Humans 2×01: Episode 1 [Season Premiere]

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O grande arco narrativo da primeira temporada de Humans foi não a crescente intolerância aos Synths incitada pela “We Are People”. Tampouco o ganho de consciência por parte de um seleto grupo gerado pelo criador da tecnologia, David Eslter. O grande arco foi a questão do rompimento entre a relação homem-máquina. Uma semente plantada ao longo de 8 episódios e que agora começa a brotar suas primeiras folhas nessa première que situou todos os possíveis rumos que a série vai tomar nessa segunda temporada. Afinal, o que antes era cômodo agora se torna uma ameaça em diversos níveis sociais e físicos.

“O homem não é mais do que a série dos seus atos. ”

– Georg Wilhelm Friedrich Hegel

Se antes era Anita que servia como o ponto de conexão entre as diversas tramas, nessa segunda temporada quem pode ganhar esse papel é Niska. Após tomar para si o “Código Elster”, capaz de ativar a consciência em qualquer Synth, Niska acabou indo parar em Berlin, para se esconder após o conflito com Hobbs e ponderar se o poder que ela carrega deveria ser ou não utilizado. Nessa busca pelo sentido de sua missão ela acaba encontrando o amor por assim dizer. Depois de uma vida de reclusão e submissão (na fase de servitude do bordel), o sentimento de aproximação por Astrid foi algo que mexeu com a “programação” dela e serviu como um norte moral, guiando a decisão de liberar o código, como um ato de liberdade, de igualdade social. Ela só não contava que o código iria se espalhar de um modo totalmente diferente.

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Humans

A decisão de implementar o código deu a série uma dimensão global. Saímos do contexto britânico e começamos a passear por diversos países (Alemanha, Bolívia, EUA), mostrando que todos os processos que Anita, Leo e companhia enfrentaram é algo que acontece no mundo todo. Falando neles, o grupo ganhou um status ainda mais marginal pelo constante jogo de esconde-esconde que agora realiza. Anita sendo a única ponte com o mundo humano, se passando por uma Synth “normal” em plena vista, enquanto Leo e Max surgem como um grupo de apoio para os aqueles que recém emergiram para a consciência. O que acaba se tornando interessante é que o código, aparentemente, não tem um foco na escolha de quem ativar. Mas compartilho da ideia de que há algum fator intrínseco na decisão de escolha de quem deve ganhar a consciência, algum pedaço no código fonte que sirva de chave para ativação do processo.

“Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontra-lo. “

– George Edward Moore

O despertar, no entanto não trouxe somente boas surpresas, mas também novos inimigos. Enquanto Hobbs pretendia criar uma nova leva de escravos tecnológicos ligados à sua vontade, a dupla Athena Morrow e Milo Khoury não só pretendem fazer o mesmo, como monetizar sobre isso. Ao “globalizar” a trama, nada mais pertinente do que mostrar as grandes corporações tecnológicas e sua sede de controle de tudo o que é novo e consequentemente lucrativo. O mais interessante desse polo narrativo é que teremos uma “batalha de egos” que agirão juntos por conveniência e trairão no primeiro sinal de possível rompimento. Milo Khoury (Marshall Allman), o jovem bilionário dono da Qualia Global Systems, quer descobrir um modo de reproduzir robôs com consciência causando assim uma nova revolução industrial digna de entrar nos anais da história. Athena Morrow (Carrie-Ann Moss), que assim como a deusa grega da sabedoria grega de quem recebe o nome, já realizou tal feito, talvez até na mesma época de Elster, mas mantem em segredo tal capacidade por motivos que ainda são desconhecidos para mim. Mas a capacidade de admiração e destruição dela já é um dos fatores que me fazem prestar ainda mais atenção nesses novos personagens.

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Humans

E por último, mas não menos importante, temos os Hawkings. O núcleo humano da trama, aquele em que nos identificamos na narrativa, está na fase de recuperação, essa que acontece em diferentes esferas, já que cada um ao seu modo foi afetado pela convivência com os Synths e o início da revolução senciente. E através deles é que vamos entender a motivação do levante do “We Are People” e encarar o modo humano de observar as mudanças que vem por aí. A troca do posto de trabalho, do homem pela máquina, vai ficar muito mais forte de agora em diante, o que por si só já serviria como combustível para uma revolta popular. Mas o fato que talvez cause o maior problema é o retorno de Niska. Agindo com a consciência que lhe é pertinente, ela resolve se entregar pela morte do homem (lá da temporada passada, no bordel), mas pede que seja julgada como um “ser humano”, já que a capacidade de pensar e agir como um lhe dá (ou aparentemente dá) o direito de tal prerrogativa. Isso com certeza trará os Hawkings de volta para o olho do furacão.

Esta temporada tratará da tese e antítese, da discussão idealizada do que é ou não de direito, do que faz um ser humano ser considerado “humano”. Muito mais além do campo físico, a batalha se travará nos conceitos idealizados e nos ideais entranhados por era e eras de pensamento fechado e contracorrente cultural opositora.  Filosofia, livre arbítrio e tecnologia. Hegel ficaria orgulhoso.

> Teorias Bizarras de Westworld!

Protocol_Error _1: Eslter conseguiu dar forma humana a suas criações, Athena ainda permanece no modo abstrato dos servidores… Mas até quando?

Protocol_Error _2: Cristobal Tapia de Veer continua arrasando na trilha sonora;

Protocol_Error _3: Dois synths novos, um morto. Bem-vinda Hester.

  • Letícia Menezes

    Esse cara da Qualia é o tipo de personagem feito para ser odiado. E já odeio. Hahaha
    Gostei da Hester e vai ser interessante ver a evolução e a aceitação dela com si mesma.
    Anita acabará se traindo para o carinha que ela trabalha, o que não entendo é porque ela recebe, é como se ela fosse alugada e o dono que recebe?
    Niska é só amor <3

    • Kelly

      Sim, ela é alugada.

  • vinland

    Nem sabia que ja estava rolando a 2 temporada. Vou dar uma conferida.

  • Danilo Zanon

    Valeu pela Review. Não sabia que tinha voltado. Já baixei aqui. Se assistir logo, volto pra comentar.
    Abraços

  • Juliano Guilherme

    Tendo o Odi nessa season tá tudo certo!

  • Qual é a melhor personagem de Humans e por que é a Niska com certeza?

    https://68.media.tumblr.com/7a6cc9fbde103e06f99b53356419cfa6/tumblr_og0zah6usf1tmyav6o4_r1_250.gif

  • Fernanda :)

    ai ai, voltou a época de morrer de amores por humans. que discussão sobre senciência e humanidade maravilhosa!
    chateada q ten morreu, já tava querendo ele falando em espanhol na série. niska amorzinho demais, será q não dá pra trazer a alemã junto, não? e mia magnífica não pode ver outro humaninho que já quer amar e cuidar

  • Vera Tocantins

    Muito amor por essa série. O retorno foi justo e nos situou dentro desse novo panorama proposto. Adoro os Hawkinks!

  • João Paulo

    Antes de falar sobre esse episódio, eu acabei de assistir a primeira temporada, e gostaria de declarar meu amor por Humans hahaha, que série!

    É incrível o apego e carisma dos personagens. No começo da série voce pensa que a Mattie vai ser mais uma adolescente chata, igual de toda série, a Laura também tem um começo ruim, mas a verdade é que todos tem relevância e encontram uma redenção com o público, até o Joe e aquele detetive chato.

    Fora isso, ainda tem todos os questionamentos que a série traz sobre as máquinas vs humanos, que além de muito interessante é muito pertinente com o mundo atual. A série nos leva a torcer pelos sintéticos, até pelo imenso carisma dos 4, mas os humanos estão tão errados assim? Imagine você nesse mundo, se hoje nos já perdemos espaço para máquinas, imagine uma que faz tudo perfeito, tem a mesma aparência de um humano e ainda tem consciência.

    Acho que nessa segunda temporada, a série irá bater mais forte nesse embate. Ainda mais se rolar um julgamento da Niska (musa suprema) querendo ter seus direitos como humana.

    Enfim, a série retornou morna, mas com inúmeras tramas a serem trabalhadas, e eu não poderia estar mais ansioso pelos próximos episódios.

    • Amélia Rios

      Eu não torço pelos syths nem un pouco….

  • Vitória Martins Souto

    Série maravilhosa voltou, amém!