[Flashback] Freaks and Geeks 1×09: We’ve Got Spirit

1
233

Se antes havia alguma dúvida sobre o incômodo de Lindsay com o namoro no qual se meteu por acidente, o nono episódio da série detalha a aflição da jovem e os motivos para que se sinta dessa forma. Acompanhamos, percebo, a passagem da garota por diversas questões relacionadas não só a relacionamentos, mas indagações pessoais. Se no começo víamos uma garota deslocada, buscando seu lugar, hoje, aceita e compreendida como parte do grupo, assistimos à sua luta para se manter confortável onde escolheu ficar. Essa jornada é intrigante, divertida e dolorosa.  Em algumas situações, é impossível que o telespectador não se identifique, não importa em qual dos lados ele tenha vivenciado aquilo. Ao falar sobre a importância do espaço e os sentimentos despertados pela obsessão prematura, a série desperta a empatia de diversas pessoas e prova que tinha algo a dizer muito antes dos manifestos bem intencionados dos roteiristas inundarem a tevê. Isso porque a produção dá seu recado de maneira própria, e esta nunca está associada à mastigação de suas subtramas.

Lindsay e Nick poderiam formar um casal comum e problemático dentro da série. Em outras mãos, ambos brigariam e se reconciliariam até o final da série. A forma como se aproximaram, desde o começo, dava a entender isso. Além disso, os atores têm química juntos e as cenas em que se isolam do restante do elenco são boas. Freaks and Geeks, entretanto, tinha outro alvo. O rapaz é tão comum que chega a ser original. A prova disto está no começo do episódio quando os dois, à cama, conversam sobre “assuntos sérios” e o significado das coisas. Ele é intenso, algo que transpareceu aos poucos, seja na paixão pela bateria ou no relacionamento com o pai. Dizemos que o desafio de qualquer roteiro é sempre transmitir o natural, e, quando se refere a adolescentes, o nível de desafio é dobrado.

Fato é que Lindsay não estava pronta para namorar. Talvez acredite que tivesse se saído melhor com Daniel, mas não veríamos nada muito diferente do que foi apresentado aqui. Cada um dos desajustados está acostumado com coisas que ela ainda não viu, sentimentos que ela começa a testar agora, limites que ela antes nem sonhara em cruzar. É preciso primeiro se ajustar.

Os pais da menina Weir sempre se encaixam nas situações que se referem aos filhos, e aqui não poderia ser diferente. Foi interessante que o relacionamento de Lindsay e sua mãe tenha sido trazido à questão, principalmente pela importância que o conselho de uma mulher mais velha (antes de ser mãe, a empatia já nasce por ser mulher) teria em tal conflito. Jean não acerta em tudo, claro, e a cena que termina o namoro da filha por ela é impagável.

Os Geeks, por sua vez, são a diversão do episódio. Como pouca vergonha não é o bastante, ganhamos uma trama sobre mascotes do time de basquete. Sam, que não acerta uma, acredita não só que recebeu indireta para se associar à equipe de torcida, como também na paixão que pode despertar de Cindy sobre si. A garota possui influência sobre ele, e pergunto-me se ela não sabe disso, se não percebe, mas acho que seria o lugar errado para levantar essa reflexão. Se não consegue a namorada, Sam tem, pelo menos, os amigos para… Para… Ué, para substitui-lo quando ele não se sentir muito a fim de colocar a cabeça pesada de mascote. Neal é constantemente um peso essencial na série, e dessa vez não foi diferente. Poderia destacar a personagem e o ator, mas a verdade é que todos estão sempre bem e todas as personagens são sensacionais de tão ridículas.

Não há muito o que destrinchar sobre a história da briga dos outros Freaks e a torcida adversária. Kim, impagável, é o pivô de mais uma confusão, e o desenvolvimento da subtrama é divertido, principalmente porque sabemos que, na verdade, os renegados da escola não se importam com coisa alguma.

We’ve Got Spirit dá seu recado de modo exagerado, constrangedor e nostálgico. Depois de nove episódios, nos acostumamos à fórmula, o que só dificultará a contagem regressiva para a qual seguimos depois desse episódio. Claro que há a oportunidade de rever diversas vezes, e essa é sempre a solução para tudo o que é bom, mas dura pouco.

ps: Adorei ver o jovem Matt Czuchry, que eu sei que é bem conhecido pelo público de Gilmore Girls, mas que eu sempre reconhecerei como o Cary Agos de The Good Wife. Ótima surpresa!

  • Leonardo Martins

    Vai continuar com os excelentes reviews?