Haja Coração: o público está pronto para mudanças na nossa teledramaturgia?

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Existe uma sequência da recém-terminada trama de Haja Coração que para mim exemplifica bem como era sua gênese criativa. Depois de sair da cadeia, o jovem Giovanni saía para procurar emprego, mas a inimiga de sua família, a poderosa Teodora Abdalla, tinha criado uma página na internet difamando-o. Então, para mostrar como isso deixava o personagem tenso, os autores criaram uma cena em que ele ia para uma entrevista de emprego e a atendente do lugar lhe fazia algumas perguntas. Amedrontado, em dado momento ele responde a uma das perguntas assim: “O que? Porque você quer saber? Vai jogar meu nome na internet pra ver se encontra alguma coisa?”. Fiquei paralisado do outro lado da TV, vendo aquilo.

É quase como se o texto precisasse sublinhar todas as reações e pensamentos com negrito e caixa alta. Se Giovanni tivesse dito “vai jogar meu nome da internet pra ver se acha uma página que fizeram contra mim, me difamando?” eu não iria me surpreender, porque a maior problema da estrutura de Haja Coração estava no seu compromisso de ser fácil, mastigada, desenhada para afastar qualquer complexidade. Nada poderia ou deveria ser construído com a própria cognição do espectador, porque o texto não dava ao silêncio, ao olhar, ao gesto, nenhuma chance de transmitir intenções emocionais. Tudo era verbalizado do jeito mais didático possível.

A novela nasceu do que seria um remake de Sassaricando, trama de Sílvio de Abreu entre 1987 e 1988. Esse parentesco faz toda diferença aqui, sobretudo porque Sílvio é hoje em dia o diretor de dramaturgia da emissora e qualquer novela que vá ao ar passa antes por seu crivo. Colocando em perspectiva essa posição, todos os produtos novelísticos do canal acabam sofrendo influência direta dela. Sílvio era um autor de tramas supereloquentes, com grandes empresas, disputas de presidência, vilãs “disneylescas”, armações que separam casais e comédia macarrônica. A fórmula passou por alguns upgrades visuais através dos anos, mas sempre foi basicamente a mesma. Se olharmos para o que está sendo A Lei do Amor, por exemplo, é como se Sílvio estivesse pairando sobre tudo que ele mesmo aprova. 

Haja Coração mudou de nome provavelmente porque ficou com bem pouco do que havia na sua progenitora. Tancinha virou a protagonista (enquanto era mera coadjuvante no original) e a questionada decisão de escalar Mariana Ximenes para vivê-la também representava a mudança de perspectiva: loira, olhos claros, magra, traços muito distantes do que era Claudia Raia na versão de 87. A Tancinha de agora era tão dissonante que até mesmo o resto da família seguia outro tipo físico. Haja Coração não se preocupava com profundidade textual e muito menos com a ordem de diversificação do mercado: do elenco todo, a Nair, vivida por Ana Carbatti era a única negra (só pra citar um exemplo). 

Enquanto tramas como a de A Regra do Jogo equilibravam a obrigação de núcleos cômicos de mau gosto com uma boa trama central, Haja Coração tinha em seu autor, Daniel Ortiz, uma espécie de reprodutor mecânico do estilo de seu patrão, Sílvio de Abreu. A mão de Sílvio era tão pesada, que até mesmo pegar uma das irmãs de Tancinha e transformá-la na Shirlei de Torre de Babel, ele pegou. Não havia a menor necessidade de repetir a personagem em outro contexto, sobretudo porque ela foi um grande sucesso quando surgiu. Mas, a ordem era repetir os bons números do horário das sete e para isso valia todo o sortilégio de recursos. 

Acabou dando certo… Haja Coração chegou a dar mais audiência que as novelas do horário das 21. A “ressuscitação” de truques narrativos que já deveriam ter sido abandonados lá nos anos 90 foi tão acachapante que até mesmo ficar ouvindo o pensamento dos personagens segundo eles mesmos, nós ouvimos. Ou seja, nenhuma cena de reflexão poderia ser só de reflexão, ela tinha que ser verbalizada: “O que será que ela está aprontando?”, “Ele me paga”, “Então quer dizer que ela já sabia de tudo”… Um exercício constante de sublinhar tudo o tempo todo, como se o já simplório texto já não fosse didático o suficiente. 

Se há uma coisa de boa, sem dúvida, foram algumas escolhas de elenco. Grace Gianoukas foi uma escolha inusitada e acertadíssima para viver Teodora Abdalla e João Baldasserini fez um Beto tão adorável que deixou o autor numa situação difícil. Algumas escolhas não foram tão espertas, como a de Marisa Orth para viver Francesca (a elegância da atriz não dava credibilidade ao tipo feirante, o que fez com que a primeira opção – Christiane Torloni – tenha escapado de ser ainda mais equivocada). Mariana Ximenes aceitou a bomba de encarnar Tancinha e eu mesmo chamei essa  escalação de “uma das mais erradas da história da TV brasileira”. Porém, Mariana fez um trabalho tão emocional e sincero, que a personagem já estava me comovendo lá pelo meio da história. O mesmo para o injustiçado trabalho de Tatá Werneck, que criou um tipo, uma cadência vocal, um olhar, totalmente diferentes para sua Fedora e os defendeu com segurança e equilíbrio por toda a novela. Virou um clichê daqueles reproduzidos em rede dizer que Tatá é péssima atriz, mas Fedora tinha uma construção inclusive dramática e nos capítulos em que precisou prová-la, fez um admirável trabalho. 

Haja Coração
Haja Coração

O trio de amigas que queriam um marido rico também teve boas escalações, mas o destaque ficou definitivamente com Ellen Roche. A trama da ex-bbb atrás de mais fama é atual e rendeu ótimos momentos (como quando Ana Paula fez participações como sua rival). Infelizmente, Leonora foi uma das vítimas da pressa com que funcionou a última semana da novela, que “resolveu” conflitos guardados há meses com cenas de menos de 30 segundos. Era como se o autor tivesse descoberto que a novela ia acabar dali a três dias e tivesse tido que fechar dezenas de ciclos em menos de três capítulos. Interações esperadas e merecidas como a do perdão entre Enéas e Giovanni, o encontro da irmã de Felipe com os novos meios-irmãos, o de Carmela com o pai, a rotina de Beto com os filhos adotados, os reflexos das mentiras de Adonis, a descoberta das maldades de Bruna… Tudo foi ignorado ou desperdiçado em diálogos de quatro falas. 

Contudo, a decisão de fazer com que Tancinha e Apolo ficassem juntos tinha raízes morais sólidas. Beto interrompeu a trajetória dos dois usando de mentiras e fazia sentido para o autor que Tancinha e Apolo pudessem ter a chance de reverter o quadro e recuperarem o fluxo da própria história sem interrupções. Porém, Beto tinha 20 quilos a mais de carisma e o resultado acabou sendo difícil de engolir, sobretudo num último capítulo recheado de finais rocambolescos que pareciam saídos da cabeça de um adolescente que escrevia novelinhas duas décadas atrás, ainda em máquinas de escrever. Sequestro, vilã doida colocando fogo, atriz convidada aparecendo com o mesmo tipo de outro personagem só pra ser um consolo para aquele que não ganhou a mocinha… Receita típica de um novelão dos anos 80, o que não significa que seja bom só porque dizemos que é um “novelão dos anos 80”. 

Vale Tudo é o tipo de novela dos anos 80 que pode passar hoje no horário das 21 e ainda vai ser crível, pulsante. Não é só uma questão de tempo, mas de qualidade textual, de apuro. Haja Coração teve muita audiência, mas nas redes sociais, era tida como uma piada super produzida. Apelar para um didatismo que novelas mexicanas sustentam até hoje pode ser uma saída fácil para sustentar a hipnose em frente a TV, mas não fazem nada de bom pela teledramaturgia do nosso país. As séries mudaram quando resolveram ser arte, além de uma planilha de números. As novelas também podem fazer a mesma síntese e temos ótimos exemplos disso. Olhar para trás com reverência é uma questão de respeito, mas bombear fórmulas ultrapassadas não é homenagem, é oportunismo. 

> As séries favoritas do Fábio Porchat!

Haja Meu Coração: Tenho uma admiração brutal por Tatá Werneck (que não afetou meu julgamento sobre Fedora, juro) e já nos falamos pelo twitter, conhecemos pessoas em comum, ela até já mandou um vídeo para mim quanto tive dengue. Meu pedido para o Papai Noel esse ano é: conseguir conhecê-la pessoalmente e dar um abraço nessa linda. 

Haja Meu Coração 2: Conheci a Mariana Ximenes num evento de Supermax e pude dizer a ela o quanto estava vencido pela Tancinha que ela construiu. Ela me olhou com um carinho tão grande que agora sou fã até o fim do mundo. 

Haja Meu Coração 3: Para mim, as narrativas mais coesas da novela foram a de Fedora, Tancinha e Camila. Mas, acho que a ausência de uma cena entre Fedora e Estelinha Salgado é simplesmente imperdoável. 

Haja Meu Coração 4: Que abertura preguiçosa e chata. Tá na hora de começar a pensar em aberturas que se relacionem com a trama, com a essência. A Regra do Jogo deu banho nesse quesito. O mesmo para títulos… Que sono desses títulos que são ditados, expressões, frases feitas… Ainda estou tendo pesadelos com A Lei do Amor.

  • Flavio Batista

    Henrique, vc faz uma review de novela ficar da hora. Vc é foda mano

  • Kico Moraes

    Nem acompanho mais novela mas um texto seu tão bom merece aplausos!

  • Maria do bairro

    Eu não acreditei quando vi a review de haja coração no site! Kkkkk Realmente concordo com tudo que vc disse. Mas temos que levar em consideração o horário que ela foi exibida! O horário das 18h, e das 19h são de novelas mais leves, sem compromisso nenhum com a realidade, comédias as vezes até sem graça. Se colocarem outro tipo de novela, fracassa. Olha o exemplo de Além do Horizonte foi um flop. O horário das 21h, e das 23h são os horários que dá para “inovar” mais. Apesar que as últimas novelas que tentaram inovar as 21h foram fracassos. A novela foi infantil, as vezes sem graça, e teve situações forçadas. Mas estava no contexto do horário! Por isso fez sucesso.

    • João

      Eu acho q mesmo que não seja no horário de 21 ou 23 e que o objetivo seja produzir uma novela mais leve é possível fazer coisa de qualidade! Além do Tempo é prova disso. Não sou muito de assistir novela, mas essa foi de uma qualidade que há muito tempo não via!

      • Nara

        Boa lembrança! “Além do Tempo” foi uma novela excelente.

      • Marcos Bastos

        Ah eu amei Além do Tempo! Ainda lembro das lágrimas no capítulo da mudança de fase! Eu, chorar com novela? Nunca imaginei que iria haha

        • João

          Essa cena foi sensacional!

  • Maria do bairro

    Realmente o nome das novelas atuais estão um horror! Essa nova safra da Globo não me chamou atenção nenhuma. Tentei assistir A lei do Amor, mas aquele novela parece uma colcha de retalhos. Tudo que já vimos na nossa dramaturgia. Com uma previsibilidade irritante. Sdds do trio Eta Mundo Bom, Totalmente Demais e Velho Chico. Todas clichês, mas mesmo assim conseguiam passar alguma originalidade. Das atuais da Globo só assisto Cheias de Charme.

  • Maria do bairro

    É como sempre digo! O público de novelas não é o mesmo que assistem séries. A minoria assiste série e novela. Eles gostam de histórias mastigadas, rejeitam inovações no gênero, querem sair um pouco da realidade. Nada mais justo, depois de um dia cansativo de trabalho, o que o público menos quer é pensar. Não to querendo dizer que são burros gente, pfv. Só que eles não querem algo muito complexo para assistir.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Haja coração ganhando review no site #morto kkkkkkk
    Novelas sempre vão ter seu público e sempre serão essa coisa mastigada e simples. Uma vez ou outra eles se arriscam mas na maioria das vezes elas fracassam. Se não mudaram até hoje acho que não muda mais…

    #betancinha rules!

  • Purple~Piwls

    Melhor resenha sobre final de novela que li. Concordo com tudo. Até sobre a escalação de atores/atrizes. Roteiro simples. Anyway, parabéns pelo ótimo texto, Henrique.

    Olha não segui essa novela com afinco, mas sempre que tava em casae via minha mãe assistindo, ficava alguns minutos assistindo com ela. E ontem soube que seria final – e fiquei até um pouco “what?” , geralmente é na sexta, né.

    Bom não gostei do final. Achei muito apressado, teve tramas irreais/incompletas. Sem falar no já esperado número de mulheres ficando grávidas no final de novela.

    Não gostei do personagem Apolo desde o princípio, não tem selo Shonda, não aprovo :), ainda assim, confesso que foi um pastelão fazer aquele suspense todo, fazer o povo acreditar que ela iria ficar com o Beto, ele se declarar, e ela falar “você entendeu errado”, assim como ele, até eu acreditei ali que ela tinha escolhido ele. Bem tosco aquela cena. Mas optaram em repetir o esquema da novela anterior, minha mãe e tia que estavam assistindo na sala ficaram chateadas porque torciam pelo Beto, logo não foi só eu que assistia vez ou outra.

    Poderia ser melhor, vou dizer o que falei pra minha mãe. Mariana Ximenes é atriz de Drama, não consegue fluir muito bem com comédia, e acabou ficando um pouco forçado esses carisma cômico dela. Mas gostei da aatuação dela.

  • Paula Barbosa

    Não sei se o publico estava preparado pra uma mudança completa, mas pelo menos pra uma mudança no final clichê eu acredito que estava sim, já o autor não. Foi mais um final em que tentam vender a ideia de que é normal o cara ser agressivo, machista e ciumento, como se isso fosse amor, como se sofrer como a Tancinha sofria no relacionamento dela com o Apolo fosse certo e normal. Acho que o publico já tá bem cansado disso.

  • Juliana Leão

    Muito amor pelo Beto!
    Mesmo com o clichê do cara que faz a coisa errada para conquistar a mocinha e depois paga por isso.
    João Baldasserini é um super ator e merece mais destaque em uma próxima novela.

  • Luana

    Amo quando o site faz reviews de novelas, poderiam sempre fazer, tipo o último capítulo das novelas. Não vi essa novela, achei clichê demais, muito forçada. Até história da Cinderela teve no meio da trama, com Shirlipe!

  • Li Rocha

    Também não sou de acompanhar novelas, mas tanto o final dessa como da anterior me deixaram frustrada por usarem a velha fórmula do “a mocinha fica com seu amor verdadeiro”. Ainda espero assistir uma novela onde a mocinha amadureça o suficiente pra terminar nem com um, nem com outro. Afinal ela não TEM QUE ficar com ninguém pra ter um final feliz, não é mesmo?

    • Nara

      Acabei de comentar isso agora com um amigo! Em Totalmente Demais, principalmente, acredito que esse poderia ter sido um final, digamos, inédito, super interessante e condizente com a trama! Ainda na espera por uma “ousadia” dessas – que não deveria ser considerada como tal.

    • Fernando d.S.

      Nas novelas eles nunca vão fazer um final onde a mocinha percebe que não precisa de alguém pra ser feliz. Novela é acima de tudo uma história romântica e torna-se inevitável o velho final clichê onde a mocinha fica com o amor verdadeiro.
      Um final mais realista o publico só vai ver em minisséries.

  • Não assisto novelas faz uns bons anos já, mas minha mãe chegava todos os dias correndo do serviço pra assistir essa e por consequência eu ouvia um diálogo ou outro e o fato de eu nunca ter precisado olhar diretamente pra tela pra entender o que estava acontecendo é o maior mal de quase todas as produções brasileiras sofrem, entregam tudo explicadinho demais e ofendem a capacidade do público de interpretar uma simples troca de olhar ou expressão.
    Tenho preguiça de ver novela, e Haja Coração é só mais uma que começou e acabou e nem ficou registrada na minha vida.

  • Fernando d.S.

    eu me lembro que em Sassaricando a Tancinha a princípio era uma coadjuvante mas a personagem fez tanto sucesso que ganhou um espaço bem maior na trama

    • Jord Son

      A trama de Tancinha mostrou-se limitada, resumida à indecisão amorosa entre Apolo e Beto. Para piorar, o caminhoneiro mostrou-se, logo de cara, um sujeito insuportável, marrento e machista, cuja inexpressividade de seu intérprete, Malvino Salvador, só piorou a situação. Enquanto isso, João Baldasserine, com todo seu talento e carisma, fez Beto cair nas graças do público com seu humor involuntário, em face de suas atitudes inicialmente inconsequentes e do sentimento que alimentou ao se apaixonar de verdade. Ainda assim, o grupo de discussão da novela revelou algo surpreendentemente inacreditável: Apolo era o personagem mais querido da novela. Desde então, o autor fez de tudo para forçar sua aceitação, proporcionando um excessivo destaque e prejudicando o enredo de Tancinha. A armação de Beto, que culminou na separação da feirante com o caminhoneiro, foi um golpe baixíssimo para favorecer Apolo!

  • Nara

    Essa questão da reciclagem de fórmulas antigas de sucesso pode ser facilmente sintetizada pela história da tal Shirley e do tal Felipe. Eu escutava tanto as pessoas falarem desse casal que decidi tirar um tempo para ver algumas cenas dos dois no gshow. E que decepção! Eu adoro filmes/séries/novelas água com açúcar, leves e sem muita pretensão. Mas a história desses dois foi difícil de engolir de tão inverossímil e, por vezes, infantil. E, considerando a audiência dessa novela, podemos esperar esse tom de trama cada vez mais na teledramaturgia brasileira, infelizmente!

  • Joana Afonso

    Concordo com tudo mas achei Haja Coração o cúmulo de novela mexicana. A história era engraçada e havia alguns personagens bem interessantes com bons desempenhos dos seus atores mas não havia desenvolvimento nenhum.

    Já acho que podia haver uma Tag Novelas ou pelo menos Brasil para poder ler tudo sobre o que de melhor (ou não …) se faz

    • Jord Son

      Deve-se lamentar também o pífio desenvolvimento de Tamara (Cleo Pires), que sofria com transtornos de personalidade. A personagem demorou vários capítulos para aparecer, sendo praticamente uma figurante de luxo. Pouco depois, se envolveu com Apolo, em um relacionamento atraente e repleto de química, tornando o piloto mais tragável. Porém, tudo se esvaiu quando Tamara, que era segura de si, foi transformada em uma mulher obsessiva, no momento em que Apolo se reaproximou de Tancinha para adotar os irmãos Carol, Nicolas e Bia (outra trama mal conduzida que demorou longos meses para acontecer e, enfim, mexer com a trama). A fraca condução do autor prejudicou um dos tipos mais promissores da novela.

  • Illyana Nikolievna

    Novela intragável. Marina Ximenes numa atuação vergonhosa e caricata, vergonha alhei hardcore. Apenas duas ilhotas de excelência se salvaram: Grace Gianoukas e Cristina Pereira.

    • Jord Son

      para a decepção de todos, ela ficou com Apolo. Mas houve um motivo para isso. De acordo com a colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, houve uma reunião a portas fechadas com a alta cúpula da Globo para definir esse final, e alguns fatores pesaram para a decisão de deixar Tancinha com o primeiro amor da sua vida, em vez de Beto. Segundo a publicação, o cenário político do país foi um deles. Todos acharam que não pegaria bem a protagonista ficar com Beto, que fez várias armações e cometeu um crime ao longo da novela. Isso poderia ser interpretado pelo público como uma espécie de “premiação” para as suas maldades.

  • Matheus Brito

    Adoro quando o site decide fazer reviews de novelas. Eu, como noveleiro de carteirinha, curto bastante ler as opiniões apuradas daqui sobre as obras brasileiras.

    Confesso que gostei de Haja Coração. Leve, descompromissada, não foi nenhuma maravilha, mas foi boa. Infelizmente, tudo que foi citado no texto, além de verdadeiro, é também imutável. Didatismo, pensamentos falados e todo o mais são corriqueiros e creio que eternos em novelas. Por as obras durarem mais que 6 meses, levadas ao ar todos os dias exceto domingos, há uma necessidade constante de reiteração de fatos, pro telespectador não esquecer. São recursos batidos, mas essenciais. Todo o resto que fazem das novelas verdadeiros clichês são quase obrigatórios também, a não ser que se queira um fracasso em mãos. Vide Além do Horizonte, novela do horário das 7, foi “veredar” por um caminho diferente da comédia típica do horário, apostando num suspense, e caiu no fracasso. Tal experiência levou a emissora, depois da bomba que foi também Geração Brasil, a engatar novelas com todos os elementos que consagraram a teledramaturgia brasileira. Alto Astral, I Love Paraisópolis, Totalmente Demais e agora Haja Coração contaram com vários ingredientes em comum, o que sempre deixa aquela sensação de “repetitividade” que não sai de forma alguma.

    Pouquíssimas são as obras que saíram do lugar comum e foram relativamente bem. Gosto de citar Sete Vidas e Sangue Bom, duas novelas que julgo excelentes, cada uma à sua maneira. Outras duas excelentes e com estruturas diferenciadas são O Rebu e Além do Tempo. Mas até elas caíram em vários clichês recorrentes e que são marcas registradas das novelas. Caso queiramos ver alguma mudança de verdade, ela reside apenas nas séries e minisséries da emissora – Amores Roubados, Felizes Para Sempre?, Justiça e agora Supermax são exemplos. Mas ainda são a minoria, e assim será por um longo tempo.

    O que me resta? Me contentar com Rock Story e ver se há pelo menos um elemento inédito que me faça apegar e acompanhar a novela por 150 capítulos haha

    • Jord Son

      a qualidade da novela, infelizmente, não acompanhou a audiência, pois a trama promissora logo deu lugar a uma grande barriga, que prejudicou o desenvolvimento da história, repleta de altos e baixos.

  • AnaSchaeffer

    Ótima review!

    • Jord Son

      A história de Giovanni, Camila e Bruna chegou a ter bons momentos, mas também sofreu com a condução equivocada do autor, onde o excesso de bondade da Camila pós-acidente a transformou numa completa idiota. Isso sem falar na facilidade com que ela perdia e recuperava a memória e na cegueira de Giovanni em cima dos surtos de Bruna. Duas situações pra lá de inverossímeis, convenientes apenas para a enrolação do enredo. Apesar dos pesares, destaque para a atuação de Fernanda Vasconcellos, que driblou o fraco desenvolvimento do roteiro e chamou atenção pela versatilidade, vivendo uma vilã psicopata após várias mocinhas seguidas…

  • Bruno

    Ellen Roche foi ex-bbb na novela? Porque se me recordo corretamente ela fez um tipo choroso na Casa dos Artistas

    Em tempo, review de produção da globo é pra avacalhar de vez o SM.

  • Jord Son

    para a decepção de todos, ela ficou com Apolo.Mas houve um motivo para isso. De acordo com a colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo, houve uma reunião a portas fechadas com a alta cúpula da Globo para definir esse final, e alguns fatores pesaram para a decisão de deixar Tancinha com o primeiro amor da sua vida, em vez de Beto. Segundo a publicação, o cenário político do país foi um deles. Todos acharam que não pegaria bem a protagonista ficar com Beto, que fez várias armações e cometeu um crime ao longo da novela. Isso poderia ser interpretado pelo público como uma espécie de “premiação” para as suas maldades.

  • Jord Son

    A história mais bem-conduzida da trama foi a do casal Shirlei e Felipe. Sabrina Petraglia e Marcos Pitombo esbanjaram química, gerando uma enorme torcida e se tornando o maior destaque da novela, apesar de, em alguns momentos, a ingenuidade excessiva de Shirlei e o tom romântico de conto de fadas ter esbarrado no piegas, com direito a duas vilãs perversas: Jéssica e Carmela (Karen Junqueira e Chandelly Braz ótimas). Marisa Orth e Paulo Tiefenthaler também formaram um casal adorável como Francesca e Rodrigo, principalmente em relação às “maluquices” dele (que sofria de TOC). Marisa, aliás, se saiu muitíssimo bem no drama.

  • Walber Lima

    Pelo que você falou nem parecia novela brasileira, e sim mexicana, tudo isso que você citou até hoje são usadas em novelas mexicanas, e são artifícios narrativos justamente para o telespectador não precisar pensar muito, tá tudo mastigado e explícito, e para quem pegar um capítulo do nada sem conhecer a novela entender tudo e querer acompanhar. Sua introdução mesmo é um claro exemplo disso.

    Eu particularmente gosto do Silvio De Abreu, por causa de Belissima e as Filhas da Mãe que eu vi, mas acho que ele não tá fazendo um bom trabalho como coordenador principalmente das novelas das 9, se vc olhar uns 4 anos atrás a audiência de hoje era impensável, tudo bem que a audiência mudou muito, publico tem netflix etc e agora tem concorrência no horário na tv aberta

    Por fim, concordo com as aberturas e principalmente com os nomes das novelas, odeio nome composto de novela e que tenha amor, vida, coração e similares me irrita mais ainDA