Guilt 1×04/05: Blood Ties/The Eyes of the Needle

0
76

“Ninguém nunca vai saber, exceto eu e você”

Guilt começa a mostrar qual sua verdadeira face. Ele deixou de ser um seriado de investigação/suspense, para virar uma novela que tem esses elementos. Só que está ficando algo no nível de novela mexicana.

Nestes dois episódios, o seriado deixou um pouco a investigação de lado e focou no lado humano dos personagens, principalmente em “Blood Ties”. Mas neste momento eles acabaram tentando criar romances na velocidade da luz, e situações que realmente beiravam ao ridículo. Mas vamos destrinchar cada um dos episódios e vamos analisar calmamente.

Em “Blood Ties”, tivemos uma demonstração maior do que Gwen é capaz para conseguir seus objetivos e o quão a promotora é guiada pelos sentimentos, o que atrapalha, e muito, seu julgamento sobre o caso. Se nas reviews anteriores eu reclamei que a personagem poderia se tornar irritante por conta de suas ações, simplesmente neste episódio ela conseguiu seu atestado de insanidade. As atitudes dela já beiram ao extremo desespero, e é completamente destoante ao contexto no qual se insere. Será que ninguém é capaz de informar para o nível superior o quão essa mulher é desequilibrada? Nem a história do seu passado a torna mais “aceitável”. É uma personagem que pode dar muita dor de cabeça para a família de Grace, mas que no fundo é só alguém que está desesperado para encerrar o caso e culpar a todo custo Grace.

Tivemos o início das investigações de Patrick, onde ele começa a descobrir as verdades sobre a sua irmã. Cada nova aparição do personagem só me faz acreditar que o amor que ele sente pela irmã ou é patológico ou incestuoso. A relação dos dois não é algo normal, no meu ponto de vista.

Na outra parte temos Bruno tentando fugir das chantagens do Príncipe, que agora quer acusar alguém para encerrar o caso. Mas neste ponto mais aparenta que ele é quer esconder suas aventuras sexuais, do que de fato ter matado Molly.

Agora vamos aos absurdos deste episódio, a começar com Natalie dando uma surra em um policial disfarçado e sendo presa por assalto. Vamos recapitular: A irmã dela é vigiada por alguém com uma câmera, começa a fazer um escândalo, chamar atenção de todo jeito, tenta preservar a imagem da irmã e é acusada de assalto? Sério? Sinceramente não faz o menor sentido isso.

Outra questão o diálogo entre Roz e Patrick no clube noturno. Roz faz uma total cara de espanto quando vê o colar de Molly com Patrick, mas ele simplesmente ignora a reação dela e diz “Isso é da Molly”. Simplesmente não da para acreditar naquela cena. Ficou extremamente amador, como se o roteiro tivesse sido escrito no piloto automático e tivesse dito qualquer coisa para a cena.

E por falar em roteiro, o que dizer da desculpa do piercing para a acusação feita por Gwen? Foi a desculpa mais esfarrapada do universo. Simplesmente forçaram a barra neste momento, até porque, acredito que os roteiristas não devem conhecer uma palavra chamada “assepsia”. Mas que liga, não é? Vamos fazer um procedimento sem luvas e sem nada.

A relação super acelerada de Natalie e Bruno é algo que chama atenção, a pessoa se apaixona vendo outra apenas três vezes, sendo que duas delas era em situações de crise. Mas tudo bem, o amor pode aparecer em todos os lugares e a todos momentos. Por mais que já existisse um clima, ficou tudo um pouco acelerado demais, pois Bruno já se declarar, dizendo que já sente algo por Natalie é um pouco rápido demais.

Já em “The eye of the needle”, conhecemos a pessoa que perseguia Molly e que acabou “roubando” algumas coisas dela. O vizinho com alguma desordem mental era o responsável por isso, mas acredito que ele não foi colocado na história por mero acaso. Em um momento de sua fala, ele relata que deveria ter protegido Molly, assim como protegeu Grace, de forma que deu atender que ele sabe de algo sobre a noite do crime. Como ele vivia vigiando as garotas, tudo me levou a crer que ele pode saber quem é o real assassino, ou pelo menos ter tirado alguma foto do momento que aconteceu o crime.

Uma das partes mais interessantes foi conhecer um pouco mais do “Courtenay”, de como é seu funcionamento em sua totalidade. Mas uma coisa que me deixou intrigado, não seria mais interessante segurar algumas questões um pouco mais, como no caso de quem seria o “Cavalheiro 33”?

É justamente por jogar tudo na cara do espectador que Guilt acaba pecando, pois para um seriado que tem uma pegada mais de suspense, simplesmente ela se sabota, já que não existe um mistério que prenda atenção. Eles estão simplesmente se segurando no “Quem matou Molly”, e sendo bem sincero, já está de um jeito que nem ligo mais para quem matou ela.

O roteiro é algo bobo, a história tem uma condução um tanto quanto torta, não existe algo que realmente seja atrativo. A série é uma junção de vários clichês, mas parece que eles simplesmente pegaram só as coisas ruins.

Uma coisa que me chamou atenção foi que Guilt tentou seguir um pouco a fórmula de “How to Get Away With Murder”, no qual conta a história, se desenrola o episódio, mas que no término vem com um final surpreendente. A diferença é que Guilt não sabe usar isso como atrativo. Simplesmente fica algo “ok”, sem nenhum impacto. Na realidade toda a história, até o presente momento, não teve nada que impactasse.

Colocar a Grace com um grande segredo sobre a noite do crime não é algo que se torna atrativo, se no final você sabe que vai vir algo patético. Eu espero que a história dê uma melhorada, porque se continuar do jeito que está, eu sinceramente não vejo ela tendo uma segunda temporada.

PS1: Essa semana não teremos o “Quem matou Molly”, porque eu não ligo mais para quem a matou.

PS2: A única coisa que está prestando no seriado é a trilha sonora.

PS3: Só sou eu que me incomodo com essa miscelânea de sotaques? Cada personagem tem um, e isso é muito irritante.