Falling Water 1×02: Calling the Vasty Deep

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Sonhos na perspectiva de realidades alternativas.

Enquanto a premiere de Falling Water foi uma completa bagunça filosófica, o segundo episódio veio com a missão de organizar alguns detalhes que ficaram perdidos no caminho. Três plots continuam se cruzando sem necessariamente nenhum protagonista ter contato direto com o outro, e isso pode em algum momento ser perigoso para a narrativa. O show peca demais em querer distanciar os três interligando com pontos em comum, o que na prática não funciona se você não tiver um roteiro inteligente e bons diálogos. Falta muita coisa em Falling Water, e uma delas é crescer o mistério em torno de um garoto que pode nem existir e por algum motivo conecta todos os protagonistas. Tudo soa muito vago, sem ângulos definidos, sem identidade. Quantos episódios serão precisos para resolver um assunto que já começou estranho?

Ainda sobre o garoto misterioso, que pode ser (ou não) o filho de Tess. Infelizmente o show falhou demais em conectar todos os plots com ele, que chega a ser difícil acreditar no que pode ser verdade, cansativo até. A ideia de ter um culto que utiliza seu rosto como identidade e um músico que desenhou o mesmo rosto em meados de 1980 é interessante, mas não instiga, não atrai visualmente e torço demais para que a revelação seja feita o quanto antes senão irá desgastar a narrativa e atrasar o que seria uma grande oportunidade.

Nas duas vezes que o garoto apareceu no episódio foram em contextos semelhantes que terminaram de forma diferente. Tess avistou o garoto fugindo de dois homens sem rosto, enquanto que Taka viu o menino com os homens que o levaram para algum lugar de forma amigável. Provavelmente os homens querem manter Tess longe dessa idea de que o garoto seja o filho dela, e talvez os homens precisem de Taka para algo. Agora, o que isso significa eu não sei.

FALLING WATER -- "Calling the Vasty Deep" Episode 102 -- Pictured: David Ajala as Burton -- (Photo by: Michael Parmalee/USA Network)
Burton em Calling the Vasty Deep

Burton foi personagem que mais cresceu dentro da premissa sonhos & realidade. Ele ouve a irônica frase “Você não pode ter uma relação que só existe em seus sonhos” e na sequência reencontra com a mulher que (aparentemente) só existe nessa realidade alternativa. Calling the Vasty Deep acertou ao deixar claro que essa mulher não é só teoricamente irreal, mas também fruto de algo mais profundo que Burton está começando a compreender e aceitar. Sem contar o fato de que a empresa em que ele trabalha está de alguma forma relacionada com Topeka e aquele culto estranho que Taka está investigando.

Tess, apesar de tudo, preserva o maior legado que Falling Water pode alcançar daqui pra frente. Por mais que o segundo episódio seja uma reciclagem do piloto em termos visuais, a narrativa mostrou uma Tess cada vez mais perto de conseguir o que tanto deseja e convicta em relação ao que pretende com relação ao experimento bilionário.

E qual o significado da água que aparece nos sonhos deles? A série poderia muito bem ser menos tímida em relação a essa revelação, porque segurar um mistério tão simples com dois episódios longos é declarar pena de morte sem ao menos dizer a que veio. Mistérios possuem expectativa de vida, precisam de complexidade, horas marcadas e conclusões que se revelam sutilmente. Entretanto o show parece estar pedido no meio disso tudo e por quanto resume apenas como um produto frustrante.

PS1: Ao menos 8 episódios foram confirmados até agora. 

PS2: Será que o garçom daquele restaurante que aparece nos sonhos de Burton (o mesmo que tomou lugar daquele homem que se suicidou) compreende essa dinâmica de realidades?

PS3: Provavelmente o interesse amoroso de Tess faça parte daquele culto e está disfarçado. Provavelmente. 

PS4: Sem muita esperanças para Falling Water até aqui. O que estão achando?

  • Reinaldo

    A idéia central da série é boa. Vamos ver como se desenvolve. Por enquanto, dando uma chance a série. Obrigado pela review.