Frontier 1×03: Mushkegowuk Esquewu

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Com meio caminho andado nessa curta primeira temporada de Frontier, já está em plena evidência o que funciona e o que é um peso negativo para a série, e a proporção desses elementos é, claro, reflexo do resultado final da criação de Brad Peyton e do irmãos Blackie. Frontier é uma série 50/50. Para cada cena inspirada, bem dirigida, com atuações potentes e personagens fortes, há uma outra arrastada, filmada com os truques mais baratos das produções televisivas e recheada de personagens descartáveis.

‘Mushkegowuk Esquewu’ encapsula bem essa tendência. É, em grande parte, um episódio de estruturação, de preparação para eventos maiores que devem vir a seguir na segunda metade da temporada e, em especial, no episódio final. Cada um dos núcleos da Hudson’s Bay expande sua área de influência, causando inevitáveis choques e preludiando outros em potencial: a tribo dos Lake Walkers e os escoceses entram em atrito, manipulados por Benton; Grace é confrontada pelos britânicos e sua aliança com Chesterfield é posta em risco; Samuel Grant confirma os objetivos de tomar conta do mercado de comércio de peles e eliminar o monopólio inglês, e toma as primeiras atitudes nessa direção. Nesses momentos, o episódio é bem sucedido, cativa e instiga com as novas configurações de seus personagens, embora não apresente nada de novo em termos de narrativa quando comparado aos vários dramas que seguem a mesma linha. É no desenvolvimento de personagens, mais uma vez, que Frontier deixa bastante a desejar.

Facilmente o plot mais sonolento da semana foi o de Michael e Sokanon seguindo a trilha de um dos assassinos de Kitchi. Não só são dois dos personagens menos interessantes da série, encarnados por dois dos atores menos inspirados do elenco, como tem em mãos um roteiro tão clichê que beira o risível. A cena do monólogo de Sokanon, em que ela expõe o passado de Declan Harp à Michael, além de piegas e cafona, segue o bê-a-bá de todo e qualquer livro de roteiro hollywoodiano e, como se não bastasse, prejudica um pouco o personagem mais energético da série ao resumi-lo à uma motivação simplória e batida, que não é necessariamente ruim ou inconcebível, mas pode aumentar ainda mais o nível de previsibilidade já alto de Frontier.

Por outro lado, os outros plots, que deixam para trás personagens fracos e desinteressantes, como o padre Coffin, são eficientes e bem elaborados. A promessa de Grace enquanto grande e silenciosa influenciadora da região cresce ainda mais e a personagem tem tornado-se mais cativante e relevante a cada episódio. Declan Harp, por sua vez, é forçado a posicionar-se como uma espécie de diplomata entre os escoceses e Kamenna e Dimanche, e sua saída da zona de conforto, mais agressiva e autoritária, é interessante e funciona em dois níveis, tanto em um mais imediato, a serviço do episódio e da história, quanto em um mais pessoal, ao evidenciar sua condição de não-pertencimento em ambos os lugares, tanto o europeu quanto o nativo, que frequentemente o recusam.

O que fica de um episódio como esse, de elaboração, é sempre a promessa que esse preparo deixa. Com isso em mente, é possível deixar de lado por alguns instantes os diálogos doídos e os personagens tediosos e animar-se com o que os três episódios finais terão a oferecer, o embate de várias dessas forças inimigas que pouco a pouco vão se aproximando…é muito otimismo ficar animado pra ver mais esse clichê fechar a temporada de estria de Frontier? É, acho que sim.