[Flashback] Freaks and Geeks 1×06: I’m With The Band

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Depois de explorar a entrada de Lindsay em um grupo do qual tanto queria fazer parte, mas que não pertencia (e talvez ainda não pertença), Freaks and Geeks decide explorar os componentes de tal grupo e a relação que eles podem estabelecer com as mudanças da protagonista ou sua vida no geral. Isto foi feito em episódios anteriores, nos quais conhecemos um pouco mais de Kim e Daniel. Dessa vez, o alvo do roteiro é Nick, deixado de lado em alguns momentos para, somente aqui, ter uma subtrama que justificasse a espera para que lhe conhecêssemos.

Os Freaks são retratados como personalidades muito parecidas e contempladas na mesma turma por isso. Por essa razão, percebemos desde o primeiro episódio que Lindsay não combina com eles, uma vez que não consegue abrir mão de tudo o que eles fazem sem sequer pensar. Diferente dos Geeks, que, por mais que sejam parecidos, expressam o tempo todo pontos de vista diferentes e um atrito mais evidente, os Freaks são bem parecidos. Nesse caso, é preciso um tempinho até que Nick se destaque dos outros amigos e nos mostre uma característica que o distingua. Aqui, somos apresentados a ela, pois ele tem sonhos e uma urgência de alcançar os objetivos, o que não encontramos no pouco que conhecemos sobre seus parceiros.

A série faz um bom trabalho em introduzir toda a trama envolvendo Nick através da música, que sempre foi referência tanto em seu texto quanto no comportamento de suas personagens. É estabelecido, então, dois lados opostos para o futuro do garoto. Seu pai, flexível até se tornar rígido, traz consigo o exército como possibilidade, o que simboliza para o estudante toda a seriedade e o caráter de destino já traçado que ele não gostaria de ter como futuro. Sua banda, que não leva nada a sério, diverte-se justamente por acreditar que isso não irá a lugar algum, e é onde a diversão está. Quando decide utilizar a mesma seriedade aconselhada pela amiga e exigida pelo pai, o baterista não só lida com o fim da banda, mas com a realidade sobre seu talento e o que poderá esperar desse sonho.

Lindsay já provou que é uma das personagens mais desajeitadas da história, então, claro que quando decide aconselhar alguém fazendo uma crítica rígida, mas construtiva e verdadeira, acaba com a banda que existia antes mesmo de sua chegada. Sem tato algum para dar conselhos, a garota não só elabora planos ruins, como decide solucionar conflitos alimentando a paixão que seu amigo tem por ela, mas sobre a qual não demonstra tanto conforto. Como já a conhecemos, o que podemos esperar é desastre constrangedor atrás de desastre constrangedor. Por enquanto, apreciamos o contraste estabelecido entre ambos: enquanto ela é otimista sobre ele e sobre a oportunidade de fazer da música sua carreira, ele é pessimista, mais pé no chão e sabe que não é tão fácil assim. Além disso, o próprio passado de cada um já proporciona essa grande diferença, que pode ser o motivo maior para que ela se sinta tão incomodada com o modo carinhoso como ele a trata.

Enquanto isso, Sam acaba enfrentando o pior pesadelo de todos os adolescentes e protagoniza a cena mais embaraçosa da série. Assim como diversos assuntos abordados na série, a nudez é encarada de forma diferente por todos os adolescentes. Para alguns, ela é um tabu que vai perdendo a controvérsia enquanto envelhece e se liberta dos medos, enquanto, para outros, nunca será um problema. O garoto Weir, que trata tudo com olhos assustados, e que tem “um corpo bonito e deveria se orgulhar disso” segundo sua mãe, é claramente pertencente ao primeiro grupo. O colégio, lugar menos propenso para explorar essa situação, torna-se seu pesadelo ao encarar a possibilidade da toalha — ou da não toalha. Todas as cenas em que ele precisa encarar amigos, professores e o valentão da escola são quase uma excursão para revisitar algumas lembranças adolescentes parecidas, mas não tão traumáticas.

I’m With the Band é mais um episódio com roteiro inteligente, engraçado e funcional. A produção não traz grandes acontecimentos porque esta não é a sua proposta. Freaks and Geeks deseja, antes de mais nada, retratar a rotina caótica, exagerada e em constante emergência desses dois grupos sempre tão perto do constrangedor, do medo e da metamorfose adulta.

  • Leonardo Martins

    E de bônus, o pai do Nick é o pai do Locke de Lost!!!