Homeland 6×01: Fair Game [Season Premiere]

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Homeland está de volta para nos perguntar sobre esses tempos em que o combate ao terror é feito com mais terror.

Recentemente os criadores da série The Good Fight (spin-off de The Good Wife) declararam que davam a vitória de Hillary Clinton nas eleições americanas como tão certa, que filmaram os primeiros episódios do show como se essa fosse a realidade vigente. Com Trump vencendo, voltaram atrás e tiveram que refilmar um monte de coisa. Sem dúvida as refilmagens foram necessárias porque o cenário previsto era extremamente compatível com uma produção que será toda sobre mulheres empoderadas. A primeira presidente mulher da nação mais poderosa do planeta se tornaria um assunto plural e ramificado.

Fair Game, o primeiro episódio da esperada sexta temporada de Homeland, deve ter sido planejado nos mesmos termos, já que logo nos seus primeiros minutos apresenta uma presidente mulher, recém-eleita, que tem ideias voluntariosas a respeito de como a política americana lida com as questões do terrorismo. Logo em sua primeira cena, ela faz perguntas a Saul e Dar sobre os próximos passos nos programas de intervenção americana nos territórios de alto risco. Em dado momento ela responde a uma das colocações dizendo: Talvez seja a hora de considerar a possibilidade de que nem todo problema no Oriente Médio precise ser resolvido com intervenções militares.

Se Hillary tivesse vencido, seria um recado direto para ela. Durante todo o tempo de campanha da Sra. Clinton, seus opositores bateram muito na tecla do “expansionismo americano” proposto por ela, uma medida incisiva que coloca os EUA como centro catalisador de ataques planejados mesmo que em nações que não possam pagar por tamanho poderio bélico. Hillary achava que o país tinha “algo especial” a oferecer e que isso deveria ser partilhado a todo custo. Já Trump achava que não. Para ele, os países que gostariam de proteção americana deveriam pagar por ela e que com a retirada de tropas, o governo pouparia muito. O resultado dessa ambivalência entre eles é que Trump gerou o medo do que poderia acontecer com suas posturas de controle interno (o racismo, machismo e todos os “ismos” que o tornam odiável), enquanto Hillary (com seu impressionante histórico de bombardeios) virou a mulher fria que manda explodir e matar. Ela seria a Drone Queen da América sempre amedrontada.

Em Homeland, a postura de Trump sobre intervenções militares foi absorvida em parte pela nova presidente, mas Hillary acabou inspirando o momento. É realmente como se os criadores estivessem homenageando a vitória de uma mulher, mas também dizendo “olha, pense um pouco se tudo precisa mesmo ser resolvido com bomba”. E de certa forma, o roteiro desse primeiro episódio insinua duas coisas interessantes: a primeira é que por ser um grande negócio (comercial e ideológico) as guerras sempre continuarão – à revelia de qualquer presidente – e a segunda é que os homens sempre vão achar que se uma mulher não quer explodir coisas é porque tem emoções envolvidas que as impedem.

Fair Game começou desse jeito, já dando muito o que se pensar, mas avançando pouco com a história que promete contar esse ano. Já havíamos falado antes sobre como a série ameaça virar um protótipo de 24 horas, com aquele protagonista ótimo no que faz sendo arrastado sem querer para um trabalho perigoso do qual decidiu abrir mão. Quando Otto apareceu para pedir que Carrie parasse de cuidar das “batatas pequenas”, não pude deixar de pensar em como seria bom que Homeland tomasse a decisão menos óbvia e mantivesse Carrie fazendo exatamente o que ela está fazendo. É claro que o show é sobre o perigo do terror em escala global, mas os roteiristas precisam conseguir encontrar maneiras de fugir de recorrências nocivas, que denunciem as dificuldades criativas dessa equipe.

Homeland 6x01: Fair Game [Season Premiere]

A volta de Quinn é absolutamente desnecessária. A não ser que haja formas muito inteligentes de contextualizá-lo na trama, ele me soa como uma ideia que vive sendo incansavelmente reciclada. Na ausência de uma Carrie louca porque já amadureceu muito e está medicada, eles enfiam um Quinn chatíssimo que aproveita a chance de estar vivo para entrar naquela velha conhecida espiral dos “personagens que se autodestroem para mostrar como seus intérpretes são bons atores”. Morro de preguiça desse tipo de desvio narrativo, que no caso de Quinn me soa como uma forma descaradamente oportunista de manter disponível uma opção de exploração. Esse personagem se esgotou, sempre teve pouco a oferecer e dificilmente isso sofrerá qualquer mudança.

As mesmas coisas de sempre estão lá… A família inocente que fica nas bordas da trama central, um novo “capanga” frio que prende/mata/persegue com o aval de alguma instituição, o traidor da presidência, um novo presidente, um civil que interliga as tramas e uma maneira de convencer Carrie a se envolver com o que ela não quer mais se envolver. É uma base assustadoramente semelhante a de 24 horas (cria dos mesmos produtores) e que também tem as mesmas qualidades e mesmos problemas. Parece que Alex Gansa e Howard Gordon conseguem lançar grandes ideias que tendem a entrar no piloto automático depois de algum tempo. Ainda que Homeland seja muito superior a 24 horas em muitos quesitos, ela tem estado na zona de conforto, dentro do quadradinho das decisões fáceis e bastante preocupada em não vazar pelas laterais.

Enfim, do ponto de vista político, a série ainda se justifica e se defende com louvores. Há elegância e apuro na maneira como ela tenta se enquadrar no que está em vigência nas discussões acerca da temática militarista contra o terrorismo. É aí que ela ganha e que ela cresce. Há algo de inesperado em questionar a utilidade prática dessas tomadas bélicas e isso pode sim ser feito de forma minimalista, indo do grande para o pequeno. Eficientemente, Homeland pegou Trump e Hillary e criou uma simbiose dramatúrgica provocativa. Ela poderia gerar mais terror externo bombardeando, mas ele gera mais terror interno com seu estúpido aval nacionalista. Tudo isso faz do sexto ano uma promessa vivaz de grandes semanas vindo pela frente. Para o bem ou para o mal, Homeland está de volta, senhores.

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Carrie’s Pills:  O tour de Sekou pela Nova York dos atentados terroristas confere. Podem “googlear” que aparece tudinho lá.

Carrie’s Pills 2: By the way, depois do 9/11 não se pode culpar as autoridades americanas por temer qualquer um. Podemos culpá-los pela forma como eles reagem ao medo. Mas, eles são assim desde sempre.

Carrie’s Pills 3: Sekou pode não ter feito os vídeos pensando em apologia, mas que aqueles argumentos podem ser usados como justificativa, isso podem.

  • fala muito

    Pobre de mim que preciso de legenda, ansioso demais por esse retorno! :/

    • edujakel

      com legenda ou nao, no meu app do celular aqui diz q Homeland só volta dia 16. Que bruxaria é essa Henrique? rs

      • fala muito

        O Ep “vazou”, se não me engano, na sexta passada.

        • edujakel

          nem sabia, mas ai a gente fica no dilema: assiste agora e fica sem episódio novo até uma semana depois q estrear oficialmente, ou espera pra assistir com todo mundo? rs

        • CoopLc

          O episódio não vazou, a Showtime liberou mais cedo, assim como nos últimos anos.

      • henriquehaddefinir

        I’m a wizard.

  • Beto Martins

    “um Quinn chatíssimo que aproveita a chance de estar vivo para
    entrar naquela velha conhecida espiral dos “personagens que se
    autodestroem para mostrar como seus intérpretes são bons atores”

    Putz concordo em gênero e grau com isso , até pq o ator não deixou uma boa impressão no filme Hitman que ele protagonizou ( na minha opinião ) , alias o filme mesmo é uma …
    Uma pena pq o personagem dele na serie era muito legal , melhor até do que a chata , chorona e bipolar da Carrie

    • edujakel

      pow, eu gostei do Hitman. pelo menos uma boa parte dele é bem fiel aos jogos. depois vira pew pew pew…mas até aí remete a algumas fases q vc nao consegue passar no stealth e tem q sair metendo bala. nao é um primor, mas é uma boa homenagem aos jogos.
      Se vc nao conhece os jogos, nao tem nem pq assistir ao filme tb…rs

      • Beto Martins

        conheço os games joguei todos ( inclusive esse ultimo por capitulo) e adoro eles , por isso mesmo não gostei do ultimo filme , mas acho que peguei pesado ao dizer o filme é uma…., o filme não chega a ser uma … mas tbm não é lá essas coisas , mas o personagem Quinn pelo menos nesse primeiro episódio está ridículo era melhor ter matado o personagem na ultima temporada do que fazer isso

        • edujakel

          mó raiva q esse ultimo lancaram em pedaços e caro pacas. nao joguei ainda nao.

          O filme anterior a esse foi piorzinho ainda.

          • Beto Martins

            verdade , sobre o game esse ano a empresa dele vai lançar a versão completa sem ser por capitulo ai eu vou pegar

          • edujakel

            o pior de tudo é q a protecao é DeNuvo, nao dá nem pra pedir pro Jack Sparrow trazer pra nóis…rs

          • Beto Martins

            Vc que pensa amigo , se sabe desse denuvo deve saber tbm do grupo de cracks CPY que sabe como quebrar esse DRM então temos chances sim do tio Jack trazer pra nós , far cry primal e outros games com denuvo que o digam kkkk

          • edujakel

            é…mas a galera ta com uma preguica. até hj nao quebraram o Just Cause3…Hitman devem enrolar tb.
            Pois a essa altura do campeonato, já era pra ter tudo disponivel.
            Mas eu nao sabia q o FarCry tava disponivel. Vou ter q dar uma pesquisada agora…por questoes cientificas, é claro. rs

          • Beto Martins

            Questões científicas né , sei como é eu também faço várias kkkkk

  • vinland

    Eu sinceramente não gostei desse episódio. A série já está com uma cara bem desgastada. E é visível que ela já deveria ter acabado. Se o próprio criador, já disse que está cada vez mais difícil de criar histórias pra série, não precisamos dizer mais nada.

    • Não viaja! Como assim a série tem dificuldades em criar histórias? Basta parar para avaliar o mundo em que a gente vive pra se dar conta de que história pra Homeland é o que não falta. Terrorismo, xenofobia, política internacional, só pra citar alguns, são assuntos que estão no noticiário todos os dias, e a série tem sido muito feliz em inseri-los em suas temporadas mais recentes. Inclusive, vale lembrar que a série reviveu na 4ª temporada e seguiu forte na 5ª, ao contrário de muitas produções que pioram com o tempo. Não sou a favor de séries muito longas, mas Homeland pode, se quiser, durar muitos anos ainda (e vai!).

      https://68.media.tumblr.com/bb5946b09afe1388722978bb3048cb90/tumblr_nhkp64vyrp1u6pelqo3_400.gif

      • vinland

        Se depender do criador nao. Ele disse que quer acabar na 7 ou 8 temporada. A serie tem sim muito assunto interessante pra abordar, mas nao estao fazendo isso muito bem. A 4 e 5 temporada tiveram momentos bons, mas estao muito longe, do que a serie foi no seu inicio. Mas o grande problema dessa serie, eu nao diria que sao os temas, mas a formula de todo ano encaixar Carrie e seus coadjuvantes em novas aventuras aventura. Ate quando eles podem continuar com isso ? Acho que quando ele diz que esta dificil criar historias pra serie, ele quer dizer sobre como achar historias para os personagens, e nao temas pra temporada.

        • Desculpa, mas você realmente acha que o início foi melhor? Eu até considero a 1ª temporada a melhor de todas, mas a 2ª e 3ª têm problemas sérios. Insistiram no Brody e naquela família chata mais do que deviam, inclusive demoraram 24 episódios pra matá-lo e ainda engravidaram a Carrie sem necessidade. Eu prefiro Homeland do jeito que ela é hoje: uma série atual, sobre a Carrie e seu(s) trabalho(s) e que envolve mais espionagem do que dramas tolos de pré-adolescente filha de terrorista. E, pra finalizar, pra 8ª temporada ainda têm mais 3 anos. Como eu disse: história não falta.

          • vinland

            Quando me refiro ao começo, me refiro as 2 primeiras. E foram sim as melhores da serie. Critica e publico esta ai pra confirmar. A serie vai continuar apenas por ganancia do ShowTime, porque o criador queria encerrar ela na sexta, mas por questao de contrato vai ate a oitava. Acho isso pessimo pra serie, ainda mais vindo de um canal, que tem um curriculo meio duvidoso, na forma que trabalha suas series. E se o criador, e a atriz principal, ja disseram que esta dificil seguir com a serie, nao precisamos dizer mais nada. Eles mesmo ja viram como a serie esta desgastada.

  • Thiago Vinicius

    Nada haver,
    Personagem que mais gosto é o Quinn
    Só to acompanhando a série ainda pra saber o que vai acontecer com ele
    rs

  • bruno

    “espiral dos “personagens que se autodestroem para mostrar como seus intérpretes são bons atores”” até mesmo a protagonista segue essa trope, então não me incomodo tanto.

  • Henrique Celote

    Ansioso por esse retorno! Vamos ver no que vai dar isso…as referências a 24 Horas sempre estão nos episódios, detalhes…

    Essa imagem da Carrie no começo do texto, perfeita kkk

  • Pedro Dalla

    Premiere mais fraca da série até hoje mas a trama dessa temporada tem tudo pra ser umas das mais sombias e interessantes, então vale a pena continuar assistindo.
    O que me incomodou mesmo foi o Quinn, que aparentemente vai ser o embuste da temporada, e vão arrastar essa condição dele até os últimos episódios da temporada, sem dúvida.

  • edujakel

    eu sempre defendi a permanencia do Quinn e gostava da história dele até a ultima temporada. Mas achei totalmente desnecessário “ressuscitar” ele. Ficou bom o final dele, com aquela cena em que tudo fica branco e pronto. Morreu. chega.
    Até acho válido trazer o assunto dos heróis americanos q voltam das guerras com PTSD, recebem cheque e nao se encaixam na sociedade, mas com o Quinn nao. O personagem era muito mais forte que isso.

    Mancada a Hillary ter pedido…rs…a série vinha acertando tantas tramas internacionais antes disso.