Grey’s Anatomy 13×08: The Room Where It Happens

9
3830

A sala onde tudo acontece em The Room Where It Happens.

Meredith, Richard, Owen e Stephanie. Quatro cirurgiões muito diferentes, em fases igualmente variadas na profissão, cada qual com sua especialidade, mas todos com uma coisa em comum: as motivações pessoais que os levaram à medicina. Com um episódio que foge do clichê e se dedica a contar um pouco mais dessas histórias, Grey’s Anatomy faz uma semana fantástica, num episódio emotivo, sensível, cheio de dor e beleza, no qual vemos esses personagens mais de perto e, sem dúvidas, passamos a admirá-los um pouco mais.

A sala de cirurgia é o perfeito cenário, escolhido para que entremos no íntimo de um por um, a começar por Richard, que é, junto de Meredith, alguém que conhecemos desde o primeiro episódio, mas alguém que nem sempre teve sua vida pessoal muito explorada. Claro, sabemos de Richard e seus amores. Sua conturbada relação com a mãe de Meredith, depois com a esposa e agora com Catherine. Mas nunca soubemos muito de sua infância. Posso estar perdendo a memória, mas não lembro de termos visto algo sobre o assunto em 13 anos da série.

Quando um paciente sem identificação aparece e o cansaço físico e mental estão presentes num momento crucial para os médicos, eis que Richard propõe um jogo, o de dar nome, vida e personalidade ao desconhecido. No início parece que o exercício vai tirar a atenção de todos e, entre discussões e opiniões dissonantes, vemos tudo tomar forma. Para Richard, o paciente é Gail e personifica sua mãe. O sentimento de impotência em salvá-la o acompanhou por anos e foi ela e sua lembrança que o fizeram perceber que na medicina, apesar da mecânica da coisa, é preciso também o envolvimento pessoal.

Não é isso que sempre falamos, como pacientes? Que muitas vezes nos sentimos como bonecos sem importância para alguns médicos? E não são os que que realmente se preocupam em nos conhecer e perceber a fundo os problemas de saúde que preferimos? É claro que queremos que os profissionais aos quais entregamos nossas vidas façam tudo para nos salvar em casos extremos. Queremos, como Stephanie afirma num momento de tensão, que as decisões arriscadas sejam tomadas se elas servirem para nossa sobrevivência. Não queremos alguém que desista no processo. E foi esse desafio que esteve na sala de cirurgia o tempo todo.

GREY'S ANATOMY - The Room Where It Happens - A difficult surgery brings back pivotal memories for Meredith, Richard, Owen and Stephanie, as they work together to save a life, on "Grey's Anatomy," THURSDAY, NOVEMBER 10 (8:00-9:00 p.m. EDT), on the ABC Television Network. (ABC/Michael Desmond) BRODY GOODSTADT, ELLEN POMPEO, ANIELA GUMBS
Grey’s Anatomy — The Room Where It Happens

Stephanie, já que acabei de citá-la, é uma personagem com imenso potencial que desabrocha a cada episódio. Sua história com a medicina começa na infância, quando ela mesma era uma paciente e, portanto, sabe se colocar nessa situação como ninguém. Owen sai bastante de seus problemas com Amelia e enfrenta a gigantesca culpa que sente em relação à irmã, que finalmente ganha forma e voz. É dela e desse sentimento de frustração por não saber se ela está viva ou morta, por não a ter por perto, que vem sua persistência.

E Meredith, que conhecemos bem em tantos aspectos, surge como uma lembrança difícil de digerir, que foi o momento em que precisou dizer aos filhos que o pai deles havia morrido e nada mais poderia ser feito. Essa última cena trouxe lágrimas teimosas e inevitáveis para mim. Imagino que tenha sido assim para muitos de vocês.

> As séries favoritas do Fábio Porchat!

Mas o fato é que o episódio inteiro nos trouxe esse sentimento de tristeza e, ao mesmo tempo, de realização, pois cada cena esteve ali para nos mostrar algo lindo, algo maior, que resultou na vida de Carl sendo salva não só por excelentes médicos, mas pelas memórias e pela jornada pessoal de cada um. Não é toda semana que temos uma hora televisiva tão significativa e feita para guardar dentro do coração.

  • Tiago Vaz

    O melhor e mais emocionante episódio de toda a temporada. Foi incrível perceber a evolução de cada personagem depois de tantas temporadas e as aflições que os fazem melhores cirurgiões. Se colocassem o Karev no lugar do Owen, já consideraria o novo Quarteto Fantástico de Greys. Ótima review Camis!

    • Tiago

      A cena de Derek e das crianças foi bem intensa 😢

  • Pati Melo

    Que episódio maravilhoso, pensar que se pode sim fazer um episódio de Greys com apenas 4 personagens do elenco fixo, sem nenhuma grande tragédia e ainda sim ser um dos melhores episódios da série. The Room Where It Happens entra para meu top 20 de episódios de greys junto com The Sound of Silence (12×09) como os 2 melhores dos últimos 5 anos.

  • Ga

    Episódio sensacional , o melhor em muito tempo. Incrível como depois de 13 temporadas, tantas perdas inesquecíveis Greys ainda consegue nos presentear com um episódio desses. Que saudade do Derek

  • Bruno

    Episodio mais chato da estoria de GA. Empatou com o do julgamento da guarda da filha de Calzona.

  • Marcelo

    Achei muito chato tbem, esse episodio teve a menor nota no imdb dessa temporada.

  • Diego Rocha

    Kid Stephanie ganhou meu coração <3

  • Mariana

    Nossa, muito chato. Só valeu pelo Derek aparecendo no fim, e para me dar ainda mais certeza de que foi uma pena ele ter saído do seriado. Faz muita falta. De resto, odeio essa linguagem de teatro, acho que raramente funciona.

  • João Carlos

    A transformação que se teve ao longo do episodio foi lindo de se ver.