada de detalhes absurdos jogados na tela. Jack Reacher: Sem Retorno pode ironicamente fazer o que seu título propõe: enterrar uma franquia que poderia ter sido sucesso. Esse segundo volume foi o ponto baixo. Na eventual chance de um terceiro, que tomem esse como base para o que não se deve fazer. A tendência agora é subir novamente ou continuar cavando em direção ao ostracismo de qualidade.

* O Série Maníacos assistiu Jack Reacher a convite da Paramount Brasil

> Bastidores do The X-Factor Brasil com Fe Paes Leme!

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  • Flavio Batista

    Eu ja tinha achado o primeiro meio nhé… é bom mas nao chega a ser um Taken.
    Se vc me disser q tem ele correndo que nem louco eu topo assistir, pq ninguem corre como Tom Cruise em Hollywood

  • LUIS HEBER

    O anterior foi tão ruim que não sei de onde tiraram coragem pra fazer outro.

    • Flavio Batista

      Pois é fiquei surpreso qdo soube q teria o 2… achei o primeiro bem mais ou menos. Assisti num dia q nao tinha mais nada pra fazer

    • Lucas Fernandes

      Olha que o primeiro tem suas qualidades, mas esse… erraram a mão feio em certos momentos

  • DarkAngelblue

    “o ponto baixo da franquia” que franquia esse é o 2 filme.

    • Caio

      Kkkk
      Fiquei tentando lembrar se tinha algum outro filme após o 1º de 2012 que devia ter perdido.

      • DarkAngelblue

        Acredito que não foi no sentido do livro até porque o nobbre critico já leu os 21 livros para dizer que esse era o ponto baixo, acho pouco pravavel, mas eu assisti sabado e não vi todo esse defeito, quem procura um filme desses quer ver tiro porrada e boma, e um filme nada arrastado, com um protagonista carismático e tudo isso tom cruise entrega aqui um bom passatempo, pra quem procura o proximo kubrick com certeza não será nesse filme que vai encontrar

  • Jord Son

    Então, qual é o estilo de luta de Jack Reacher? Neste artigo, discutimos o Estilo de Combate de Jack Reacher- Laboratório de Defesa
    O sistema de combate usado no filme de Jack Reacher pode parecer familiar porque foi apresentado antes em alguns filmes diferentes, no entanto, você pode reconhecê-lo em filmes como a Missão Impossível 3 e, claro, Batman Begins, The Dark Night e Dark Knight Rises.
    KFM(K eysi F ighting M ethod)/Keysi é um estilo de auto – defesa com base no estudo e cultivo de instintos naturais, combinados com os princípios básicos de combate.
    KFM usa vários tipos de ataques, com suas próprias armas. Uma defesa que protege a parte mais importante do corpo, a cabeça é usado, e quebrar a defesa do oponente, abrindo seu corpo para todos os tipos de ataques: socos, chutes, cabeçadas, cotovelos …
    Outro aspecto da KFM é a sua rotação 360, redefinindo predador e presa filosofia, tornando-se a presa (o ataque) em predador (atacante) durante uma luta.

    Assistir no link https://www.youtube.com/watch?v=lUEjvMFl7rg