Elis – O Filme não se arrisca em seu formato

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Elis Regina fazia jus a alcunha de “estrela”. Como um corpo celeste que surgiu no céu da recém-criada MPB, a moça oriunda de Porto Alegre conquistou não só o Brasil, mas o Mundo. Com uma potência vocal e musicalidade ímpar, sua presença de palco só era ofuscada pelo seu gênio forte que lhe rendeu o apelido de “Pimentinha”. Elis – O Filme (2016), cinebiografia que estreia essa semana, sobre o período entre o surgimento dela na cena musical carioca e a sua morte com 36 anos de maneira prematura, dá um panorama ao conturbado contexto social da época em que ela alcançou seu sucesso.

O meio ambiente boêmio carioca, a Bossa Nova, o surgimento da MPB, os shows na televisão, a chegada da Jovem Guarda e as inovações musicais, os anos de chumbo da ditadura, os relacionamentos conturbados, a mudança dos paradigmas musicais… O filme cobre os diversos períodos de sua vida ao mesmo tempo que vai expondo uma galeria de figuras marcantes da época e da vida da cantora: Lennie Dale (Julio Andrade), Luis Carlos Miele (Lucio Mauro Filho), Nelson Motta (Rodrigo Pandolfo), Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), César Camargo Mariano (Caco Ciocler)…

Elis – O Filme
Elis – O Filme

Hugo Prata acerta em cheio ao escalar Andréia Horta no papel principal. A atriz mineira tem momentos de transmutação na tela, emulando com perfeição os trejeitos de Elis, se transformando em alguns momentos na própria, dado ao incrível jogo de luz e sombras exposto na tela. Em certos momentos a semelhança assusta. Machado e Ciocler, Bôscoli e Camargo Mariano respectivamente, também são responsáveis pelos momentos mais dramáticos da película, entregando momentos singelos e bem realizados retratando os dois casamentos da cantora, com seus altos e baixos. Outro ponto interessante é o paralelo histórico com o período que vivemos hoje.

Elis – O Filme
Elis – O Filme

No entanto, a força do formato novelístico ainda é muito forte no cinema comercial nacional. A narrativa pesa a mão em certos momentos criando sequências que destoam do conjunto geral, principalmente naquelas que exigem uma certa carga dramática mais explícita. Não bastasse os maneirismos televisivos, os saltos temporais também comprometem a ligação do público com a história de uma das figuras mais conhecidas do cancioneiro nacional. Ironicamente falando, seria na televisão que talvez a história tivesse mais espaço para ser melhor trabalhada, com seu formato episódico e de longa duração.

O resultado final é uma obra coesa, mas que se demonstra bem aquém com a figura que retrata. Elis – O Filme não se arrisca em seu formato, mas entretém na medida do possível, comprovando que a derrocada do artista é ele próprio, em sua constante batalha contra o ego. No horizonte noturno da música brasileira, Elis ainda permanece como uma estrela: não está mais lá, mas seu brilho ainda pode ser visto e estudado com afinco. Uma lembrança de quando a música brasileira estava em um dos seus melhores momentos.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Downtown Filmes

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  • Walber Lima

    Desde que vi essa atriz, Andréia Horta, fazendo a novelinha da Record, Alta Estação, sou fã dela e vi sempre mt potencial nela e torcia pelo sucesso, que começou com Alice da HBO e fico mt feliz dela ter sido a escolhida por representar logo a grande Elis Regina e com tanto cuidado na interpretação.

  • Maria do bairro

    O formato novelistico pode ser explicado pelo fato que o filme vai ser exibido como minissérie na TV.

    • CoopLc

      Puta merda, a Globo sempre mete dessas. Parte a porra do filme em 20 pra exibir um pedacinho a cada dia.