Fear the Walking Dead 2×11: Pablo & Jessica

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O que falta em Fear the Walking Dead é achar uma maneira de prender o telespectador.

Essa semana Fear the Walking Dead trouxe-nos um episódio um pouco mais sólido que o da semana passada, mas a série continua pecando na maneira que aborda o telespectador. Fear, a meu ver, tem tudo para ser um grande show, sem viver à sombra de Walking Dead. Como eu já disse algumas vezes FTWD tem focado muito mais nos dramas pessoais de cada sobrevivente do apocalipse (que era, aliás, uma das premissas da série), mostrando totalmente o contrário de TWD, que sempre teve muito mais violência e zumbis. Mas, como já foi possível ver, mesmo cumprindo a sua promessa Fear não está prendendo o telespectador com a sua trama e isso é bem alarmante. Quantos de vocês assistem FTWD e não ficam com sono em algum momento? É difícil, até eu acabo me cansando um pouco com determinados episódios (se bem que eu durmo com facilidade, então não devo ser considerado como padrão). Não falo especificamente desse episódio, que até foi mais movimentado que o normal. Digo de maneira geral.

Fear ainda encontra-se bagunçado, sem rumo certo. Como disse ali em cima Fear tem todas as cartas na manga: novos relacionamentos que podem fortalecer o futuro da série, personagens que vêm crescendo (especialmente Nick e Alicia) e despertando o interesse do público, um mistério (envolvendo a mordida de Alejandro, nunca visto antes em TWD) e a temática da religião que também nunca foi o foco de sua série de origem. Falta apenas destrinchar melhor todos esses tópicos, dando valor, por exemplo, a história de Alejandro (sem que ele morra do nada nos próximos episódios) e, é claro, encontrar uma maneira de modificar um pouco a abordagem dessas histórias com o intuito de não cansar o telespectador e prendê-lo em suas cenas. Apenas por abordar o mistério em torno de Alejandro a série já ganha pontos no quesito originalidade que consequentemente chama a atenção de quem gosta da temática do apocalipse, por exemplo.

Filosofias à parte… Pablo & Jessica se iniciou da maneira que todos nós estávamos esperando: revelando como Strand e Madison escaparam da horda (vale lembrar, bêbados). Nesse ponto o episódio foi extremamente positivo, pois não é algo que as séries costumam fazer. Muitos shows, seja envolvendo o apocalipse zumbi ou não, entregam a cena final sem destrinchar como os personagens chegaram naquele momento, que soluções eles tiveram para sobreviver, como enfrentaram o impossível, etc. Ver que Madison finalmente deu o braço a torcer com relação a Nick foi impagável. A personagem percebeu que em situações de perigo, principalmente aquela em especial, não havia alternativa a não ser camuflar-se com tripas de zumbis. Essa foi sem dúvidas uma das cenas mais importantes desse episódio, pois mostrou que Madison não está apenas evoluindo ao entender a dinâmica do novo mundo, mas que ela conseguiu valorizar algo que o seu filho fez. Madison superprotegeu Nick a vida toda, provavelmente nunca visualizando as qualidades ou a sagacidade que o filho possuía. Seria essa mudança um planejamento para um futuro reencontro mais amigável entre mãe e filho?

A outra cena importante do episódio também envolve um relacionamento entre mãe e filho, só que dessa vez com Alicia. O desenrolar desses episódios nos mostrou que Madison realmente percebeu os erros que ela cometeu no passado, seja superprotegendo Nick ou ignorando Alicia. Pablo & Jessica não foi apenas sobre a aceitação da morte de entes queridos (Pablo como irmão de Luciana e Jessica a esposa de Oscar), mas também sobre a constatação dos nossos próprios erros, além de construir e fortalecer laços previamente prejudicados. Madison confiou na ideia de Alicia e foi até o fim acreditando em sua filha, algo que provavelmente ela não fazia antes do apocalipse. Graças a união das duas o hotel agora está livre de zumbis, podendo até ser uma grande comunidade com segurança agora que Madison e Strand conseguiram (aparentemente, pelo menos) unir os dois grupos rivais.

Mas será que o hotel é verdadeiramente um local seguro para se morar no apocalipse? Ele é enorme, podendo ser habitado por vários sobreviventes, ele possui quartos luxuosos, esconderijos e até o momento bastante comida. Sem contar que não existem mais zumbis ao redor (apesar de eu achar que uma hora ou outra o mar trará a horda de volta), mas é aí que nasce o verdadeiro problema, algo que TWD enfrenta constantemente: outros sobreviventes. A defesa do hotel é nula, podendo ser atacado facilmente por terra e pior ainda, pelo mar, principalmente se o grupo de Jack ou quem quer que tenha roubado Abigail resolver entrar no local. Uma coisa é certa: o grupo ainda enfrentará vários empecilhos até o season finale. Aliás, o ataque externo não é o único problema, tendo em vista a questão não resolvida entre Elena e o grupo de Oscar, que com toda a certeza afetará Madison e os outros. Tão logo Madison, Strand e Alicia irão perceber que os zumbis em torno do hotel era o menor dos seus problemas.

E Nick? Bem, Nick continua evoluindo como pessoa. A Colônia só tem feito bem para ele: Nick mostrou sua coragem, sua sagacidade com as drogas para se defender dos traficantes, relações com outros humanos que ele nunca conseguiu ter normalmente, uma casa conquistada com seu próprio esforço e, principalmente, um relacionamento amoroso verdadeiro pela primeira vez. Sua relação com Luciana, despertada após a revelação da morte de seu irmão Pablo, é pura, algo que talvez Nick nunca tenha experimentado. Luciana é uma guerreira corajosa que pode muito bem tirar Nick das drogas e despertar o verdadeiro protagonista que desde o piloto prometeram que ele seria. Mas estaria a Colônia protegida? O inimigo mais óbvio do novo grupo são os traficantes, que tão logo perceberão o que Nick fez, mas e Alejandro? O líder da Colônia ainda é um mistério, tornando-se cada vez mais estranho com toda a sua história de que a fé o salvou da doença. Será que está mentindo como eu disse antes? Ou o produto que o menino roubou (da história contada para Nick) possuía alguma espécie de “antídoto” para a infestação e Alejandro foi afetado? É uma grande viagem, eu sei, mas é interessante pensar em todas essas possibilidades. Mas a grande incógnita até o momento é: onde estará Ofelia? Sei que ela é inútil, mas a curiosidade do seu paradeiro só aumenta, principalmente se isso significar que Salazar está vivo… Enfim, é isso, até a próxima, walkers!

Placar da Semana

O episódio dessa semana não teve o Chris, nem o Travis, então foi muito difícil avaliar quem merecia o troféu caminhante sem eles. Sendo assim optei por construir o placar de maneira diferente dessa vez, numa relação crescente, ou seja, do personagem com menor relevância para o maior.

Caminhante: O troféu caminhante vai para o Nick. Ele utilizou novamente a sua própria experiência com as drogas para ganhar mais tempo para a Colônia, deixando claro seu valor para o novo grupo e, é claro, que ele conviveu com Walter White antes do apocalipse zumbi. É óbvio que o Nick participou de Breaking Bad, meu povo! Querem prova mais concreta do que essa?

Balofo: Troféu balofo vai para o Strand. Ele lutou pela sobrevivência, junto de Madison, mas seu ato de maior relevância nessa semana foi a compaixão que ele teve com Oscar. Strand mostrou que ele tem um bom coração, apesar de toda a sua prepotência. Sua conversa com Oscar foi emocionante, mas o ápice se revelou quando ele decidiu acabar com o sofrimento do novo personagem ao matar sua esposa, que já estava transformada em zumbi. Agora resta-nos torcer para que Strand não se separe do grupo de Madison… Confesso que você fará falta, Strand!

Corredor: Troféu “not bad” vai para a Alicia. Nem preciso mais falar dela, não é mesmo? Alicia é a única personagem de FTWD que vem crescendo sem parar desde o retorno do hiatus. Apesar de não ser quem de fato pôs o plano em prática até a ponte, ela foi a responsável pela brilhante ideia de atrair os zumbis para o mar, onde a correnteza os afastaria do hotel. O único ponto que me incomodou na Alicia no episódio dessa semana foi com relação ao seu celular… Como diabos é possível ela ainda ter bateria?! Eu carrego meu telefone no mínimo três vezes ao dia, enquanto ela, vivendo no apocalipse há aproximadamente dois anos (sem luz), ainda tem carga para botar uma música para atrair os zumbis. Como assim, filha?! Ou faltou um pouquinho de cuidado com essa cena (erro de realidade do âmbito que eles vivem) ou ela tem um Pikachu particular para recarregar seu Iphone. Só pode!

Abominação: Troféu “badass” vai para a Madison. Temos que confessar que a matriarca da família Clark foi bem “badass” nessa semana. Madison seguiu os passos do filho para escapar do bar, matou vários zumbis, agiu como uma verdadeira líder ao tentar unir dois grupos e ainda levou a grande horda para o mar. Foi a primeira vez, depois de muito tempo vivendo no apocalipse, que ela teve decisões tão sábias e corajosas. É exatamente por esse motivo que ela, apesar de não ter tido a ideia da ponte e da correnteza, levou o grande prêmio do placar dessa semana. Meus parabéns, Madison!

  • André

    Uma das coisas que mais gosto na série é a amizade da Madison com o Strand entâo é sempre bom ve-los agir em dupla. Falando na Madison acho que ela é a melhor personagem,gosto cada vez mais dela se tornando a líder do grupo..esse episodio foi ótimo por isso e até me animou. Esse plot do Nick tmb nâo é mal mas o hotel ta bem mais legal.

    • Vinícius Fernandes

      Os plots estão bons sim, mas algo ainda me incomoda, não sei explicar bem o que é. Mas a série e os personagens estão evoluindo aos poucos, isso é importante de notar. Valeu pela sua presença, André!

      • André

        Falta um fio condutor central,coisa que na temporada passada a série tinha bem delineado. Essa temporada ta legal,mas tirando o plot do Alejandro o resto dos plots forom somente referencias a série mâe..isso enfraqueceu a série,pra quem esperava algo diferente

  • Rafael Tietz

    A minha teoria sobre Alejandro: Em algum momento da história, ele conta que a pessoa que roubou o item misterioso se misturou no meio da horda de zumbis. A pessoa, que claramente estava muito loka, foi quem mordeu ele e não um zumbi kkkk Posso estar viajando muito, mas foi essa a impressão que eu tive enquanto ele contava a história.

    Alicia <3

    • Vinícius Fernandes

      Nem cheguei a pensar por esse lado, Rafael! Do jeito que esse Alejandro é eu não duvido nada. Ele fingiu isso para virar líder do grupo hahaha

    • edujakel

      Acabei de falar isso. Não vi Q você tá tinha falado achei que o Nick ia se tocar nisso na hora tb. Estou certo Q foi isso Q aconteceu.

      • Rafael Tietz

        Pois é, não vejo a utilidade de ele passar essa informação se ela não servir pra alguma coisa. Além do que é muito a cara de TWD fazer uma peruada dessa suhasuhasasuh

  • Bruno Cantuária

    Quem já atendeu uma ligação da mãe bêbado e se curou instantaneamente sabe como Madison e Strand escaparam dos walkers!! kkk

    • Vinícius Fernandes

      Serve do pai também? HAHAHA Exatamente por esse motivo não critiquei os dois, pois sei que é bem possível, Bruno (por experiência própria haha)!

  • Maysa

    Passou dois anos na serie já? Eu achei que não tinha chegado nem a um ano ainda.

    E apesar de Fear ser focada nos dramas pessoais, a serie, pelo menos pra mim, não consegue me fazer se apegar aos personagens. Eu gosto do Nick, da Madison, da Ofélia e do Strand, mas se morrerem, eu não vou sentir nada. A única personagem que eu realmente me apeguei foi a Alicia, mas mais por causa da atriz, eu acho que isso a serie tem que concertar logo, não adianta ter uma boa historia e os personagens não cativarem o público.

    • João Manoel

      Acho que o Vinícius se enganou. A passagem de mais ou menos 2 anos ocorreu em TWD.
      Pelo que vi em uma entrevista de um dos produtores, nessa segunda metade de temporada, FTWD chegaria na linha temporal em que o Rick acorda no hospital em TWD, sem detalhar em qual episódio isso ocorreria. Nesse caso, talvez tenha se passado alguma coisa entre 4 e 6 semanas.

      • Vinícius Fernandes

        Não foi beeem um engano, eu disse aproximadamente porque eu não tenho certeza de quanto tempo passou, entende? Como expliquei ali em cima, levei em conta como se duas temporadas equivalessem a dois anos, mas com certeza pode ser que não tenha passado isso tudo. Mas mesmo assim ainda acho 4 e 6 semanas muito pouco, você não acha não, João?

        • João Manoel

          Não acho. Não tirei esses dados da minha cabeça. Conforme expliquei, foi o próprio produtor da série que disse isso. Se você der uma pesquisada rápida nos sites especializados na “franquia” (pode ser até os nacionais mesmos) você encontrará as mesmas especulações. Além do mais, usando só com um pouco de coerência, você perceberá que tem walkers muito “fresquinhos” para quem está morto a 2 anos
          Abraços.

          • João Manoel

            P.S.: na pressa de escrever ocorreram dois erros, sendo um deles imperdoável: existe um “com” depois de “só” na antepenúltima linha de meu comentário que obviamente não deveria estar ali; e é claro que ao me referir ao tempo que os walkers estão mortos, quis dizer “há” 2 anos.
            Grato.

          • Vinícius Fernandes

            Faz sentido o que você disse, João. Não tinha pensado por esse lado, valeu pelo esclarecimento! 🙂

    • Vinícius Fernandes

      Alicia é a melhor de todas até agora, principalmente porque ainda gosto dela de The 100, me apeguei a atuação dela.

      • Maysa

        Exato, não importa o personagem que ela faça agora, eu sempre vou “ver” a Lexa, e transferir o quanto eu gostava da personagem pra qualquer outro.

        • Vinícius Fernandes

          Sinto o mesmo, Maysa! Lexa lives forever, ai acabo vendo na Alicia também!

      • Caroline Silva

        LOL exato! Sabe quando vc se apega tanto ao personagem que transfere o amor para a atriz/ator pq mostrou uma performance tão brilhante que nao importa o quanto a pessoa mude de papel se interpretar uma árvore vai despertar sempre aquele sentimento especial no meu coração. Alycia Debnam-Carey tá na prateleirinha dos favoritos pra sempre agora.

        • Vinícius Fernandes

          Dizem os boatos, inclusive, que eu só continuo assistindo Fear por causa da Lexa.. hahaha

  • vinland

    Eu queria saber como Alicia e Madison se encontraram tao rapido nesse episodio. No episodio apos Madison fugir no bar, deu a entender que elas se encontram no mesmo dia desse acontecimento, mas Alicia tinha passado a noite no andar de cima, e boa parte da manha tambem. Achei isso bem esquisito.

    • Rafaela

      Acho que demorou para Madison encontrar Alicia, lembre que quando a cena foca de novo em Madison e Strand após eles se salvarem, os dois já tinham tomado banho e trocado de roupa. O tempo passado nas cenas é curto, porém mais longo para os personagens. Bom foi essa minha impressão.

    • André

      Só Alicia? Eu considero Strand e principalmente Madison fodas tmb

    • Vinícius Fernandes

      Também achei essa rapidez bem estranha. E outro ponto que me deixou encucado é quando ela escuta a Alicia batendo na porta. No episódio passado a Alicia não grita “mãe” em momento algum, tanto que ela até se assusta quando a porte abre e é a Madison, mas no dessa semana aparece a Madison tentando abrir e a Alicia gritando pela mãe. Ficou bem estranho.

      • vinland

        Sim isso tambem de ela ficar gritando mae, achei bem estranho. Achei um furo enorme isso.

        • Vinícius Fernandes

          Sim, foi um baita furo! Só pensei nisso depois de escrever que fui ver a cena do anterior de novo.

  • Caroline Silva

    O Nick tem seu atestadinho de protagonista mas ainda tem que crescer muito como personagem para se tornar e merecer quem sabe o título de líder da história ou de um grupo em si. Ele sabe sobreviver nesse mundo de cão, sim, mas mesmo por trás de toda a esperteza que adquiriu sendo um viciado ele ainda guarda uma inocência que eu considero bem perigosa. Ele é influenciado facilmente por justamente não ter raízes, ele é uma pessoa essencialmente perdida. Madison e Alicia, por outro lado, possuem o maior potencial de liderança a ser desenvolvido e gostaria muito que as duas seguissem amadurecendo a parceria. Strand também é muito interessante, é um personagem com camadas que dá gosto de explorar. Só faria um apelo aos roteiristas PELO AMOR DE NOSSA SENHORA DAS SÉRIES USEM A OFELIA COITADA! Chris e Travis preciso nem falar…apenas um “aff” para eles.

    • Vinícius Fernandes

      Concordo em gênero, número e grau com você, Caroline! Principalmente com relação a Ofelia, está mais do que na hora dela voltar e ter mais atenção.

  • Caroline Silva

    E gente: PASSOU 2 ANOS NÃO MEU POVO! Ou teria eu dormido durante a passagem de tempo?!

    • Vinícius Fernandes

      Não sei se passou dois anos, eu apenas aproximei levando em conta que já estamos na 2ª temporada (um ano pra cada), mas com certeza não deve ser dois anos haha

      • Leonardo Ferreira

        Isso seria bem absurdo…

        • Vinícius Fernandes

          Com certeza, erro meu! 🙂

    • Lays Araújo

      Na review passada tem até o comentário sobre o bolo. Eu acho q não tem nem um ano ainda kkkkkkkk

      • Vinícius Fernandes

        Comentário sobre o bolo? Não vi! hahaha

        • Lays Araújo

          Putz, Vinicius. To procurando aqui e não achei pra te mostrar. Ou então li em outro lugar. kkkkkkkk

          • Vinícius Fernandes

            Hahaha sem problemas! Quando você falou “bolo” eu lembrei de tudo, menos do bolo do casamento haha Agora que reparei que ele tava inteiro!

        • Lays Araújo

          Mas no episódio passado mostra a cena da festa do casamento e talz. E quando volta pro tempo atual o bolo do casamento tá quase da mesma forma kkkkk

  • edujakel

    Quem mordeu o cara lá foi o próprio menino Q ele foi salvar. Se não me engano ele menciona que o moleque tava drogadão e se misturou em meio aos walkers. Então ele tava pirada na batata e mordeu o cara. Por isso ele acha Q foi um zumbi.

    • Vinícius Fernandes

      Engraçado que você não é o primeiro que eu escuto (leio xD) dizer isso. Por mais cômico que pareça eu estou começando a acreditar nisso também!