Frontier 1×04: Wolves

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Em uma história tão familiar quanto a de Frontier, talvez a maior armadilha seja a da previsibilidade, principalmente quando se trata de roteiros televisivos, serializados, em que o investimento do público deve ser maior do que o imediato para que sobreviva até o capítulo seguinte, seja dali a uma semana, no caso da televisão clássica, ou a um clique de distância, na era do binge-watching. A cena que abriu o episódio desse domingo, Wolves, alguns minutos antes dos créditos iniciais, é bastante bem-vinda nesse sentido, enquanto evento que anuncia um novo conflito na Hudson’s Bay, inesperado tanto para telespectadores quanto para os personagens, e que balança configurações que, a essa altura, já são velhas conhecidas da fronteira.

O evento em questão é a chegada do capitão Benedict Johnson em um navio britânico, enviado por superiores da Hudson’s Bay Company para supervisionar o andamento das operações lideradas por Lord Benton, que também protagonizava um dos núcleos mais estagnados e desinteressantes da série até então, ao lado de capitão Chesterfield, um vilão igualmente raso. A aparição, portanto, de uma autoridade relativamente superior à das lideranças da baía renova uma grande parte dos plots da temporada, removendo desses personagens a ilusão de imbatibilidade, e atingindo também personagens adjacentes, como Grace e as outras garotas do bar, que novamente roubam a cena e se estabelecem como grandes jogadoras no xadrez político de Frontier.

A outra faceta do episódio, encabeçada por Harp, Michael e Sokanon, é praticamente inafetada pelo desembarque de Johnson na América, e, não por acaso, acaba sendo um peso morto em Wolves, majoritariamente porque Michael Smyth mantém-se como o personagem mais descartável da série, cuja importância não vai além de servir como os olhos do público, o estranho que adentra o desconhecido, à moda de outros protagonistas que acabaram perdendo os holofotes em suas próprias séries, como a Piper Chapman de Orange Is The New Black. Não bastasse isso, o roteiro vêm também cheio de furos quando Smyth está em cena, notavelmente no episódio dessa semana, em que seu plano para resgatar a recém chegada Clenna é exponencialmente estúpido, primeiro ao decidir invadir a casa do governador sozinho, e depois por decidir transar com a namorada ali mesmo, sob o suposição de que ninguém sabia que ele estava presente, e por fim por escolher pular da janela às pressas sozinho e marcar um encontro com Clenna no dia seguinte, em vez de pular com a garota de uma vez.

Declan Harp acaba ficando em segundo plano em um episódio bastante conturbado, mas é interessante notar que sua situação de não-pertencimento vem tornando-se cada vez mais forte, e mais literal também: logo nas cenas iniciais, ele e Dimanche rompem laços após um bate-boca acalorado, e Harp acaba sem o apoio de seu já reduzido grupo de seguidores, agora resumido à Michael e Sokanon. Ainda assim, os três juntos decidem enfrentar as poderosas forças de Lord Benton, o que aliado às inconsequentes decisões de Michael no miolo do episódio, acabam resultando em uma inevitável derrota, e na captura de Harp pelos oficiais britânicos.

> Entrevista com o elenco de 3%!

Ainda com algumas pontas soltas e desconexas, como Samuel Grant em Montreal e quais as reais intenções por trás de sua politicagem sutil e distante, Frontier caminha para o terço final dessa temporada com alguns problemas já conhecidos nas costas, mas algumas novas cartas na manga que podem ser essenciais para um bom season finale e uma ponte resistente para a já confirmada segunda temporada.