Humans 2×03: Episode 3

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Uma das principais características do ser humano é a empatia. A capacidade de se ver no “lugar do outro”, de sentir o revés alheio e processar aquilo se colocando na situação. Seja como modo de preparo ou um simples ato inconsciente, a empatia é um dos vários sentimentos que classificam a interação humana. O ato de sentir é então nossa principal marca. Humans entregou um episódio que economizou na ação, mas foi bastante generoso na quantidade de respostas.

Brilho eterno de uma mente com lembranças

Esse terceiro episódio de Humans foi interessante pelo simbolismo entregue na narrativa. O ato de dar “vida”, dar “sentimento” foi algo trabalhado por todos os personagens, expondo diametralmente dilemas em opostos de acordo com o contexto único do surgimento dos Synths sencientes.

Joe tem de lidar com o retorno ao trabalho numa posição inferior na mesma empresa. Com a entrada agressiva dos Synths nos postos de trabalho humano essa é uma situação corriqueira, mas não tão humilhante quanto ver seu antigo superior. Se por um lado ele tem mais tempo com os filhos, se envolvendo nas tarefas de casa, por outro ele começa a ver as rachaduras no até então “unido” núcleo familiar. Toby por sua vez começa a se envolver com a garota Synthie, assim como Sophie demonstra cada vez mais que age de modo nada normal ao encarnar o sentimento androide, se distanciando cada vez mais da família.

Humans 2x03: Episode 3
Humans — Episode 3

Quem se distancia cada vez mais também é Mia (ou Anita, como queira). A progressão do código, da emulação da humanidade, fez com que ela se apaixonasse de verdade por Ed. Além do amor materno imbuído em sua construção na figura de Leo, esse novo relacionamento é algo capaz de ampliar ainda mais camadas no já extenso portfólio de Mia. O amigo de Ed, no entanto promete não deixar isso passar tranquilamente, assim como Hester, que cada vez mais afunda no sentimento anti-humano, após eliminar (por suas razões) o seu até então algoz.

Humans 2x03: Episode 3
Humans — Episode 3

Niska passa pelo processo pré-julgamento na tentativa de provar que a consciência está lá, mesmo que visualmente não seja capaz de ser comprovada. Os sentimentos como entidades abstratas são de certo modo imensuráveis, tornando a sequência de imagens algo inútil. A música ajudou, mas foi ao tratar de algo inerentemente cruel, o estupro e o repetido comportamento de humilhação, que Niska abaixou suas defesas e mostrou sua humanidade. E com a descoberta da pulseira e do número de Astrid, é questão de tempo até que a verdade seja comprovada. Coisa que Voss continua a esconder em plena vista ao retornar para trabalho policial. Se ela esconde que é uma Synth, pelo menos o relacionamento dela com Drummond não passou no crivo de seus colegas. Até quando ela precisará manter essa “máscara”? Ou o surgimento de androides pensantes era o que faltava para ela assumir essa verdade?

E por último e ainda mais importante o dilema da divindade de Mattie e Athena. Mattie na busca de entender e reproduzir o sucesso de Elster, coloca o código em Odi para assim tentar chegar ao cerne do que o código apresenta de diferente, numa simulação terrena do sopro da vida. E Athena mostra a real dimensão das suas intenções dentro da Qualia, que serve apenas como um meio para se chegar num fim pessoal e de carga sentimental poderosa. A intenção dela não é entender como o código funciona ou replicar isso de maneira comercial, mas sim “ressuscitar” alguém que permanece no limbo da indecisão médica. Eis que “Vee” é na verdade a emulação (ou seria a real?) da mente de sua filha, Ginny. A decisão então é de dar uma nova vida, um novo corpo, a filha em coma, algo parecido com o que foi feito com Leo anos atrás.

O leque que se abre daqui em diante é amplo. As respostas entregues servem de combustível para novas perguntas, num recomeço cíclico de padrões de pensamento. Morte e Vida são afinal de contas algo passageiro quando se tem o poder de manipular tais preceitos divinos. O homem sempre tenta imitar Deus, como se ter sido criado baseado em sua semelhança não fosse nunca o suficiente. Até a próxima semana!

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Protocol_Error _1: Assim como citei na review/crítica passada, Hobbs retornou. Descobrimos que o governo (?) limitou seus poderes de atuação, vigiando constantemente o cientista, mas até onde foi a ajuda que ele deu a Athena?

Protocol_Error _2: Achei creepy o Odi observando o Joe tomar banho (pensei por um momento que era o Toby [o que seria mais creepy ainda]);

Protocol_Error _3: Só eu achei a sala onde Niska é interrogada parecida com os cenários do segundo episódio da primeira temporada de “Black Mirror”, “Fifteen Million Merits”?

Protocol_Error _4: Finalmente descobrimos onde fica o “silo” e quem agora controla (Athena). Mas a pergunta que não quer calar é: onde está Fred?

Protocol_Error _5: Serafim é somente o código para Synths sencientes ou é outra camada do já rico plot da temporada?

Protocol_Error _6: Quem é Connor?

  • Vitor RC

    Ótima review Lucas.
    Como sempre, né. Haha

  • Letícia Menezes

    Finalmente assisti ao episódio!
    Gostei bastante, muitos plots sendo trabalhados nessa temporada.
    Descobrimos sobre o Silo, mas como Leo e companhia vão achar, se é que irão, é uma pergunta interessante.
    Mia, minha filha, você sabe o quando a porra é perigosa e tu não te esconde, vai ter caroço nesse angu.
    Boa review, by the way.

  • João Paulo

    Esse começo de temporada não está tão empolgante como o da primeira, muito por conta da grande divisão de plots.
    O da Mia mesmo, por mais bonitinho que possa ser, não é tão interessante, assim como o do Leo e Max que só ficam andando de um lado para outro. O que anda movimentando mais a trama são os plots da Niska, da Mattie e Athena.

    De qualquer jeito, Humans continua em alto nível, esse clima mais lento tem tudo para explodir logo, logo, porque tem ótimas tramas com potencial, além de vários temas interessantes sendo levantados, principalmente quando o julgamento da Niska vier a tona, quero muito ver a reação da sociedade.

    “Protocol_Error _3: Só eu achei a sala onde Niska é interrogada parecida com os cenários do segundo episódio da primeira temporada de “Black Mirror”, “Fifteen Million Merits”?”

    Não só a sala, a série toda tem um clima meio Black Mirror, o que é muito legal.