Gilmore Girls: A Year in the Life: Summer

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Com Summer, chegou a hora de falar sobre um grande problema entre as Gilmore Girls: controle.

Chegou o verão e o terceiro e penúltimo episódio do revival de Gilmore Girls tem bastante raiva e frustração na sua receita. Era de se esperar… De forma sinuosa, Amy Sherman e Daniel Palladino traçaram os caminhos que levam exatamente ao ponto em que chegamos. Winter foi o momento de apresentar os termos dessa história. Spring consolidou a situação das personagens e plantou dentro de cada uma delas a dúvida. Para que tudo se resolva em Fall, precisamos chegar ao apogeu das crises e esse foi o papel de Summer. Portanto, apesar de algumas decisões aleatórias que foram tomadas apenas pelo fan service, a estrutura de A Year in the Life está muito bem clara e o que essas personagens precisam dizer, bem objetivo.

A estação do calor representa o exato ponto em que as vidas das protagonistas estão desconfortáveis e abafadas. Elas aparecem à beira da piscina, bebendo, fazendo piadas e explorando criancinhas como se fossem personagens de Downton Abbey e Game of Thrones, mas a verdade é que a sensação de desnorteamento de Rory e a de inadequação de Lorelai estão latentes e só serão compreendidas pelo público se analisadas dentro de um contexto geral. Não adianta pegar os acontecimentos de agora e colocar sobre eles uma lupa de julgamentos rasteiros. O que se passa com elas e a forma como elas estão lidando com o presente é um resultado direto de como elas viveram anos atrás. Isso é essencial,  Amy sabe disso e está sendo cuidadosa com suas crias.

Lorelai

Primeiro, vamos deixar de lado isso de achar que Emily e Lorelai estão de “mimimi”. Se eu fosse mulher, tivesse engravidado aos 16, fugido de casa e vivido sozinha por anos a fio – num contexto conservador como aquele – estaria ouvindo piadinhas até hoje. Empatia senhores, empatia… Eu sou gay assumido desde a adolescência, minha mãe já conheceu todos os meus namorados, mas toda vez que eu fico solteiro ela me pede pra considerar um casamento hetero. Então, não se surpreendam com mãe e filha jogando as mesmas coisas na cara uma da outra depois de tanto tempo. Famílias são assim.

Uma outra questão muito importante é com relação ao casamento. Emily usa a carta do “você não está casada” não porque o casamento enquanto instituição seja o mais importante. Ela sabe que atinge Lorelai com isso porque o maior defeito da filha é a mania de controlar tudo. Quem assistiu a série sabe que o problema de Lorelai não é o casamento enquanto ritual, lei, mas sim enquanto abertura de espaço. Ela largou Max quase no altar e sempre foi extremamente inflexível na hora de aceitar qualquer parceria afetiva na própria vida. Ela está cagando para o que o casamento representa enquanto pilar de conservadorismo, mas quando a mãe usa essa palavra contra ela, fica claro que o que está sendo dito é “você nunca deixou ou vai deixar ninguém entrar em sua vida, porque você é tão prepotente e controladora quanto eu, só que em outra esfera”. Isso é domínio de criação, senhores. Lorelai está no lugar certo. Esqueçam esse papo furado de “Porquê Lorelai tem que casar? Isso é tão demodé”. A questão não é o casamento, é a flexibilidade.

Isso ficou muito claro logo no começo, quando Luke fala das coisas que precisa fazer por April e Lorelai fala em ajudar. Ele corta na hora, exatamente como ela faria anos atrás se qualquer homem falasse em fazer qualquer coisa por Rory. Ela se atinge, se magoa, mas ele só está seguindo as regras que ELA estabeleceu. Na briga do restaurante isso é verbalizado e Lorelai sabe que no fundo é tudo verdade. Luke só fez o que ela mandou, sempre, pelo simples medo de ficar sem ela. Essa relação dos dois só dá certo, aliás, porque ele precisa de muito pouco para ser feliz e aceita o que vem. Percebam como todo o plot de Michel querendo expandir a pousada é uma metáfora para a essência de Lorelai: Ela nunca dá mais espaço e prefere perder quem pede do que ceder aos limites que estabeleceu. Até a programação gravada da TV é toda controlada por ela. A questão é que dessa vez ela está vendo isso, está percebendo isso. Ela teve sua epifania ouvindo a canção do musical e resolveu limpar tudo, fazer uma reestruturação e essa reestruturação não significa que “Lorelai tem que ceder ao ridículo do casamento”. Significa que ela percebeu que precisa expandir, abrir espaço. Na vida, na pousada… Casar é o código apenas.

Rory

A essa altura vários de vocês já viram o final e estão julgando a situação de modo imediatista da mesma forma que com Lorelai. Eu já devo ter dito para uma centena de pessoas que  NÃO há nenhuma informação além da que é passada nas quatro últimas palavras e que sair por aí simplesmente decidindo que o final é uma porcaria porque “estamos diante de um novo ciclo”, é, no mínimo, preguiçoso. Eu não vou jogar pedras em Rory ou na experiência do revival porque decidi preencher a falta de informações conclusivas do meu jeito. Há muitas possibilidades e nenhuma delas, na minha opinião, é vazia de positivos significados.

Gilmore Girls: A Year in the Life: Summer
Gilmore Girls: A Year in the Life: Summer

A jornada de Rory é da percepção de que ela não é perfeita, de que todos erraram dizendo isso para ela desde sempre. A disfunção da relação com Logan é um grande exemplo disso. Assim como viu  a mãe fazer a vida toda, Rory não é muito bacana com os homens que querem se aproximar, preferindo a virtualidade de uma relação idealizada. O que ela faz com Paul é execrável, mas o que Logan faz com ela também. Karma is a bitch… Ela quer fingir que não liga, mas liga. Ele pode mudar tudo com um gesto, mas é babaca o suficiente para não fazê-lo só porque ela recusou um pedido de casamento precipitado (ele devia agradecê-la por isso e não fazer um tratamento de psicologia reversa ao marcar casamento com outra e mantê-la como amante). O grande problema – e eu já disse – é que Amy valida o comportamento de Logan e de Rory através de um artifício lúdico (que veremos em Fall) que não representa as verdadeiras cores dessa relação. E não, não sou um partidário da teoria Logan é o Chris e Jess é o Luke.

Com exceção disso, a luta de Miss Gilmore para encontrar seu caminho é muito bem acentuada. Ela se sente decadente, nada mais natural que cuidar de um jornal decadente. Até a Gangue dos 30 e poucos anos surgiu como uma sacada ótima do roteiro para confrontar não só a personagem como nós mesmos, com o pavor de nos vermos distantes de onde sonhamos estar. A aparição de Jess é pontual porque ele sempre foi a porção artista da vida de Rory, um homem das palavras, escreveu um livro antes dela… Faz todo sentido que venha dele a pulguinha da inspiração que a faz pensar em contar a própria história. Rory sempre foi uma escritora e escritores sempre se usam como matéria-prima. Nada disso é aleatório.

Gilmore Girls: A Year in the Life: Summer
Gilmore Girls: A Year in the Life: Summer
Stars Hollow

No calendário de eventos da cidade, vimos o musical escrito por Taylor ocupar boa parte do episódio. Não posso culpar aqueles que acharam a coisa toda descontextualizada. Acho que esses argumentos são justos… Funcionou para mim, porque a cidade sempre fez coisas loucas enquanto a série esteve no ar. O tempo de duração está ligado a natureza dos números e ao tempo de tela dado a Sutton Foster (que trabalhou com Amy em Bunheads) e a Christian Borle, lendas da Broadway que cantaram músicas escritas por Amy e Daniel; e musicadas por Jeanine Tesori, uma real ganhadora do Tony Awards. Foi uma liberdade criativa admirável, bem pensada e divertida (com suas letras toscas e coreografias ingênuas).

Se não pela sua execução, o musical ao menos serviu para o lindo momento em que Lorelai se emociona com a letra de uma canção que lhe diz algumas coisas. Lauren estava realmente entregue ao momento e conseguiu me arrancar algumas lágrimas. Repito que acho muito importante que a personagem tenha sido contemplada com essa epifania, porque nunca tinha acontecido antes da forma como aconteceu – e acontecerá – agora. A decisão de fazer a caminhada de Wild (o livro, não o filme) está dentro dessa proposta de reestruturação. Não é algo que ela faria e todos nós sabemos disso. É hora de Lorelai se expurgar de si mesma, é hora do livro que Rory escreverá expurgar as latências negativas daquela história, é hora de Emily buscar a nova ordem da própria vida, simplesmente porque a ordem antiga não se aplica mais.

Summer acabou com as três meninas Gilmore precisando de um tempo sozinhas. Fall será o ato da compreensão e da convergência. A Year in the Life está cumprindo com o que me prometeu: está sendo divertido, comovente e com uma razão de ser. Está transformando e revirando personagens. Está sendo relevante. Voltou de uma caminhada com Reese Whitherspoon e provou que sempre dá para surpreender e melhorar.

> Entrevista com o elenco de 3%!

Lorelai’s Notebook: Um exemplo de como esses roteiros são bons é a maneira como eles são planejados dentro de um sistema de características que nos guiam numa mesma atmosfera. A coisa toda dos outros personagens falando como se Rory tivesse “voltado para casa” é um exemplo disso. Isso contorna todo o episódio.

Lorelai’s Notebook 2: Chocado com como Vanessa Marano retomou April inteirinha. Deu medo até.

Lorelai’s Notebook 3: Lorelai tentando ver séries com Luke: eu com todos os meus namorados.

Lorelai’s Notebook 4: Carole King dando uma palhinha e levando coió, hahaha.

Lorelai’s Notebook 5: Rory citando os White Walkers e querendo ser chamada de Khaleesi: <3.

Lorelai’s Notebook 6: Simplesmente APAIXONADO pela ideia do Secret Bar. E como foi bom para o Michel que Sookie não tenha podido aparecer. Maravilhosa a cena dele com Lorelai.

Lorelai’s Notebook 7: O pianista do musical era o Brad, de Glee, que vivia revoltado com os pedidos de canções vindos do nada, hahah.

Agora vou pedir licença a quem não assistiu ao último episódio ainda e fazer uma pequena observação. Então, terminem aqui se ainda não viram.

Lorelai’s Notebook 8: O destino de Rory após dizer as últimas palavras tem pelo menos mais TRÊS possibilidades além da óbvia: Wookie, Paul e a que eu considero A MINHA PREFERIDA: Paris trabalha numa clínica de fertilização e isso, para mim, definitivamente não é uma coincidência. Rory pode ter dado um puta presente para a mãe (que enriqueceria ainda mais seu livro) ou, simplesmente, encontrado uma forma de ganhar dinheiro. Eu defendo e me sinto confortável com essa ideia. Acho que Amy deixou aberto para que as pessoas preenchessem a lacuna com aquilo que lhes toca por dentro. Para mim Rory não repete ciclos, para mim GG não é sobre quem dorme com quem, para mim essa série é sobre mulheres que tomam decisões. E a decisão que minha Rory tomou foi essa. Por si, pelos que ama, pela vontade. Tô me despedindo feliz. Muito feliz.

Que delícia falar de Gilmore Girls e espero que vocês todos voltem para a última review, que voltará com a voz da Camis Barbieri. FOI LINDO!!

  • Ricardo Diniz

    Eu ainda não decidi o que aconteceu com o destino da minha Rory, Henrique. Mas devo dizer que gostei do que aconteceu com a sua, faz sentido sim dentro deste contexto todo. Suas reviews são sempre ótimas, acompanho todas, e ver o quanto você captou as nuances deste revival é tão maravilhoso quando a série em si. Infelizmente apenas mais uma review e aí fim.

    Obrigado! 😀

  • Laís

    cara, só digo que quem não assistiu ao último episódio e leu essa review deve ter ficado puto -se não gosta de spoiler-(só um foi sinalizado). toda piada com livre, a analogia final.. enfim, acho q sua vontade era de ter ficado com a última review.

    sobre esse episódio, achei bola fora as piadas gordofóbicas, total fora de sentido e muito sem conformidade com as questões levantadas atualmente. me senti desconfortável a todo momento com elas na piscina.

  • Tatars

    Adorei a tua análise do episódio.

    Eu acho que a 7ª temporada terminou de uma forma tão aberta que mts tinham um final diferente na sua cabeça e a continuação trouxe um sentimento de nostalgia, mas também de certeza que a vida das Gilmore Girls não continuou do jeito q a gente previa.

  • Sky

    Esse episódio foi de longe o pior dos quatro. Bem desequilibrado. O musical começou como uma gag bem Stars Hallow, bizarro e divertido, mas passou da conta num ponto que eu pensei que nunca ia acabar. Aliás, parece que não acabou, as vezes eu sinto como se ainda. estivesse. vendo. Valeu só pela última música wake up call pra Lorelai (mesmo que a música em si tenha fugido do contexto do musical, mas deixa pra lá).
    O segundo momento que eu detestei foi o bodyshamming gratuito na beira da piscina. Sério, que errado. Só pode usar roupa de banho quem for lindo e gostoso e que elas aprovem? Sério Palladinos, vão cagar. Se “Paul, o cara esquecido” e gordofobia são o tipo de coisa que essa dupla considera engraçado, não me admira que não tenham emplacado nada desde GG [sim, pode ser exagero meu, mas essas coisas me irritaram de um tanto]

    • Li

      Confesso que depois da segunda música eu coloquei pra ir pra frente porque já estava me cansando e achei as piadas repetitivas…
      Cenas da piscina tb achei bizarras e desnecessárias…

  • Jéssica Daniele Fávaro

    Estou amando as reviews do site, parabéns aos dois!
    Eu gostei muito desse revival, penso que finalmente conseguiram “humanizar” a Rory (acho que eu peguei uma birra com ela desde sua fuga para casa dos avós). Ele vem pra mostrar que as vezes as coisas simplismente não são como imaginávamos nos fazendo questionar todas nossas escolhas, estou passando por isso e esse revival me fez pensar em varias coisas!

    Sobre o wookie, eu lembrei dele após as 4 palavras, mas acho que o tempo entre o acontecimento e o anúncio foi muito grande. Tentando nao dar spoiler “acho que ja seria aparente” hahaha

  • Priscilla Arradi Martins

    estou amandooo as reviews … PARABENS Henrique estão ótimas. Q ue delicinha ver as garotas Gilmore de novo <3

  • Diego Fernando

    Parabéns pela review. Pra mim ficou claro que no revival o grande destaque é Lorelai. Summer foi extremamente importante pro seu personagem ter um gancho de evolução no próximo episódio … Gosto da humanização da Rory, mas nos caminhos escolhidos para o personagem mais erram do que acertam, se por um lado o sentimento é de identificação com a trama profissional, por outro, o lado pessoal dela deixa muito a desejar e revela uma pessoa muito mimada e egocêntrica. Por fim, os plots das piadas gordofóbicas, trabalho infantil, descaso com os nerds/geeks e sobre o namorado Paul foram extremamente negativos, não deveriam ter abordado/defendido nada disso, erraram feio, erraram rude …

  • Samantha Pistor

    Henrique, mesmo achando sua review maravilhosa, eu discordo muito da sua visão desse revival e da genialidade da Amy S. Palladino. Pelo contrário: a impressão que eu tenho é que essa pessoa que escreveu esse enredo, não é a mesma pessoa que iniciou Gilmore Girls.

    Então: SPOILER ALERT, PORQUE ESSE COMENTÁRIO TEM MUITOS.

    GG para mim, sempre foi uma história de como uma mãe solteira pôde vencer as próprias limitações, opressões e pôde criar uma filha ajustada, inteligente, e centrada. Rory tem defeitos, todos temos, mas no geral, ela tinha objetivos e metas tangíveis e coerentes. Nesse revival, parece sim que há um circulo vicioso, mas não da questão da cena final: para mim, na família Gilmore, toda mãe está destinada a ter que “negociar” o afeto com a filha, abrindo mão de coisas que não deseja, sob pena da filha não gostar mais de você.

    Rory sofreu uma desconstrução terrível: de garota genial e futuro promissor, ela passou a ser uma pedante mimada e egoísta. Ela não quer o empregado na Sandee, porque o site é bobo; ela não quer escrever um artigo sobre filas, mesmo que seja apenas para impressionar, porque não gosta do assunto; ela não quer fazer um mestrado e trabalhar na Chilton, ‘porque ela não precisa’, ela não quer ser mais jornalista porque como em qualquer outra profissão, você tem que engolir sapos, e, parafraseando Lorelai, a vida tinha sido boa com ela até então.

    Como forma de resolver sua vida, ela aceita a ideia de escrever um livro que a mãe não deseja; ela não aceita fazer concessões. Existem milhares de maneira, milhares que ela poderia escrever sem afetar a Lorelai, mas nãooooooo, tem que ser do meu jeito ou te dou um gelo por meses. A cena da Lorelai aceitando não foi bonita: foi angustiante. Foi ela aceitando ser exposta, mesmo que não deseje porque ela realmente tem medo que a filha deixe de gostar dela. Porque ela mesmo deixou de gostar de sua mãe por alguma razão. E não há nada, nada, que garanta que esse livro dourado dê o rumo que Rory deseja para sua vida.

    Triste ver o que a Rory se tornou. Pede para o pai do ex namorado ligar para uma empresa, mas não pede para Paris, sua amiga, sua quase irmã, fazer o mesmo. Rory, que foi uma vítima de tantos homens, vitimiza um rapaz legal e toma um boa garota na cabeça. Rory, a mulher inteligente, brilhante, formada em Yale, termina com a vida aos trancos e barrancos, grávida, sendo que este era um final pensado para quando ela tinha 23 anos.

    A série perdeu o encanto em tantos tons que apenas a plot da Emily me deu alento. Discordo que após tantos anos, ainda haja espaço para essa dinâmica passivo agressiva entre Lorelai e Emily. Esse barco já partiu e essas cenas são cansativas e bobas. Achei genial o encerramento do ciclo entre mãe e filha e a forma como ambas lidam com o empréstimo e as condições: quase com alegria, não como um peso.

    E discordo que o casamento seja uma metáfora: não é. O casamento sempre foi uma presente em GG e é incrível como ele sempre centralizou as ações da Lorelai perante seus homens. Ao usar o casamento como uma pretensa metáfora da forma de “permitir a entrada de um homem de forma plena”, a série passa sim a mensagem que qualquer outro relacionamento é incompleto ou visa deixar uma saída de emergência aberta. Também achei incoerente Luke no final de um episódio reclamar de apenas seguir a Lorelai e no outro aceitar passivamente a ideia de casar, apenas porque ele sempre quis isso. O anel do dedo não muda o fato que Lorelai segue ditando as regras e que Luke segue acompanhando o ritmo. Casamento, metafórico ou não, não resolve as lacunas que ainda existem. Não vai corrigir os problemas de comunicação, não vai resolver o fato de um querer mandar e o outro se permitir conduzir para ficar com a pessoa, não vai mudar que as regras seguem sendo estabelecidas pela Lorelai. Nada muda.

    E tampouco a expansão da pousada me soou como algo metafórico: Lorelai diz que não havia como fazer a expansão e, no momento que a oportunidade surge, ela a agarra com ambas as mãos. Essa questão da recusa em expandir poderia ser melhor vista se a casa estivesse a venda antes dela ter a epifania. Não sabemos e nunca saberemos até onde Lorelai queria manter o controle de tudo.

    E com relação a cena final da Rory… o Wookie não pode ser. O sexo casual ocorreu na primavera, e na cena final estamos no outono. Paul? O cara é tão esquecido que é capaz da Rory esquecer que estava transando com ele, então tudo é possível. Dado as circunstâncias, o mais provável é que o pai seja o Logan. Ela ter feito inseminação artificial me parece algo muito doido: você está desempregada, escrevendo um livro, morando com a mãe e quer ter filho? Espero que não.

    • Maíra

      Samantha você expressou todos os meus sentimentos! Além disso, Acho que numa tentativa de humanizar a Rory perderam a essência dela. Tudo bem ela ser humanizada, levar uns tapas na cara, ver que a vida não é perfeita. Mas larga-la sozinha, grávida e desempregada em stars hollow não é um final condizente com a “genialidade da personagem. É ainda mais indignaste pensar que esse era o final que ASP queria dar para ela no auge dos seus 22 anos! Também tem o fato de que por todo o histórico dela traição foi sempre um problema sério: terminou com o Dean pq gostava do jess, se sentiu péssima por ter ficado com o Dean enquanto estava com a li

      • Pah

        a teoria de que Logan é Chrstopher é real sim, a Amy SP disse num painel em 2015, que queria que a Rory tivesse um namorado que era o Chris da vida da Rory!!!

      • Carol

        Achei q so eu tivesse feito a ligacao da conversa dela com o pai e a pp gravidez! Blz que o publico pode viajar, mas a autora deixou claro isso.

      • Samantha Pistor

        Na minha cabeça, Rory está com o Paul, aprendeu que não precisa de homem escroto para ser feliz, tá escrevendo matérias sobre filas para subir na carreira e conseguindo e aprendeu que ter um cara legal e amoroso não faz ele monótomo, é incrível e só faz bem.

        E a gravidez ou não no meu cenário ideal é completamente irrelevante.

        ASP pode fingir o que ela quiser: a sétima temporada existiu e ela dar um gap de 12 anos como se o assunto não existisse prova que a Rory é a personificação da imaturidade e egocentrismo da escritora.

        • Suzy

          Pra tu ver a que ponto chegamos com a Rory, nem sabemos de quem ela espera o bebê, rsrrs. Claro que deu muito a entender que é do Logan, mas também poderia ser do Paul…

      • Samantha Pistor

        A respeito dos namorados da Rory, nenhum deles prestava. Ok, Jess era ‘apenas’ um adolescente imaturo que evoluiu e portanto, ele é o menos pior da equação. Logan, de longe, era o que eu mais odiava. Dean era o “nice gay” que de nice gay não tem nada.

        E acho assustador que uma mulher mais velha e madura quera o Dean. Gente, Dean era machista, traiu a mulher como se fosse nada, reclamava porque a esposa não cozinhava, não dava espaço para a Rory nem fazer o dever de casa. Dean é o cara que tentava apagar cada ambição da namorada exatamente porque sabia que isso equivalia a ela ir embora e ele não tinha condições de acompanha-la.

        Desse tipo de homem amigas a gente tem que fugir longe. Dean deveria ser citado como o cara para ninguém namorar, não ‘o cara que eu queria conhecer mais velha e madura’.

        Tá tudo tão errado nesse revival que quanto mais eu penso, mais coisa acho pra criticar.

        • Anna

          Samantha, nisso eu discordo de você. Jess não pode nunca ser o menos pior porque ele foi agressivo com a Rory quando ela não quis perder a virgindade com ele. Isso é absurdo, violento, é horrível e criminoso. A traição é algo moralmente repreensivel, mas a Rory tomou essa decisão também. Três vezes. O Dean, assim como o Jess, evoluiu. Então não dá para julgar os dois por algo que aconteceu a 15 anos atrás.
          Eu não entendia o Dean das primeiras temporadas como um cara que queria acabar com os sonhos da Rory. Ele se apaixonou por ela justamente porque ela tinha o que ele não tinha: ambição e inteligência. O problema do Dean, e isso é muito real, é que ele amava demais a Rory, era um “escravo” amoroso mesmo, fazia carro, estava sempre ali quando ela chamasse, largou a esposa por ela… Tem uma cena na temporada 4 que mostra isso. Quando ele bebado fala pro Luke como a Rory é a criatura mais linda e perfeita, e diz ” pq ela não me ama?”. Me dava pena e eu sempre quis que ele superasse a Rory. Um amor que não tinha como dar certo porque queriam coisas diferentes. É mais ou menos Rory em relação ao Logan. Um amor pouco saudável, que leva a pessoa a fazer coisas tóxicas e repreensiveis. A série é muito boa em desconstruir e dar profundidade a essas relações. O personagem Dean ficou chato, pesado, detestável. Agora sem a Rory na vida dele até a postura corporal mudou, tá feliz e cheio de vida. O amor pela Rory despertava a pior nele. Igual o amor da Rory pelo Logan.

          • Suzy

            Puxa, melhor resposta para as relações da Rory que eu já li, realmente o Dean era machista e tudo mais, mas ele era escravo do amor pela Rory assim como ela pelo Logan, pessoas que perdem suas essências para agradar a pessoa que ama. Ainda bem que o Dean evoluiu, pq o de anos atrás teria caído naquele papinho da Rory no mercado, aff.
            Quanto ao Jess, de fato ele foi um namorado muito ruim e agressivo, mas como pessoa ele evoluiu bastante, amadureceu muito mais do que a Rory ele e o Dean.

      • Li

        Pois é, Logan, pra mim, claramente ama Rory, mas seguiu o rumo que a família esperava dele, trabalhando e usufruindo dos negócios da familia e vai se casar com uma herdeira porque é a dinastia da família.
        Rory fica com ele, porque, ele faz bem pra ela (tanto que ela sempre liga pra ele e quando e lá mais precisa ele vai atrás dela), então ela prefere se contentar com o que ele pode oferecer a ela.
        Até um determinado momento em que ela percebe que ele realmente vai se casar, um casamento de conveniência e termina sua relação, não só com Logan, mas com os amigos dele que ela aprendeu a gostar, mas não os terá mais por perto.

    • henriquehaddefinir

      Samantha eu discordo TOTALMENTE de você. Mas, a vida é assim mesmo. Cada um vê as coisas de uma forma. Eu me diverti muito, então, fico triste que tenha sido ruim pra ti. Pra mim foi maravilhoso.

      • Samantha Pistor

        Não podemos concordar em tudo, Henrique. tinha um dia que íamos para caminhos opostos. ^^

        Mas de fato o revival para mim foi uma experiência ruim que acabou com a série.

        • Fernando Corrêa da Costa

          Para mim também..

    • Sky

      Fico feliz (???) que mais alguém compartilhe da minha opinião, ando lendo coisas por aí e fiquei angustiada pensando que só eu não tinha gostado muito. Minha cabeça tem fervido desde que terminei os episódios e o SM está me matando lançando um recap por dia, rs.

  • Juliana Leão

    Henrique, como sempre vc foi ótimo!
    Eu sempre aplaudirei o brilhantismo, a coragem e a inteligência da Amy.
    O que falta as pessoas é interpretação, porque a história tá toda ali, muito clara. Na verdade sempre esteve, desde o revival.
    Vou agradecer sempre a Amy pela oportunidade de ter concedido aos fãs de ver o amadurecimento de Lorelai na tela e não escondido nos 9 anos que separaram este momento. Foi real e intenso. É a vida! São as famílias!

  • Polly Vicente

    Sobre o pianista: ele já apareceu em outros episódios da original Gilmore Girls… como eu vi a série toda esse ano (depois de já conhecê-lo de Glee), pude notar a presença dele algumas vezes =)

    • Aline Carvalho

      Simmm… nos musicais da Miss Patty e mesmo na mansão Gilmore, lembro bem

      dele acompanhando os “grandparents” na música de formatura da Rory.

  • Ray Luiza Muller

    Não vejo problema algum com a ideia de ciclo. É o mote do brinde de Lorelai e Emily (ops, no 4°). O Ciclo da Vida. Assim, as últimas palavras fazem todo o sentido. Não faz sentido para mim a ligação entre o final de Rory e a clínica de Paris. E sim, vi claramente o padrão Chris/Logan & Luke/Jess, e sem nenhum conflito com isso. Não é preciso nenhuma conclusão mega original para diferenciar os caminhos de mãe e filha. Basta surgir um Gilmore boy. Esse episódio foi o mais chato pra mim. E apesar de ter amado com o revival, ainda NÃO ME CONFORMO COM A AUSÊNCIA DO MAX MEDINA!!!!!! 🙂

    • Carol

      Pra mim ficou claro isso tb. Obvio que cada um viaja do jeito que quiser, mas ta na cara q o pai eh o logan. Fora que ela vai conversar com o proprio pai, o que da mto a entender que ela queria uma opiniao pra aplicar sobre suas proprias decisoes

  • Anna

    Eu não tinha ligado os fatos da clínica da Paris…
    Mas mesmo assim eu discordo que seja preguiçoso pensar sobre ciclos. GG pra mim é sobre tudo uma série sobre a relação (imperfeita) entre mães e filhas. O medo de que a Rory repetisse as experiências da mãe esteve ali a série toda. Na Lorelai, no Rihcard…
    Acho certo o que foi falado na review de preenchercom aquilo que nos toca. Cada um imagina para esse final o que projetava naquilo. Não tem certo e errado. Todas são válidas.
    Achar o revival uma porcaria e estar fulo da vida com a Amy também tem um lado bom, pq não invalida a experiência, só mostra como GG tem capacidade de envolver mesmo quem assiste. A emoção aflora mesmo. A boa e a ruim.
    Se todo mundo tivesse tudo uma interpretação única e tivesse ficado sem emoção, no raso. Aí Amy teria tido um problema.
    Minha única crítica mesmo são as piadas gordofóbicas. Fiquei horrorizada.
    O ponto alto do revival, assim como da série é Emily/Lorelai.

  • Ludmylla Altoé

    Li as três primeiras resenhas e discordo bastante das suas opiniões.

    Não tem nada mais frustante do que ver roteiristas sendo injustos com personagens, ignorando o que já foi feito e sendo incoerentes.

    A Amy ignorou toda a 7ª temporada por puro narcisismo, retrocedendo o personagem do Logan ao que ele era (em parte!) lá no início e ignorando completamente a evolução dele da 6ª para a 7ª temporada. O Logan que pediu a Rory em casamento não é esse cara que você tenta pintar (que trata a Rory como um “cachorrinho”), achei injusto.

    Concordo que o pedido de casamento frustado seja o motivo para os dois manterem essa relação desonesta com ambas as partes, mas não acho q ele seja um babaca por não tomar a iniciativa, acho super compreensível, ainda mais pelo fato de ela fazer sempre questão de dizer que está ok com o “Vegas Deal”.

    O revival foi glorioso em muitos aspectos, mas o arco da Rory foi lamentável.

    E só para terminar, o filho não pode ser do wookie – ela ficou com ele em Spring, depois teve Summer e Fall, passaram-se alguns meses e já teria uma barriga bem aparente, é só fazer as contas e lembrar que tudo se passou ao longo de um ano. Do Paul também é improvável, ela nunca via ele, não rolava nada. E essa teoria de barriga de aluguel é horrível, pelo amor de deus! Como ela decide ter um filho para ~dar de presente pra mãe sem nem falar com ela? Tem que forçar muito a barra para não concluir que esse filho é do Logan.

    • Aline Carvalho

      Acho interessante a teoria da fertilização, porém, só aceitaria se ela tivesse feito isso por ela, não pela mãe, para ela ter seu filho independente de relacionamentos, e se o filho for do Logan ainda acho que mesmo ele querendo, ela não ficaria com ele.

    • henriquehaddefinir

      Quem disse que ela não falou com a mãe? Eu hein…

  • Paulo Júnior

    Sei lá… tá adorável, mas acho que esses episódios escritos pelo Daniel Paladino não são tão bons quanto o primeiro escrito pela Amy. Espero que o último seja escrito ou pelos dois ou só por ela.

  • Cátia Cardoso

    A Rory afinal fica com quem??? Ai fiquei confusa

    • Karina

      Fica com o filho que está esperando nada além disso …

      • Cátia Cardoso

        Para ser sincera fiquei um bocado “triste” com o final…. gostei mas acho q tinhamos aquela esperança de ela ficar com alguem… e sinceramente gostava q esse alguem fosse o jess… notou se q ele cresceu evolui mt… para mim apesar de tudo o q ele lhe fez em “jovem” era o mais indicado pa ela eles tinham os mesmos gosto e ainda agora se viu a “paixão ” q os une em relacao aos livros eles entendem se,para mim era a escolha mais acertada como mts pessoas dizem ele e o luke dela sem duvida alguma… e claro espero uma continuação a este final…..

  • Karina

    Odiei o final … Pensei que seria mais emocionante mais acaba com a Rory falando que está grávida … E pronto acabo … Poderia ter sido melhor ….

  • Marissa Sousa

    Uau !!! Não tinha visto dessa forma.
    Eu ainda não vi o último episódio e claro, acredito que teremos um desfecho mas… Achei os ep 2 e 3 com muita história para pouco tempo, como se a série tivesse mais 20 episódios pela frente. Gostei quando as coisas finalmente foram ditas, pq me pareceram que durante todos este tempo Luke e Lorelai nunca conversavam sobre nada e nesses episódios praticamente não houve interação entre os dois. Até Rory e Logan parecem mais um casal do que eles. Enfim, ansiosa pelo desfecho !!
    ps¹: Amei o Secret Bar <3
    ps²: Henrique Haddefinir acho que te amo <3 Um beijo procê !!!

  • Cynthia Pinheiro Aranha

    Vc acha que a Rory tá grávida como barriga de aluguel da mãe, é isso?!?!
    Eles nem chegaram a recolher o óvulo da Lorelai, que viagem de ácido é essa?!?! HAHAHAHAHA

    Mesmo que fosse pra ganhar $, que loser seria ela estudar nas melhores escolas/faculdade a vida toda pra se tornar barriga de aluguel.
    Nunca seja roteirista, por favor.
    Grata.

    • Niobe S

      Concordo contigo!! Seria degradante um final assim, credo.

  • Niobe S

    Discordo de quase tudo que foi escrito nessa review. Uma moça chamada Maíra e outra chamada Samantha Pistor postaram aqui nos comentários ótimas reviews e pontos de vista.
    Eu juro que tento mas não consigo gostar das reviews do Henrique. Pior é que ele faz de algumas séries que assisto, quando eu vejo o nome dele assinado, dá vontade de chorar. Acho rude como ele escreve suas opiniões e também anti-profissional como mistura sua vida pessoal em meio à review. Poxa, não quero saber da vida do reviewer, só quero ler uma crítica, o quê custa fazer isso? Sem contar as doses de vitimismo progressista…
    Bom, ainda bem que o final vai ficar com a Camis (é para louvar de pé, igreja!).

  • Jackson Douglas

    Até agora esse revival está sendo mais que divertido e satisfatório, espero que o desfecho seja ótimo também. Jess, eu te amo!